Royals

11 Capítulo 11


Notas iniciais
E se eu disser que eu não sei nem por onde começar isso daqui? Demorou pelo menos um dia inteiro para cair a ficha de que eu tinha mais uma recomendação e mais gente favoritando. Obrigada Helena por ter recomendado, eu simplesmente amei o que escreveu, MUITO MESMO!! Eu honestamente me vejo como a pessoa mais sem vocação do mundo, sério, eu não consegui resultado nem num teste kkkkk Vocês não têm ideia do quanto eu quis ter postado ontem e eu simplesmente não podia porque eu estava viajando D: Foi doloroso haha Os reviews que eu recebi também foram fantásticos, é muito bom receber qualquer feedback de vez em quando e muito melhor quando dizem que estão gostando *-* Vou parar de falar aqui e postar logo o próximo, beijoos ;-*

–Por que não nos conta porque está anda tão abalada, Srta. Winter? –Eu acho que já tinha deixado claro o suficiente que não era fã de Maurice.

–Porque é pessoal e eu não me sinto como se devesse contar. Será que não dá para alguém respeitar a minha vontade pelo menos uma vez? –Meus decibéis aumentaram consideravelmente.

Todos os olhos se voltaram confusos para mim, surpresos com o meu descontrole.

–Professor, é um assunto real e não acho que deva ser tratado eu público. –Kate explicou por mim.

Havia noites que eu não conseguia pregar o sono e eu me sentia a ponto de desabar, porém não apenas de cansaço, mas por conta da dor na garganta e no coração que eu sentia. Eu já tinha procurado em diversos livros por algum tipo de poção que pudesse me fazer parar de sentir qualquer coisa pelo resto de minha vida, porém não havia achado nada. Nada que pudesse aliviar uma dor de inutilidade, impotência e traição.

Maurice suspirou.

–Vocês podem sair para o almoço. Peço que fique, Amy, precisamos conversar. Você também pode ficar, Kate.

Eu não estava mesmo com vontade de me mover.

Quando todos saíram e a porta foi fechada eu me deixei cair sobre o tapete. Kate se sentou com um olhar de pena e compreensão ao meu lado e o professor se sentou logo à frente.

–Nós não vamos sair desta sala até você parar de fraquejar nossas paredes de proteção. –Ele determinou.

Eu não estava ciente de estar fazendo qualquer coisa que fosse.

–A diretora Snigher me disse que teve uma conversa um tanto conturbada com você. Contou-me sobre o assunto em questão e sua reação, porém eu gostaria de saber o que passa por sua cabeça agora, querida.

–Pensei que pudesse saber meus medos sem que eu precisasse dizer. –Murmurei.

–Mas eu não vejo mais algum medo em você, criança. Soube sobre seu medo de impotência, um medo sobre sentimentos também que não achei necessário ser trabalhado, porém fora estes não há mais.

–Eles são mais do que suficientes para mim.

–Tem razão. Mas eu vou te dizer o que você não sabe. Eu posso ver grande diferença quando olho para você do que quando olho para qualquer outro bruxo por aí. Não é por conta do seu sangue, da coroa ou da responsabilidade que pesa sobre você, mas eu vejo uma força diferente. Eu sei que você pode aguentar tudo o que está te acontecendo e ainda mais, e sei que pode realizar uma magia anormal e inexplicável ao mesmo tempo. Você não tem ideia do quanto é valiosa e ao mesmo tempo não faz ideia de quanto pode ser destrutiva. Sobre todos os seres de quaisquer espécie, você é a pessoa que precisa ter mais controle ao mesmo tempo que necessita de alguém para te ajudar.

Eu sabia que ele falava de Thomas e aquilo me fez chorar pela milésima vez naquela semana.

O idiota simplesmente desaparecera assim que a diretora me chamou. Ele era covarde por ter fugido e por não ter me contado antes. Ele mentiu para mim o tempo todo, não cuidava pessoalmente de mim por querer gratidão de seu pai, só se assegurava de me ter viva para que eles pudessem ganhar. Eu não era estúpida para não saber que eles queriam poder, queriam magia para uma espécie desprovida da mesma. Eu era só uma marionete estúpida e sem graça. E extremamente burra por deixar com que aquilo me machucasse tanto. Ele não devia valer nada para mim.

–Eu vejo raiva, dor e confusão em seus olhos. Se você explodir, pode causar estragos muito grandes, Amy.

Ele tinha razão, eu já estava tremendo.

–Pense sobre como ele se sentiu então? –Kate se pronunciou.

–Ele devia ter me contado.

–Como? Como você contaria se a situação fosse inversa? –Não sei se eu não respondi porque não sabia a resposta ou se não tive tempo o suficiente para pensar. –Aí está.

–Ele fugiu. –Falei.

–Oh, Thomas? Ele não fugiu, foi chamado para resolver um conflito de emergência no palácio do pai dele. Deve estar de volta hoje ou amanhã.

Engoli em seco. Não que eu mudara minha opinião, mas porque me senti meio boba.

– Pense assim, Amy. Depois de amanhã nós vamos sair desse inferno, conheceremos gente esquisita e esfregaremos nossa superioridade na cara de sanguessugas nojentas. Vamos nos divertir. –Kate chacoalhou meus ombros ao falar. Numa situação normal eu teria sorrido e não feito uma careta.

–Você será feliz, menina. Fará boas escolhas, será admirada, as pessoas dirão que é a melhor em qualquer coisa que fizer. Terá suas amigas com você, pode nomear Kate como sua Primeira Conselheira se quiser e terá companhia indiscutível para tudo que desejar fazer, terá apoio também.

–Como isso funciona?

