Royals
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Ninguém tentou me acordar no dia seguinte, não sei se foi porque Thomas proibiu ou porque eles tinham juízo. Fico com a primeira opção. Mas quando acordei já tinha passado da hora do almoço e era hora de voltar para a escola.
Fiquei contente de poder voltar. O palácio ainda era esquisito para mim, por mais que fosse o lugar onde eu havia nascido, ele era grande demais e vazio demais, além de ser um lugar extremamente estranho.
Eu havia decidido tentar esquecer a noite passada junto com o resto. Teria uma prova de álgebra na segunda e eu não havia estudado. Não que estudar fosse fazer qualquer diferença uma vez que eu era uma negação em cálculos, porém iria me fazer sentir menos culpada quando fosse receber a nota.
Mulheres que deveriam ser chamadas de damas entraram eu meu quarto quando souberam que eu estava acordada. Precisei me segurar para não amaldiçoar ninguém quando elas insistiram que tinham de me ajudar a trocar de roupa. E por ajudar eu quero dizer me fazer de boneca estúpida.
Não deixei que me apertassem em outro espartilho, então vesti um vestido longo e magenta, no estilo grego da coisa, simplesmente porque sentia a necessidade de respirar. Infelizmente precisei de um maldito salto alto para não ficar tropeçando na barra do vestido, porém se diz que nunca podemos sair com tudo. Fazer o que?
Fui até o salão de jantar onde pessoas vestidas com mantos decorados pareciam impacientes esperando por mim, porque quando eu cheguei escutei um “finalmente” vindo de algum lugar. Eu também estava com fome, oras.
Encontrei Kate e Olívia que se sentaram próximas à mim naquela mesa quilométrica de madeira, mas ao meu lado estava meu noivo. O quão estranho era dizer aquelas palavras? Parecia tão normal, porém tão errado.
–Está cansada ainda? –Ele perguntou apenas para que eu pudesse ouvir, ignorando conversas à parte.
–Não, eu dormi bem. –Me arrependi das palavras assim que recebi um olhar sacana. –Você não presta, não é mesmo?
–Você deveria me agradecer.
–Estou com fome demais para isso agora. –Dei de ombros, fitando o prato de salada que haviam colocado em minha frente. Franzi o nariz. Eu precisava de toneladas de comida para acabar em dois segundos, não de um prato pequeno de folhas que não serviam nem para dizer que diminuía a fome.
–Depois então. –Ele deu de ombros, encarando o prato dele.
–Você come? –Perguntei. Ele me olhou como se eu fosse uma ameba ou coisa pior.
–Não, eu só converso com o prato. –Rolou os olhos.
–Você me entendeu. Pensei que só bebesse sangue. Eu nunca vi nenhum de vocês pegar comida no refeitório. –Me defendi.
–Essa comida de vocês têm um gosto horrível, fato, e podemos muito bem viver felizes sem ela. Porém quando um vampiro resolve entrar em forma, um excesso disso ajuda.
Fiquei meio incrédula.
–Vocês malham? –Perguntei. Novamente ele me olhou como se eu fosse um ser muito burro mesmo.
–Por que você não come? Dizem que comida faz bem para o cérebro, ajuda a raciocinar.
Existia uma maneira formal para mostrar um dedo? Como não sabia, resolvi sibilar o palavrão mesmo.
Consegui devorar a salada em um minuto contado no relógio, só torci para que ninguém tenha achado muita brutalidade ou algo assim.
Após a salada eu recebi um prato de carne vermelha, legumes e batatas. Finalmente a coisa começou a ficar decente. Eu nem tinha mais fome quando veio a sobremesa, porém aquele bolo crocante com cobertura de alguma coisa quente estava realmente desejável. Foi mais forte do que eu, sério.
As pessoas na mesa começaram a discutir política por um tempo que eu poderia ter contado uma hora, até que meu pai se cansou e resolveu acabar com o banquete, avisando que teria de se retirar para resolver assuntos pessoais e que eu, Olívia e Kate precisaríamos voltar para a escola.
