Roses And Demons: Extra

6 A Cidade dos Corruptos


Desde a aurora de Pravus, os deuses caídos e seus servos vêm buscando influência sobre o mundo mortal. Tentando humanos com promessas de poder e domínio, eles corromperam incontáveis almas com o passar dos séculos. Um lorde diabólico em particular, contudo, demonstrava interessante ainda maior que seus colegas nestes seres, a tal ponto que em épocas anteriores tinha tantos cultistas espalhados por Realia que representava uma ameaça até mesmo para a igreja dos cinco deuses de Utopia.

Esse lorde, cujo nome era Petrus, acreditava que a chave para derrotar Adriel e seus aliados se encontrava nas almas mortais. Assim sendo, concluiu que mesmo após a morte os humanos deveriam continuar no caminho da corrupção. Seria um desperdício torturá-los eternamente quando poderia, ao invés disso, conduzi-los a um destino que faria deles algo equivalente aos próprios demônios.

Assim, ele moldou o terceiro domínio infernal, Corruptor, de acordo com seus objetivos e fez do lugar um reflexo do mundo mortal. Este reino se estende como uma imensa cidade eternamente afundada nas trevas. Todos os aspectos negativos que poderia se imaginar de um centro urbano repleto de corrupção, descaso e egoísmo são aumentados aqui, a ponto de não deixar dúvida nenhuma de que realmente é parte do inferno.

Uma vez que o regente do domínio nunca demonstrou muito interesse em criar demônios à própria imagem, eles são poucos em Corruptor se comparado ao restante dos planos. É possível ver alguns filhos das trevas originários de outros lugares caminhando pelas ruas sujas e fedorentas, mas a presença mais comum é a dos vigilantes. Estes monstros corpulentos parecem uma massa negra de músculos purulentos em forma humanoide. Eles não possuem bocas ou orelhas e seus olhos são cobertos por vendas escuras. Mesmo assim, estão sempre vigilantes, impedindo que os mortos ou os outros demônios passem demais dos limites.

Sabendo que os humanos eram mais do que capazes de causar sofrimento uns aos outros, Petrus idealizou seu domínio como um local onde somente aqueles que serviram às trevas em vida teriam o direito de permanecer, sendo que refugiados de outros reinos logo descobrem que Corruptor é um lugar tão terrível quanto qualquer outro em Pravus. Lá as almas dos mortos não têm outra escolha senão afundar num sistema de violência, mentiras, traição e, principalmente, desespero. Neste lugar em que não existe o menor conceito de sociedade, vale a lei do mais poderoso.

No fim das contas, não importa quanta influência alguém seja capaz de alcançar, todos sabem que não passam de marionetes entretendo o regente. Porém, simplesmente aceitar o destino e desistir de ser parte das conspirações de Corruptor não é uma opção. Aqueles incapazes de atormentar os outros para garantir sua própria existência não têm direito a um lugar neste domínio e são eventualmente enviados a outros lugares para que sofram nas mãos dos demônios.

Petrus, contudo, subestimou a tenacidade das almas humanas. Houve uma bruxa de nome Cassandra, pertencente a um grupo de adoradores dos lordes de Pravus que chegou ao ponto de sacrificar todas as suas irmãs para alcançar o favor de seus mestres. Sua imensa ambição apenas se fortaleceu na morte e, desde o primeiro momento em que pôs os pés em Corruptor, ela almejou tomar o trono para si.

Após um tempo que poderia ser medido em milênios, ela teve sucesso. Petrus foi destruído e Cassandra tomou seu lugar como o aspecto da corrupção. E uma vez que não há qualquer tipo de companheirismo entre os regentes, nem um único demônio sequer deu importância a esta reviravolta. Embora sua forma não pareça muito ameaçadora: uma velha pequena, corcunda e enrugada, de cabelos brancos e sujos e vestindo trapos, a antiga bruxa é tão poderosa quanto qualquer outro lorde demoníaco. De fato, nem ao menos pode ser mais considerada uma alma humana, ela se corrompeu até o cerne de sua existência.

Àqueles que enxergam isso como prova de que é possível para um condenado vencer o sistema e destronar a regente, assim como Cassandra o fez, a verdade se mostra cruel. Isto pois, embora a bruxa governe Corruptor da mesma forma que seu antecessor, ela não tem a menor intenção de permitir que alguém se torne sequer remotamente poderoso o bastante para ameaçá-la. De fato, pode-se dizer que o terceiro domínio se tornou um lugar ainda mais tenebroso e desesperador do que quando era dominado por um demônio.