Royals
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Conforme subíamos mais o morro, pude ver que estávamos passando por pequenos vilarejos e conjuntos de casas onde pessoas com roupas consideravelmente medievais com direito até a capas se juntavam para tentar nos enxergar. Escutei algumas gritando, outras comemorando e me senti totalmente estranha naquele lugar, porém meu coração estava mais preocupado com o que encontraria futuramente falando.
Eu só consegui ver o palácio quando a carruagem parou bem em frente à ele, e não porque ele era pequeno, muito pelo o contrário, nunca tinha visto coisa tão grande em minha vida inteira, porém ele ficava num ângulo que só devia ser possível de enxergar estando num outro morro e um tanto longe.
Ele era inteiro branco, ignorando o fato de estar coberto de gelo, e era imenso. Possuía incontáveis torres imensas, uma área enorme em sua frente e eu podia ver que ele era aberto no centro, pois foi por onde a carruagem passou, indo estacionar numa praça imensa cercada por torres, onde o chão era branco por conta da neve e um chafariz, não sei como, não estava congelado.
Havia ainda mais torres por trás daquela espécie de praça. Na verdade, a maior parte da construção estava atrás, bem atrás de um outro portão imenso de bronze.
Fiquei tão impressionada com o palácio que só fui notar o tanto de gente que me esperava em frente ao segundo portão quando Kate precisou me cutucar para descer.
Fui ajudada por um guarda e conduzida até ficar diante da multidão, que pareceu ter sido treinada para se curvar num determinado instante, foi meio esquisito.
Uma corneta tocou e o portão foi aberto com alguma cerimônia, fazendo com que as pessoas abrissem um corredor rapidamente.
Eu vi um homem de meia idade, barba rala e cabelos grisalhos, se apressando até mim. Parecia antes estar irritado com alguma coisa, porém pareceu esquecer quando deixou seus olhos caírem sobre mim.
–Minha garotinha. –Ele murmurou, antes de me pegar de surpresa num abraço esmagador, me tirando do chão.
Certamente não era aquela a recepção que eu esperava ao conhecer um rei, porém eu realmente não sabia o que esperar quando fosse conhecer meu pai.
Alguma coisa apertou demais meu coração naquele momento e foi o suficiente para me fazer retribuir o abraço, por mais esmagador que fosse. Senti minha garganta apertar e as lágrimas só não saíram porque estavam literalmente congeladas.
–Você não tem ideia de quanto.... –Ele pausou, mas ainda era capaz de sentir que estava trêmulo. –De quanto eu senti sua falta. –Disse e me colocou no chão depois de um longo tempo, depositando um beijo em minha testa. –Tudo que eu vi de você naquela noite foram os olhos.... Eles te levaram tão rápido.... Depois eu via as fotos que sua tia me enviava e só me servia para me sentir mais triste, tão distante. Ela me contava suas histórias, tudo o que fazia de certo e de errado, e eu desejei tanto poder estar lá, sabe? Acompanhar cada coisa...
Não soube exatamente o que dizer e o abracei forte novamente. Se eu pudesse chorar já teria criado um rio.
–Você está aqui agora. –Ele suspirou, parecendo tentar aliviar a si mesmo. –Você fez boa viagem?
–Sim, pai. –Confirmei e me afastei dois passos. Ele sorriu parecendo ainda mais aliviado e pegou minha mão, a erguendo diante das pessoas.
–Recebam minha filha, minha querida Amy! –Ele gritou tão alto que eu estremeci, porém o silêncio foi logo preenchido por gritos de concordância e comemoração. –Vamos entrar.
Puxei Kate comigo rapidamente antes de entrar no palácio. Havia sido melhor do que eu imaginava, mas minhas emoções haviam ficado extremamente desestabilizadas.
–Esse é um dia totalmente bagunçado aqui, não sei porque toda vez que decido dar um baile eles transformam esse lugar numa confusão geral. –Meu pai resmungou. –Não irei te dar uma visita guiada desse lugar simplesmente por ser impossível fazê-lo em menos de dois dias, e porque nem eu mesmo conheço todos os cantos. A maneira mais fácil de aprender é perguntando para os guardas e empregados quando necessário. –Explicou.
Nós tínhamos entrado bem na escadaria que dava acesso ao salão onde o baile estava visivelmente sendo preparado. A confusão era tanta que meu pai resmungou algumas coisas e nós subimos pela mesma escadaria, que levada à um piso totalmente coberto superior.
