Rose e o Cara

24 Capítulo 24


Notas iniciais
Oi gente, tudo bom? Finalmente saiu capítulo novo e dá pra acreditar que teremos só mais 6 capítulos? Sim tá acabando, por um lado é bom por ter um projeto finalizado e por outro é uma droga pois foi tão bom escrever essa história e ter vocês como leitores. Mas enquanto ainda não acabou vamos aproveitar. Boa leitura!

— Eu cozinho dessa vez! – Ele persistia em fazer o jantar para aquela quinta à noite.

Ele seria apresentado oficialmente para Gabrielle, afinal a primeira e única vez que se viram ele não estava em uma situação muito apresentável. François, Gabrielle e Amelie jantariam em meu apartamento a noite e meu namorado insistia que ele deveria fazer o jantar para passar uma boa imagem a minha família.

— Tem certeza? Posso contratar alguém pra fazer isso sem problemas – Eu andava de um lado para o outro em meu escritório com o telefone grudado no ouvido.

— Tenho, eu faço um ótimo confit de canard e uma torta de maçã da Normandia incrível.

— Tudo bem, você faz o jantar, fiquei com vontade de comer torta – Sorri mesmo que ele não visse.

— Certo, vou comprar os ingredientes e mais tarde vou pro seu apartamento.

— De jeito nenhum, eu compro os ingredientes e você prepara! Te vejo às seis.

— Te vejo às seis.

— Eu te a... te vejo mais tarde! – Encerrei a chamada antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa.

Eu quase disse. Quase disse que o amava. E eu não poderia dizer. Não por telefone, ou de qualquer outra forma. Eu simplesmente não poderia dizer. Talvez nunca o dissesse.

Algumas possibilidades vieram a minha mente, talvez não fosse amor, fosse apenas fome, dor de barriga ou frescura. Uma grande afeição quem sabe? Não deveria ser amor, porque seria? Ele nem era o homem mais belo do mundo, ou o mais atraente, ou o mais inteligente e a casa preferida dele em Game of Thrones nem era Stark. Era Targaryen ao contrário de mim, não que eu não gostasse da Daenerys, mas eu preferia Jon Snow.

O problema é que ele era incrivelmente atraente para mim. Incrivelmente belo para mim. E eu adorava como seus olhos brilhavam todas as vezes que ele cantava alguma musica ao violão. Ou como ele ficava simplesmente parado por alguns segundos olhando em minha direção com um sorriso bobo no rosto. Ele era incrivelmente inteligente e paciente comigo. E a sua casa preferida em Game of Thrones não era Lannister então estava tudo bem.

— Senhorita MacIntyre... — A voz de Louane tirou-me de meus devaneios amorosos.

— Sim? – Procurei me recompor.

— Charlotte pediu para eu lhe entregar as amostras do ensaio fotográfico da J.Lo para a próxima edição da Belle – A garota colocou uma pasta marrom sobre minha mesa com o nome “J.Lo fotos”.

— Obrigada Louane! – Ela virou-se e rumou à porta – Louane espere, preciso conversar com você!

— O que aconteceu senhorita? Eu não fiz nada de errado, eu juro. Foi o Francis quem comeu o seu lanche que estava na geladeira antes de ontem.

— Foi ele? Eu pensei que eu havia me esquecido que comi. Droga Francis, ele me deve um sanduíche! Mas não é sobre isso que quero falar com você.

— Não? Mas eu fiz algo de ruim?– Indagou desconfiada.

— Não, Louane, não fez.

— Então tudo bem – Sorriu um pouco desconfortável e acenei para que ela se acomodasse na cadeira à minha frente.

— Já se apaixonou Louane?

— Sim senhorita.

— Me chame de Rose, por favor, soa mais informal – A garota acenou com a cabeça – Então sabe como é.

— É o que?

— Amar alguém.

— É claro senhorita, digo Rose. Mas você também já se apaixonou senhora, umas cinqüenta vezes.

— Acho que não, eu não os amava.

—Ah... Nenhum deles?

