Royals

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Aqui estamos novamente e eu faço questão de agradecer cada comentário e cada pessoa que favorita a fanfic >,< Eu vou ter que postar hoje porque vou viajar amanhã, então só vou poder postar novamente no domingo... Paciência pessoas, mas vocês vão ter cenas melhores nesse capítulo, prometo. Vou deixá-los ler ;)

–Princesa Amy Winter! –Eu quis me esconder num buraco, mas Gretel pareceu perceber minhas intenções.

–Desça devagar para evitar um tombo. Cabeça sempre reta, não foque em ninguém exatamente. Não preste atenção em comentários nem em olhares, apenas desça. –Ela praticamente cuspiu todas as palavras, mas eu meio que entendi.

Decidi que era melhor fazer aquilo como se fosse algo extremamente chato. Eu desceria, tentaria não cair, encontraria Kate lá embaixo e ignoraria o resto do mundo.

De fato todas as centenas de cabeças brilhantes estavam erguidas para me encarar. Eu não seria capaz de encontrar qualquer um lá mesmo se procurasse, então resolvi me fingir de surda, cega e muda até o final das escadarias. Eu sabia que as pessoas estavam olhando e muitas delas cochichando, porém me recusei a prestar atenção em qualquer coisa que fosse.

Quando desci o último degrau, me deixei reparar na pessoa que me esperava.

Ele era alto, esguio, cabelos ruivos feito fogo e olhos negros. Ele me olhava com uma simpatia que eu reconhecia como sendo forçada, então eu soube quem era.

–Permita-me dizer o quanto está encantadora, minha querida irmã. –Ele murmurou, fazendo uma reverência exagerada. Controlei-me para não revirar os olhos e fiz uma pequena com a cabeça, antes de aceitar seu braço.

–É interessante como não nos parecemos de alguma maneira, caro irmão. Entretanto já o tinha reconhecido. –Falei, deixando-me ser conduzida por entre as centenas de pessoas que se apertavam para abrir passagem.

Felizmente a música voltou.

–Talvez seja por causa de sua beleza tão incomum. Poderia mergulhar minhas mãos nas chamas para afirmar que não há ninguém que possa ser comparável em qualquer reino.

–Creio que devo agradecer, irmão. Estava contando os segundos para conhecê-lo. –E a conversa estava passando da categoria de absurda para ridícula.

–Assim como eu, não duvide.

–Não duvido. –Foi meu último comentário.

Nós chegamos diante do trono onde meu pai, muito entediado, se remexia desconfortável.

–Ora, Amy. Me deixou preocupado com sua demora. –Meu pai falou, mas sorriu abertamente em seguida. –Entretanto agora podemos tentar deixar isso daqui com menos cara de velório. –Falou, se levantando e fazendo sinal para que os músicos parassem de tocar. O ambiente de silenciou.

“-Eu peço à vocês, tão estimados convidados, que tomem seu lugar às mesas. Devemos começar o jantar”.

Percebi que as pessoas ficaram felizes em poderem finalmente se sentar em seus lugares previamente marcados nas mesas redondas que contornavam o salão. Havia apenas uma mesa retangular e mais cumprida, que ficava bem entre o restante das mesas e na direção central do lugar.

–Está tremendo. –E eu estremeci mais ainda, não sei se de susto ou se era alguma aversão à sua voz.

Não consegui encará-lo, responder ou aceitar seu braço. Então andei em passos longos e rápidos até a mesa, onde meu pai e outro homem de coroa já estavam sentados bem ao centro.

Peguei meu lugar ao lado de meu pai e meu irmão sentou-se ao lado de Olívia, que estava sentada ao lado de sua mão, que estava ao lado de seu pai, que sentava ao lado do meu. Bem, eu soube que ele sentaria ao meu lado e praticamente virei uma estátua na cadeira.

Na mesma mesa, agora em nossa frente, Kate se sentou junto com os conselheiros de meu pai e suas esposas. Ela me encarava e eu pensei que pudesse focar nela durante aquela noite inteira.

A salada foi servida e eu mal notei, também nem estava com fome. Devo ter comido uma ou duas folhas antes que pudessem retirar, substituindo por um prato de sopa. E depois do prato de sopa veio um prato maior de peixe e legumes. Por fim, quando eu já estava cansada de ouvir e de ignorar cada conversa daquela mesa, veio uma torta de chocolate que era capaz de me enjoar apenas com o cheiro.

–Vai me dizer o que aconteceu? –Ele me perguntou num sussurro, de modo que ninguém pudesse ouvir. Engraçado que ele era quem soava irritado. Não respondi, encarei Kate em busca de qualquer coisa que me pudesse manter sentada.