–Queria ter tido mais tempo com você. –Meu pai resmungou ao meu lado. Estávamos já no portão do palácio nas despedidas chatas. –Eu nunca pensei que fosse dizer isso.... Eu tive dúvidas quando sua mãe engravidou, mas você consegue superar qualquer beleza que eu já tenha visto. Inclusive a de Jane.... Oh, ela ficaria orgulhosa.... –Dei-lhe um abraço para terminar aquela conversa logo e então o próximo e último na fila era Gordon.
–Sentirei sua falta, irmã. –Ele beijou minha mão.
–Nós mal nos conhecemos. –Não consegui me segurar.
–Somos família, não é mesmo? –Ele sorriu sínico. –Eu tenho de dizer, me parece estar mais bonita hoje do que estava ontem, se isso for possível. –Ele parecia estar me acusando de alguma coisa. Não entendi.
–Ontem eu estava cansada. –Tentei explicar o que talvez não houvesse necessidade de resposta.
–Mesmo? Não é de importância agora, irmã. Faça uma boa viagem. –Eu acho que por ‘boa viagem’ ele queria dizer ‘capote, caia na lama e volte andando’.
–Obrigada. –Me limitei a dizer e Thomas me puxou para a carruagem, dando uma batida de mãos com meu irmão estranho e não confiável. Segurei a careta.
E sim, Thomas iria conosco para a escola por um motivo qualquer, como por exemplo a vontade dele.
Sentei-me com ele num banco de frente para Kate e Olívia que pareciam estar divagando. As únicas malas que levávamos eram as de Olívia e eu nem vi onde foram colocadas.
As cornetas soaram e o último portão foi aberto para que os cavalos pudessem começar a tentar atingir a velocidade de um foguete.
–Você acha que eu posso reprovar em matemática? –Kate perguntou.
–Não sei. Mas se for possível seremos duas. –Resmunguei.
–Pelo menos Alex te passa todas as respostas.
–É verdade, tinha me esquecido. Acho que não preciso estudar então. –Dei de ombros. –Mas você pode pegar todas as respostas também.
–Deve ser legal ser uma bruxa. –Olívia resmungou.
Eu e Kate fizemos uma careta mútua.
–Quando você não explode uma poção na sua cara e ela funciona no final é até legal. –Kate lembrou.
–Quem fez isso? –Olívia quis saber, divertida. Encolhi os ombros.
–A Amy fez. –Todos riram da minha cara.
Era verdade, umas duas semanas atrás eu explodi a poção porque joguei uma seiva errada no negócio. Acabou que eu fiquei cheia de gosma na cara.
–Todo o mundo já errou o negócio. –Me defendi, cruzando os braços.
–É claro que sim. –Kate revirou os olhos.
–Tanto faz. Eu me limpei em cinco minutos! –O vento começou a bater mais forte ainda na gente e eu dei um jeito de me enrolar mais ainda em minha capa.
–A gente vai ter levitação amanhã. –Kate lembrou depois de um tempo em silêncio.
–Verdade. Se eu conseguir fazer uma caneta voar já é suficiente.
–Se ao menos nós tivéssemos canetas....
–É! Minha letra com o meu dedo sempre sai horrível!
–Eu não consigo nem ler o que eu escrevo depois. Eles deviam dar pelo menos um graveto para ajudar.
–Nunca reclamei da caneta.... –Fiz uma careta.
–Como diz a diretora nós temos que nos adaptar ao estilo de vida de nossa espécie. Não há canetas nesse. –Ela exagerou na cara de frustração.
–Eu sinto falta do cinema. –Comentei.
–E as pipocas.
–Gritar nos filmes de terror.
–Eu adoro esses. Era legal ter a sala vazia para deitar em vinte poltronas.
–Verdade. –Concordei. –E gritar quando aqueles atores apareciam na tela na estreia.
–Sim! Teve uma estreia que eu fui e toda vez que aquele cara aparecia sem camiseta o cinema inteiro gritava! –Ela contou rindo e eu a acompanhei.
–No final tinha o lanterninha.
–Sim! Não sabe quantas vezes eu fui mandada para fora.
–Eu nunca saía, sempre entrava em outra sala. –Contei.
–Teve uma tarde que eu assisti um filme inteiro e metades de outros cinco.
–Você é doida, eu nunca consegui mais de três inteiros.
