Rose e o Cara

26 Capítulo 26


Notas iniciais
Oi gente, tudo bom? Então, não sei se isso é bom ou ruim, mas temos apenas mais 4 capítulos e um epílogo. Sim tá acabando e espero terminar ainda neste mês. Bom, este capítulo foi feito com muito amor e espero que gostem. Um grande beijo e até mais!

Aquele era um dos raros dias ensolarados no nosso pequeno país. Graças aos céus não havia caído uma gota de água desde quando chegamos e rezávamos para que permanecesse assim até nossa partida.

Apesar da situação constrangedora mais cedo eu tentava me concentrar no mais importante, me divertir ao lado do homem que eu relutava em dizer que amava e assim como eu ele parecia tentar ignorar os acontecimentos daquela manhã.

— Eu não sabia que aqui tinha praia! – Comentou a garota olhando para o mar.

— Você não sabe nada sobre esse lugar! – Gabrielle retrucou ríspida ajeitando sua cadeira reclinável sobre a areia.

— Depois você fala de mim e da mamãe! – Disse rindo.

— Eu nunca faria o que a mamãe fez com você! – Colocou os óculos escuros e se acomodou na cadeira.

— Ele quer saber sobre o que aconteceu entre eu, mamãe e Pierre – Olhei para o rapaz parado alguns metros à frente encarando o mar com as mãos na cintura.

— Conte a ele oras as coisas entre vocês estão sérias, ele merece saber por que você e mamãe se odeiam.

Concordei com a cabeça ainda o observando correr em direção ao mar e soltei um longo suspiro.

— Eu o amo Gabrielle.

— Então ele é o escolhido. Quem diria Rose MacIntyre está amando alguém de verdade – Mostrei a língua a ela que apenas gargalhou com um copo de refrigerante escocês alaranjado na mão.

— Isso é sério.

— É claro que é sério, por isso é estranho. Já disse a ele como se sente?

— Não.

— E vai dizer?

— Não sei. É complicado, eu não digo que amo alguém desde Pierre.

— Talvez por que não amasse.

— Eu não consigo dizer, faz ideia de como foi difícil convencer a mim mesma de que era amor e não fome?

— Eu disse a François que o amava antes mesmo de amá-lo.

— Por que fez isso?

— Eu era doida.

— Você ainda é! – Me coloquei de pé – Espere, você está mesmo bebendo refrigerante?

— Também tem refrigerante no meio do whisky, papai não é um homem de beber vinho, e foi o que eu achei na casa dele. Só não diga pro François nem pro pai. – Rolei os olhos.

— Acho melhor eu entrar na água com o amor da minha vida! – Gargalhamos juntas e corri para o mar.

Pulei nas costas dele e ele girou o corpo comigo agarrada a seu pescoço.

Era como se voltássemos a ser crianças. Corríamos um atrás do outro pela areia morna. Hora eu corria atrás dele, hora ele corria atrás de mim, hora caíamos no chão, hora nos ajudávamos a se levantar e voltar a ser girada no ar pelo homem que podia me arrancar sorrisos com um simples olhar. De mãos dadas caminhamos para a água gélida, senti minha respiração pesada e me encolhi. Seus braços me envolveram numa tentativa de me aquecer.

— Está congelando – Minha mandíbula tremia.

— É está – Ele riu e se afastou apenas o bastante para olhar dentro de meus olhos – Você é linda sabia? – Suspirou ofegante, eu não sabia se era pelo frio ou por algo a mais. Selei nossos lábios com um beijo. Ele sorriu e segurou minha cintura.

— É melhor pararmos – Interrompi o beijo – Papai não vai gostar de nos ver assim.

— Seu pai é um cara legal – Segurou minha mão e nos conduziu de volta para a areia – Eu não entendo muito do que fala, mas ele é legal.

— É sim, ele é ótimo – Nos sentamos sobre uma toalha de banho estendida na areia.

— Por que não ficaram com seu pai, quando seus pais se separaram?

— Escolhemos ir com a mamãe esse foi meu maior arrependimento. Eu era só uma garotinha que sonhava em conhecer mais do que a Escócia. Eu sempre via nos filmes que Paris era tão mágico e tão... romântico – Peguei um punhado de areia e a deixei deslizar entre meus dedos – Para mim eu encontraria meu príncipe encantado num cavalo branco sob a Torre Eiffel.

