Rose e o Cara

28 Capítulo 28


Notas iniciais
Olá pessoas, bom eu havia prometido um video pra este capitulo, mas infelizmente nao vai rolar ainda, acho que no próximo capitulo eu posto, ficou meio bosta, mas ainda tenho que editar e to sem tempo. Espero que gostem e não me odeiem por este capitulo. Boa leitura

Parabéns para mim.

Vamos lá, era meu aniversário. 30 anos. Eu havia finalmente chegado aos trinta.

Eu deveria me sentir diferente? Pois eu me sentia completamente normal. Tentei encontrar algo diferente me analisando no espelho por alguns minutos. Meus cabelos ainda eram alaranjados, meu rosto ainda era repleto de sardas, ainda haviam olheiras sob meus olhos, meu corpo parecia o mesmo, um pouco mais de marcas de expressão no rosto, mas nada que um bom creme rejuvenescedor resolvesse.

Vesti meu robe de seda branco e joguei-me de costas sobre a cama com os braços abertos e pés no chão.

Fitei o teto tentando entender se minha mente havia mudado com os trinta, se eu estava mais madura, mais mulher, mais confiante e respeitável. No entanto minha mente se mantinha no mesmo emaranhado de pensamentos bagunçados de sempre.

Aquela era a mesma sensação sem graça de quando completei dezoito anos e notei que ainda parecia ter dezessete, nada estava diferente, eu apenas poderia beber bebidas alcoólicas legalmente.

— Bom dia aniversariante! – Disse animado entrando no quarto com uma bandeja repleta de comida e se sentou ao meu lado a colocando sobre a cama.

— Você ainda nem se mudou pra cá e já usou mais a minha cozinha do que eu – Comentei desanimada.

— Você não parece uma aniversariante muito feliz!

— Deve ser por eu não estar muito feliz – Ele inclinou-se e tapou minha visão do teto com seu rosto.

— E porque a senhorita não está feliz?

— Não é que eu não esteja feliz, só não estou animada o bastante. Eu sempre pensei que quando eu chegasse aos trinta as coisas seriam diferentes, mas está tudo normal como sempre.

— Isso é animador, quando eu chegar aos trinta daqui a três anos me lembrarei disso. E o dia está só começando, você tem trinta há poucas horas, precisa fazer trinta e um para avaliar se algo mudou.

— Faz sentido.

— É claro que faz – Beijou minha testa – Trouxe seu café da manhã, mas não se acostume com isso.

— Que cavalheiro! – Me sentei e alcancei um pequeno croissant coberto de açúcar – Já ouvir falar da crise de meia idade? Estou na crise dos 30.

— Não, você não está. Um pouco sonolenta talvez, mas nada que um belo jantar à luz de velas esta noite não resolva.

— Um jantar romântico de aniversário?

— O que acha? E eu cozinho de novo sem problemas, sua cozinha é bem melhor que a minha – Pegou uma mecha de meu cabelo e a colocou atrás de minha orelha.

— Por que você tem que ser tão bom pra mim? – Mordi o lábio e semicerrei os olhos – Que droga!

— Minha mãe me ensinou a ser um cara legal.

— Ela foi ótima nisso.

— Foi sim – Comeu algumas uvas verdes da bandeja – Está combinado, jantar romântico esta noite depois do seu trabalho.

— Combinado, vai ser divertido.

— Vai – Me deitou na cama prendendo-me com as pernas uma de cada lado de meu corpo – Feliz aniversário Rose – Nossos narizes se tocaram e nossas mãos se entrelaçaram – Obrigado por fazer eu me sentir o homem mais sortudo do mundo – Beijou-me – Obrigado por simplesmente ser quem você é.

— Aonde está meu presente?

— Estou tentando ser romântico aqui.

— É meu aniversário, pode ser romântico depois do meu presente. Você disse que preparou algo e não encontrei nada – Por que eu escondi muito bem e só te entregarei a noite, então terá que esperar.

— Você é um cara mal – Brinquei fazendo um bico que ele beijou rindo.

