Royal Oak

2 Uma Xícara de Dejà-vù


Notas iniciais
Olha só quem atualizou a históriaaa~!
Confesso que fiquei apreensiva por que recebi poucos reviews, mas ainda assim, fiquei muito contente com o feedback que eu recebi! Até por que, a história ainda está no começo :3
Sem mais lenga-lenga, apresento a vocês o capítulo 2 de Royal Oak!
Boa leitura! ♥

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Tic tac...

O relógio marcava segundo por segundo incessantemente, sempre no mesmo ritmo, sem se cansar e nem parar pra pensar no que estava fazendo. Izaya queria ser assim, também – poder simplesmente tiquetaquear por aí sem se preocupar com nada – até por que, mesmo que a pilha acabasse, sempre haveria alguém para repor.

O Orihara estava começando a se tornar alguém muito invejoso.

Mas, sinceramente, dessa vez não era culpa dele. Se alguém deveria ser culpado pelo atual estado de euforia violenta do jovem, e realmente deveria... esse alguém era Shizuo, o barman que o havia embebedado e, pra piorar a situação, se aproveitou dele como se fosse uma mulherzinha qualquer.

Se era pra Izaya ser a mulherzinha, pelo menos fosse uma que prestasse!

Grunhiu enquanto olhava o relógio, e seus olhos se voltavam para o micro-ondas que esquentava uma fatia de “pizza instantânea”. Já não bastasse a raiva que o Orihara estava sentindo por causa de Shizuo, a contagem de segundos do relógio não estava em sincronia com a do eletroeletrônico.

Tic pic tac pic...

Talvez Izaya já não invejasse tanto o relógio. O objeto burro não conseguia nem acompanhar uma porra de contagem de segundos de um micro-ondas! Se ele soubesse que o objeto seria tão inútil e malfeito, nem o teria comprado.

Enquanto esperava sua pizza ficar pronta, Izaya andou até a sala de seu apartamento e se sentou no sofá, encarando a televisão desligada. Pelo reflexo no televisor, o jovem podia se enxergar, e na parede atrás dele, logo acima de sua cabeça, pendia um calendário.

Dois dias.

Já haviam se passado dois dias desde o incidente com Shizuo, e o Orihara continuava tão descontente quanto antes. A quantidade de café que ele havia bebido havia contribuído bastante, também, para a tamanha hiper-atividade, euforia violenta de Izaya.

E, aliás, já estava na hora de mais uma xícara.

O micro-ondas sinalizou o término do tempo escandalosamente. Se Izaya não estivesse tão preocupado com outras coisas, teria se assustado de uma forma ainda mais escandalosa. Levantou-se do sofá e andou até a cozinha, deixou a pizza no aparelho enquanto preparava seu café.

Em vez de fazer xícaras individuais toda vez, ele deveria fazer uma jarra de um litro.

Feliz com sua idéia genial, Izaya colocou um litro de água na cafeteira, ligou-a e foi até o micro-ondas para devorar sua pizza. Sinceramente, ele mal sentiu o gosto dela, e assim que seu café ficou pronto...

Izaya notou que o pó de café havia acabado.

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Shizuo não estava feliz. Aliás, dizer que ele não estava feliz era subestimar a situação – ele estava emputecido, raivoso, loucamente irritado com Izaya. Não sabia o que era pior – cuidar de um bêbado mal-agradecido que o chamou de estuprador, ter que pagar pelas bebidas que o deixaram embriagado, ou...

Ou receber uma ligação, às 2:30 da manhã no dia seguinte, de alguém – que obviamente era Izaya – ameaçando-o com uma faca de peixeiro, se ele não deixasse a cidade em vinte e quatro horas.

O loiro preferia nem saber como o outro foi descobrir seu número.

Colocando de uma forma dramática mas verídica, Shizuo era um homem puto, sonolento, que teve que ir trabalhar e estava prestes a quebrar uma garrafa de vodka na cabeça de um cliente chato.

Se a coisa não custasse uma boa parte do salário dele, aliás, ele já teria quebrado.

Shizuo não conseguiu nem suspirar.

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- Café, café, café...

Prateleiras e mais prateleiras de biscoitos, doces e guloseimas se revelavam por um longo corredor, que parecia infinito, enquanto Izaya empurrava seu carrinho pela loja de conveniência.