— E você não encontrou seu príncipe encantado.

— Melhor, encontrei um cara que é músico montado numa lambreta azul. E até que ele é legal – Ele mordiscou meu pescoço e soltou uma gargalhada baixa – Tem uma coisa que preciso te dizer – Disse séria.

— Tudo bem – Parou de rir e me encarou sério – Pode falar.

— Eu quero saber seu nome – Ele abriu um sorriso de orelha a orelha – Não agora, mas no meu aniversário, estou pronta pra te conhecer de verdade.

— Rose, você em certeza – Envolveu meu rosto com as duas mãos – Não será um problema com a sua religião? – Balancei a cabeça negando e seus olhos se encheram de lágrimas que ele nunca chorou – Faz ideia de como isso é importante pra mim? Finalmente te ouvir pronunciando meu nome – Apertou os olhos e beijou minha testa – Você é maravilhosa – Beijou meus lábios e encostou sua testa na minha.

— Talvez eu não me arrependa tanto de ter escolhido Paris – Ele fitou meus olhos – Talvez eu tenha encontrado meu príncipe encantado e ele está bem aqui – Envolvi nossas mãos.

Aquele lindo momento de expor nossos sentimentos infelizmente durou alguns míseros minutos.

— O momento romântico vai ter que acabar – Papai parou de pé à nossa frente – Rapaz você vem comigo, vamos coletar pedras e gravetos com François para uma fogueira, está anoitecendo e o tempo não parece muito bom.

— Me desculpe senhor, eu não entendi muito bem, quer que eu o ajude com o que?

— Pedras e gravetos – Me intrometi – Ele quer ajuda com as pedras e gravetos para uma fogueira.

— Certo, sim senhor, eu vou ajudá-lo – Respondeu de forma robótica em inglês com um forte sotaque francês.

Papai saiu marchando logo à frente e o rapaz correu para alcançá-lo.

***

A porta do meu quarto foi aberta sorrateiramente por alguém que estava proibido de aparecer naquele ambiente.

— Com licença garotas – Amelie o fitou séria.

— Você não pode vir até aqui.

— Eu preciso conversar com a sua tia, é muito importante.

— Se o vovô ficar sabendo...

— Ele não vai saber, será rápido, pode nos dar licença, preciso de apenas quinze minutos, tudo bem?

— Tudo bem, e nenhum a mais ou vocês estão encrencados.

— Nenhum a mais – Amelie saiu do quarto nos deixando a sós.

— Está aprendendo a negociar com a garota.

— Ela não é uma menina fácil.

— Nenhum pouco, está no nosso sangue – Ele se sentou ao meu lado e respirou fundo com um ar preocupado.

— Rose, precisamos conversar sobre o que François disse mais cedo. Eu juro que tentei deixar pra lá, mas eu não vou conseguir dormir sem saber o que aconteceu entre você e sua mãe.

— Certo – Senti um misto de sentimentos embrulharem meu estômago – Por onde quer que eu comece?

— Do começo, eu quero saber tudo.

— Você conheceu Pierre se lembra? Na festa da Belle? – Ele fez que sim com a cabeça – Nós namoramos por três anos, nestes três anos seis meses foram de noivado. Eu o amava com todo o meu coração, eu devia ser a mulher mais feliz do mundo na época. Me lembro da noite em que Pierre me pediu em casamento. Ele preparou um Luau na praia com música, tendas, foi perfeito. Eu aceitei seu pedido sem hesitar. Éramos o casal perfeito, um modelo de relacionamento para os outros casais. Pierre era namorado perfeito, o genro perfeito. Ele se dava bem com minha mãe e ela o adorava. É lógico que ela o adorava – Rosnei atormentada pelos meus fantasmas – Nós compramos uma casa – As imagens da casa suntuosa com um vasto jardim veio de imediato à minha mente – Uma casa enorme, eu sonhava em ter filhos e uma família como aquelas de comerciais na televisão, então uma semana antes de nosso casamento eu havia ido a loja de vestidos encontrar o vestido perfeito para o dia mais importante da minha vida. Me lembro de ter convidado a mãe para me acompanhar, mas ela negou dizendo que se sentia indisposta, então Gabrielle me acompanhou.