Tudo o que eu conseguia notar mesmo naquele lugar eram as paredes trabalhadas com pedras de todos os jeitos, as armaduras pratas polidas cuidadosamente, os quadros imensos que cobriam paredes inteiras e os lustres e tochas magníficos que iluminavam o lugar ao mesmo tempo que o enfeitavam.
–Majestade? –Um garoto de uns treze anos apareceu, fazendo uma longa reverência antes de começar a falar. –Estão lhe chamando de volta na reunião.
Meu pai pareceu querer xingar qualquer coisa.
–Eles que se danem. –Ele resmungou, mas depois ficou em silêncio, parecendo ponderar. –Certo, diga que eu voltarei logo. –Ordenou e o garoto saiu quase correndo. –Eu estou cansado já de discutir o aumento nas folhas do Pântano Lorene. Nunca chegamos à lugar nenhum nisso.
–Todos vão ao conselho? –Perguntei.
–Alguns infelizes como eu são obrigados. Seu irmão também deve estar presente, os representantes da família Hunter se tornaram membros de importância então também vão, meus conselheiros e os ministros respectivos também são necessários. O resto são comerciantes e interessados, apenas. Gostam de causar discussão. –Fez uma careta. –E eu não me esqueci de você, Srta. Conne. –Meu pai se virou para Kate, que fez uma pequena reverência. –Minha filha fez uma sábia escolha. –Falou, e Kate pareceu contente.
–Majestade? –Nos viramos para encarar uma mulher de uns trinta anos que usava roupas negras como as outras empregadas, porém esta tinha um broche dourado na roupa.
–Sim?
–Eu posso levar as meninas à seus respectivos aposentos. –Se ofereceu. –E Lady Olívia está aguardando para ser apresentada.
–Ótimo, Gretel, faça isso. Preciso voltar para aquele seres chatos. Conversaremos mais tarde, Amy. –Ele disse, antes de se distanciar sem muita vontade.
–Sigam-me, por favor. –Pediu com um movimento de cabeça e nós a seguimos por um outro lance de escada.
Andamos bastante, até a ala Sul do palácio, e fizemos nossa primeira parada numa porta grande de madeira que ficava ao lado da escadaria de uma torre. A mesma porta era guardada por dois soldados que usavam um colete branco com um brasão.
–Esse será seu aposento, Lady Conne. –Gretel anunciou e um soldado abriu a porta do quarto. Kate entrou e a mulher me puxou para a escadaria da torre. –Seus aposentos ficam no topo desta torre, alteza. É o lugar mais seguro do palácio.
Nós passamos pelos guardas que ficavam no começo da escadaria, porém Gretel não subiu. Ela simplesmente parou no primeiro degrau e murmurou: “et”, que significava “para cima” em latim.
Dentro de segundos os degraus se difundiram num tipo de rampa que então começou a se mover, como uma escada rolante, nos levando para cima.
Chegando ao topo havia uma porta imensa de madeira trabalhada, que se abriu imediatamente e sozinha, revelando um quarto imenso.
Havia uma cama enorme de forma oval revestida em azul e prata, assim como a mesma tinha a estrutura e a cabeceira em barras de prata, ao invés de madeira, com muitas almofadas e um dossel azul-marinho, combinando com o azul da cama e do resto do quarto.
Embora as paredes fossem brancas, todos os sofás, tapetes e divãs espalhados tinham de ter algo azul ou prata.
Havia quatro ambientes naquele lugar, primeiro uma espécie de sala íntima, com os sofás, divãs, tapetes mais grossos e muitos quadros na parede. Depois, numa divisão feita por dois degraus de mármore havia a cama, junto com uma poltrona azul, mesa de apoio de vidro e duas espadas cruzadas na parede. Ao lado havia duas portas menores de madeira, porém também trabalhadas. Uma dava para um banheiro enorme de mármore e a outra dava para um closet fantasticamente cheio de roupas novas e aparentemente caras e delicadas demais. Havia um espelho no fundo, um divã marfim e uma mesa baixa de vidro sobre um tapete claro que cobria aquela parte inteira do chão. Eu achei muitas joias em gavetas no closet também, mas achei melhor parar de olhar antes que aquelas pudessem me corromper.
Sentei-me na cama para pensar, mas eu descobri que não era capaz de pensar em nada no momento, fiquei apenas olhando alguns quadros até que bateram na porta.
