Roses And Demons: Warbloom
101 De Princesa a Bruxa
Notas iniciais
Estou de volta depois de uma semana de 'folga'. Por sinal, é provável que em Outubro eu não atualize a história. Sabe como é, férias e tudo mais.
Magna Academia, a maior instituição de ensino no território empericiano. Construída pela linhagem real Secrett há aproximadamente quinhentos e vinte anos, o lugar vem acumulando renome desde então. A cultura e o conhecimento de diversas nações são reunidos nas infindáveis prateleiras e depois destilados pelos qualificados professores.
Aos treze anos, Erika, a filha mais velha do rei, foi matriculada a despeito de sua vontade de se tornar oficial do exército. Não demorou muito tempo para se evidenciar que o ambiente acadêmico não era seu forte. Vista como inferior pelas mentes brilhantes que lá buscavam especialização e forçada aos limites pelos instrutores, que esperavam um desempenho muito maior vindo de uma princesa, ela se isolou cada vez mais. Na noite do dia de número 342 desde sua entrada na academia, a filha de Jack foi convocada ao escritório de Juliana Trolstom, que detinha um cargo inferior apenas ao da própria diretora. Sem nenhum amigo para acompanhá-la na pesarosa viagem, Erika deixou o salão onde jantou, preparada para receber mais um admoestação. Estava acostumada a esse ponto. A primeira coisa que notou ao entrar foi que os rumores eram verdadeiros: a professora Trolstom tinha um corvo empalhado em sua estante, mas Secrett não teve tempo de prestar atenção em mais detalhes. Os olhos negros e sagazes da mulher exigiam toda a sua atenção. A dama de longos cabelos negros e repartidos gostava de se vestir com essa mesma cor, sempre elegante com um sobretudo e calças de seda. Estava sentada diante de sua mesa, esperando que a recém-chegada tomasse um assento à sua frente. Polia seu pequeno bastão de ferro, semelhante a uma batuta, que sempre portava consigo onde quer que fosse, mas colocou o pano de lado rapidamente. Então começou, em tom impessoal:–O professor Sayd veio conversar comigo esta manhã, senhorita Secrett, e foi bastante insistente ao me pedir para que assumisse a sua tutela. Não posso culpá-lo, afinal de contas historicamente você é a aluna mais malsucedida que já passou por esta academia. Claro que em partes isto se deve ao fato de que alguém com o mesmo desempenho que o seu não teria durado sequer seis meses. Erika permaneceu absolutamente calada. Àquela altura já sabia que se tentasse retrucar ou se defender de qualquer forma apenas enfurecia ainda mais a professora. Contudo, havia julgado mal um detalhe daquela conversa: não era fúria que motivava o discurso de Juliana.–Pois bem, eu aceitei o pedido e agora oficialmente sou sua tutora. Fiz uma pesquisa extensa a seu respeito, princesa, e descobri um detalhe interessante. Embora seja um fracasso absoluto em todas as disciplinas fundamentais, você insistiu para que cedessem uma vaga extracurricular em Fundamentos de Guerra e Combate. De acordo com a professora Ingred, você é a melhor aluna da turma.–Onde você quer chegar? – Secrett já estava se sentindo desconfortável com tantos rodeios.–Seja sincera comigo, alteza, o que você realmente quer alcançar na vida?–Pare de me chamar deste jeito, professora! Ser princesa ou não nunca influenciou minhas decisões. O que eu sempre quis foi me juntar ao exército do reino. Trolstom finalmente sorriu, mas diferente do que Erika esperava, era um sorriso gentil. Talvez até, ela se recusa a crer, compreensivo?–Eu já imaginava algo assim. Bem, está na cara que seu lugar não é aqui, mas infelizmente o seu sonho é algo absolutamente impossível, pelo menos enquanto for a bunda do seu pai que estiver sentada no trono. Mas não se preocupe, eu tenho uma alternativa que pode ser interessante.–E-Eu não vou fazer nada contra meu pai! – Exclamou Erika, atropelando as palavras.–Pelo visto todo esse tempo aqui está mesmo transformando você numa burra. Escute, mesmo que você não possa ser uma soldada, não significa que suas únicas opções sejam ser uma princesinha indefesa ou uma rebelde sanguinária. Eu conheço uma mulher que pode torná-la muito forte, Erika, mas não será nada fácil. Interessada? Secrett estava estupefata, sentia o coração iluminar com aquela pontinha minúscula de esperança, especialmente porque era a primeira vez que ouvia Trolstrom falar com emoção na voz.–Forte como? Nisto, a professora apontou seu bastão para a aluna, que voou contra a parede e a atingiu com um pequeno estrondo, permanecendo com as costas coladas lá e os membros completamente imóveis.–Forte assim. Que tal? Viper dava passos adiante com um sorriso enorme no rosto enquanto girava sua espada curva com a mão. Porém, quando viu a máscara de temor estampada na face de sua oponente, ela própria ficou séria. Desapontada, até.–Ora faça-me o favor. Não vai dizer que está com medinho da morte?–E-Eu... – Erika queria responder que não, mas sabia que a verdade era evidente demais, mesmo se tentasse mentir. Então lhe ocorreu algo: como poderia sua inimiga parecer tão descontraída em plena batalha mortal? – Não me diga que você está se divertindo!–Na verdade eu estava, mas agora quase tenho vontade de deixar você viva. Infelizmente não posso, você é perigosa demais.
