Royals

24 Capítulo 24


Notas iniciais
Ninguém pode reclamar agora, eu escrevi quase 4000 palavras para vocês U.U E eu estou extremamente feliz porque eu ganhei vários favoritos e uma recomendação mágica *O* Obrigada muito, Little Dhampir, pela recomendação, amei cada palavra, de verdade >,< E os comentários foram lindos *-* Essa semana está sendo fantástica :DDDDDDDD Espero que gostem do capítulo, embora ele seja um dos mais pesados até agora. Beijooos

Eu já tinha acordado naquela manhã com uma sensação ruim e não era simplesmente pelo que Thomas havia me dito na noite anterior. Dez minutos depois que todos nos sentamos para tomar café, um mensageiro entrou no salão totalmente afobado.

–Majestade! A aldeia de Myaga foi destruída na noite passada. Os sobreviventes estão desesperados na praça principal.

Meu pai empurrou seu prato lentamente e então se levantou.

–Peça aos operários para prepararem novas residências em Dawnhill e eu vou movimentar minha equipe de pesquisa em campo. –Ordenou, fazendo com que o mensageiro se curvasse e então saísse apressado. –Gordon e Olívia. –Ele se virou para nos encarar. –Preciso que vocês dois atendam à reunião que eu convoquei para o almoço. –Ele falou e os dois consentiram. –Arthur e Katherine, vocês vão sair agora para Dawnhill para fiscalizar as preparações para a chegada dos aldeões. E vocês dois.... –Ele olhou para mim e Arthur. –Vão para Myaga para encontrar estes sobreviventes e dar-lhes segurança até que cheguem em Dawnhill. Todos entendidos? –Ele perguntou e todos nós concordamos com movimentos de cabeça. –Podem ir.

Nós saímos da mesa mesmo sem termos terminado de comer e nos dirigimos para o pátio, já totalmente arrumado sem as coisas do casamento e com um monte de guardas armados já posicionados para sair.

Havia dois grupos, um menor usando as cores azul e prata e indo para Dawnhill, e o outro usando preto e prata que iria para Myaga.

Eu recebi uma capa negra pesada e um cavalo também negro. Nós não usaríamos carruagens porque elas seriam destinadas aos aldeões e, honestamente, eu preferia mil vezes o cavalo. Estava montada em Rex, cavalo que eu ganhei de meu pai dois dias atrás e era um dos únicos cavalos mais escuros. Thomas montou em um alazão ao meu lado e parecia um tanto sério.

Na verdade acho que todos ali estavam sérios e preparados para enfrentar uma briga caso fosse necessário, só eu que estava numa mistura de confusão e nervosismo.

–Liberando o primeiro pelotão! –Algum dos homens gritou e o portão principal se abriu, liberando o grupo que ia para Dawnhill.

Nós fomos liberados meio minuto depois e eu me segurei firmemente na cela. Sim, aquele cavalo corria mais que um carro, porém não era difícil montá-lo, principalmente porque ele nem parecia roçar as patas no chão. Só me segurava mesmo porque se caísse provavelmente doeria pacas. Não sabia como minha coroa não saía de minha cabeça também, achei aquilo bem estranho....

De repente eu senti um desconforto, como se estivesse sendo observada. Mas era óbvio que eu estava, havia milhares de soldados me cercando! Eu devia estar ficando doida, mas a sensação não queria sair.

Fiquei meia hora tentando me convencer de que era apenas o estresse e nada mais, porém nada aconteceu.... E só piorou quando chegamos em Myaga. Era como se eu sentisse algo parecido com um campo energético muito forte.

Quanto à vila, bem, ela estava um caos. Muitas casas estavam destruídas, o céu estava estranhamente negro e era possível avistar corpos no chão. Eu precisei me segurar muito para não vomitar.

Nós paramos quando chegamos à praça, pois vimos vários aldeões assustados aglomerados em um único grupo. Eles pareceram receosos quando nos viram, mas então pareceram aliviados quando perceberam quem éramos.

–O que fazemos? –Perguntei à Thomas quando vi o mesmo descendo do cavalo.

–Princesa, você deve falar com eles. -O comandante me instruiu.

–O que eu digo? –Perguntei.

–Que eles estarão seguros e serão levados à Dawnhill. Procure também pelo líder da aldeia para contar o que aconteceu.

–Certo. –Murmurei. Eu nunca fui muito segura para falar em público, mas sabia que era necessário.

