Royals

12 Capítulo 12


Notas iniciais
Weelll, here I am postando muito antes do comum numa segunda feira (eu juro que não sou um ser sem nada pra fazer). Amei os comentários, como sempre, e espero que continuem mandando recados legais para animar meu dia na escola :/ Tenso, eu sei. Vou parar de falar e deixá-los ler.

Eu imaginei muitas vezes aquele momento. Pensava que iria entrar em combustão espontânea quando o encontrasse, ou que gritaria, perderia o controle e tentaria cometer um ato violento de suicídio. Nunca pensei que fosse ficar parada, sem falas ou qualquer pensamento racional. Não sabia onde encontrar minha pessoa naquele momento, eu me sentia um vegetal.

–Ouvi que teve um tempo difícil. –Começou. Já era tempo de parar de estremecer com sua voz, mas a verdade é que eu era o ser mais fraco já visto. –Eu sinto muito.

Ele estava escorado na parede do outro lado do quarto, os braços cruzados na altura do peito e não havia qualquer emoção em seu rosto, pelo menos não uma que eu pudesse decifrar.

–Sente pelo que, exatamente? –Eu não soei tão fria quanto gostaria. Eu era fraca.

–Ter descoberto assim, ter ficado sozinha, ter de aceitar sem poder mudar. –Ele citou. –Você aparenta estar doente, eu sinto muito não ter podido estar aqui.

Dois segundos bastaram para ele estar bem à minha frente. Thomas limpou uma lágrima de meu queixo que eu nem sabia da existência. Segurei a barra de sua camisa apenas para ter o que fazer com meus dedos trêmulos.

–Isso está acabando comigo. –Murmurei.

–Eu sei. –Ele copiou o tom de voz e me levou para a cama, me deixando em seu colo.

–Você está acabando comigo. –Não era literalmente, ambos sabíamos disso, mas era o que me parecia de um modo.

Ele afagou meus cabelos e apoiou minha cabeça contra seu tórax.

–Você também não é nada fácil.

–Por que não me disse? –Sussurrei em súplica.

–Porque eu sabia que ficaria assim, talvez pior, e porque me disseram para não fazer.

Ficamos em silêncio por vários minutos.

–Você deveria ir tomar banho e vir dormir. –Eu não tinha forças ou vontade para contestar. –Eu estarei aqui quando voltar, então poderá gritar, me bater ou qualquer coisa que queira. –Ele me ajudou a levantar e me apoiou até o banheiro, porém não consegui fitar seu rosto, provavelmente por vergonha do meu estado acabado da situação.

Eu mal conseguia andar direito, mas tomei um banho rápido poupando meus cabelos, escovei os dentes e vesti um pijama de frio.

Thomas estava mesmo esperando por mim quando saí, sentando em minha cama e fitando o nada. Eu não iria estapeá-lo ou gritar com ele, pelo menos não enquanto mal pudesse pensar.

Ele puxou as cobertas quando me viu e me cobriu assim que deitei. Puxei-o para que deitasse ao meu lado uma vez que não queria mesmo ficar sozinha. As luzes se apagaram em segundos e o quarto ficou perfeitamente escuro.

–Agora durma, sim? Não assistirá às aulas amanhã, seu alarme não tocará.

–Você vai ficar?

–Apenas se você me quiser aqui.

–Não quero ficar sozinha. –Não sabia se estava totalmente consciente, mas me senti confortável quando ele me disse que ficaria e mais relaxada quando deixou sua mão sobre minha cintura.

Kate abriu a porta afobada e se jogou em minha cama com uma caixa branca grande em mãos.

–Pronto! Achei que não fosse conseguir.

Sorri aliviada.

–Quanto tempo temos?

–Cerca de cinco minutos.

–Então vá se vestir! Vou tentar ficar pronta em três. –Falei.

Nós tínhamos descoberto em menos de uma hora que não poderíamos chegar ao palácio de calça jeans ou uniforme. A diretora nos repreendeu por não termos arrumado roupas decentes antes e precisamos quase nos matar para conseguir com que Jennifer fizesse nossos vestidos.