Então contei a ele tudo, sobre como cheguei até a casa de mamãe, de minha empolgação para mostrá-la as fotos do vestido escolhido e as fotos que Gabrielle havia tirado enquanto eu ainda o vestia. O vestido perfeito para o dia perfeito. Contei a ele sobre encontrar Pierre sem roupas no quarto da mulher que deveria me proteger de todo mal do mundo.

Por alguns minutos ele apenas me observou calado. Em choque. Sua expressão era indecifrável. Ele franziu a testa e apertou as mãos em punho.

Seus olhos encontraram os meus, sua mandíbula apertada, seus lábios comprimidos e uma evidente revolta no olhar.

— Aquele bastardo... – Cuspiu as palavras com uma ira que ainda me era desconhecida – Eu juro que eu quebro a cara dele se ver aquele filho de uma puta na minha frente.

— Não, você não vai! – Disse com uma calma assustadora.

— Ele merece, o que ele fez a você Rose, isso não se faz com ninguém. Aquele filho de uma puta nunca amou você. Ele não merecia você, nunca mereceu. Como ele pode? Como pode fazer isso com alguém tão maravilhosa como você Rose? Ele não fazia ideia da sorte dele em ter você ao lado dele, de ter a chance de passar a vida ao seu lado! – Respirava ofegante e senti meu rosto se molhando com as lágrimas que desciam de meus olhos. Senti suas mãos me puxando para um abraço e os soluços que saiam de minha garganta — Quanto a sua mãe, acredito que a vida já a tenha punido o suficiente – Sua mão subia e descia por meu braço descoberto enquanto a outra afagava meus cabelos.

E aquilo era tudo. Tudo o que eu precisava. De um simples abraço, de que alguém me ouvisse e entendesse como me sentia. E ele estava ali, com os olhos vermelhos, tentando ser forte, ele estava ali comigo e por mim, e não havia nada no mundo que pudesse ser melhor do que isso.

— O que mais dói é que eles nunca me pediram perdão, nem um simples pedido de desculpas, nada – Solucei encolhida em seus braços, molhando sua camiseta.

Ouvi alguém pigarrear e abri meus olhos. Amelie estava parada na porta com uma cara de nada. Ele me afastou e fitou meus olhos, não precisava dizer nada, tudo o que eu precisava saber estava lá, no seu olhar. Saiu do quarto em silêncio e fez um maneio de cabeça para minha sobrinha que retribuiu com um sorriso singelo.

Sequei meu rosto com as mãos fungando. A garota se sentou ao meu lado e segurou meu braço.

— Está bem tia Rose?

— Falar sobre sua avó nunca me fez bem! – Forcei um sorriso e Amelie apoiou sua cabeça em meu ombro – Você tem sorte de não ser filha dela, ela te adora!

— É justamente por isso que ela me adora – Murmurou – Por que não sou filha dela. Acredito que maternidade não seja um dom das mulheres desta família.

— Sua mãe é uma boa mãe Amelie.

— Às vezes ela é ótima, às vezes ela esquece que é minha mãe, às vezes acho que ela prefere o vinho a mim.

— Gabrielle tem um grande problema com vinho.

— Tem sim – Riu.

— Acho que as mulheres da nossa família têm um sério problema com suas mães – Ri afastando os pensamentos ruins da cabeça.

***

O doce badalar dos sinos de casamento. Foi com este som que acordei na manhã seguinte. Não por que os sinos da igreja tocavam anunciando a união de meu pai e minha futura madrasta, mas pelo toque de celular que coloquei para me despertar. Eu queria acordar em clima de casamento. O que aconteceria em três horas. Acordei completamente disposta. Havia dormido como um anjo depois de tanto chorar.

Vasculhei minha mala em busca de meu vestido Elie Saab rose com uma saia esvoaçante e detalhes dourados que desciam do pescoço até o quadril, o perfeito vestido de princesa.

Todos na casa corriam de um lado para o outro, apressados, era possível ouvir o desespero de Gabrielle lidando com ela mesma e sua filha.

— Amelie, assim eu não consigo arrumar seu cabelo, garota! – Adentrei no quarto de minha irmã que enrolava o cabelo da filha.

— Dá pra te ouvir lá da França – Me sentei em sua cama.

— Estou apenas estressada, eu preciso arrumar o cabelo da Amelie, e ainda preciso me arrumar, eu sequer consegui encontrar meus sapatos nas malas.

— Eu arrumo o cabelo dela, vá procurar seus sapatos – Fiz um sinal para que ela me entregasse o babyliss – O que vai vestir?