Pulei do cavalo com cuidado para não me estatelar no chão e os guardas abriram espaço para que eu e Thomas passássemos e encarássemos aquelas pessoas, que ainda fizeram reverências e pareceram surpresas com nossa presença.

–Feiticeiros de Myaga. –Comecei, torcendo para não gaguejar ou travar no meio. –Onde está seu líder?

–Morto, alteza. –Um homem respondeu.

–Certo... Nós os levaremos em segurança para Dawnhill, onde terão suas respectivas casas e condições para continuarem vivendo o mais normal possível. Dividam-se em grupos de sete pessoas, por favor e meus homens irão levá-los às carruagens. Eu preciso de um voluntário que tenha presenciado os ataques para falar comigo, por favor.

Acho que foi o suficiente. Os soldados foram ajudar a arrumar os grupos e resgatar os pertences importantes das pessoas e eu me afastei com Thomas e um aldeão de uns cinquenta anos, que se ofereceu para falar comigo.

–Eu agradeço sua presença, princesa. –Ele murmurou.

–É o mínimo, senhor. Como posso chamá-lo?

–Chamo-me Gerald, alteza.

–Certo, Gerald. O que o senhor viu noite passada? Consegue descrever? –Pedi.

–Oh, sim, alteza. O céu começou a escurecer e o frio aumentou de um jeito horrível. Eu estava cozinhando para minha esposa quando ouvimos o primeiro grito, e então eu corri para fora de casa. Consegui ver sombras gigantes de seres negros e com asas de uns cinco metros, e então comecei a ver a neve manchada de sangue. Minha vizinha havia sido morta bem próximo à minha casa. As pessoas correram e começaram a gritar desesperada, soltando feitiços que eram inúteis. A maioria das crianças foram levadas e os adultos que tentaram interferir foram mortos cruelmente. Sofremos uma redução de quase metade da população.

–Eu sinto muito, Gerald. Mas estarão seguros agora e tentaremos recuperar as crianças. –Falei.

–Harpias, princesa. Creio que as criaturas eram harpias. As crianças devem estar mortas nesse momento.

Isso não parecia nada bom.

–Com licença, Gerald. O que aconteceu com a barreira? Ela deveria manter qualquer criatura que não feiticeira fora. –Thomas falou.

–Oh, sim, alteza. Eu não sei dizer... Realmente as harpias não deveriam ter conseguido invadir.

–Sabotagem, talvez? –Perguntei.

–Creio que não. Acredito que tenha havido algum híbrido. –Tom falou, parecendo preocupado. –Vocês receberam alguma ameaça ou sinal de ataque anteriormente?

–Não, alteza. Estava tudo normal e tam.....

Eu parei de escutar a conversa quando captei um vulto negro dobrando a esquina de uma das ruas que faziam ligação com a praça e não pensei duas vezes antes de sair correndo atrás. Soube que era aquilo que estava me observando de algum jeito e, quanto mais me aproximava, maior o campo de energia parecia.

–Amy! –Escutei Thomas gritando ao longe. Ele soou tão desesperado que eu precisei parar para olhar. Ele estava dando socos no ar, sem conseguir vir até mim. Alguns guardas correram para tentarem me encontrar, mas ficaram presos no mesmo lugar, como se tivesse uma barreira invisível os proibindo de passar para o meu lado.

Aquilo só podia significar problema e eu sentia que estava exatamente no meio dele.

Respirei fundo e resolvi que ir atrás do vulto era a melhor coisa que eu poderia fazer uma vez que eu já estava extremamente ferrada. Mas foi só das três passos que eu fui coberta por uma sombra monstruosa.

É, pois é, fui achada por aquele ser nojento de sei lá quantos metros, todo negro e tão magro que parecia anoréxico. A única coisa que talvez pudesse dar medo era os dentes afiados, fora isso aquela criatura parecia extremamente desagradável, feia, nojenta e sem graça. Não consegui ficar com medo, estava esperando algo mais horripilante.

–Finalmente nos encontramos, princesa. –O bicho tinha uma voz fina, parecia que ia se quebrar no meio.

O esperei pousar em minha frente e cruzei os braços na altura do peito.

–Você poderia ter marcado um horário. –Respondi.

–Eu não queria você preparada, princesa. Meus superiores irão me louvar quando lhes entregar sua cabeça.

Revirei os olhos. Como se aquela porcaria pudesse levar minha cabeça sem pelo menos perder todos os membros.