E não, não eram os vestidos que usaríamos no baile, muito pelo contrário. Eram vestidos que eu teria de me acostumar a usar enquanto tivesse de carregar uma tiara.

Respirei fundo e abri a caixa, retirando um vestido marfim grosso, de mangas cumpridas, e longo, que ia até meus pés. Ele tinha um corpete da mesma cor, porém com caracóis dourados trabalhados, assim como a barra da saia. Ele não era reto tampouco, a saia era mais larga, porém não tanto.

–Deixe-me ajudá-la, princesa. –Nem tinha notado Jennifer no quarto, porém fiquei um tanto agradecida. Não acho que seria capaz de vestir aquilo sozinha.

Em dois minutos eu fui capaz de entender porque as mulheres sempre reclamavam quando tinham de usar espartilhos, aquela coisa apertava tanto que eu não sabia nem como ainda era capaz de respirar.

–Calce os sapatos. –Ela tirou o par de botas de salto brancas da caixa e me entregou. –Vou dar um jeito em seu cabelo.

A situação ficou tensa quando eu constatei que mal era capaz de dobrar a coluna por conta do maldito sapato, então tive de virar algum tipo de mulher elástica para conseguir calçar aquilo, mas depois de muito transpirar eu consegui.

–Onde está sua coroa? Você precisa de algum bracelete também. –Ela falava com tanta urgência que eu quase tropecei durante o caminho para pegar o baú. Era a primeira vez que eu usaria qualquer uma daquelas peças e me senti meio desconfortável.

Jennifer havia penteado meu cabelo e feito uma única trança grega para tirar o cabelo do rosto, mas me fez colocar uma capa pesada sem mangas trabalhada em marfim e dourado antes de colocar a tiara em minha cabeça. Pensei que ela fosse ficar caindo, mas não cairia nem se eu me esforçasse. Coloquei o bracelete de ouro branco para combinar e quando achei que estava pronta, Jennifer me lembrou da maquiagem.

–A máscara e um batom devem bastar. –Ela falou enquanto procurava as coisas em meu banheiro.

Me sentei na cama para esperar e uma Kate extremamente estranha e a diretora entraram no quarto.

Kate usava um vestido parecido com o meu, porém com a coloração verde escura. Ela tinha o espartilho verde também, porém com os fios que eu poderia jurar serem de ouro puro. Seus cabelos estavam numa trança longa e ela usava uma capa branca, de mangas longas. Minha amiga me encarava do mesmo jeito que eu olhava para ela.

–Você parece uma princesa dos contos de fada. –Ela foi a primeira a falar.

–Já se olhou no espelho, Kate?

–As duas estão maravilhosas, mas os guardas e as carruagens já estão esperando. –A diretora interrompeu.

Deixei que Jennifer me passasse o batom vermelho para que eu parecesse menos sem cor e pálida, e a máscara porque eu simplesmente gostava de usar máscara, mesmo que meus olhos já fossem grandes.

–Pronto. Já podem ir. –Jennifer anunciou quando terminou de me pintar.

Levantei um pouco cambaleante e a diretora já esperava com a porta aberta, batendo os pés, impaciente.

Levei um susto ao ver meia dúzia de guardas esperando nos corredores, todos eles trajando roupas brancas e douradas, carregando brasões cintilantes, usando elmos dourados na cabeça e portando lanças afiadas. Todos se curvaram quando me viram e depois nos escoltaram conforme andávamos pelos corredores.

Eram cerca de seis horas da manhã de sábado, não era para ter gente acordada àquela hora. Bando de curiosos de plantão.

Conforme passávamos fui capaz de enxergar alguns rostos conhecidos, como o de Sarah, que sorria com um brilho nos olhos, Alex que parecia querer rir de nossa situação e o resto das pessoas da nossa sala, com algo parecido com surpresa, curiosidade e encanamento. Se eles soubessem o que era estar dentro daquele espartilho eu duvido que ficariam tão maravilhados assim, deveriam mais era sentir minha dor.