— Nada demais – Levantou as sobrancelhas – Mentira, eu quase fali o François, mas é o casamento do papai, nunca iremos a outro. Eu espero. É um Marchesa, vermelho, e simplesmente maravilhoso.

— Mamãe não quis comprar um pra mim! – Amelie murmurou girando os olhos e cruzando os braços – Vou ter que usar o mesmo do meu aniversário.

— O vestido que te dei é lindo, você mesma disse, é um Chanel, não é qualquer garota da sua idade que tem um.

— Mas eu já usei.

— As pessoas daqui não sabem disso! – Gabrielle interveio irritada – Você tem que aprender que a vida não é tão fácil quanto pensa mocinha.

— Eu sei que a vida não é fácil!

— Ah sabe?

— Sei.

— Vocês vão mesmo ficar implicando uma com a outra deste jeito?

— Rose, essa menina me dá nos nervos.

— A culpa não é minha, você é quem me irrita!

— Tá vendo isso Rose, isso se chama modernidade, esses adolescentes de hoje em dia são todos uns rebeldes sem causa...

— Não está falando isto está? Gabrielle você foi a adolescente mais terrível que eu conheci.

— Mas eu amadureci.

— Depois que a Amelie nasceu – A garota lançou um olhar de vencedora para sua mãe.

— Não olha assim pra mim não! Quanto a você Rose, Amelie me contou que você teve uma conversa importante com seu namorado.

— Conversamos sobre mamãe e Pierre, ele merecia saber o que aconteceu. E agora ele está louco pra meter um soco na cara do Pierre. E até que eu acho justo.

— Ele te adora.

— Eu sei – Finalizei o cabelo de Amelie e tossi com o spray fixador que espalhava no cabelo da menina – E eu sei que não o mereço.

— Para com isso, eu já te disse que merece, olha tudo o que você já passou por causa daqueles dois egoístas, você merece ser feliz irmãzinha. E esse seu namorado te faz sorrir como eu nunca vi antes.

— Isso é verdade – Sorri – Agora vocês me dão licença que preciso me arrumar.

Ondas alaranjadas de cabelo desciam sobre meu colo, minha maquiagem parecia impecável. Coloquei meus brincos de pérolas e um anel dourado com pequenas pedrinhas de diamantes. Calcei minhas sandálias de tiras douradas e apreciei minha imagem diante do espelho por alguns segundos até que alguém batesse a porta.

E lá estava ele, mais elegante do que eu o jamais vira. Trajando um terno completo, com direito a colete e gravata. Sapatos pretos lustrados e uma calça que se ajustava perfeitamente ao seu corpo. As mãos no bolso como sempre e um ar de desconforto por estar vestido daquela forma.

— Uau, você está incrível – Comentei me aproximando – Apenas uau, eu nunca te assim antes – pousei minhas mãos sobre seu peito – Está lindo!

— É normal eu me sentir desconfortável com essas roupas, eu nunca me vesti tão formalmente antes.

— Deve ser eu não faço a menor ideia – Ri – Mas ficou ótimo em você. Deveria usar mais.

— Você também está linda! – Aproximou-se para me beijar, porém o detive.

— Sem beijos, estou de batom – Ele fez um bico e recuou contrariado – Quem sabe mais tarde – Dei um sorriso torto e entrelacei nossos dedos – Agora temos que ir, afinal quem deve chegar atrasada é a noiva.

Adentramos a suntuosa capela com paredes de granito, vitrais coloridos, altos pilares e grandes escadarias de madeira maciça.

Assim como eu ele observava o ambiente boquiaberto com sua grandeza e beleza medieval. A mesma capela onde papai, Gabrielle e eu fomos batizados.

— É comum tudo neste país parecer ter saído de um filme medieval? – Cochichou.

— Bem vindo à Escócia! – Ele abriu as portas da igreja e passamos pelo corredor forrado de pétalas brancas de flores.

Os bancos de madeira exibiam arranjos de flores brancas, os convidados se acomodavam em seus lugares e papai estava de pé ao lado do altar, trajando um belo terno com uma flor branca na lapela e seu kilt verde que aparentava ser novo em folha. Sua barba branca estava aparada e sua careca reluzia com as luzes do ambiente.

Nos acomodamos ao lado da família de Gabrielle que parecia deslumbrante em seu vestido vermelho com um decote cavado.