–Eu estou boiando. –Olívia falou com os olhos meio perdidos no espaço. –Nunca estive no mundo mortal.
–Nós vamos ter uma excursão para um dos países deles mês que vem. –Kate sempre lembrava das coisas que eu nem tinha escutado. –Um final de semana, eu acho, mas só para quem quiser. É parte daquele projeto “Estourando a bolha”, algo assim.
–Nós vamos nisso também. –Thomas resolveu mostrar sinais de vida. –Mas é apenas pela caça mesmo.
–Como vocês conseguem ser tão frios? –Kate perguntou, por mais que soubesse que não haveria resposta decente.
–Depende de quem vê a coisa. –Deu de ombros.
–Por falar nisso, vocês viram aquela menina ontem no baile? A que estava com um vestido transparente? –Olívia começou.
Sim, eu havia notado. Era uma menina bem alta, usando um vestido que só não deixava algumas partes mais sérias à mostra por causa da quantidade de purpurina presente nos desenhos.
–Sim! Eu fiquei pensando o que aconteceria se eu derrubasse água naquilo. –Kate contou.
–Ela provavelmente iria ter um chilique, tentar dar um jeito no vestido e aumentar o decote ou diminuir o comprimento daquela coisa. –Olívia contou. –Nem meu irmão quis aquele ser ano passado.
Eu senti uma pontada não muito legal, mas encarei Thomas junto com o resto.
–Por que não, Tommy? Os homens pareciam interessados ontem à noite. –Kate provocou.
–Prefiro garotas com classe. –Thomas falou, seus olhos analisavam irritantemente os meus. Como se eu fosse demonstrar qualquer alteração.
–Mentira. Ele só ficou com prostitutas. –Olívia desmentiu.
–Era só sexo! –O ser ao meu lado se defendeu.
–É compreensível. –Kate se manifestou. –Tudo o que a gente fez até agora também foi só sexo, não é Amy?
Eu ri, concordando, mesmo que inutilmente. Recebi um beliscão na barriga do ser ao meu lado.
–Esquece Kate, ele sabe sobre a minha condição. –Contei, tentando não me sentir muito envergonhada.
–Vocês conversam sobre isso? –Olívia pareceu chocada. Foi aí que meu rosto começou a esquentar.
–Não. Mas ele sabe mais sobre mim do que eu mesma.
–Ou talvez porque você pareça com uma boneca de porcelana. –Kate sugeriu. Mostrei a língua. –Como sabia, Tommy?
–Como não perceber?
–Vocês vão mesmo ficar discutindo isso na minha frente? –Eu já estava considerando pular da carruagem para esconder a cara.
–Qual é o problema? –Ele me perguntou, mas sabia que eu não estava nada confortável.
–Não é como se fosse proibido. –Kate provocou. Mostrei-lhe a língua.
–Também não é como se fosse agradável. –Retruquei.
–Okay, então. Vamos falar sobre o que agora?
–Eu deveria contar-lhes sobre o baile na semana que vem. –Precisei piscar vinte vezes. Desde quando Thomas sabia alguma coisa sobre bailes e gostaria de compartilhar?
–Que baile? –Perguntei.
–Todos os anos a gente faz um baile para receber os estudantes das outras escolas. Este ano só vamos receber uns vinte vampiros do Oeste porque eles estão apenas agora aderindo à tentativa de paz entre espécies.
–Eu acho que vou encomendar um feitiço concentrado para a minha porta. –Kate murmurou.
–Pode me emprestar depois que conseguir. –Concordei.
Thomas revirou os olhos.
–Supostamente será um evento pacífico. Vocês deverão comparecer.
–Quem disse? –Kate desafiou.
–A diretora, oras.
–Isso não é legal. Os vampiros do Oeste só perdem para o do Leste. –Olívia murmurou.
–Eles vão se comportar. –Thomas murmurou. –Só seria bom se eles pudessem evitar o álcool.
–Você está maluco por levá-la lá. –Olívia desviou os olhos para mim rapidamente.
–Ela vai ficar comigo. –Ele deu de ombros, parecendo tranquilo.
–Só porque eles temem a sua presença, maninho.