–Por que não discutimos o que é importante? Você é uma mistura de quê? Galinha e sujeira? –Provoquei apenas porque estava me sentindo meio frustrada por dentro.

Senti que aquela criatura não tinha a força que eu estava sentindo antes, ela era muito fraca mesmo.

–Cuidado com o que diz, garotinha, posso deixar sua morte muito mais lenta e dolorosa.

Fiz uma careta.

–Não faça esse tipo de ameaça, por favor. Está mais para aqueles filmes de terror dos mortais. Ridículo e clichê.

–Você vai sofrer, princesinha. Eu sou uma mistura de harpia e feiticeiro, é óbvio. Por que você não me conta o que é?

Franzi o cenho.

–Sou uma feiticeira, seu estúpido. E você vai me dizer para onde levaram as crianças simplesmente porque você é uma criatura fraca. –Ele rugiu, extremamente irritado e eu bufei, impaciente.

–Nem morto, princesa. –Ele se preparou para atacar e eu bufei.

–Tentei negociar com você. –Falei, antes de estalar os dedos e fazê-lo congelar por completo, antes de explodir em milhares de cacos.

Se eu tinha feito aquilo antes? Não, mas era muito legal.

Respirei fundo e olhei para trás. Eles ainda não tinham conseguido quebrar a barreira e então eu soube que ainda não havia acabado.

Continuei seguindo para o final da rua e a dobrei, dando de cara com uma mulher.

É isso mesmo, havia uma mulher muito bonita, alta, de pele morena e cabelos negros esperando por mim. Ela usava um vestido verde longo e uma capa negra. Mas o que mais me chamou atenção era que toda aquela força que eu sentia estava vindo dela.

–Fico contente que nos encontramos em fim, Amy. –Ela sorriu com sinceridade. –Não tenho muito tempo, mas trago algo para você. –Ela tirou um livro médio, de capa de couro velho e marrom e me entregou.

–O que é isso? –Perguntei, confusa.

–Um livro importante. Mandaram-me entregá-lo. –Falou, ainda sorrindo.

–Obrigada... Eu acho. Quem é você?

–Uma mensageira. E eu trago avisos. –Ela de repente ficou séria. –Você irá enfrentar mudanças em um período curto de tempo e não deve contá-las à alguém que não seja seu noivo, é muito importante.

–Que tipo de mudanças? –Aquilo era esquisito.

–Todos os tipos. –Falou. –O segredo é importante para todas que são como nós. Agora outra coisa, e preste atenção que isso vem de todas nós para você. Não há uma única coisa que você não seja capaz de realizar, princesa, porém você não deve jamais mexer com a morte até estar pronta. Não importa quantas centenas você praticou, a magia da morte requer milênios para poder ser realizada com eficácia. Você deve aceitar a morte por enquanto, ou poderá causar danos incorrigíveis, compreende?

Por que ela estava falando de morte?

–Sim.... Mas eu vou morrer? –Pergunta tosca e egoísta, eu sei, porém não consegui evitar.

–Jamais, princesa. Tampouco envelhecerá. Entretanto, você verá a morte em breve e deve se preparar para fazer nada.

–Quem irá morrer? –Perguntei, com medo.

Ela sorriu triste para mim.

–Eu não estou autorizada a dizer, Amy. Há coisas que a gente simplesmente não pode interferir. Logo você vai entender. Agora você deve ir, criança.

–Mas.... Você por acaso sabe o que aconteceu por aqui?

Ela assentiu.

–Sim. Eu vivi durante a maior das guerras, consigo saber o que exatamente houve por aqui. Você é forte o suficiente para dar um jeito nessa situação inteira, porém ainda é despreparada. Leia o livro, proteja as pessoas, elimine a ameaça. Faça nessa ordem e tudo dará certo. Uma vez que você consiga resolver a situação, seres como nós poderão voltar ao cenário e a paz deverá reinar.

–Quem te enviou foi minha....

–Não diga isso em voz alta! –Ela repreendeu. –Não é importante agora.... Eu devo ir. –Ela desapareceu no ar no mesmo instante e eu fiquei confusa. Só entendi quando vi Thomas me alcançar.

Eu ignorei qualquer palavra ou bronca que ele estava prestes a me dar e pulei em seu pescoço. Óbvio que ele não entendeu, mas me retribuiu o abraço.

–Você é imortal, não é? Vai viver para sempre? –Resolvi me certificar.