- Meu caféeeee! — , exasperava o Orihara, acelerando seus passos e criando um som insuportável com as rodas do carrinho.

Virou um corredor e tinha certeza que entraria no recinto dos deuses, com todos os tipos de café existentes, mas de repente ele se viu na seção de frios.

Essa loja de conveniência definitivamente não era conveniente.

Para a sorte do jovem, uma pilha de potes de pó de café estava logo à frente das carnes congeladas. Ignorando o posicionamento terrível de seu amado pretinho, Izaya começou a jogar as latas pra dentro de seu carrinho, e já ia se direcionando ao caixa quando percebeu que estava perdido.

Perdido numa maldita loja de conveniência. Quem quer que havia dito que as coisas sempre poderiam ficar piores estava errado, muito errado.

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Shizuo finalmente conseguiu soltar um suspiro, que, aliás, pôde ser ouvido por todo o pub. Era hora do almoço.

Desesperado para sair daquele sufoco, o Heiwajima vestiu sua jaqueta apressadamente e saiu correndo do Royal Oak, inspirando longamente o ar gelado do inverno – o que não durou tanto assim, já que em pouco tempo tinha um cigarro na boca. Deixou um sorriso largo cobrir seu rosto e foi andando até um hipermercado que havia ali perto.

Hoje estava com vontade de comer carne. Seu humor carnívoro-mortífero gritava “hambúrguer de micro-ondas sabor picanha”, e quem era ele para relutar?

Foi andando até o setor de frios, o que levou algum tempo. Passou por corredores de biscoitos e doces e finalmente chegou até lá – seu paraíso de predador. Avistou seus hambúrgueres não muito longe dali e andou até eles, quando ouviu um barulho estrondoso atrás de si.

Considerou olhar, mas provavelmente era só algum idiota derrubando uma prateleira de latas pesadas. Seus dedos se esticaram para pegar seu hambúrguer, e... – SHIZUOOO!

Seu corpo todo ficou tenso. O loiro apertou os dentes e vagarosamente olhou para trás, avistando Izaya a dois corredores de distância, caído sobre um carrinho de compras com vários potes de pó de café espalhados pelo chão.

Decidiu ignorar. Virou-se para os hambúrgueres novamente e pegou três de picanha, quando algo o acertou forte na cabeça. Virou-se para encarar Izaya com seu olhar mais assustador e um segundo pote o acertou com força, na testa.

O que veio a seguir foi uma seqüência de potes de pó de café sendo atirados em Shizuo, que permaneceu parado lá, encarando Izaya com seu olhar malvado. – PERSEGUIDOR! MOLESTADOR DE HOMENS BONITOS INDEFESOS! — , gritava Izaya. E chegou a gritar coisa pior.

Quando Shizuo finalmente perdeu a paciência, levantou a estante refrigerada atrás de si com uma facilidade assustadora, e com um movimento limpo, atirou-a. Por questão de milésimos de segundo, Izaya não foi acertado, e, muito provavelmente, morto pela coisa.

Antes que pudesse fazer outro movimento, o Orihara foi puxado pela gola da jaqueta que vestia e arrastado pelo estabelecimento; os seguranças e demais trabalhadores nem arriscaram confrontar nenhum dos dois e cobrar pelo estrago enquanto saíam da loja, Shizuo marchando pesadamente e Izaya com os braços cruzados e cara fechada, com direito a bico.

Após mais alguns metros, entraram no que parecia ser uma vala vazia e Izaya foi bruscamente jogado contra a parede; Shizuo rapidamente colocando seus braços um de cada lado da cabeça de Izaya para que este não tentasse escapar. – Cadê a sua faca de peixeiro agora? -, perguntou com um sorriso um tanto macabro no rosto, discretamente ajeitando seus óculos de sol.

Izaya corou suavemente. Sabia que não havia sido a melhor das ameaças, mas por favor, ele havia sido embriagado e violentado; ele tinha esse direito. – Reclama da faca, mas você é que me seguiu até a maldita loja de conveniência!

Shizuo podia sentir uma de suas veias pulsando perigosamente em sua testa. – Você inventou a coisa da faca, e isso é um hipermercado.

Aah. Isso explicava muita coisa.