— Está linda irmã – A elogiei e em troca recebi um sorriso de orelha a orelha – Olhe para o papai, eu nunca o vi tão ansioso antes – Ele andava de uma lado para o outro alisando sua barba.

— Será que ele ficou assim quando casou com a mamãe?

— Ou quis fugir, mas o seguraram – Gargalhamos juntas como duas adolescentes trocando segredos.

O tocador de gaita de fole iniciou sua música e as portas duplas de madeira da igreja se abriram. Cinco madrinhas da noiva usando um vestido verde escuro entraram enfileiradas segurando seus pequenos buquês de flores. E logo atrás delas chegava a noiva, sozinha. Usando um vestido branco com uma larga faixa de tecido presa a ele nas cores do clã MacIntyre.

Sua felicidade era irradiante, e a ansiedade de papai cada vez mais evidente. Ele parecia respirar ofegante enquanto aguardava a chegada de sua futura esposa.

Confesso que me emocionei o bastante para minha maquiagem estar um completo desastre ao final da cerimônia, mas vamos lá, não é todo dia que assistimos ao casamento de nossos pais. E bom, eu não apareci no casamento da mamãe.

Aquela deveria ser a quinta vez que” I’m gonna be” dos Proclaimers tocava durante a festa. Eu já tinha a completa certeza que aquela era a música preferida dos escoceses para suas festas. Mas quem se importava, tínhamos whisky à vontade durante a tarde toda.

Dançávamos em uma pequena roda formada por ele, eu, François, Gabrielle, Amelie, papai e Davina.

Eu me sentia leve como não me sentira há muito tempo. Leve como uma pluma, com a cabeça completamente vazia, longe de qualquer preocupação e problemas. Tudo o que me importava era mover meu corpo descoordenadamente sem me preocupar se receberia um olhar de reprovação de mamãe. Ninguém ali se importava, ninguém sabia dançar, mas todos sabiam que queriam se divertir como se não houvesse amanhã, tomados pelo cheiro de bebida e suor. Uma chuva de papéis picados se derramou sobre nós. Então eu soube que aquele dia era o mais feliz da minha vida.

Por fim a música foi trocada por uma mais lenta. François convidou sua esposa para uma dança e papai me convidou para uma dança entre pai e filha.

— Posso ter a honra de uma dança com minha adorável filha?

—É claro! – Ele segurou minha mão e eu tentava não pisar em seus pés.

— Está deslumbrante minha filha!

— Você também não está nada mal para um velhote.

— Olhe como fala com seu pai – Brincou.

— Espero que você e Davina sejam mais felizes do que você foi com a mamãe.

— Isso nós seremos sem dúvida alguma. Davina foi a melhor coisa na minha depois do que aconteceu entre mim e Simonette. Ela me trouxe paz e tem a calma para lidar com um escocês rabugento como eu. Davina é o melhor do que eu poderia pedir a Deus. As coisas com sua mãe foram boas no começo, mas depois tudo desandou. Com Davina é diferente, eu me sinto completo como jamais me senti.

— Isso é lindo pai. Já viu como ela te olha? Ela se derrete por você – Olhamos em direção a mulher que nos acenou com a mão – Sem contar que ela está maravilhosa, as cores do seu clã...

— Nosso clã, você ainda é uma MacIntyre, pelo menos até o garotão ali te propor algo mais sério.

— As cores do nosso clã combinaram com ela e não vamos falar sobre o meu futuro e incerto casamento.

— Por que não? Não posso sonhar com o dia em que conduzirei minha filha caçula ao altar?

— Poder até pode, só não significa que irá acontecer.

— Ficou desacreditada em casamentos depois daquele bastardo do Pierre?

— Um pouco, eu ainda tenho medo pai. De me enganar e ser feita de boba outra vez.

— E o rapaz ali, ele faria algo assim? – Olhei para ele distraído com seu celular sentado em uma das mesas ao lado de Amelie que fazia o mesmo.

— Ele não faria isso.

— Como tem tanta certeza? – Franziu a testa.

— Ele não é esse tipo de pessoa, ele é bom. Pelo menos melhor do que eu.

— Isso me deixa mais tranqüilo – Deu um discreto sorriso – E minha filha, nunca deixe que façam isso com você outra vez, Pierre ainda não levou a surra que ele merece, eu juro que se estivesse na França quando aquilo aconteceu, eu acabaria com a raça dele ali mesmo. Não sobraria advogadinho de merda nenhum pra contar a história.