— Horrível – Brincou e aprofundou o beijo, suas mãos abriam o nó de meu robe, mas o contive.

— Eu ainda tenho que ir trabalhar Don Juan – O empurrei e corri para meu closet – Você não trabalha hoje?

— Não, Michel, digo, meu maestro nos deu o dia de folga.

— Não tem problema em dizer o nome dele, não é como Voldemort que não deve ser nomeado – Vesti um vestido azul escuro e um sobretudo pesado branco – Está tudo bem entre vocês dois... Depois daquela noite?

— Um pouco mais tenso, mas nada que possa interferir no meu trabalho. Somos profissionais e agimos com profissionalismo – Abocanhou um croissant – É estranho trabalhar com o ex da sua namorada.

— Eu não queria que sentisse mal.

— Ta tudo bem, vou me concentrar em preparar o nosso jantar romântico.

— Certo – Me aproximei e depositei um beijo rápido em seus lábios – Agora eu tenho que ir, nos vemos à noite!

— Até lá!

***

— Bom dia Senhorita! – Louane entrou animada em minha sala com um vaso de vidro com hortênsias azuis – Feliz Aniversário e isto é pra você – Cantarolou entusiasmada e colocou o vaso sobre a mesa.

— Isso é seu? – Apontei para as flores.

— Não, pediram pra que eu a entregasse. São lindas não são? – Tocou as pequenas pétalas azuis e vasculhei o vaso à procura de algum bilhete ou cartão.

— Não tem nenhum cartão nada, quem a pediu que me entregasse?

— Eu pedi – Mamãe estava parada encostada ao batente da porta com os braços cruzados. Pigarreei fazendo Louane voltar sua atenção para mim.

— Louane, pode nos dar licença? – Pedi gentilmente.

— Sim senhorita – Abaixou a cabeça e se retirou da sala passando por mamãe que a olhou com desdém.

— Ahn, quer se sentar? – Indaguei desconcertada.

— Pensei que não fosse oferecer.

— Sou uma pessoa muito educada – Forcei um sorriso.

— Espero que goste das flores – Disse seca.

— São lindas. Pensei que não soubesse que gosto de hortênsias.

— É claro que sei, sou sua mãe e são as minhas favoritas – Abri a boca e a fechei rapidamente, surpresa – Foram as flores que decoraram o meu casamento com seu pai – Continuou séria – Somos mais parecidas do que pensa Rose.

— Eu não me pareço com você – Bufei.

— Acredite nisto se quiser – Disse com calma.

— Por que as flores? Você não se lembrou dos meus últimos sete ou oito aniversários, qual foi a última vez que me desejou um feliz aniversário, eu sequer me lembro.

— Este ano eu me lembrei – Sua voz vacilou por alguns instantes – E você é minha filha, é minha obrigação saber.

— Esta não é a Simonette que conheço. Você me despreza se lembra? Ódio mútuo, completamente recíproco.

— Eu não a odeio se é o que imagina – Cruzou as pernas e repousou as mãos entrelaçadas sobre o joelho – Não poderia.

— Então quer dizer que me ama e se importa comigo...

— Quer dizer que estou morrendo – Interrompeu – E que essa seja provavelmente minha última chance de passar seu aniversário ao seu lado. E eu sei que deveria ter feito isso antes, mas eu sou teimosa. Meu tempo está acabando e você merece mais do que essas flores estúpidas, mas eu não sei como posso compensá-la – Concluiu com os olhos vermelhos.

A realidade estava ali, bem diante de meus olhos. Como um fantasma que me assombraria para todo o sempre.

— Não sei o que dizer.

— Não diga – Soltou um longo suspiro e fitou-me – Como ela é? A sua madrasta, como ela é?

— Ela é doce... Quase não falei com ela, mas pelo pouco que sei, ela é uma boa pessoa, e o mais importante ama o papai. Precisa ver como eles se olhavam – Sorri – É tão sincero, Davina o faz bem, o faz feliz.

— Bom para ele – Sua voz soava trêmula.