–Um Primeiro Conselheiro? Bem, na verdade você pode ter dois conselheiros, não mais. Os conselheiros reais são as únicas pessoas que vão ter suas costas. Você deverá escolher as pessoas mais confiáveis que poderão ter acesso a qualquer coisa que você não queira que seja conhecido publicamente e que te darão força nas reuniões do conselho. Conselheiros ganham cadeiras no parlamento e quartos no palácio, são como agregados à família e principais membros depois dos reis e dos herdeiros, é claro.

–É melhor do que ir como Dama de Companhia, o que acha Kate? –Fiquei feliz por ter conseguido me acalmar um pouco.

–É... Mas você tem certeza? Quer dizer, é algo de uma honra imensa. –Ela parecia surpresa pela primeira vez na vida.

–Realmente é, meninas. Mas não é tão simples, há um juramento. Se você aceitar, Kate, precisará declarar devoção. Se houver uma única impureza ou qualquer coisa que possa sonegar devoção, então será penalizada.

–Eu não tenho receio, professor. Gosto de política, discussão, debates, justiça e faria qualquer coisa por alguém como Amy. –Eu quis rir ao ouvir Kate sendo tão sentimental.

–Há mais uma coisa. –Ele pausou, deixando-nos curiosos. –Você jura devoção e será copiada alguma habilidade de Amy como gratidão. O poder recebido é material, quando um juramento desse acontece há magia envolvida e geralmente está concentrada numa pedra. Você usa a pedra e terá acesso ao que recebera, porém se trair o voto, a mesma te condenará. É um risco.

–Tudo bem.

–Quando nós podemos fazer isso? –Perguntei.

–Quando quiserem. Podem levantar, Kate jura devoção e Amy a aceita. Deverão dar as mãos também para que alguma habilidade possa ser confiada. –Eu e Kate nos levantamos. –Vocês têm certeza?

Nós duas concordamos com a cabeça sem hesitar. Maurice foi buscar um livro onde havia a jura em latim. Nos concentramos no ar, como nos fora ensinado na aula de magia, e quando Kate fez o juramento, a sala pareceu tremer por conta da descarga de energia que causávamos. O tremor passou e o ar ficou leve novamente. Havia dado certo. Eu disse, em um latim muito longe do perfeito, que aceitava. O lugar tremeu muito, tanto que alguns livros caíram de estantes e nós quase nos desequilibramos, porém não ousamos perder o foco.

Senti um leve incômodo no estômago e então mais energia sendo liberada. Quando tudo acabou nós abrimos os olhos e sobre a mão de Kate havia uma pedra polida em um formato oval, porém totalmente negra. Naquela pedra havia o preto mais escuro que eu já tinha visto, se é que era possível.

Ouvi Maurice ofegar.

–Algum problema? –Perguntei, com receio.

–Nenhum, é só....

–A cor da pedra. –Kate completou. –Eu li sobre cores e pedras recentemente. As cores têm significados.

–Essas pedras também. –Ele fez uma pausa. –Geralmente essas pedras são tão claras que sabemos o que foi copiado. Um dos conselheiros de seu pai possui uma pedra que não pode ser vista, apenas tocada. Sabemos que ele é capaz de invisibilidade por conta da pedra.

–O que o Pedro significa? –Não sei se fiquei curiosa ou com medo da resposta.

Maurice deu de ombros, em confusão.

–Não diz nada. Pode ser qualquer coisa ou várias ao mesmo tempo. Nunca houve uma pedra negra nessas relações antes, mas o preto quer dizer desconhecido.

–Tem certeza de que não significa magia negra? –Fiz uma careta.

–Você assistiu muito desenho quando criança. Não há magia negra, apenas as proibidas... E as desconhecidas, é lógico. Agora eu vejo que estão fracas, a descarga foi bem mais forte do que eu imaginava. Vão comer e depois descansar! E eu não quero te ver mais entrando eu combustão espontânea, Amy. Falo muito sério.

O refeitório estava um tanto silencioso, porém cheio de gente. Algumas pessoas conversavam em sussurros, outras faziam deveres e algumas comiam.

Fui com Kate pegar lasanha e nos sentamos numa mesa meio distante das outras, eu não queria muita companhia agora e duvidava que Kate quisesse.

–Você está ansiosa para conhecer seu pai? –Kate me perguntou depois de algum tempo.

–Sim, estou. Acho que se me fizessem essa pergunta há alguns meses atrás eu negaria, porém agora eu fico feliz.

–Acha que ele vai gostar que eu seja sua Primeira Conselheira?

–Por que ele iria? Você é filha do duque de Corseas, minha melhor amiga e fez um voto que foi aceito. Não há razões para não gostar. –Franzi as sobrancelhas. –Mas você deve estar ansiosa para conhecer seus pais.

–Acha que eles estarão no baile?

–Por que não estariam? Perder a chance de conhecer a própria filha? Acho que não.

–Eles nem devem saber que eu vou.

–Eu meio que duvido disso, sabe? Aquele povo deve saber de cada respiração que damos aqui.

–Tem razão. Bem, só espero que não se decepcionem.

–Eu também devo esperar o mesmo. –Concordei.

Nós terminamos de comer em paz e resolvi voltar para o quarto enquanto Kate ia até o Suffugium. Eu sentia que precisava dormir um pouco, pelo menos por umas vinte e quatro horas.

Eu sabia que não conseguiria, me sentia um lixo ambulante e mesmo assim uma pilha de nervos.

Dormir não fora nada fácil nos últimos dias, porém quando abri a porta e encontrei olhos azuis duros. Desejei nunca ter acordado.

Notas finais
O que acharam? Não se esqueçam de comentar, nem que seja uma palavra kkkk