Parei de pensar nessas pessoas quando encontrei uma carruagem branca aberta parada em frente à escola. Ao redor ainda haviam milhares de cavalos de todas as pelagens possíveis, porém todos fortes e saudáveis.

–A gente não deveria chegar hoje antes do baile? –Kate murmurou.

–Vocês vão.

–Não vejo como se há uma carruagem de dois séculos atrás para nos levar.

A diretora fez um esboço de um sorriso.

–Essa carruagem tão velha pode viajar mais rápido que os melhores carros dos mortais. Agora vão, mostrem algum tipo de educação que devem ter aprendido com os filmes infantis e sintam-se livres para se divertir um pouco. Não se esqueçam de prender os cintos na carruagem.

Tomei coragem e me aproximei da carruagem. Um guarda fez uma reverência e abriu a porta para que entrássemos, fechando-a em seguida.

O banco era acolchoado e azul, tendo cintos de segurança prateados. O prendi em minha cintura e me apoiei no encosto. Era um dia extremamente frio e algo me dizia que ficaria ainda mais. Duvidava muito que minha família chamasse Winter por acaso.

–E Thomas?

–Ele foi mais cedo. Nós encontraremos Olívia , a noiva de meu irmão, nos esperando. Ela voltará conosco.

–Ela é da nossa espécie?

–Não. –Falei.

Nossa conversa foi interrompida por um grito alto de um cavaleiro mais à frente, não entendi qual foi exatamente a mensagem, porém todos os soldados se posicionaram sobre seus animais e, após mais um grito, fomos lançadas para frente com um impulso sobrenatural.

No começo a carruagem chacoalhava tanto que eu pensei que nem o cinto fosse conseguir me segurar sentada, mas depois de alguns minutos toda a turbulência parou, como se não estivéssemos tocando o chão.... É, de fato não estávamos mais tocando o chão.

De fato a temperatura foi ficando cada vez mais gelada conforme adentrávamos a floresta, me levando a achar que meu nariz fosse congelar com o vento. A paisagem de alterou para imensos pinheiros tão congelados que pareciam de vidro, folhas secas espalhadas por todos os cantos, algumas árvores de troncos imensos que eu nunca havia visto antes deixava a visão um pouco mais diferente, e todos os lagos estavam congelados.

Imaginei que estávamos indo para um lugar totalmente congelado, sem vida talvez, e aquilo me deu arrepios, mas as coisas começaram a mudar novamente.

Horas depois a paisagem foi tomada por muitas plantas altas que eu desconhecia, além de alguns pássaros imensos que voavam sobre nós e muitas flores azuis, brancas e douradas que não sei como não estavam mortas ou congeladas.

Ainda não era uma floresta colorida e quente de contos de fada, porém eu achava muito melhor. Quanto mais densa a floresta ficava, maior era a sensação de adrenalina que corria por meu sangue, parecendo até doentio.

–Olhe, Amy. –Kate parecia estar sem fôlego quando me apontou alguma coisa sobre uma das primeiras montanhas baixas que apareciam. Eu pude ver de longe um tipo de vilarejo, com casas cobertas de gelo e cercada por uma muralha de pedras.

–Isso é de tirar o fôlego. –Murmurei.

Ficamos olhando tudo à procura de mais coisas como aquela, porém só pudemos encontrar mais quando passamos pela primeira vez por uma área plana, sem árvores, apenas o solo coberto por neve. À direita havia uma vila um pouco maior, com mais casas e mais torres, já à esquerda, um pouco mais longe, havia uma vija muito menor, eu poderia contar cerca de vinte casas ao todo.

Adentramos novamente a mata fechada, encontrando mais rios congelados do que o normal, porém dessa vez havia uma trilha já pronta que cortava a floresta. Imaginei que estávamos chegando.

Eu, felizmente ou não, estava cerca.

Meia hora depois levei um susto com o som de tambores e cornetas sendo soadas conforme começávamos a subir um morro. Meu coração resolveu se manifestar.

Notas finais
Esse foi o último capítulo curto, eu juro :// Vou lá fazer algo de útil e estudar (*encarar o caderno). Não se esqueçam de comentar ;-D