— Posso te perguntar algo? – Ela acenou consentindo.

— Por que não anda mais com Pierre? Eu nunca mais o vi.

— Meu marido está ocupado, tem trabalhado muito, são causas importantes, grandes clientes – Descruzou as pernas e se levantou – Se ver seu pai novamente... diga a ele que desejo felicidades.

Aquela não era minha mãe. Não a que eu conhecia. Aquela mulher à minha frente contendo o choro não era a Simonette Beaumont, dura e inquebrável. A mulher que me observava com uma expressão abatida era frágil como porcelana. Prestes a se quebrar a qualquer momento.

E uma parte dentro de mim desejava com todas as forças ver a velha Simonette outra vez com seu olhar reprovador e sua falta de sensibilidade com sentimentos alheios.

— Mãe! – Ela enxugou os olhos e virou-se.

— Está mesmo morrendo? – Soei preocupada.

— O que você acha? – Disse sem arrogância alguma.

— Acho que isso é uma droga.

— Então nós concordamos em algo – Deu as costas e saiu de cabeça erguida segurando as lagrimas.

“Você não vai Rose, não vai chorar, esse é o seu dia, ela não merece suas lágrimas, você não vai chorar”.

Eu não deveria me importar deveria?

Mas eu me importava e isso era assustador.

Mal mamãe saiu de minha sala Louane se enfiou apressada dentro dela ajeitando seus óculos.

— A senhora Beaumont não me parece muito bem senhorita.

— É só uma alergia. Precisa de algo?

— Sim, eu poderia sair mais cedo hoje? Tenho que ir ao médico.

— Se tem uma consulta médica deveria ter me avisado com antecedência.

— Eu sei, mas é coisa de ultima hora, imprevistos da mamãe natureza.

— Porque eu tenho a leve impressão de que está mentindo pra mim?

— Sei lá – Desviou o olhar.

— Está liberada, mas por que hoje é meu aniversário, na próxima me avise antes.

— Sim senhorita – Sorriu exibindo os dentes brancos e saiu saltitando.

***

Eu havia decidido que nenhum problema atrapalharia aquele dia. Nem mamãe, nem Louane matando serviço por sabe-se lá qual razão. Vocês acharam mesmo que acreditei na história dela?

Procurei direcionar meus pensamentos no mais importante, era meu aniversário, e estava grata aos céus por terem me concedido mais um ano de vida, não que eu fosse a pessoa mais merecedora do mundo, que meu namorado maravilhoso estava preparando uma noite especial e romântica para nós e o principal, eu finalmente saberia o nome dele e cada célula em meu corpo desejava pronunciar seu nome em voz alta e acabar com toda a bobagem idiota de Euísmo que eu nunca deveria ter inventado.

Era ele. O cara certo para mim. Eu tinha a mais plena certeza de que era ele. E aquela noite durante nosso jantar eu diria oficialmente que o amava. Seria perfeito. E desta vez eu faria tudo certo, nada de desculpas imbecis para terminar o namoro, desta vez eu ouviria meu coração e meu coração o amava intensamente como nunca havia amado outro alguém. Eu deixaria os dilemas com mamãe de lado naquela noite, pois haveriam outros dias, mas não haveria nenhuma noite como aquela.

Antes de voltar para casa comprei uma lingerie nova preta de renda com cinta liga e tudo. Aquela noite seria inesquecível. Admirei-me no provador analisando as peças em meu corpo.

— Você está incrivelmente sexy Rose – Disse a mim mesma ajeitando o sutiã no busto – Vesti o sobretudo por cima e levei meu vestido na sacola de papel.

Voltei para casa ansiosa, aquela noite seria perfeita. Dividi um elevador com alguns vizinhos que se entreolhavam de forma estranha, como se eu fosse o ser estranho da história. Confesso que tentei ser simpática, mas não funcionou muito bem.

— Está frio não é? – Indaguei tentando puxar dentro da caixa de metal – Uma noite fria de outono... Não sentem falta do verão?