De cada dedo das mãos de Priscilla surgiu um feixe serpeante de veneno. Unidos numa espiral, eles rapidamente cruzaram a distância até a princesa, que se obrigou a superar o desespero por um momento para tirar o próprio corpo de lá. Somente graças à sua velocidade superior ela conseguiu escapar intacta. Quando suas esquivas finalmente terminaram a tontura veio à tona e ela cambaleou para trás, tropeçando num cadáver. Caída, seu olhar encontrou o rosto de uma bruxa morta, coberta de sangue que havia escorrido pela ferida em sua testa. Era um rosto familiar, uma jovem que fizera parte da turma de Erika por alguns anos, mas ela não conseguia lembrar o nome. “-Tudo bem, Erika, já que você insiste eu vou lhe ensinar a minha magia. Mas com uma condição: lembre sempre que usá-la é a prova de que você é uma bruxa, e como tal tem o dever de arriscar a vida pelas suas irmãs.–Eu aceito.–Muito bem. A primeira coisa que você precisa saber é que esta magia possui diferentes etapas. Você pode tanto fortalecer o seu domínio sobre uma delas primeiro e depois partir para as outras, ou evoluir todas devagar, mas juntas.–Como é chamada a magia que você usa?–Libero Repagula.” Erika tirou suas pernas de cima da irmã falecida e se colocou em pé, tentando se controlar enquanto os olhos marejavam de lágrimas. Aquelas palavras de Anya, que havia escutado anos atrás, atingiam seu coração como um ferro em brasa.–“Ah, que se dane tudo...” Secrett segurou suas adagas com firmeza novamente e fixou seu olhar na inimiga, que parecia extremamente descontraída, apesar de um tanto desanimada. Não fazia ideia do que levava Viper a lutar como se não tivesse nada a perder, mas sabia que se não fizesse o mesmo, então realmente não teria condições de vencer.–Ei, se você não vai lutar, então pare de desperdiçar meu tempo. – Priscilla repetiu o ataque anterior, mas desta vez com apenas cinco feixes, para ter mais controle. Porém, a bruxa reagiu de forma diferente: avançou em linha reta, evadindo cada jato de veneno por um triz. – Mas você...! O ataque súbito espantou a manipuladora, mas ela reagiu a tempo, saltando para evitar o corte cruzado com que a adversária pretendia atingir suas pernas. Ciente de que era um alvo fácil no ar, disparou uma rajada concentrada ao chão, o que apenas levou Erika a recuar, contorná-la de uma distância segura e desferir um novo golpe por trás. Desta vez o ataque era direcionado ao alto, mas a percepção afiada de Viper a salvou novamente e ela revidou baixando o corpo e traçando um corte circular contra os pés da bruxa. Por sua vez, a filha de Jack deu um pequeno salto adiante, apoiando um de seus pés sobre as costas da inimiga praticamente prostrada e o outro sobre a cabeça, forçando-a em direção ao solo. No instante seguinte, Secrett saltou mais uma vez para a frente, evitando o disparo lançado ao alto em retaliação. Priscilla levantou devagar, retirando a sujeira de seu rosto e de seus cabelos. A princípio ela parecia irritada, mas de súbito abriu um pequeno sorriso.–É, assim é melhor. Uma luta não tem a menor graça se o inimigo não revidar!
Notas finais
Não é tão difícil colocar a própria vida em risco quando você sabe que está condenada mesmo.
Capítulo 202: Uma Garota que Nunca Chorou
Em breve.
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