–Entre! –Gritei, pensando que fosse Kate, mas me enganei.
Havia uma garota de mais ou menos a minha idade, cabelos castanho escuros e longos, olhos azuis que me lembravam alguém, mais altura do que eu tinha, pele alva e uma expressão totalmente descompensada.
–Você deve ser Olívia, não? –Perguntei, tentando mostrar simpatia.
–Sim. –Ela fez uma mesura de cabeça e eu tentei interromper.
–Não precisa disso, principalmente quando sua posição é a mesma que a minha. –Fiz uma careta e me levantei da cama, indo sentar numa poltrona da saleta. –Sinta-se à vontade para sentar.
Ela me deu um esboço de um sorriso e se sentou numa poltrona logo à minha frente.
–Eu tenho que te dizer algo. –Ela disse, parecendo um pouco tensa.
–Qualquer coisa, não se preocupe.
–Preocupa-me saber que pode não acreditar.... É sobre seu irmão. –Respirei fundo. Eu já tinha ouvido sobre meu irmão, na verdade, só não sabia exatamente onde.... Num sonho, eu acho.
–Ele é tão ruim assim? –Perguntei.
–Não confie nele, não acredite em qualquer coisa que ele te disser. –Avisou e eu tentei não engolir em seco.
–Eu ouvi sobre tomar cuidado.... Nunca na verdade me explicaram o porquê...
–Gordon é bastardo, princesa. Não é algo que todos saibam, mas é algo que o incomoda. Como todo garoto mesquinho ele almeja poder, eu posso ver. Ele nunca gostou quando seu pai falava sobre você, sempre dava um jeito de tirar sua importância do assunto ou coisa do gênero.
Respirei fundo.
–Você o teme, posso ver. Por quê? –Perguntei, fazendo-a baixar os olhos, parecendo humilhada.
Tive uma sensação ruim, ainda mais quando ela não me respondeu.
–O que ele fez? –Eu tinha medo de já saber a resposta.
–Depois de nossa festa de noivado.... Sabe, depois que o noivado se concretiza, não precisamos mais esperar o casamento ou qualquer coisa do tipo.... Mas eu não queria.... –Oh meu deus, a menina parecia querer chorar.
–Ele te forçou? –Fiquei com medo de ter falado alto demais.
–No começo.... Felizmente um dos guardas me ajudou quando ele me fez bater a cabeça numa parede. Ele alegou estar bêbado, então não sofreu nenhum questionamento, mas ainda me ameaça sempre que estamos sozinhos.
–E vocês ainda estão noivos? –Ela confirmou. –Não contou à Thomas? E seu pai?
–Thomas? –Ela riu com sarcasmo. –Ele e seu irmão são bem próximos. Nunca acreditaria em mim, não acho que se importe o suficiente. –Aquilo doeu em mim. –E meu pai me repreenderia por não ter deixado.
–Por que acha que Thomas não se importaria? –Não pensei antes de fazer aquela pergunta.
Ela me olhou com desconfiança.
–Sabe, meu irmão não ficou tão triste quando soube que teria de casar com você. Eu estava escutando quando ele e Gordon estavam bebendo há alguns meses, seu irmão mencionou seus atributos enquanto meu querido irmão dizia “pelo menos ela vai me servir para algo” e “não vai se importar comigo dando um jeito na sua irmã todos os dias?”.
E pela milésima vez naquela semana eu tive vontade de morrer.
Não sei, não consegui responder qualquer sílaba que fosse, apenas me encostei no encosto da poltrona tentando raciocinar e não me deixar entrar em combustão.
Pela segunda vez naquela semana eu também me sentia traída. É claro que eu acreditava em Olívia, eu sempre soube quando alguém contava alguma mentira absurda e aquele não era o caso.
A grande desgraça é que doía, como uma mão esmagando meu coração, esfaqueando meu estômago e me dando um nó na garganta. Nunca pensei que eu chegaria a ser tão burra como essas garotas de seriados ou de livros estúpidos.
–Eu sinto muito, Amy, devo ter falado demais.... –Olívia me voltou para minha linda realidade.
–Você me disse o suficiente. Você não vai se casar com meu irmão, Olívia.
–Eu já tentei de tudo....
–Ele é um bastardo, não é? Então não há te ter metade de qualquer força que eu tenha. Vou pensar em alguma coisa....