–Filha, tem certeza de que não quer comer mais? –Meu pai me perguntou pela milésima vez naquela noite.

–Não, pai. Estou cansada demais e ingerir qualquer coisa me parece desagradável. –Expliquei, outra vez.

–Bem, então se todos acabaram, acho que está na hora de fazer aquele discurso que eu não planejei. –Ele murmurou só para mim. –Esse negócio de dramatizar as frases sempre funciona, sabia? –Perguntou antes de se levantar e eu quase sorri.

“-Caros amigos. Esta noite estamos aqui para celebrar o noivado de minha filha, Amy, com meu querido Thomas. Nós todos agradecemos muito a presença de todos que puderam comparecer e à todos que acompanharão de perto um reinado que durará muito. Todos nós esperamos que essa relação seja a chave para a felicidade de todos, pelo tempo que for. Gostaria de agradecer a família Hunter, pelo fim das rixas e começo do futuro. Saúde! E deixe que o baile comece.”

Todos ergueram a taça para brindar e uma música alta começou. Alta suficiente para que nenhuma conversa de nenhuma das mesas pudesse ser compreendida.

–Preciso resolver um assunto na cozinha. –Meu pai falou, se levantando. –Vocês dois devem abrir a pista de dança. –Avisou, apontando em minha direção e então saindo com pressa.

Ninguém se moveu por minutos, até que o outro ilustre rei presente resolveu colocar a cabeça entre mim e Thomas.

–Vocês dois devem fazer com que as pessoas acreditem numa união, e não em um banho de gelo. Vão logo para a pista! –Ordenou.

–Estamos indo. –Ele disse, se levantando da cadeira.

Contei até três e me levantei também, me sentindo obrigada a aceitar seu braço.

Fui levada até o centro da pista e a música parou, sendo trocada por uma valsa bem pesada, alta o suficiente para que ninguém pudesse ouvir qualquer conversa, outra vez. Felizmente eu sabia dançar valsa, infelizmente eu não tive como negar sua mão apoiada na base das minhas costas.

–Vai me dizer o que está havendo? –Ele murmurou irritado em meu ouvido. Estremeci, como sempre.

–Deveria? –Perguntei, totalmente despreocupada com as pessoas que olhavam nossa dança tão polida e ao mesmo tempo tão fria.

–Pode apostar. –Falou, me fazendo respirar fundo.

–A questão é o que você diz quando bebe demais. –Contei de uma vez, para que não pudesse correr o risco de mudar de ideia no meio.

Não sei o que estava esperando quando resolvi encará-lo, porém uma expressão de compreensão não foi.

–Acho que já conversou bastante com a minha irmã. –Eu nunca senti tanta raiva antes. Como ele podia agir tão normalmente? –Se controle, princesa, a temperatura acabou de cair pelo menos cinco graus. –Repreendeu.

–Me dê um motivo para eu não congelar esse lugar e sair correndo agora. –Pedi e quis morrer quando ele sorriu um tanto divertido.

–Porque eu não sou capaz de me embebedar, não importa o quanto eu beba. –Não estava esperando por aquilo. –E você simplesmente não vai sair daqui. –Falou e me puxou de encontro à seu tórax antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.

–Você não estava bêbado? –Minha voz tremulou em parte por causa da risada nervosa que escapava.

–Não. –Eu estava me preparando para gritar e dar um jeito de sair de lá, mas ele continuou. –Isso não quer dizer nada, mas não podemos conversar aqui.

–O que você quer dizer agora?

–O que eu disse. Se a temperatura cair mais meio grau as pessoas vão realmente começar a notar.

A música mudou e ele passou as duas mãos para minha cintura, não me deixando escolha senão colocar as minhas em torno de seu pescoço. Se eu não tivesse usando aquele salto ele certamente teria de me carregar.

–Não é como se fosse fácil controlar. –Contestei.

–Eu sei, não está usando o colar que eu te dei.

É claro. Não sei como não pensei naquilo antes, mas agora estava claro.

–Por que não estou surpresa? –Murmurei enquanto assistia alguns casais se juntarem à nós.

–Porque está triste.

–Não estou triste. –Menti, tentando descobrir como ele percebera.

–Você está sim, porque pensa que só te dei o presente por uma questão de segurança. –Acusou. Meu rosto ferveu e eu olhei para baixo.

–E não foi?

–Não. Eu só juntei a poção que seu pai me mandara te entregar com o pássaro. –Deu de ombros e levantou meu rosto, talvez para que pudesse contemplar minha linda situação.

–Você não deveria fazer uma pessoa se sentir tão desconfortável assim. –Falei, sendo levada a encarar seus olhos eletrizantes e divertidos.

–Eu mal comecei. –Provocou.