— Tenho certeza disso, às vezes sinto falta do seu jeito pra resolver as coisas. Às vezes apenas sinto sua falta e fecho meus olhos desejando que você apareça num passe de mágica pra me dizer o que fazer – Senti meus olhos arderem – Por que às vezes eu queria apenas ser mais como você e menos como a mamãe.

— Não diga isso, vai me fazer chorar e se isso acontecer minha reputação vai por água abaixo.

— Tá bom eu paro. Só obrigada, obrigada por seu meu pai! – O abracei e me senti segura, segura como em minha infância quando acordava a noite assustada com os barulhos dos galhos na janela e ele ia até meu quarto me confortar e me dizer que tudo ficaria bem.

— Com licença, posso roubar sua filha para uma dança? – Ouvi sua voz e me desvencilhei de meu pai.

— Mas é claro. Acho melhor eu dançar um pouco com minha noi... esposa, isso ainda é novo para mim – Brincou e saiu a procura de Davina.

Passei meus braços ao redor de seu pescoço e suas mãos em minhas costas. Seus olhos escuros fitavam os meus como se procurassem por algo dentro deles e não pudesse encontrar.

— Essa é uma ótima música.

— É sim, com ou sem você!

— Como é? – Indagou perdido.

— É o nome da música traduzido. With Or Without You. Seu inglês é mesmo uma droga! – Comentei num tom de brincadeira.

— Não faz ideia de como foi difícil ter aquela conversa com seu pai.

— Que conversa – Franzi a testa.

— Seu pai conversou comigo ontem na praia enquanto pegávamos pedras para a fogueira.

— Sobre?

—Ele queria saber sobre minhas intenções com você, se o que temos é algo sério e me fez jurar não te magoar ou ele quebra a minha cara. Não que eu seja o cara mais bonito do mundo, mas eu gosto do meu rosto.

— Você é pra mim – Dei um rápido beijo em seus lábios.

— O pior foi ele ter que repetir quase tudo o que ele falava umas dez vezes até que eu processasse tudo e minha mente buscasse alguma tradução em meu banco limitado de palavras em inglês.

— Eu pagaria para ver isso.

— Seria um espetáculo e tanto.

— Então senhor Blanche, suas intenções comigo são sérias?

— Depende das intenções. Sobre ficar com você, é muito sério. A coisa mais séria do mundo. Em relação a outras coisas, pode ser mais divertido! – Mordeu os lábios maliciosamente.

— Você é um tarado.

— Não sou, mas eu gosto de me divertir com você – Aproximou-se de meu ouvido – Em lugares mais privados.

— E o que está esperando?

Ainda era dia quando nos retiramos da festa e nos despedimos de todos. Papai não voltaria para casa naquele dia, partiria da festa direto para o castelo onde passaria sua lua de mel. Gabrielle permaneceria na festa enquanto houvesse bebidas e quanto a nós. Bom. Você já deve imaginar.

A casa era inteiramente, mas tudo o que precisávamos era apenas de um dos quartos.

Suas mãos seguravam meu quadril e seus lábios distribuíam beijos por meu pescoço enquanto vagávamos pelos corredores em busca de um quarto. Escolhemos o ultimo do corredor, meu antigo quarto e onde estava hospedada.

De costas ele chutou a porta sem se separar de mim e retirou seu paletó com um certo desespero o jogando no chão em seguida.

— Espere! – Ofegante o afastei – Pode me ajudar com o vestido? – Me virei de costas para ele e suas mãos afastaram meus cabelos dos botões do vestido. Lentamente ele desabotoou cada botão. Um por um, exibindo minhas costas nuas a cada botão aberto.

Seus dedos percorreram por minhas costas, sua respiração em minha nuca me provocando arrepios que percorriam por todo o corpo.

Girei sobre os pés e voltei a fitá-lo, seus olhos cobertos de desejo. Seu peito arfante. Deixei o vestido deslizar por meu corpo até o chão. Sua respiração vacilou e seus braços tentaram me tocar.

— Não – Afastei suas mãos e retirei seu colete.

Segurei sua gravata e o puxei para perto de meu rosto o beijando com uma fúria que repreendi por dias. Mordi seu lábio e removi sua gravata.