Batidas soaram na porta e eu paralisei. Não queria que fosse qualquer um senão Kate.
–Quem é? –Gritei. Não achei que fosse errado perguntar.
–Eu e a Gretel. –Fiquei um tanto aliviada e fui fazer o favor de abrir a porta.
–Gretel? –Chamei-a antes que pudesse ir embora.
–Sim, alteza?
–Poderia trazer as vestimentas do baile de Olívia e Katherine? Elas ficarão aqui até a hora do baile. –Falei.
–É claro, alteza.
–E mais uma coisa. –Acrescentei rapidamente. –Proíba os guardar de deixarem qualquer outra pessoa subir, por favor. Gostaríamos de privacidade.
A mulher concordou, fez uma reverência e saiu.
–O que aconteceu, Amy? –Kate parecia confusa.
–É uma longa história. Esta é Olívia. –Apresentei, antes de começar a contar uma versão mais curta, fria e envenenada da história. –E agora eu preciso de controle antes de olhar direto para meu irmão babaca. –Terminei.
–Sinto muito, Amy. Eu só não vim para cá antes porque estava com minha família....
–Está tudo bem, Kate. Como eles são?
Ela tentou sorrir, mas sorrir pareceu errado.
–São pessoas incríveis, meus pais são muito legais e eu tenho dois irmãos mais velhos, são gêmeos.... Eu posso pedir para que eles lhes deem companhia no baile, assim evitamos conflitos e perdas de controle, que tal?
–Eu não posso, precisarei ficar com meu pai. –Falei. –Mas é uma boa ideia para Olívia.
–E quando à Gordon? –Kate perguntou.
–Oras, ele fica comigo também. Acho que preciso conhecer meu irmão, afinal.
–É, verdade. –Concordou. –Mas nós deveríamos pensar sobre o que fazer.... Sua avó não escreveu nada no diário?
Balancei a cabeça, negando.
–O diário ficou tão confuso que eu não consegui mais entender coisa alguma.
–Mas o quarto dela ainda está intacto aqui. –Olívia falou. –Não é muito longe, acho que na ala Oeste.
–É verdade, Amy. Podemos ir até lá e ver o que ela possa ter deixado.
Concordei com a cabeça, a mesma voltando a ficar uma pilha de nervos. Se eu acabasse encontrando qualquer coisa no quarto de minha avó, saberia que não fora ao acaso, e então haveria 50% de chances das coisas desandarem totalmente.
–Olívia, por acaso você aceitaria ser a minha Segunda Conselheira? –Pareceu a ideia mais inteligente que eu já tivera, mas ninguém pareceu entender de primeira.
–Seria uma honra, porém.... Você tem certeza? Mal me conhece....
–Você estaria presa à mim mais do que presa ao meu irmão, e eu posso negar que se afaste caso algo aconteça. Depois, você não possui qualquer poder que possa usar para se defender e ganharia algo de mim. –É, ainda soava uma ideia brilhante.
–Isso soa inteligente, Amy. Parabéns. –Kate debochou e eu mostrei-lhe um dedo.
–Eu posso te dar proteção física em retorno. –Fiquei feliz que ela concordou.
–Você precisará apenas jurar devoção e, se sei lá quem aceitar, então eu aceito e você pega a pedra. –Expliquei rapidamente.
–Tudo bem então.
Antes de começarmos, esperamos por Gretel para voltar com as roupas e então nos preparamos para fazer o mais rápido possível.
Aconteceu exatamente o mesmo que acontecera quando fiz com Kate: O quarto tremeu, depois parou, e então eu aceitei, o quarto tremeu novamente e uma pedra idêntica à de Kate surgiu nas mãos de Olívia. Sorri.
–Já pensou no que seu pai vai achar? –Kate me perguntou após um tempo.
–O meu certamente vai me deserdar ou me matar. –Olívia murmurou.
–Ninguém precisa saber ainda, mas você deve usar a pedra sempre, Olívia. Eu não sei o que você vai ser capaz de fazer, porém não ande sem ela.
–É estranho, sabe? Me sinto mais forte...
–Eu também me senti assim com a pedra. Acho que Amy está escondendo alguma coisa.... –Kate brincou.
–Por falar nisso, pensaram no que vamos fazer? –Olívia perguntou.