–Sim. O que houve?

–Fui informada de que alguém próximo vai morrer. Eu não posso perder você.

Ele afagou meus cabelos e me deu um beijo na testa.

–Você não vai. –Assegurou, tentando me tranquilizar. –E o que te deu na cabeça para sair correndo para encontrar uma harpia? –Respirei fundo, me recolocando no chão.

–Não tive problemas com a harpia, era fraca. –Me defendi.

–Eu vi.

–Como conseguiu passar da barreira aliás? E cadê os guardas?

Ele me olhou e eu percebi que estava escondendo alguma coisa.

–Eles ainda não conseguiram passar. Eu nunca fiquei preso por causa da barreira, mas não poderia passar.

–Por que não? –Desconfiei.

–Porque eu tenho um segredo, Amy. –Eu ia retrucar qualquer coisa, mas um barulho vindo de dentro da casa ao lado fez com que meu coração parasse. –Fique aqui.

–Você não pode ir lá dentro!

–Amy, há pessoas mortas aí dentro e não há mais criaturas aqui dentro, não pode sentir? E eu ouço um coração batendo. –Explicou, se soltando de mim e entrando decidido dentro da casa.

Foram longos minutos dolorosos para que Thomas voltasse, carregando uma criança no colo.

Era uma menina de uns cinco anos, de pele alva e cabelos louros cacheados, além de grandes olhos azuis. Eu quase chorei ao constatar que ela estava suja de sangue e parecia aterrorizada, com lágrimas desesperadas escorrendo de seus olhos enquanto se agarrava ao pescoço de Thomas.

–Oh, céus. Ela está machucada? –Perguntei, indo de encontro com os dois.

–Não. Estava ao lado do corpo da mãe. –Thomas murmurou. Eu engoli em seco, com medo de que a menina nunca mais fosse esquecer o que vira.

Fiz Thomas me entregar a menina que rapidamente se agarrou em mim e percebi que a mesma usava um vestido sem mangas branco e que estava morrendo de frio.

–Vamos, ela precisa de roupas limpas e quentes. –Falei e ele assentiu, caminhando comigo em passos largos.

Os guardas se aliviaram quando me viram voltando ao lado de Thomas e eu desfiz a barreira com um aceno de mão, passando por eles com poucas explicações básicas.

–Com quem nós deixamos a menina, alteza? –O guarda perguntou.

–Ela vai comigo. –Respondi. Olhei para Thomas para ter certeza e ele concordou com a cabeça.

–Tem certeza, alteza?

–Sim. Quando chegarmos à Dawnhill arrumarei roupas para ela e então virá comigo para o palácio. Ela não tem família.

–Assim seja, alteza. Consegue levá-la em seu cavalo?

–Eu cuido disso. –Thomas se ofereceu e eu acabei concordando. Era mil vezes melhor que ele levasse a menina do que eu.

–Certo. –Concordou. –Batendo em retirada! –Gritou e eu montei rapidamente em meu cavalo, seguindo o ritmo do grupo.

Antes que começássemos a correr, entreguei minha capa para que Thomas cobrisse a menina e não me importei muito com o frio, tentando curtir o vento gelado como forma de aliviar meus pensamentos sobrecarregados.

Levamos um pouco mais de uma hora para chegarmos a Dawnhill, mas quando chegamos fomos recebidos com precisão.

Fiquei surpresa com a cidade, que era mil vezes maior que Myaga, do tamanho de uma cidade normal dos mortais mesmo e bem equipada, com construções de todos os tamanhos.

As casas já estavam prontas e preparadas para receberem os aldeões, segundo os comandos vindos de uma Kate cansada e um Arthur mais ainda. Enquanto eles coordenavam o processo, fui com Thomas e a menina até a primeira loja que avistamos.

–Altezas! –Vi a mulher do balcão engasgar e cambalear. –Como posso ajudar? –Perguntou, fazendo uma reverência atrapalhada.

–Precisamos de roupas para a menina. –Thomas se adiantou.

–E eu preciso do banheiro, por favor. –Adicionei.

–O banheiro fica ao lado do caixa, princesa. –Ela balbuciou e eu peguei a menina no colo, levando-a até o banheiro.

Coloquei-a sentada num banco e fechei a porta.

–Qual é seu nome, querida? –Perguntei, ajoelhando-me para ficar da mesma altura.

–Luce. –Ela choramingou numa voz falha.