— Apenas Pierre, mas você sabe o que aconteceu... E acredito que este sentimento tenha voltado, não por Pierre é claro.

— A senhorita está amando! – Concluiu sorrindo feito boba – Já disse ao seu namorado que o ama?

— Não! – Bati os dedos freneticamente na mesa – Talvez eu nunca diga.

— Certo. Por que não?

— Por que... Porque se tornaria mais difícil de terminar com ele caso isso venha a acontecer.

— Está com medo não é? – Balancei a cabeça em dúvida – Diga a ele apenas se tiver certeza.

— O que você faria Louane?

— Eu? Eu disse ao meu namorado que o amo há alguns dias e foi bom, eu tomei coragem e soltei um “eu te amo” no meio de uma conversa, foi um tanto estranho, mas...

— Espera! – A Interrompi estendendo a mão aberta em sinal de pare – Você tem namorado?

— Sim senhorita Rose, nos conhecemos no Baile anual da Belle. Eu já disse isso antes.

— Não devo ter prestado atenção. Mas, meus parabéns, espero que estejam felizes!

— Nós estamos. Então, dirá a ele que o ama?

— Não, não direi. Mas obrigada por me ouvir, eu precisava falar com alguém e Gabrielle não atende minhas ligações.

— Por que não falou com suas amigas?

— Digamos que eu não sou uma pessoa de muitos amigos, na verdade Gabrielle é minha única amiga então...

— Sinto muito.

— Não é tão ruim quanto parece. Você se acostuma. Pode ir Louane.

A garota deslizou os dedos pela franja lisa e se dirigiu até a porta.

— Louane, você poderia ser minha amiga se quiser... – Sugeri com um sorriso amigável nos lábios.

— Não, obrigada! – E desapareceu saltitando corredor afora.

***

Apesar de Louane não querer ser minha amiga e não ter ajudado muito com minhas questões amorosas eu havia decidido que não diria nada a ele. Não por egoísmo, apenas pelo fato de que em um eventual término eu poderia dizer que não o amava. Era super justo não era? Pelo menos era o que parecia.

Atendi a porta quando a campainha tocou e lá estava ele, em seus habituais jeans batidos acompanhados de uma camisa azul um pouco mais formal que do que costumava usar e sua barba por fazer lhe garantia um ar sexy.

— Olá! – Sorriu e tocou seus lábios nos meus.

— Eu comprei tudo o que estava na lista que você me passou, bem não fui exatamente eu quem comprou, eu mandei a Louane fazer isso, mas ela me garantiu que comprou tudo.

— A sensação de ter uma assistente deve ser incrível – Comentou me seguindo até a cozinha.

— Você se acostuma – Abri a geladeira e acenei para que ele se aproximasse.

Meu namorado inclinou o corpo para frente se baixando para averiguar o conteúdo do refrigerador. Batia os dedos frenéticos nas coxas e murmurava algo para si mesmo.

— Tá tudo bem aí?

— O que você come normalmente? Na sua geladeira só tem os ingredientes para o jantar.

— Bom, você sabe que eu costumo pedir comida porque sou um completo desastre na cozinha. E sorvete, eu como muito sorvete e provavelmente eu deveria ir ao médico por isso.

— Posso fazer algo pra você comer se quiser, eu sempre cozinho algo pra mim e posso fazer pra você. Poderíamos almoçar juntos...

Diga não Rose, diga não, isso seria intimidade demais. Fuja do amor, fuja!- Pensei.

— Melhor não. Te daria muito trabalho.

— Na verdade não...

— Você precisa praticar seu violino, use esse tempo pra isso, não se preocupe comigo, eu e minha geladeira ficaremos bem!

— Certo... – Concordou por fim, com um olhar desconfiado.

Ele começou a preparar o jantar enquanto eu apenas observava tudo preferindo manter distância o bastante para não estragar a comida. Colocou o assado no forno e separou os ingredientes para a torta de maçã. Colocou tudo em uma grande tigela e misturou. Jogou a massa sobre a mesa e finalmente olhou para mim.