— Não – A mulher de cabelos brancos a minha direita respondeu ríspida.

— Hum... Hoje é meu aniversário sabiam?... É claro que não, nós nem conversamos, mas é verdade, é meu aniversário. 30 anos.

— Moça? – O homem que carregava uma sacola de papel com compras me chamou.

— Ahn?

— Ninguém liga – Concluiu e abri e fechei a boca indignada. Eu estava tentando ser legal.

A porta do elevador se abriu e todos tentamos sair ao mesmo tempo, disputando quem sairia primeiro e eu claramente fui a vencedora quando empurrei o homem rude com os ombros e marchei para meu apartamento.

O plano consistia em eu abrir a porta e desatar o nó de meu sobretudo o deixando cair sobre o chão e caminhar para onde quer que ele estivesse e surpreende-lo com a lingerie mais sexy que ele jamais vira.

E foi isso que eu fiz. Abri a porta. As luzes estavam apagadas, com toda certeza deveria ser para criar todo o clima romântico de nosso jantar. Desatei o nó de meu sobretudo e ele caiu sobre o chão. Então as luzes se acenderam.

—Surpresa! – Um coro de vozes gritou em uníssono.

— Puta merda! – Berrei sob os olhares espantados de todos na casa.

— Rose o que você ta fazendo? – Ele correu até mim com olhos esbugalhados.

— Era nossa noite romântica, eu iria fazer uma surpresa, mas acho que você já fez isso.

— É melhor você se vestir.

— Boa ideia – Peguei o sobretudo no chão e o vesti novamente – Você não me disse que faria uma festa!

— É por isso que se chama festa surpresa! Comprou essa lingerie pra usar hoje? – Indagou num sussurro.

— Sim.

— Ainda pode usá-la mais tarde – Sorriu torto.

— Vou pensar no seu caso – Semicerrei os olhos e encarei todos ao meu redor – Parabéns pra mim! – Cantarolei em voz alta – Vamos divirtam-se é uma festa! Parem de me encarar com essas caras de espanto, nunca me viram de biquíni antes, é a mesma coisa, só que mais sexy.

— Chega Rose, eles já entenderam – Assenti.

— Só uma coisa, quem são essas pessoas, eu não as conheço além da Gabrielle e François.

— São uns amigos meus, eu não conheci seus amigos então não pude convidá-los.

— Não dá pra conhecer quem nem existe né?

— Nenhum? Nenhunzinho?

— Não, eu não sou boa com esse lance de amizade. Gabrielle é minha melhor amiga.

— Senhorita, senhorita! – Louane se aproximou com uma garrafa de cerveja na mão.

— Você... O que faz aqui? Não tinha que ir ao médico?

— Seu namorado me convidou pra festa e eu precisei mentir pra sair mais cedo, me desculpe – Fez uma careta – Poderia me dizer onde comprou a lingerie que está usando, eu adorei e queria comprar uma pra usar com meu namorado – Perguntou entusiasmada.

— Você sequer tem idade pra beber Louane?

— Mas é claro que sim, tenho 21, agora me diz o nome da loja, por favor — Implorou.

— Se lembra quando perguntei se queria ser minha amiga?

— Lembro, eu disse que não.

— Bom sobre a sua pergunta, a resposta é a mesma que me deu. Divirta-se na festa e passe na minha sala amanhã – Seu sorriso fechou-se imediatamente e saiu de minha frente cabisbaixa.

— Não vai me apresentar pros seus amigos?

— Claro – Chacoalhou a cabeça e me conduziu até um grupo de pessoas de quem eu não fazia ideia de quem eram – Pessoal, essa é a Rose, minha namorada, acho que vocês já viram até demais – Comentou e dei um tapa em seu braço.

— Olá, é um prazer finalmente conhecer os amigos do meu namorado – Sorri e beijei suas bochechas.

— Prazer sou a...

— Não você não pode dizer – Ele interveio.

— Na verdade pode sim – Me lançou um olhar desconfiado – Acabou, eu decidi não seguir mais essa religião.

— Isso é sério?