–Bom Luce, nós vamos te limpar e dar-lhe roupas novas, o que acha? –Perguntei, ligando a torneira e torcendo para que a água saísse quente.

–Onde está a mamãe? –Oh céus, o que se respondia numa hora dessas?

–Você não precisa se preocupar, Luce. Estará segura agora, sim? Deixe-me tirar seu vestido, por favor. –Pedi e felizmente ela deixou.

Tirei a peça de roupa suja e não hesitei em jogar no lixo, molhando um pano na água aquecida por mim e limpando as marcas de sangue de sua pele. Ela era tão branca quando eu e parecia uma espécie de boneca de porcelana.

Assim que eu terminei Thomas bateu na porta e me entregou um vestido amarelo de malha e mangas longas, todo florido.

–Você gosta desse? –Perguntei, mostrando o vestido. Felizmente ela concordou com a cabeça.

–Ótimo. Acho que vai combinar com você. –Falei, vestindo-a com alguma agilidade. Nós saímos quando ela estava pronta e eu encontrei Thomas carregando uma sacola enorme de roupas infantis. Alguma parte de mim sorriu com a cena e então eu peguei um par de botas brancas para que ela não continuasse com a sandália que estava usando.

–Muito obrigada, altezas. –A mulher continuava gaguejando.

–Eu que agradeço. –Sorri com alguma simpatia antes de me retirar da loja. –Sabe para onde vamos, Luce? –Perguntei à menina, tentando animá-la. Ela me olhou confusa. –Vamos ao palácio.

Acho que aquilo fez certo efeito, por seus olhos cresceram.

–Você é princesa? –Ela perguntou.

–Eu sou. –Sorri.

–E dorme numa torre alta? –Aquilo me fez sorrir ainda mais.

–Sim, sim.

–Nossa! –Ela abriu a boca.

Eu ri um pouco e entrei na carruagem que estava nos esperando.

–Você gosta de príncipes e princesas? –Perguntei, colocando-a entre mim e Thomas.

–Sim. Mamãe me contou muitas histórias.

–Eu vou querer ouvi-las mais tarde. Acha que pode me contar?

–Sim, posso sim. Você também ouviu histórias?

–Quando eu era mais nova e vivia com os mortais, escutei várias histórias que eles chamam de contos-de-fadas e que ainda são muito populares entre eles.

–Sério? Você pode me contar? –Pediu, com os olhos brilhando. Eu sorri e concordei com a cabeça.

–Mas é claro. –Concordei.

Nós entramos num rápido silêncio que durou o restante da viagem até o palácio, onde já nos esperavam de portões abertos e gente para receber.

Meu pai resolveu irromper da multidão e vir falar comigo sem se importar muito com cerimônias.

–Eu já fiquei sabendo sobre a criança, Amy. Ela terá segurança, quartos e um título futuro que a provida de bem estar. A única coisa é que ela precisa fazer um exame agora. Com o problema dos híbridos, não podemos nos dar o luxo de não sabermos quem vive sob nossos narizes.

–Eu entendo, pai.

–Bom. Esse é Sir. Louis, ele é perito em exames de espécies. Peço que o acompanhem enquanto o procedimento durar e cuidem da menina enquanto estivermos nessa situação de risco.

–Mas é claro pai. –Concordei, sorrindo para o senhor vestido de branco ao seu lado. –Vamos lá, Luce.

Felizmente ela veio comigo sem contestar, fitando o interior do palácio com imensa admiração. Talvez ela pudesse seguir com uma vida normal se esquecesse....

Deixamos os dois entrarem sozinhos na sala de exames e esperamos na porta.

–Está tudo bem para você? –Perguntei. Não havia tido muito tempo para falar com ele antes.

–Por que não estaria? –Ele pareceu confuso.

–Porque você se manteve quieto.

Ele revirou os olhos.

–Honestamente, princesa? Eu não conheço história alguma sobre contos-de-fadas ou coisas do tipo. O que eu poderia dizer?

Dei de ombros, inclinando-me na ponta dos pés para alcançar seus lábios. Óbvio que ele precisou me ajudar e se curvar, mas são apenas detalhes....

–Nós estamos terminados. –Levei um susto com a porta se abrindo do nada e precisei me afastar com o resto da decência que eu poderia ter. –A menina é perfeitamente pura, apenas uma feiticeira, sem complicações.

–Isso é bom. –Thomas falou, agradecendo em seguida.