— Pode me ajudar aqui?

— Ajudar? Eu não sou muito boa com isso não.

— É fácil, só precisa esticar a massa da torta com o rolo.

— Só esticar a massa?

— Isso, até uma criança consegue Rose.

— Ta bom – Levantei contrariada e me posicionei ao seu lado em frente ao balcão escuro.

— É só pegar o rolo e ir esticando a massa – Com calma ele demonstrava deslizando o rolo sobre a massa – Viu como é simples?

— É, parece fácil! – Meu namorado acenou concordando e sorriu se dirigindo a pia para lavar as maçãs.

É fácil, super fácil, apenas deslize o rolo sobre a massa – Pensei tentando me convencer de que finalmente conseguiria cozinhar ou ao menos ajudar a criar alguma comida descente. Afinal desde minha ultima vez na cozinha com a comida hiper salgada eu não havia cozinhado mais nada além de macarrão instantâneo.

Mas eu não estava conseguindo. Eu não conseguia esticar a droga de uma massa de torta.

— Está conseguindo Rose?

— Parecia bem mais fácil quando você fez – Respondi fazendo força com o rolo.

— É só deslizar o rolo sobre...

— Sobre a massa, eu entendi, mas essa massa – Apontei para minha arquiinimiga coberta de farinha sobre o balcão – Não está cooperando comigo – Conclui entredentes.

— Eu termino isso! – Se aproximou tentando pegar o rolo das minhas mãos, porém o afastei.

— Não, eu vou terminar, eu vou esticar essa massa, e será a massa mais bem esticada que você já viu. Agora é uma questão de honra!

Passaram-se alguns minutos e eu ainda lidava com a massa. O recheio já estava pronto há tempos e meu namorado de braços cruzados me aguardando, tentando manter os olhos abertos e a cabeça erguida. Ele despertou assustado quando o som agudo da campainha tocou e correu para atender a porta.

A voz animada de Gabrielle ecoava até a cozinha diferente da voz de François quase inaudível. E de certa forma aquilo definia um pouco dos dois, a loucura de minha irmã e a calma de meu cunhado.

— Boa noite irmãzinha! — Minha irmã correu até a cozinha com uma garrafa de vinho pela metade em mãos.

— Boa... Noite – A cumprimentei fazendo força sobre a massa.

— Eu trouxe vinho, não se importa de eu ter bebido um pouco no caminho não é? — Ela soava um tanto alta para o horário.

— Não – Respondi ofegante – Vamos lá massinha, vamos lá, estique por favor, por favorzinho.

— O que ta fazendo?

— Esticando a massa da torta de maçã de Normandia que meu namorado está preparando.

— Ela está nisso há quase uma hora, eu me ofereci pra ajudar, mas...

— É uma questão de honra! – Irrompi irritada com a massa.

— Eu disse.

— Boa noite Rose! – François surgiu de algum lugar e parou ao lado da mulher.

— Boa noite François – Suspirei exausta.

— Por que ela ta fazendo tanta força? – Meu cunhado indagou com uma expressão um tanto perturbada.

— Nem queira saber – Gabrielle respondeu girando os olhos enquanto todos se acomodavam nas banquetas do balcão.

— Honra! – Gritei arfando – Ai meu Deus.

— Oi tia Rose! – Assim como seu pai Amelie surgiu do nada com os olhos fixos no celular.

— Oi, você ta bem? – Indaguei a garota que pareceu não ouvir e girou sobre os calcanhares caminhando rumo à sala.

— Estou bem tia Rose e você? – Murmurei imitando a garota.

— Não liga pra ela, a garota está numa fase onde eu poderia cair dura no chão e ela só perceberia depois que a bateria do celular acabasse.

— Rose você está terminando? É que esta torta já deveria estar assando há quase uma hora – Lancei um olhar de ódio ao jovem a minha frente.

— E pronto, terminei, eu consegui, eu consegui! – Anunciei incrédula jogando deixando o rolo de lado e batendo palmas com as mãos enfarinhadas – Ai meu Deus eu consegui, eu sou demais!

