Roses And Demons: Extra
15 A Loucura que Transcende a Insanidade
O que significa existir? Muitos sábios passam a vida inteira buscando esta resposta tão elusiva, mas até hoje ninguém foi capaz de encontrá-la. Talvez seja melhor assim, pois se um mito antigo for verdadeiro, certos questionados provavelmente precisam permanecer eternamente em aberto.
É uma história já esquecida pela humanidade, sobre um dos filhos de Prima. Aparentemente as questões fundamentais também perturbavam os deuses e este, em particular, dedicou-se a compreender o significa da existência. Em suas buscas e meditações, ele finalmente descobriu um segredo tão oculto, tão obscuro, que faria inveja eterna a Aneth e Arcana, não fosse o custo imenso a ser pago por tal conhecimento. A mente do deus se fragmentou de forma irreversível. O que acontece não foi simplesmente ele se tornar insano. Não, foi uma distorção tão profunda que aquele filho de Prima se tornou a própria manifestação loucura. Mais que um lorde demoníaco, ele se transformou em um ser que transcende os limites de Pravus, uma presença capaz de alcançar até mesmo o subconsciente humano e arrastar as pessoas para o abismo da loucura. Inclusive, é dito que este foi o ponto de início da cisma entre os filhos da deusa primordial. Se os demais traidores foram influenciados pela insanidade ou se iniciaram uma rebelião por desconfiança é impossível dizer. O fato é que o décimo segundo domínio infernal, Sanatorium, surgiu a partir da vontade do deus louco após este ter sido preso em Pravus. Como era de se esperar, o domínio é fundamentalmente diferente dos demais, no sentido em que não pode ser compreendido por mentes sãs. Com efeito, é um lugar capaz de induzir à loucura até mesmo outros demônios, de tão distorcido e absurdo que é. Os residentes deste plano são igualmente aberrantes. Não existe um padrão para os demônios nativos de Sanatorium, eles assumem as formas mais incomensuráveis possíveis e agem de forma imprevisível, ainda que geralmente com violência. Considera-se improvável que o regente os tenha criado de forma consciente, sendo mais plausível considerar que eles se manifestaram como parte do processo que transformou o domínio no que é hoje, devido à influência do lorde demoníaco. Ironicamente, embora não pertença aos planos responsáveis por infligir sofrimento aos mortos, há uma quantidade considerável de condenados perdidos em Sanatorium. Acredita-se que eles vieram parar lá imediatamente após suas almas abandonarem Realia, sem sequer passar por Eolian e os demais domínios. Isso se justificaria se considerarmos que os únicos capazes de fazer essa travessia incomum são aqueles que já possuíam alguma ligação com o lugar. Ou seja, os humanos que, em vida, sucumbiram à loucura. O nome do regente deste lugar hostil é Delirum. Como aspecto da loucura, é simplesmente impossível compreender suas intenções e ações. Inclusive, é provável que nem ele próprio saiba o que está fazendo. A própria forma do lorde é inconstante, mudando de uma aparência para outra em questão de segundos, refletindo a situação precária de sua consciência. Ainda assim, diz-se que é possível saber se Delirum está manifestando sua presença ou não, pois quando isso acontece uma espessa névoa roxa surge e é possível ouvir o coro de milhões de gritos vindos de seu interior. Um aspecto que não se pode negar a respeito do senhor de Sanatorium é que ele dispõe de uma vantagem que poderia ser decisiva para que Pravus dominasse Realia. Isso se deve à ligação que ele possui com cada ser humano e a influência sutil que ele exerce. Pode-se argumentar que toda pessoa possui algum nível de insanidade, mas Delirum não parece buscar ativamente enlouquecê-las. É provável que nem o próprio regente compreenda que possui tal poder e o exerça de forma inconsciente. Por fim, seu relacionamento com os demais lordes demoníacos é confuso. Sabe-se que ele eventualmente se manifesta diante de seus pares, inclusive demonstrando algum nível de lucidez. Mas como tudo o mais a respeito deste confuso deus corrompido, é impossível ter certeza de qualquer coisa. Talvez a única forma de compreendê-lo seja abraçando a loucura que existe dentro de nós, mas esta seria uma escolha irreversível.
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