–Eles têm medo de você? –Kate tirou a pergunta da minha boca. Thomas deu de ombros.
–Por conta de uma maldição estranha aí. Thomas não pode ser morto, sem contar que ele é a sexagésima sexta geração da família, diz a lenda que as criaturas com esse número no sangue conseguem ter duas vezes a capacidade de um vampiro normal. –Olívia fez uma careta.
–Por que viver para sempre seria uma maldição? –Kate tinha o cenho franzido.
–A feiticeira disse algo sobre assistir a morte de todos que lhe fossem caros, algo do tipo. –Olívia era a única que falava, já seu irmão parecia pouco se importar. –O Tom faz que não se importa, mas ele tem tanto medo que por isso não consegue gostar de ninguém. –A menina provocou, recebendo um olhar bem feio do irmão e então começando a rir.
–A gente já chegou? –Eu me vi um tanto perplexa quando as paredes fortes da escola entraram no campo de visão.
–A volta é sempre mais rápida porque o vento sopra à favor. –Thomas explicou.
Pelo menos não havia ninguém esperando por nós no final de uma tarde de domingo quando havia uma tempestade de neve para começar.
Descemos todos da carruagem e a tropa saiu assim que entramos na escola. Estava mais vazia que o normal, acho que todos estavam nos quartos. Uma vez que não havia tecnologia ou qualquer coisa interessante para fazer num período sem aulas e de tédio, muita gente preferia passar esses dias dormindo.
A diretora veio nos encontrar de repente e puxou Olívia para mostra-la seu quarto, que eu percebi que seria umas portas de distância da minha. Na verdade, Olívia estava no corredor atrás do meu.
Me separei de Kate quando esta entrou em seu quarto e entrei em meu com Thomas, como sempre. Mas eu não reclamava, pelo menos não honestamente.
–Você tem comida aqui, não é? –Perguntou.
–Sim, a arrumadeira anda me deixando frutas e biscoitos aqui quase todos os dias. –Contei.
–Bom. –Ele murmurou, se jogando em minha cama.
Fui acariciar Lupa e dar-lhe o bife cru que a arrumadeira também fazia questão de deixar. Era meio nojento, mas era o que Lupa mais gostava de comer, além dos meus salgadinhos, é claro. Era incrível como ela já estava grande e ainda mais bonita. Ela parecia inofensiva ao mesmo tempo em que poderia acabar com a vida de vinte mortais juntos.
Separei um pijama decente, para não ter que ficar lembrando do motivo pelo qual pijamas curtos geravam tantas discussões e fui fazer minha higiene no banheiro.
Eu realmente não pretendia dormir naquela hora, porém eu também não queria sentar ou pensar demais. Também não queria ler o diário de minha avó agora pois corria o risco de acabar com todo o controle que eu tinha conseguido.
–Você poderia me responder umas coisas, que tal? –Comecei. Ele fez uma careta e se sentou de má vontade.
–Vá comer e então eu posso considerar o assunto. –Minha vez de fazer careta, mas eu acabei concordando e fui pegar uma maçã e um saco de batatas.
–Quer? –Ofereci o saco. Ele me olhou como se eu tivesse problemas, outra vez. –O que? Você mesmo disse que comida é bom para malhar. –Falei entre as batatas crocantes que eu colocava na boca.
–Não tenho intenção de virar um vampiro obeso, obrigado.
–Você está preocupado com as mulheres te achando mais feio na forma obesa do ser? –Provoquei.
Como as batatas acabaram tão rápido? Fiquei triste ao ver meu saco vazio mas o dispensei no lixo, junto com a maçã que eu já havia devorado.
–E você me acha feio? –Perguntou. Tentei não me intimidar muito e me aproximei, sentando em sua frente.
–E você se importa?
Ele estreitou os olhos, porém tinha diversão por trás;
–Por que não jogamos um jogo? Você me responde uma pergunta minha e eu respondo uma sua. –Propôs.
–E se eu ou você mentir?
–Eu vou saber se você estiver mentindo. –Ele falou. –Você vai precisar confiar em mim.
–E por que eu deveria? Estou em uma séria desvantagem. –Cruzei os braços na altura do peito.