— Meus parabéns irmãzinha, isso sim e superação hein! – Sua ironia era contagiante.

— Você não faz ideia de como isso é difícil Gabrielle.

— Não faço mesmo, mas tenho quase certeza de uma criança de cinco anos faria isto.

—Eu tenho quase certeza que uma criança de cinco anos faria isso bla, bla, bla... – Eu abria e fechava a mão imitando sua boca incontrolável.

— Chega, parou a palhaçada – François se manifestou – E sim Rose, uma criança faria isso, agora alguém pode me dizer quando o jantar será servido?

— Em meia hora – Meu namorado respondeu sem pestanejar – Em relação à sobremesa, quando Deus quiser.

— Até você?

— Me desculpe, mas é a realidade.

Como uma criança mimada, mostrei a língua para ele e lavei minhas mãos na pia.

Novamente a campainha tocou e dessa vez não esperávamos por mais ninguém. Imaginei que fosse um dos vizinhos ou o entregador de pizza errando o número do apartamento.

— Eu atendo e você pode terminar sua torta da Normandia – Bufei.

Quando abri a porta meu coração parou por alguns segundos e acredito até hoje que senti a morte chegando até mim e indo embora rapidinho.

— Mãe!

— Rose!

— Merda, quero dizer, o que faz aqui? –Gaguejei nervosa.

— Vim visitar minha filha, não posso? – Ergueu a sobrancelha — E tem farinha em seu rosto – Passei as mãos por todo o rosto tentando me limpar antes de algum comentário maldoso vindo de sua parte.

— Você nunca veio à minha casa antes, porque hoje?

— Gabrielle soltou que teriam um jantar para apresentar seu namorado pobre oficialmente a família. Acho que se esqueceu de me convidar.

— Não, não esqueci, eu só não convidei mesmo. Lembra do que fez semana passada comigo e seu médico? Eu enviei um kit de charutos cubanos e um pedido de desculpas a ele.

— Já que prefere ficar com o seu namorado sem diploma... – Fez um bico e me olhou de cima a baixo.

— Foi pra isso que veio? Implicar com ele?

—Vim para conhecê-lo formalmente, assim como sua irmã Gabrielle. Posso entrar?

— Fazer o que né – Estiquei um braço indicando o caminho ­– Sinta-se a vontade – Soei mais irônica do que o esperado.

Quando voltei todos com exceção de meu namorado haviam se mudado para a sala e esticavam seus pescoços, inclusive Amelie que parecia enfim ter desgrudado os olhos do celular, todos curiosos para saber quem estava à porta.

— Ai merda – Gabrielle disparou com os olhos arregalados em direção à nossa mãe logo ao meu lado – Digo, mãe, o que faz aqui? – Tentou disfarçar seu desconforto bebericando seu vinho.

— Este não é um jantar para uma apresentação formal do meu mais novo genro? – Gabrielle lançou um olhar alerta para mim – Pois vim conhecê-lo formalmente.

Minha irmã balbuciou um “coitado do rapaz” silencioso e voltou a beber seu vinho.

Pois essa era a verdade. Coitado do rapaz. Ele mal sabia o que o esperava, afinal vindo de Simonette boa coisa não seria.

— Me desculpe pela falta de educação François, não o cumprimentei – Ela se aproximou do genro e ambos trocaram beijos nas bochechas, ambos com falsos sorrisos e educação forçada – E como está minha neta favorita? – Abraçou Amelie que deveria ser a única verdadeiramente feliz com toda aquela situação. Apesar de ser uma péssima mãe, mamãe era uma ótima avó.

— É claro que sou a favorita, sou sua única neta – Murmurou.

— Mesmo que eu venha a ter outros netos, ou não – Lançou um olhar acusador sobre mim – Você sempre será minha favorita, mas nunca conte a eles ou ficarão com ciúmes – Olhando minha mãe daquela forma com Amelie ninguém sequer suporia que não passava de uma megera sem sentimentos.