–Agora você deve ir tomar um banho. –Disse à Luce.

–Onde?

Eu estava prestes a responder quando uma empregada se apressou, sendo seguida por outras duas.

–O quarto da menina já está pronto, alteza. Nós podemos nos encarregar do banho.

–Tudo bem, então. Como posso chamá-las?

–Eu sou Mercedes e estas são Myranda e Grace. Fomos escaladas para servirmos de damas da menina. –A do meio contou e eu não pude deixar de me impressionar com a agilidade de meu pai.

–Muito bem, então. Mas posso ver o quarto? –Pedi.

–Mas é claro, alteza. O quarto da menina é onde antes ficava Lady Katherine.

–Ótimo. –Falei, fazendo menção para que prosseguissem em minha frente, enquanto ia com Thomas atrás.

O quarto que antes era de Kate agora estava todo branco e cor de rosa e quando e quero dizer todo, digo até as esquadrias da janela. Mas me pareceu bonito e adequado para uma menina como Luce, então não vi problema.

As deixamos para que pudessem dar banho em Luce em paz e fomos para meu quarto, uma vez que eu também precisava tomar banho.

Eu reparei em Thomas, vendo que ele parecia um tanto incomodado, até cansado. Pensei durante meu banho inteiro no que poderia ser e só cheguei à uma conclusão quando pude ver as veias azuis sob minha pele horrivelmente branca. Ele estava sem se alimentar por mais de uma semana.

Respirei fundo, vestindo um vestido mais simples e solto e saí do banheiro, encontrando-o deitado em minha cama.

–Tom? –Chamei e ele sentou para me encarar. –Por que você não foi caçar?

Ele suspirou.

–Não é como se eu pudesse sair tirando sangue de feiticeiros em seu reino, princesa. –Falou, mas deu um sorriso de canto e me puxou para seu colo.

–Seu respeito é admirável, senhor. –Brinquei, beijando-lhe os lábios rapidamente. –Mas eu realmente gostaria que pegasse o meu.

Ele sorriu, me jogando de barriga para cima na cama sem nem pensar dois segundos.

–Sua coragem é admirável, senhora. –Devolveu e eu ri. –Eu não vou tomar muito.

Revirei os olhos.

–O quanto você quiser, Thomas. Eu não me importo de dormir umas duas horas. –Murmurei, mas senti que ele não me levou a sério.

O garoto beijou meu pescoço algumas vezes, até não conseguir aguentar a sede e cravar os dentes controladamente em meu pescoço. Respirei fundo algumas vezes e acariciei seus cabelos com uma mão livre. Eu sabia que ele estava com sede, mas só percebi a intensidade da mesma quando senti a velocidade com que ele sugava.

Mas ele não exagerou, tão pouco pareceu ainda estar com sede. Em questão de segundos ele parecia ter dormido uma noite inteira sem interrupções.

–Melhor? –Perguntei, sorrindo levemente.

–Muito. Como está se sentindo? –Perguntou, levantando da cama em seguida.

–Calma. –Murmurei.

–Bom. Mas não levante dessa cama até que eu volte, vou me arrumar. –Foi uma ordem, mas eu não me importei e concordei. Estava com preguiça suficiente para ficar deitada lá pela eternidade, então o assisti saindo e fechando a porta em seguida.

Era engraçado como minha vida tinha mudado tanto desde o final de julho. Estávamos em novembro e eu era outra pessoa, com outras funções e outras necessidades. Também era uma pessoa maravilhosa por aguentar tudo sem enlouquecer muito.

Respirei fundo e rolei para o lado, ignorando a vertigem e pegando o livro que havia recebido em Myaga. Seu título era Verificus Patronus, que eu consegui traduzir para Magia Protetora, seja lá o que fosse.

Quando virei a primeira página, encontrei um escrito à tinta que dizia “Para quem precisa, o melhor amigo”. Só não prossegui porque Thomas entrou no quarto trazendo Luce, os dois de roupas novas e limpas, e me avisou que o jantar seria servido. Guardei o livro em meu closet, no meio das roupas e ordenei ao mesmo que não abrisse suas portas para ninguém que não eu. Eu continuaria lendo-o mais tarde.

Notas finais
Ta-dá!!! Espero que tenham gostado e FELIZ PÁSCOA :DDD Que tenham muito chocolate (embora eu não curta muito), mas abrir os ovos é sempre muito legal *-* Até logo :D