Roses And Demons: Extra
16 A Elite de Pravus
Ao se conhecer um pouco a respeito de Pravus, é normal concluir que o responsável por iniciar a rebelião contra Prima tenha sido o imperador que reside no último dos catorze domínios infernais. Esta, contudo, é uma conclusão equivocada, pois a verdadeira responsável foi a filha mais nova da deusa primordial, uma imortal dotada de carisma imenso e uma ambição maior ainda.
Pouco tempo depois que Delirum enlouqueceu e foi selado, a caçula o libertou e convenceu outros dez deuses a se revoltar. A princípio seis permaneceram ao lado de Prima, embora posteriormente um deles tenha mudado de lado, sem contar que a única a manter uma postura neutra, Arcana, eventualmente acabou por tomar o partido dos demais revoltosos. Como resultado, catorze deuses foram foram selados em Pravus, para que jamais pudessem interferir diretamente em Realia de novo. Dentre todos eles, quem viria a se tornar o inimigo mais ferrenho da humanidade e de Utopia foi justamente a regente do décimo terceiro domínio infernal. Conhecido como Aristo, o penúltimo reino contrasta com a brutalidade exacerbada dos demais. Não devemos nos enganar, pois a atmosfera do local não deixa de ser opressora, mas também é fato que em termos de imponência é capaz de superar até mesmo Biblos. Mansões e castelos de aspecto diabólico se espalham por todo o plano, formando uma cidade de nobreza singular e perversa. Aqui também não há um padrão para os habitantes, mas isto se deve ao fato de que somente demônios verdadeiramente poderosos são aceitos em Aristo, ainda que outros mais fracos possam residir lá como serviçais. Desta forma, espíritos malignos excepcionalmente temíveis de toda Pravus se reúnem para competir por prestígio e influência. Por outro lado, a presença de humanos não é permitida em Aristo. Levar uma alma até lá é um crime gravíssimo, punido com a destruição do infrator. Há rumores de que alguns condenados, em ocasiões muito raras, conseguiram alcançar o décimo terceiro domínio por acidente e pouco depois desapareceram sem deixar rastros. Contudo, algo assim é teoricamente impossível, dada a natureza do plano anterior, Sanatorium. Tais histórias são o que poderíamos chamar, metaforicamente, de lendas urbanas. Proditora é o nome da regente que comanda este local e, como era de se esperar, ela detém um poder imenso, a única forma de manter tantos demônios perigosos sob seu comando. Sua mera aparência já impõe respeito e terror, pois ela sempre é vista vestindo uma armadura carmesim de placas com bordas douradas e formas pontiagudas. Uma longa cabeleira dourada desce por suas costas, ao passo que o rosto é coberto por um capacete sem nenhum tipo de orifício, em cuja frente está representado um rosto inexpressivo de feições femininas. Por fim, quatro pares de asas coriáceas vermelhas, como de um dragão, se estendem de seu dorso. Considerada, justificadamente, o segundo demônio nas poderoso de Pravus, Proditora se tornou a figura mais relevante de Pravus nos longos milênios que se passaram desde sua rebelião. Aproveitando-se do vácuo de poder resultante do fato de que o imperador parece não demonstrar interesse no aspecto político do inferno e valendo-se de seu carisma que em nada regrediu desde a era mitológica, a filha mais nova de Prima é um símbolo de autoridade que pouquíssimos ousariam questionar. Sua intenção em reunir os demônios mais poderosos em seu reino nada mais é que parte de sua estratégia para se manter altamente influente e, por consequência, induzir Pravus e o comportamento de seus habitantes a rumos que a favoreçam. Há rumores de que ela poderia estar planejando depor o imperador, o que não seria surpreendente, visto que Proditora é o aspecto da traição. A despeito disso, sua agenda parece estar mais focada em consumar sua vingança contra Utopia e seus deuses, em particular Adriel, por quem a regente tem um ódio excepcional. Os demônios sob o comando desta deusa caída servem seus interesses confrontando os interesses do reino celestial e buscando formas de intervir em Realia, embora ações relacionadas a este último quesito sejam particularmente difíceis, dada a natureza complexa da magia diabólica e de rituais de possessão ou invocação. Surpreendentemente, Proditora é uma das visitantes mais frequentes do décimo quarto domínio, que pouquíssimos seres, mesmo entre os próprios demônios, já viram. O que ela e o imperador discutem é um completo mistério, mas é provável que o ser mais poderoso de todo o inferno tenha interesse em manter alguém tão imprevisível quanto a regente de Aristo na linha.
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