Roses And Demons: Warbloom

76 Justiça em Nome dos Deuses


Notas iniciais
Na segunda metade de janeiro provavelmente não atualizarei a história.

Os soldados e bruxas se engalfinharam num confronto violento, mas o manipulador das chamas negras permaneceu no lugar, estudando aquele rapaz que aparentava estar do mesmo lado que suas inimigas. Eventualmente, ele conseguiu se lembrar de onde havia visto roupas como aquelas. Elas eram quase idênticas às que um certo manipulador do vento trajava durante a batalha que culminou na derrubada do último pilar. Por associação, aquele inimigo provavelmente seria tão incômodo quanto William Storde.

–Quem é você? – Perguntou Inferno, afinal.

–Meu nome é Elbio Lumarc.

Não que fizesse questão de revelar o próprio nome, mas ele imaginou que deveria fazê-lo. Embora sentisse um impulso enorme para odiar aquele homem que derrotara tantas irmãs, o bruxo via alguma coisa por trás daquele olhar curioso, algo que ele não sabia definir, e por isso não reagiu até ouvir a próxima pergunta.

–Por que você está ajudando as bruxas?

–Mas que pergunta estúpida! Porque vocês, opressores, as perseguem!

Talvez fizesse sentido o fato de que Elbio não tinha rancor do guerreiro da Rosa Branca, por mais que ele houvesse ferido diversas bruxas. Os verdadeiros culpados eram Vladmir Banemare e seu fantoche, o rei David Follet. Eles é que mereciam ser castigados pelos séculos de horror que as devotas de Argenta sofreram em Chesord. Mas antes disso, era necessário vencer a batalha diante de si, e a forma mais rápida certamente seria derrotando o líder dos inimigos.

Sem mais tempo para desperdiçar, o bruxo estendeu seus braços à frente e ao seu redor surgiu uma dúzia de espadas translúcidas da cor prata. Antes que as lâminas o alcançassem, Inferno cravou sua espada no chão e a usou como apoio para saltar. No ar, criou quatro redemoinhos serpeantes de fogo negro, os quais Elbio combateu criando correntes de energia mágica.

–“Ele parece um manipulador, mas...”

O controlador das chamas negras se via cada vez mais surpreso, embora a estratégia do oponente não fosse suficiente para detê-lo. As labaredas escaparam das amarras e se juntaram numa única gigantesca bola de fogo, calcinando o solo após o impacto. Elbio manteve-se seguro dentro de uma cúpula.

–“... essa sensação é diferente.”

Inferno não imaginava que a fonte dos poderes do rapaz não era uma energia elemental natural, mas sim a força espiritual de Rina que alimentava sua magia. Mesmo assim, ele estava longe de se sentir intimidado e, fazendo ressurgir sua espada nas mãos, atingiu com todas as forças a proteção do bruxo quando retornou ao chão, causando um impacto tão espantoso que quebrou sua concentração e o fez cambalear para trás e cair.

–Não pretendo matá-lo, mas isso provavelmente vai doer.

Asas cinzentas surgiram num instante nas costas de Elbio e o colocaram no ar, a salvo da rajada flamejante que lambeu o chão. Mais uma vez, o comandante se via estupefato com a perícia do adversário.

–Mas que homem excepcional! Que tipo de manipulador é você?

–Eu não acho que posso ser chamado de manipulador. – Elbio cobriu o próprio corpo com uma armadura mística, certo de que não conseguiria evitar os golpes de Inferno para sempre caso quisesse vencer. – Mas se você abrir o sentido da palavra pode dizer que sou um manipulador de magia.

–O que disse?

Em sua experiência, o controlador das chamas negras entendia que rituais mágicos consumiam muito tempo e energia para que fossem usados eficientemente em combate. Mas ele não duvida da história de Lumarc. As bruxas eram mais engenhosas do que ele pensava.

–Prepare-se para levar a maior surra da sua vida!

Para fazer valer sua afirmação, Elbio lançou-se de volto ao chão, atingindo o solo com seu punho um momento depois que o inimigo deu um passo para trás. Inferno respondeu com um corte horizontal, mas a capacidade de manobra do primeiro era muito maior com as asas mágicas e ele se ergueu a tempo de evitar o ataque e revidou com um chute. Os dois continuaram a trocar golpes, e cada vez mais o líder da ordem se via pressionado pela agilidade de seu oponente.