—Sim, por que acha que decidi saber seu nome hoje?

— Ah, então essa é a Elaine – Me apresentou a uma mulher de cabelos pretos com as pontas azuis assim como seus olhos. Elaine era surpreendentemente linda o que me incomodou um tanto – Esse é Lorrane – Um jovem loiro e magro que aparentava não passar dos 25 anos – Jardel... – Um rapaz negro com um penteado Black sorria para mim – E Adrien – O jovem loiro assim como Lorrane acenou e sorriu.

— Quanto aos outros – Me referi as outras dez pessoas que bebiam e andavam de um lado para o outro em minha casa – não são todos seus amigos?

— São no máximo colegas, esse são amigos mesmo.

— Certo... Acho melhor eu ir cumprimentar minha irmã.

— Fique à vontade a casa é sua – Deu um gole em sua cerveja e prosseguiu entre conversas e risadas com seus amigos.

Eu nunca havia presenciado minha casa tão cheia, não que houvessem muitas pessoas, mas normalmente ninguém vinha pra cá. Gabrielle me encontrou enquanto eu a procurava pela casa ao som de uma música agitada qualquer. Segurava duas garrafas de cerveja abertas, no entanto ainda não estava bêbada.

— Graças a Deus te encontrei, não agüentava mais ouvir uma garota que eu nem conheço reclamar que o cara que ela gosta saiu com a melhor amiga dela. E aliás bela entrada, foi demais!

— Eu pensei que teríamos um jantar a sós, e olha, tem um bando de desconhecidos no meu apartamento.

— Não é tão ruim, e a culpa é sua, deveria fazer amizades, conhecer pessoas.

— Sabe que não sou boa com isso.

— Foda-se, não precisa ser. E aí, já sabe o nome dele?

— Ainda não, depois da festa, quero que seja especial.

— Bla, bla, bla, especial, é só um nome Rose, coisa que você deveria saber desde o dia em que o conheceu.

Nossa conversa fora interrompida por ele que chamou a atenção de todos segurando seu violão no meio da sala. A música parou e todos direcionaram sua atenção a ele.

— Galera, eu peço alguns minutos de sua atenção – Puxou uma banqueta e a colocou no centro da sala – Como todos sabem, esse é o aniversário da minha namorada Rose, a maioria de vocês conheceu ela hoje e acreditem... ela é incrível – Me aproximei ainda incrédula e parei logo a sua frente ao lado dos outros que formavam um círculo ao redor dele – Você me perguntou sobre seu presente e eu disse que te entregaria à noite. Eu confesso que pensei em milhares de coisas pra te presentear, mas é difícil quando você tem tudo – Brincou e eu ri tímida – Eu pensei, o que a Rose ainda não tem, ela não tem uma música só pra ela. Então eu escrevi isso pra você – Se sentou na banqueta e ajeitou o violão em seu colo, estremeci – Perdoe meu inglês ruim, decidi compor em sua língua natal, espero que goste – Seus dedos deslizaram pelas cordas do instrumento dando inicio a uma melodia calma e tranqüila, bela e singular.

Apenas minha.

“You make me feel (Você faz eu me sentir)

Like I never felt before (Como eu nunca me senti antes)

You brought me light (Você me trouxe luz)

When the dark was in my heart (quando havia escuridão em meu coração)

***

Remember that night? (Se lembra daquela noite?)

When the music was loud? (Quando a música estava alta?)

When the lights where out (Quando as luzes estavam apagadas?)