- Você não negou a parte de ter me seguido! Eu sabia, quer me estuprar de novo! – Como não queria arriscar ter mais de sua pureza roubada por aquele demônio loiro, Izaya levantou os punhos para empurrá-lo.

Antes que pudesse completar o movimento, Shizuo segurou seus dois punhos e os pressionou contra a parede, cessando os demais movimentos do moreno.

A essa altura, Shizuo apenas o olhava. Seus olhos examinavam cuidadosamente cada centímetro da expressão de Izaya, e ele não sabia se deveria estar feliz ou bravo com o que via... só sabia que se continuasse olhando, não haveria guindaste que o parasse.

E pelo visto não haveria.

Ao ver que Izaya abria a boca para dizer algo, o loiro atacou-o com seus lábios, roubando um beijo um tanto violento. O cigarro queimava entre as duas bocas coladas, dando um toque um tanto exótico ao beijo.

Depois de passar alguns segundos tentando se soltar, Izaya sucumbiu. A boca de Shizuo parecia deliciosa demais para resistir – sem contar que, com o loiro segurando Izaya daquele jeito, não havia muito que fazer.

O beijo de repente ficou apaixonado. Suas línguas fingiam lutar por dominância, afinal, ambos sabiam quem era o dominante, o líder naquele momento – mesmo líder esse, que, soltando os pulsos de Izaya, abraçou o corpo do menor puxando-o para si.

Os braços do Orihara enlaçaram-se no pescoço do maior e o beijo foi ficando mais profundo, mais quente, e de repente tudo acabou. Izaya abriu os olhos devagar, ainda um tanto grogue, e viu que Shizuo o encarava profundamente. – Não se lembra mesmo de mim? — , suspirou o loiro.

Izaya apenas o observava. Havia algo de familiar no jeito que ele o encarava...

Os olhos semi-abertos, nublados num chocolate de cor intensa e quente; os fios dourados caindo sobre sua testa; sua boca ofegante e bochechas levemente coradas...

Até mesmo o jeito que Shizuo o abraçava, tão seguro em seus braços, tão apertado...

- Shizuo... Heiwajima... — , suspirou; seus olhos agora totalmente abertos. – Shizuo...

Algo dentro de Izaya estalou. Seus músculos ficaram tensos e seu corpo todo doía, gelado, agonizado. Sua respiração havia ficado presa em seus pulmões; seu peito queimava e sua cabeça estava girando, tudo girava, e tudo estava congelado.

- Shizuo...! – Seu último suspiro fora dolorido. Empurrou Shizuo; não se importou em olhar para trás quando saiu correndo, apesar de ter ouvido o outro lhe chamando o nome. Não sabia que conseguia correr tão rápido – suas pernas já queimavam com fadiga mas não paravam. Continuavam num ritmo incessante.

Izaya não queria mais ser como seu relógio.

Então, num baque, suas pilhas finalmente acabaram, e ele temia que não houvesse como repô-las. Izaya abriu a porta de seu apartamento, suas mãos tremendo, e fechou-a atrás de si assim que terminou de entrar. Encostou suas costas na madeira gelada e sentou-se no chão, com uma das mãos sobre o peito, agarrando o tecido de sua blusa.

Sua respiração estava acelerada e descompassada; seu corpo continuava doendo, mas agora queimava num fogo infernal.

Era Shizuo... Shizuo Heiwajima. Izaya estava tão desesperado que não conseguia nem se sentir idiota por não ter percebido antes.

O Orihara quase podia se imaginar correndo floresta adentro; suas pernas curtas o atrasando e seus olhos queimando com lágrimas, e um pequeno Shizuo gritando seu nome, pedindo para que ele voltasse. Um maldito dejà-vù. E então a voz de Shizuo desaparecia...

Assim como todo o resto.

Notas finais
Ehhh~ Capitulozinho confuso, né? Mas, sinceramente, me diverti bastante escrevendo-o :3 E sei que já tá todo mundo careca de ler isso, mas será tudo explicado em seu devido tempo! ♥
E, aliás, já temos algumas respostas no próximo capítulo!
Que será que o Shizuo fez pra deixar o Izaya daquele jeito, hein?
Até o próximo capítulo, obrigada por acompanharem até aqui!