–Não é você a bruxa? –Provocou. –Eu dou a minha palavra. Em minha posição, se eu mentir serei punido de alguma forma.
Bem, aquilo parecia mais sério.
–Então tudo bem.
–Bom. Então responda a minha pergunta de dois minutos atrás. –Desafiou. Eu corei, óbvio, grande coisa.
–Não. –Descobri que era mais simples do que eu imaginava. Era só responder sim ou não e pronto. –Minha vez. Você está mesmo preocupado com aquela maldição?
–Não. –Ele respondeu normalmente. –Você está cansada?
–Um pouco. –Um pouco não matava ninguém, oras. –Você gosta de gastar suas noites comigo?
–Sim. E você? Gosta que eu fique com você à noite? –Ele arqueou uma sobrancelha. Enquanto eu tinha que tomar cuidado com cada respiração ele parecia nem se importar. Não era um jogo justo.
–Você sabe que sim. Por que gosta de ficar comigo? –Eu acho que estava tirando minha coragem do fundo do poço, só podia.
–Porque você parece um bebê, seu cheiro é bom e você fala quando dorme. –Eu virei uma pimenta em menos de um segundo.
–Eu não falo enquanto durmo! –Contestei. Ele revirou os olhos.
–Eu não estou mentindo, querida. Vamos voltar para o jogo, que tal? –Sugeriu. Acabei concordando por mais revoltada que eu poderia estar. –Por que você gosta que eu fique com você à noite?
–Eu cansei desse jogo! –Reclamei alto, porém ele apenas ficou me encarando pacientemente. –Porque sim, oras. Eu me sinto protegida.
–E? –Como ele poderia saber que havia um “e”?
–Não é justo, Thomas! –Grunhi.
–Responda e podemos parar de jogar.
Precisei respirar dez vezes antes de falar.
–Porque eu gosto do seu toque. Feliz? –Eu não conseguia nem encará-lo. Por que eu tinha de ser tão travada?
–Gosta? –Ele soou rouco de propósito. Quase tive um colapso nervoso quando fui puxada para frente, meu tronco colidindo com o dele.
–Isso não é justo, Thomas. –Grunhi.
Não sei se ficava mais nervosa por conta da aproximação, de seus olhos brilhando com diversão e malícia ou por conta de sua mão que segurava firmemente minha cintura.
–Quem disse? –Ele murmurou em meu ouvido e eu estremeci. –O que você quer?
Não deu para controlar. Eu precisava conseguir me acalmar novamente de algum jeito e seus lábios estavam tão perto.... O beijei meio hesitante, sabia que não o pegaria de surpresa, mas não conseguia acreditar que era isso o que ele queria. Eu estava quase desistindo após o primeiro segundo de contato quando ele resolveu assumir a coisa. Thomas me puxou o máximo possível contra seu tórax com uma mão enquanto a outra apoiava minha nuca.
Aquilo não era delicado de maneira alguma, porém era quente e fez meu coração pulsar ainda mais forte, só que de um jeito mais confortável. Ele beijava meus lábios sem muito cuidado, com muita intensidade aliás, e eu não me importei caso eles fossem ficar roxos ou muito vermelhos mais tarde, a única coisa que eu queria era conseguir acompanhar sem deixa-lo frustrado. Minutos depois ele deu um jeito de me deitar na cama com agilidade e se deitou por cima, controlando parte do peso que ficava sobre mim. Suas mãos desceram para meu quadril e depois voltaram rapidamente para minha cintura, mas dessa vez por debaixo da blusa. Era incrível como seu toque parecia ser confortável e macio quando na verdade eles me sufocavam.
O oxigênio foi acabando lentamente e nós tivemos que deixar a coisa mais lenta e menos sufocante, mesmo que eu pudesse morrer feliz. Seus lábios diminuíram consideravelmente a pressão que faziam sobre os meus e ele deixou parte do lado selvagem para algo mais tranquilo. Eu entendi o que ele disse sobre não fazer o tipo romântico e percebi que não me faria falta.
–Seus lábios estão meio inchados. –Ele anunciou quando nos separamos. Revirei os olhos e demorei um pouco para responder por conta da respiração descompassada. Não era justo ele não perder o fôlego.
–Sério mesmo?
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