And I saw your smile (E eu vi seu sorriso)

***

You’re my sunshine (Você é meu raio de Sol)

You’re my sunshine (Você é meu raio de Sol)

Everytime I look at you (Toda vez que olho para você)

I know how Lucky am I (Sei o quão sortudo eu sou)

You’re my sunshine (Você é meu raio de Sol)

You’re my sunshine (Você é meu raio de Sol)

Everytime I look at you (Toda vez que olho para você)

I know that I love you (Sei o quanto te amo)

***

You bring me peace (Você me traz paz)

You make me believe (Você me faz acreditar)

That I am someone (Que eu sou alguém)

You comes like the Sun (Você vem como o Sol)”

You’re my sunshine (Você é meu raio de Sol)

Everytime I look at you (Toda vez que olho para você)

I know that I love you (Sei o quanto te amo)

Pelos céus eu estava ali, sem reação, ouvindo sua voz, ouvindo a música que ele havia feito só para mim. E eu chorei. Porque não havia nada mais belo. Por que eu tinha a mais plena certeza do quanto eu o amava. E eu sorri quando a música acabou e ele se levantou deixando o violão de lado andando até mim. Ele segurou minhas mãos e não podia ser mais grata por ter aquele homem em minha vida. Eu não sabia o que dizer então apenas continuei sorrindo sentindo o choro em meus olhos.

— Rose – Fitou-me arfante – Eu nunca disse isso antes, porque queria esperar pelo momento certo e esse é o momento – Suas mãos tremiam – Eu te amo, amo mais do que amei alguém em toda a minha vida, eu te amo com todo meu ser e quero gritar pra que todos ouçam o quanto eu te amo sou grato por estar ao seu lado.

Paralisei.

Fechei meus olhos sentindo minha respiração pesada e os abri.

Eu não estava mais na sala de minha casa.

Estava no restaurante, sentada à mesa com Jean-Luc e suas mãos seguravam as minhas, seu dedão alisando minha mão, os olhos imergidos nos meus.

— Eu te amo Rose. Eu sei que estamos juntos a pouco tempo, mas eu tenho a mais plena certeza que a amo!

— Você... Você pode me dar licença? Preciso ir ao toalete – Corri para o banheiro, ofegante e me apoiei no balcão da pia observando meu reflexo no grande espelho emoldurado em madeira nobre.

— Você não precisa fazer isso Rose – Disse a mim mesma e mergulhei mais afundo em meu passado.

Eles estavam todos lá, no reflexo do espelho, atrás de mim, me olhando apaixonados.

— Eu te amo Rose – Jacques sorria feito bobo em nosso ultimo encontro.

— Não posso ficar com você...

— Eu amo você Rose – Juan me admirava segurando um buquê de flores azuis.

— Não podemos ficar juntos eu sinto muito, é seu emprego, não vai funcionar.

— Rose? – E lá estava ele me chamando na tela de meu celular em uma vídeo chamada.

— Pierre, eu estou indo comprar meu vestido de noiva, você vai adorar.

— Tenho certeza disso! – Ele estava em um lugar um tanto familiar.

— Estou louca pra ver sua cara quando eu entrar na igreja – Eu mal podia conter minha alegria.

— Amor, eu tenho que desligar, mas lembre-se que eu te amo, amo mais do que tudo, você é minha razão de viver, sabe disso não é amor?

— Sei, eu também te amo.

— Até mais até mais tarde amor, te amo, te amo, te amo – Desligou e me lembrei do lugar familiar onde ele estava enquanto dizia o quanto me amava. O quarto de mamãe.

— Rose? – As mãos dele se moviam a minha frente trazendo-me de volta à realidade – Você ta bem? Você parece ter entrado em transe.

— Eu não posso – As palavras saíram sem minha permissão.

— Não pode o que? – Franziu a testa.

— Me desculpe, eu não posso – Corri dali passando pelas pessoas ao meu redor que me olhavam confusas.

— Eu cuido disso – Ouvi a voz de Gabrielle que seguia atrás de mim.

Entrei em meu quarto e sentei-me no chão aos pés da cama. Parecia cada vez mais difícil respirar.

— Mas que merda ta acontecendo Rose? – Minha irmã adentrou o quarto, enfurecida.

— Eu não posso, eu não consigo – Solucei – Diga a ele que o amo, mas eu não consigo – Arfei.

— Rose, o que... o que você tem? Seu namorado ele disse que te ama, ele fez uma música incrível pra você simplesmente cogita a ideia de dispensá-lo. O que ele fez dessa vez.