— Tudo bem vovó – A garota voltou para o celular e mamãe se acomodou ao lado de Gabrielle que devido a tantas taças de vinho quase não podia esconder seu desconforto.

— E então, aonde está o rapaz? Desapareceu por acaso?

— Ele está terminando de preparar a sobremesa e o jantar, mas eu posso chamá-lo se quiser.

— Por favor!

Não foi necessário convidá-lo para se juntar a nós, ele surgiu da cozinha com um guardanapo branco de pano em mãos e o cabelo salpicado de farinha de trigo.

— Pessoal o jantar está pronto, só precisa colocar tudo na mesa e partir pro ataque. Aliás, o pato parece delicioso! – Ele parou no meio da sala ao avistar sua sogra, ficou ali estático por alguns segundos, com a boca aberta e olhos esbugalhados.

— Mamãe decidiu se juntar a nós – Cortei o silêncio mortificante que havia se instaurado no ambiente – Surpresa – Fingi animação.

— Ahn. Senhora MacIntyre...

— Beaumont, Simonette Beaumont, não sou uma MacIntyre há muito tempo rapaz – O corrigiu.

— Me desculpe, eu sabia disso, eu só acabei me confundindo, eu sinto muito senhora Beaumont. E saiba que é um prazer tê-la conosco nesta noite, espero que aprecie o jantar que preparei.

— Você cozinha rapaz? – Levantou uma sobrancelha inquisitória.

— Um pouco, eu me viro, mas existem algumas coisas que são minha especialidade como o jantar que preparei para esta noite. Aprendi com minha mãe, ela sempre me dizia que se eu não conseguisse conquistar uma garota pela conversa, deveria conquistá-la pelo estômago – Deu uma risada sincera enquanto a única coisa que eu fazia era observar tudo em silêncio com um olhar aflito, mãos suadas, axilas suadas, tudo completamente suado. Eu era uma grande poça de suor e apreensão.

— Interessante – Fora única palavra que saíra de seus lábios e imediatamente o sorriso dele se desmanchou.

— Vamos jantar? – Me intrometi na conversa tentando amenizar a situação.

***

O jantar seguiu tranqüilo e desconfortável sob pausas quase constrangedoras entre conversas e silêncios mortificantes. A única que parecia feliz era Amelie que ria toda vez que seu celular apitava com uma nova mensagem recebida.

Após o jantar nos acomodamos na sala. Estufados e felizes, afinal havíamos acabado de comer.

— Rapaz? – Mamãe o inquiriu segurando uma taça de vinho e um cigarro aceso.

— Sim? – A mão dele apertou a minha com força, observei sua expressão apreensiva.

— O que você faz da vida?

— Sou músico. Atualmente toco na orquestra de Paris – Sorriu – Aliás foi a Rose quem me conseguiu um teste fora de época.

— Então você conheceu Michel?

— Sim, ele é meio que meu chefe – Respondeu otimista.

— Michel e Rose eram bem próximos, não é filha?

Tentei a fuzilar com os olhos, mas mamãe parecia possuir algum tipo de escudo contra qualquer ataque. Mamãe mantinha-se intocável.

—Sim, fomos grandes amigos no passado.

— Amigos?

— Amigos, mamãe, melhores amigos que se afastaram por questões... pessoais – Mamãe fingiu acreditar e não prosseguiu com o assunto.

— François, conte a eles a nossa novidade! – Gabrielle como um anjo interveio, intercedendo por mim.

— Que novidade amor? — Coçou a cabeça careca e reluzente.

— Aquela novidade... – O instigou movendo as mãos.

— Estão esperando um bebê? – Indaguei.

— Amor você está grávida?

— Eu não quero um irmão! – Amelie fez um beiço desviando os olhos do telefone.

— Então eu terei mais um neto?

— Gente! – Gabrielle se manifestou – Eu não to grávida, se eu estivesse grávida não estaria bebendo feito uma porca. A novidade é que François abrirá seu próprio consultório médico e não trabalhará mais no hospital.