Abri sua camisa e a joguei no chão. Ele não podia me tocar. Não ainda. Toquei seu peito e desci minha mão por sua barriga até seu cinto. O arranquei e abri o fecho de sua calça. Sua respiração cada vez mais forte, ofegante, de seus lábios escapavam gemidos baixos e seus olhos se apertando. Teso.

Deixei que a peça escorregasse por suas pernas e o analisei, andando ao redor dele, as pontas de meus dedos percorrendo seu corpo, apreciando sua pele, os músculos discretos de seu abdômen e braços. Beijei suas costas e subi para seu pescoço até encontrar sua boca faminta.

— Você quer me torturar? – Murmurou entre beijos.

Não respondi, apenas voltei a seus lábios com voracidade. Suas mãos em meus seios e sua boca em meu pescoço. Pelos deuses aquilo era quase mágico. Seus dedos descendo cada vez mais assim como seus beijos que agora beijavam meu peito. A mesma mão que afastara minhas pernas com gentileza agora adentrava minha calcinha e encontrava minha intimidade.

Ele me observava, atento a cada reação. A cada gemido que escapava de minha boca. Sua mão livre segurou meu rosto e me puxou para beijá-lo e o beijei esmagando seus lábios nos meus sentindo o êxtase cada vez mais próximo, mais próximo, mais próximo.

Minhas unhas arranharam suas costas quando uma onda de prazer percorreu meu corpo e senti as pernas bambas. Ofegante, desabei e agarrei-me a seu pescoço e seus braços levantaram minhas coxas até seus quadris, para em seguida me jogar sobre a cama.

Seu corpo movia-se lentamente sobre o meu numa tortura infernal. Minhas mãos subiam e desciam por seu peito e costas. E aquilo era tudo. Não havia mais nada além de nós em todo o universo.

Rolei meu corpo sobre o dele e assumi o controle, distribuindo beijos por seu corpo, descendo, descendo, descendo...

Suas mãos agarraram os lençóis e seus olhos se apertaram com força, seu peito arfante subia e descia descompassado. Então uma expressão de alivio surgiu em seu rosto, seus olhos se abriram e suas mãos me alcançaram me puxando para junto de si.

— Vou te esperar para o segundo round – Alcancei uma carteira de cigarros no criado mudo e o acendi – Cigarro? – Ele pegou um e o acendi.

— E depois eu quem sou o tarado – Me trouxe para mais perto de si – Rose?

— Sim?

— Por que eu? Por que eu entre tantos caras melhores no mundo?

— Foi a melhor opção que eu tive no dia em que te conheci, era você ou o pai daquela tal de Teresa, e eu não sou fã de baixinhos e calvos.

— Estou falando sério Rose, por que eu? Deitei-me de bruços e apoiei-me em meus cotovelos.

— Por que não você? Estamos aqui, juntos e pelados e é isso que importa. Além do fato de que eu o amo e...

— Você me ama?

— Eu não disse isso, eu disse que eu gosto muito de você – Droga, eu disse mesmo?

— Não, você disse que me ama.

— É claro que eu não disse isso, porque eu diria?

— Por que me ama – Aproximou-se empolgado e beijou meu ombro.

— Você deve ter entendido errado.

— Eu entendi muito bem – Exalou a fumaça do cigarro e voltou a sorrir como uma criança que ganhou do Papai Noel o que pediu de Natal e continuou me fitando com um sorriso bobo.

— Dá pra parar com isso?

— Parar com o que?

— Ficar me olhando assim.

— Tenho uma coisa pra te perguntar, eu não sei se este é melhor momento, mas depois do que você disse...

— Eu não disse – Ressaltei.

— Rose Eliza MacIntyre, você gostaria – Ai meu deus Euísta – De morar comigo? – Fechou os olhos e balançou a cabeça em negativa – Droga eu não devia ter perguntado isso, é cedo demais, eu me empolguei me desculpe, droga, dá só pra se esquecer do acabei de falar – Recuou num arrependimento instantâneo.

— Eu posso pensar nisto – Respondi sua proposta quase em automático, como se meu cérebro não raciocinasse direito e de minha boca saísse apenas o que minhas emoções mandavam dizer.

— Mesmo?

— Sim, por que não?

Notas finais
E aí, gostaram? O que acharam do pai da Rose? Da proposta do cara? Comentem por favor gente, fantasminhas apareçam por favor. Um grande beijo e até mais!