Tomando distância, o controlador das chamas negras lançou sua espada na direção do bruxo, tentando fazê-lo pensar que estava desesperado. A tática deu certo e ele evitou facilmente a lâmina, planando rapidamente e esquivando das chamas que se interpunham no caminho. Quando finalmente alcançou o inimigo supostamente desprotegido, Elbio deixou escapar um suspiro de surpresa quando seu punho foi detido pela espada ressurgida de Inferno, que a usou como escudo. Seu braço foi então agarrado pelo homem da Rosa Branca e este o ergueu sobre a cabeça para depois puxá-lo com violência ao chão.

–Você não me deixa outra escolha.

Caído, o rapaz não teve como evitar o ataque seguinte, no qual Inferno não se conteve nem um pouco. Durante trinta segundos ele manteve uma torrente de chamas sobre seu oponente que, embora sofresse os danos indiretamente, não sairia ileso. Por fim, o líder da ordem cessou seu golpe, ainda bastante curioso sobre aquela pessoa tão peculiar. Mas suas perguntas tinham de esperar e ele se preparou para retomar o conflito com as bruxas, mas enquanto se virava foi atingido por uma esfera que virou uma explosão de luz prateada.

A alguns metros de distância de seu ponto anterior, o controlador das chamas negras se colocou em pé, agora com as vestes empoeiradas. Elbio também se levantava, e mesmo que sua armadura tivesse se dissipado, ele não parecia prestes a se render.

–Como você ainda consegue lutar?

–Eu fiz uma promessa para uma pessoa muito importante, que protegeria as bruxas da tirania de Chesord!

–O que estamos fazendo não é tirania ou opressão! Adriel, o deus supremo que governa a justiça alertou que não se deve perverter os ensinamentos sagrados ou a ordem natural do mundo. Estamos fazendo justiça em nome dos deuses!

–Você acha mesmo que pode chamar isso de justiça? Se for assim, fale somente pelo seu deus! Eu vou lhe mostrar o que é a justiça no nome de Argenta, a deusa das bruxas!

–Como ousa macular o nome de uma das nossas deusas associando-a a um grupo de adoradoras perversas de demônios?

–E quem foi que disse que bruxas servem aos demônios? Onde é que estão as provas do que você afirma?!

Inferno sentiu sua determinação flutuar. Sim, o rapaz tinha toda a razão quando dizia que nunca se encontraram provas conclusivas a respeito da ligação entre as bruxas e os habitantes de Pravus. Mas os ensinamentos de Adriel também alertavam quanto ao fato de que os demônios eram muito ardilosos.

–Se o que você diz é verdade... – Nesse momento veio à mente do líder a suspeita de que a história da criação da barreira fosse mentira. Mesmo depois de sua queda, não se viu um único demônio, e as mensagens que recebia de seus subordinados que lutavam contra Lince Walters não mostravam qualquer indício de atividade de Pravus. Sendo assim, havia apenas uma forma de apagar tantas dúvidas. – ... então prove isso me derrotando. Vamos lutar pelas nossas crenças, e que aquele que permanecer em pé tenha o direito de declarar qual é a verdadeira justiça!

–Então temos um acordo!

Aquela invasão havia ajudado Elbio sobremaneira a desenvolver suas habilidades, principalmente em sua batalha contra Inferno. Ele sentia seu domínio sobre o poder espiritual aumentando num ritmo incrivelmente rápido. E agora, com suas crenças em jogo, havia mais motivação do que nunca para vencer.

–“Eu quase derrotei William. Se eu me esforçar, tenho certeza de que posso vencer esse homem, mesmo que seja o líder da ordem!” – Pensava Elbio enquanto se preparava para o confronto iminente. – “Deusa Argenta, por favor me guie até a vitória!”

Notas finais
Com tanto em jogo, Elbio desperta um potencial maior do que Inferno imaginava. Capítulo 177: O Preço do Heroísmo Em breve.