–Vamos nos vestir, esperar o baile começar e começar um jogo. –Os olhos de Kate brilharam. –Sempre quis fazer igual aqueles filmes. Você deveria ficar longe de Thomas, Amy. Honestamente....
Eu ri com desgosto.
–É apenas minha festa de noivado, por que eu deveria olhar para a cara de meu noivo? –Por mais que eu não quisesse, a situação ainda doía muito. Dessa vez eu realmente me achava capaz de tentar matá-lo assim que o visse. –Vamos nos trocar, faltam menos de uma hora.
–É só a recepção. Nós seremos chamadas quando todos já tiverem chegado, vai demorar umas três horas ainda. –Olívia explicou. –Mas mesmo faltando três horas já era aconselhável termos começado a nos vestir.
Enquanto elas foram começar a separar as maquiagens que estavam no banheiro, fui atrás de um vestido, porém encontrei muitos, a maioria longo, de cores claras e seda, perfeitos para tornar uma pessoa uma estátua de gelo.
Escolhi um vestido longo verde-água, onde apenas o busto era justo enquanto a saia fluía em várias camadas de seda até o chão. As mangas eram cumpridas, porém começavam apenas abaixo dos meus ombros, deixando toda a região do colo desnuda.
Peguei a peça e coloquei sobre a mesa de vidro e fui procurar sapatos. Havia todos os tipos de sapatos que eu poderia imaginar e eu poderia ter ficado horas para decidir qual usar caso a situação não fosse tão agonizante. Optei por um sapato fechado branco que tinha o salto bem alto, quase alto o suficiente para me deixar numa altura decente.
Tirei pela primeira vez a corrente com o pássaro negro e controlei a vontade de jogá-la pela janela, a jogando então em algum canto do closet. Em seu lugar, peguei uma corrente de bronze por onde passava uma pedra Âmbar oval, não muito grande.
Uma vez que a corrente era de bronze, precisei trocar de tiara e, felizmente, havia uma tiara simples e toda de bronze. Separei brincos de pedras claras e um bracelete em caracol, porque as mangas eram esvoaçantes e abertas.
Escolhida a roupa, fui me juntar às garotas para darmos um jeito na maquiagem. Eu gostava bastante de batons vermelhos, porém achei que um vinho combinaria mais, e depois fiz questão de deixar meus olhos pretos.
Já havia se passado uma hora e eu ainda estava tentando dar um jeito de acertar as unhas com um esmalte totalmente branco. Nunca fui muito boa com essas coisas e, felizmente, Olívia conseguiu me salvar de uma catástrofe e também me ajudou a formar cachos espessos nas pontas do cabelo e depois ajudou Kate com uma trança lateral.
Quando Gretel subiu dizendo que já poderíamos descer, não havíamos nem começado a nos vestir e eu não me importei nem um pouco.
–Não estou com humor para saltos, rendas ou qualquer coisa do tipo. –Olívia resmungou atrás de mim, terminando de calçar os sapatos. Ela estava toda de preto e parecia cansada, porém ela era uma pessoa bonita.
–O que eu dava por jeans e tênis.... Estou simplesmente gastando um dia inteiro para fechar botões de pérolas! –Kate resmungou, tentando fechar seu vestido magenta. Sorri de canto e fui ajudá-la.
–Pronto. Melhor descermos.
–Tem certeza de que consegue? –Kate me perguntou, soando preocupada.
–Honestamente? Não, mas vou fazer meu melhor. Vamos. –Chamei.
Felizmente eu meio que sabia já o caminho para o salão, mas minha velocidade reduziu automaticamente conforme me aproximava e era capaz de escutar conversas músicas.
–Seu pai já estava preocupado, alteza. –Gretel nos esperava no corredor centímetros antes da escadaria. –Esperem que anunciem seus nomes e desçam, sim? –Avisou.
Minhas mãos resolveram começar a tremer e eu me senti mais apavorada do que nunca. A música havia parado e eu sabia que teria todos os olhos em mim quando descesse. Aquilo era suficiente para fazer qualquer um passar mal.
–Lady Katherine Conne! –Um homem berrou.
Kate não estava tão calma, porém muito mais tranquila do que eu. Deu-me um sorriso de canto e foi em direção à escadaria.
Dez segundos depois o homem voltou a gritar.
–Princesa Olívia Hunter! –Já Olívia parecia mais entediada do que qualquer coisa e desceu sem qualquer cerimônia.
E aí era minha vez.
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