Royals
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Era naqueles momentos que uma calça jeans realmente fazia falta. Como eu iria sair correndo atrás de alguém uma vez que eu estava vestindo uma saia longa e ainda por cima fina?
–Você tem certeza que quer ir? –Thomas havia ficado visivelmente irritado por eu ter concordado em ir sem consultá-lo antes. Revirei os olhos.
–Bastante. Você deveria estar mais feliz, sabia? Uma vez que saibamos qual é a ideia de Gordon, melhor ficaremos.
–Não é tão simples. –Falou. –Mas você não vai fazer mais nada essa noite sem me consultar, compreende?
–Você é muito controlador, sabia? –Provoquei, indo atrás de uma capa mais grossa para usar.
–Eu tomaria cuidado se fosse você. –Ameaçou, beliscando minha cintura. –Vamos logo antes que eu mude de ideia. –Falou, abrindo a porta para mim.
Descemos a torre em segundos e encontramos Arthur e Kate nos esperando, ambos parecendo tranquilos até.
–Nós vamos pegar cavalos. –Kate informou.
–E quanto aos guardas? –Perguntei.
–Não vão ser problema. Já os avisamos que estamos saindo para uma caça. –Arthur deu de ombros. –Mas agora devemos ir antes que seja impossível localizar Gordon.
Nós saímos pelos corredores do palácio tentando não fazer muito barulho e fomos direto aos estábulos, onde um empregado não hesitou em preparar-nos quatro cavalos.
Montei em Rex com toda a habilidade que eu não tinha e saí galopando direto atrás de Kate. Era legal nós sermos mais ágeis que eles em determinadas coisas.
Descemos a colina o mais rápido possível e passamos pela cidade em questão de segundos, adentrando direto na mata fechada.
Eu não sabia para onde estava indo, mas Kate parecia não ter dúvidas em relação ao caminho que estava tomando, então eu não questionei nada, apenas me deixei ser levada.
Tomamos uma direção que ia para o Leste, onde meu pai não controlava, mas não paramos nem quando cruzamos a fronteira, apenas continuamos, todos quietos e em silêncio.
Quando contei uma hora desde que saímos do palácio, Kate diminuiu a velocidade até parar atrás de uma árvore bem espessa, em frente à uma clareira.
–O rastro termina aqui. –Kate anunciou, descendo de seu cavalo. Fiz o mesmo, embora estivesse mais confusa. Que rastro?
–Como você sabe? –Perguntei.
–Eu tive alguns flashes quando estávamos indo dormir mais cedo. Mas a última visão que tive foi quando Gordon chegou à esse lugar, exatamente.
–E agora? –Arthur perguntou, amarrando as rédeas de seu cavalo num galho.
–Eu acho que a gente espera.... –Ela foi cortada por barulhos de passos em folhas secas, longe, porém vindo em nossa direção.
Thomas não hesitou em me colocar atrás dele e me manteve ali segurando meu braço com mais força que o necessário.
Nós esperamos um minuto muito longo até que vimos duas cabeças cruzando a clareira. Senti meu coração voltar ao ritmo normal quando reconheci as pessoas como sendo Sarah e Alex, embora não tenha entendido exatamente como eles estavam ali.
–O que vocês estão fazendo aqui? –Kate perguntou, mais desconfiada e impaciente que eu.
–Bom ver você também, Kate. –Alex falou com sarcasmo. –A escola foi atacada hoje e entramos naquela passagem que dava para o bosque e saímos por aqui. –Explicou. –A escola foi evacuada e não sabemos muito para onde ir. –Ele falou com normalidade, então eu aceitei aquela explicação.
–O que estão fazendo aqui? Não deveriam estar no palácio? –Sarah perguntou. Achei estranho ela soar tão tranquila.
–Temos coisas para resolver. –Kate devolveu, soando ríspida. Acho que ela estava entrando em posição de ataque. –Vocês não deveriam estar aqui, é suspeito. Onde estão os outros?