— Todos eles, todos eles disseram que me amavam... Mas eu não consegui Gabrielle – Pierre sempre me dizia isso, ele dizia que amava e se casou com a mamãe.

— Ele não é o Pierre.

— E se for. Eu acreditei em todas as vezes que ele dizia o quanto me amava e era mentira.

— Era isso? Você terminou com uns 53 caras por que eles te amavam?

— Não – Solucei – Por que eu tenho medo, e eu sempre fujo quando eu tenho medo.

— Rose, tem um cara lá fora que te ama, um cara pra quem você mentiu sobre essa merda de Euísmo durante todo o tempo em que estiveram juntos, um cara que acabou de declarar o seu amor por você na frente de todos os amigos...

— Diga a ele que não gosto do cabelo dele, ou seja lá o que for.

— Você não o ama?

— Isso não importa agora, importa?

— Não, não importa – Olhei para a porta e senti o chão ceder sob mim – Não importa, você ia terminar comigo de qualquer forma não é? – Seus olhos estavam marejados e seu rosto transtornado.

— Você não entende! – Me levantei e andei até ele.

— O que eu teria que entender, que fez mais de 50 homens de palhaço? Que nos usou e depois simplesmente descartou como se não fossemos nada – Ele soluçava – Mas que merda! – Berrou socando a parede, os nós de sua mão sangravam.

— Calma, por favor, mantenha a calma! – Gabrielle interveio.

— Me pede pra ter calma, a sua irmã me fez de idiota e me pede pra ter calma. Eu pensei que você era especial Rose. Mas eu me enganei.

— Não, eu sinto muito.

— Pois eu não sinto, bem que meus amigos me disseram que era loucura essa história de não saber meu nome... E nem verdade era, você mentiu mais uma vez, sobre o que mais você mentiu? Ah sim, sobre eu ser importante pra você, ou a parte que queria morar comigo? Eu não sei qual mentira é pior.

— Não foi mentira, eu amo você, mas é difícil, é como se algo na minha mente dissesse que não posso, que tenho que desistir.

— Olha Rose, eu vou ser bem legal dessa vez – Rosnou – E a sua mente maluca não vai dizer nada , eu vou... – Soltou um longo suspiro e me encarou enraivecido – Dessa vez sou eu quem diz que acabou – Tapou a boca com a mão e chorou – Eu pensei que éramos especiais Rose, mas tudo não passou de uma mentira.

— Eu não...

— Cala a boca! – Gritou exaltado – Eu odeio tanto você neste momento que não faz ideia e me odeio mais por ter acreditado nas suas histórias. Você é maluca, e eu não quero te ver na minha frente nunca mais!

— Já chega! – Gabrielle o empurrou em direção a porta.

— E é Bartolomeu pra você saber, esse é o meu nome e eu Bartolomeu quero que desapareça da minha vida! – Levantou o dedo do meio e saiu furioso entre a multidão que assistia a tudo da porta.

Permaneci ali curvando meu corpo com o choro incessante até meus joelhos cederem e meu corpo cair ao chão entre soluços.

O feitiço havia se voltado contra o feiticeiro.

Atravessei o aglomerado de pessoas e saí de casa ao contrário das recomendações de Gabrielle contra o fato de eu dirigir transtornada.

Peguei meu carro e dirigi até ela. Eu não sabia o porquê, mas eu precisava dela, como nunca imaginei precisar.

Toquei a campainha incessantemente até sua empregada me atender e entrei na casa sem mesmo ser convidada a entrar. Subi degrau por degrau das escadarias até seu quarto.

— Mãe. Eu estraguei tudo – Então desabei e seus braços me envolveram em um abraço.

Notas finais
Vocês não me odeiam né? Espero que não. Este capitulo foi dificil de escrever pois eu sabia que o que viria nao seria bom e fui adiando o inevitável. Mas aqui está. E sim, eu sei, tbm to triste. Vem cá, me abraça. Um beijo e até o próximo capitulo, nao se esqueçam de comentar e dizer o que acharam do capitulo