–Está fazendo de propósito? Eu ainda estou bem irritada com você.

–Aceite como uma pequena vingança, apenas. –Falou, acariciando minha bochecha com um polegar.

–Vingança? Como se você estivesse em posição de ficar irritado.

Ele sorriu com malícia, aproximando o rosto perigosamente do meu. Nós incrivelmente não tínhamos nem saído do ritmo da terceira música.

–Não estou? –Ele basicamente sussurrou em meu ouvido, apenas para que minha pele se arrepiasse. Aquilo foi cruel. –Primeiro você proíbe que qualquer um chegue perto do seu quarto, depois você não se alimenta direito e me ignora, então fica se descontrolando. –Ele me olhou com uma reprovação exagerada. –Nunca mais ouse me odiar sem ao menos falar comigo, minha querida.

Eu não soube o que pensar, o que responder ou como respirar. Ele simplesmente estava brincando comigo e fazendo meus batimentos explodirem. Eu sabia que todos os seres da espécie dele que estavam prestando atenção eram capazes de escutar meu coração. Aquilo sim era humilhante.

–Você parece desesperada. –Provocou. –Há algo que eu possa fazer?

Eu não sei como, mas seu rosto estava tão perto do meu e eu estava tão descontrolada que eu poderia ter acabado com toda a distância entre nós....

Se ele não tivesse o feito antes.

Apenas a pressão que seus lábios fizeram sobre os meus foi suficiente para acabar com todo o meu desespero. Não que meu coração tenha voltado totalmente ao ritmo normal, mas pelo menos ele não parecia que iria explodir a qualquer momento. Thomas deu um jeito de me segurar ainda mais perto dele e pressionou ainda mais minha boca, para que pudesse passar a língua. Bem, depois disso eu esqueci totalmente que o odiava, ou que centenas de pessoas estavam encarando e que talvez um beijo público com tanta intensidade não fosse apropriado para alguém com uma tiara na cabeça. Outra vez, eu não me importei. Tudo estava perfeito até que...

–Hey, vocês podem se engolir mais tarde, sabe? –Eu só não voei no pescoço de Gordon porque Thomas segurou meus braços. –Já é hora de vocês começarem a passar pelas mesas e cumprimentar os convidados.

–Estamos indo. –Thomas falou e me puxou para longe. Eu fiquei cada vez mais vermelha ao reparar em quanta gente me olhava, como se me sentisse culpada por algo. Eu não me sentia... Ou sim?

Passamos primeiro pela mesa onde a família de Kate se sentava junto com um outro duque, de Cerella, se não me engano. Eles eram pessoas legais, educados, simpáticos e pareciam bem inteligentes.

Depois fomos passando de mesa em mesa, geralmente as pessoas faziam reverências e nos davam parabéns. Algumas elogiavam a mim ou a Thomas.... Às vezes a ambos como um casal, o que era totalmente estranho. A última pessoa que restou conversar foi meu pai.

–Você parece cansada, minha filha. –Ele falou, pensativo. –Vá para a cama, não há nada mais importante neste lugar.

–Obrigada. –Agradeci, recebendo um abraço e um beijo na testa.

–Thomas? Você teria um minuto, meu rapaz?

Agradeci ter sido deixada sozinha e fui me despedir de Olívia e Kate sem muita troca de palavras. Em menos de cinco minutos eu já tinha lançado meus sapatos em algum canto de closet, tirado todas as joias existentes de mim e colocado a corrente de pássaro novamente no pescoço.

Desejei ter um diário, assim eu poderia aliviar todo o peso que estava dentro de mim e aliviar também toda a confusão. Então eu poderia contar à alguém sobre minhas emoções bagunçadas principalmente após o beijo e depois escondê-lo em algum lugar. Mas eu não acho que poderia ter um diário, me sentiria uma tola se alguém começasse a ler algum dia e me lamentaria por ter escrito frases tão inteligíveis. Eu desejaria ter escrito, porém em frases desconexas, então só eu poderia entender....

Frases desconexas.... Era isso. Palavras jogadas, sentimentos estampados em meio a fatos e ações. Não deve ter ordem, clareza ou coisa alguma. Apenas eu entenderia, apenas minha avó entenderia.

Droga, eu não tinha o diário dela comigo, havia ficado na escola. Droga, vovó! Não poderia ter me explicado quando nos falamos?

Bufei, totalmente frustrada e me tranquei no banheiro com uma camisola de seda em minhas mãos. Não pensei no tamanho dela, nem na cor, nem no modelo e muito menos no frio. Tudo o que eu queria era ter aquele maldito diário comigo.

Notas finais
Então? Gente, qualquer coisa mesmo, uma dúvida ou crítica ou whatever é super bem-vinda. Até domingo então ;)