–Nós nos separamos em grupos. Eles estão por perto. –Sarah falou, mas só o fato dela ter tremulado para falar entregou o jogo.
–Você está mentindo. –Acusei, saindo de trás de Thomas e preparada para lançar qualquer feitiço que me viesse à cabeça. Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, um grito agudo soou não muito longe e meu coração simplesmente parou quando reconheci a voz de Olívia.
Não pensei duas vezes antes de sair correndo, embora Thomas tenha me humilhado um pouquinho alcançando uma velocidade impossível para mim.
–Amy, não! –Arthur gritou lá de trás, e eu me virei para encará-lo rapidamente. Algum tipo de barreira projetada por Sarah os estava impedindo de passar. Mas eu precisava continuar.
Fiquei satisfeita por não ter caído nenhuma vez, mas não pude comemorar, não deu tempo. Assim que entrei em uma outra clareira próxima, de onde vinha o grito, encontrei Gordon com uma Olívia imobilizada sendo segurada pelos cabelos e ameaçada por uma adaga em seu pescoço. Ao redor dos dois, harpias contentes assistiam tranquilas e Thomas estava sendo freado por outra barreira.
–Finalmente, irmã. Por que não se aproxima? – Gordon perguntou, sorrindo horrivelmente.
–Solte-a. –Ordenei.
Ele riu.
–Bem que eu queria, maninha, porém vai ser meio complicado, sabe? Você me traiu da pior maneira possível. –Falou, apertando a adaga no pescoço de Olívia que não era capaz nem de se mover, provavelmente por conta de um feitiço.
–Nunca fiz nada para você. –Falei, sem conseguir evitar a expressão de nojo.
–Tem certeza, mana? Como você me explica isto? –Perguntou, mostrando-me o colar com a pedra negra que Olívia havia recebido quando se tornara minha conselheira.
–Não é assunto seu, Gordon. Largue-a! Você não quer perder a cabeça. –Ameacei. –Você sabe muito bem que não pode contra mim.
Ele riu mais ainda, fazendo um aceno com a mão para uma harpia, que saiu rapidamente e voltou trazendo uma Lena e um Paul amarrados.
–Talvez seja assim, de fato. Porém a escolha é sua, mana. Se me atacar e soltar minha noive traíra, perde seus amiguinhos da escola. Se optar por salvar seus amigos, diga adeus à irmã de seu noivo antes. –Ele sorriu, maléfico.
Respirei fundo várias vezes tentando entrar em compasso, mas tudo que consegui foi entrar num pânico maior ainda.
–Seu tempo está acabando. –Gordon cantarolou.
Eu não poderia escolher, não porque não fosse tentar, mas porque Gordon não deixaria. Assim que movi um passo em sua direção, ele fez o movimento que conseguiu tirar a vida de minha amiga em apenas um mísero segundo.
Não consegui conter o grito de horror e isso acabou rompendo a porcaria da barreira e espantando pelo menos metade das harpias. Corri em direção ao corpo já sem vida de Olívia e precisei me conter para não acabar perdendo a consciência.
Foi tão rápido o que aconteceu em seguida. Em um momento Thomas se jogava ao lado do corpo da irmã, já no outro ele me olhava com tanta cólera que eu sabia que ele estava totalmente fora de si, e com uma raiva desproporcional de mim. Fui puxada para trás por Lena, que conseguira se soltar, mas antes que eu pudesse respirar e tentar conter as lágrimas, Thomas lançou-se em minha direção, com um salto que seria certeiro e mortal. Ele só não acabou comigo ali mesmo porque Paul me jogou para trás e tomou o golpe.
Tentei me erguer quando vi Arthur e Kate correndo em minha direção, sem entender o olhar de horror que Arthur me dava. Ele ergueu um braço e Kate arregalou os olhos para mim, gritando alguma coisa que eu não entendi. Bem, tudo o que eu senti depois foi algo duro batendo contra minha nuca.
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