— Ah, é isso – O rapaz ao meu lado pareceu desanimado com a verdade.

— Pensei que fosse importante – Lamentei.

— Isso é importante pessoal, é um avanço em minha carreira! – François tentou se impor em vão.

— Não é mais legal que um bebê! – Comentei com meu namorado.

— Eu ouvi isso.

— Eu não disse nada.

Cerca de meia hora depois todos pareciam não se suportar mais. O jantar não havia sido o sucesso planejado, não com a mamãe nos observando e julgando o tempo todo. Meu namorado mal se movia com medo de alguma repreensão.

— Irmãzinha está tarde e esta garota precisa acordar cedo amanhã para ir à escola. Quer que eu dirija amor? – Gabrielle estendeu as mãos para pegar de François as chaves do carro.

— Eu não seria louco de deixar você fazer isso – O homem se aproximou de mim e beijou minhas bochechas – O jantar estava esplêndido – Olhou para o rapaz ao meu lado que sorriu orgulhoso.

— Muito obrigado, não faz ideia do quanto é bom ouvir isso.

— Até mais pessoal.

— Já está meio tarde né mãe?

— Se quer que eu vá apenas diga.

— Eu quero que vá embora e não volte tão cedo. Está bom assim? Ou preciso melhorar a entonação da voz pra soar mais desagradável?

— Realmente está tarde. Estou de saída e quanto a você rapaz venha cá! – Ordenou com seu ar superior de sempre.

Ele se aproximou dela e ela de seu ouvido, sussurrando algo que ele parecia compreender, então ela olhou para mim e se retirou de meu apartamento em silêncio.

— O que ela disse? Foi algo ruim? Ela não gostou de você não é? Eu sabia, ela queria que eu ficasse com o médico bonitão dela e está se vingando por que eu disse que eu queria ficar com você e não com o tal médico bonitão, mesmo que ela seja muito bonito.

— Rose, calma – Senti meu peito arfante – Respira.

— É que ela me dá nos nervos.

— Eu não posso dizer o que ela me falou, é segredo. E que história é essa de medico bonitão?

— Mamãe queria que eu saísse com o médico dela e ele é meio que bem lindo.

— Mais do que eu?

— Um pouco mais. Estilo galã de cinema sabe?

— Uau! E você disse não?

— É que eu tenho um namorado e eu precisaria terminar com ele antes, mas isso dá muito trabalho – Rolei os olhos e alisei sua nova barba.

— É mais conveniente ficar comigo?

— Pura conveniência – Segurei uma risada – E tem mais uma coisa – Ele levantou as sobrancelhas aguardando pelo resto da frase – Nunca mais faça a barba, te deixa sexy – Beijei sua bochecha – Incrivelmente sexy.

— Estou me sentindo lisonjeado, isso pode inflar meu ego – Envolveu suas mãos em minha cintura me trazendo para mais perto de si.

— É culpa do vinho ou isso é extremamente excitante?

— Os dois – Ele sorriu torto e cerrei meus olhos quando seus lábios tocaram meu pescoço.

Suas mãos deslizaram por minhas costas e seus lábios encontraram os meus num beijo desesperado, minhas mãos o puxavam para mais perto tentando tornar nossa distancia nula.

Eu poderia dizer que o amava ali mesmo. Era o que meu coração pedia que eu fizesse. Porém como sempre minha mente sempre ordenava meu coração calar a boca.

O amar tornava aquela experiência em algo completamente diferente. Mais intensa mais real e mais sincera.

Seus toques em meu corpo me levavam a lugares nunca explorados, sua boca distribuindo beijos em minhas coxas, parecia não haver nada melhor em todo o universo, não havia nada melhor do que seu corpo nu em contato com o meu, melhor do que ouvir meu nome saindo de seus lábios. Talvez realmente existisse magia e ela pairava sobre nós, nos levando ao completo delírio.

Repousei minha cabeça sobre seu peito e passei meu braço sobre seu tronco.

— O que acha de ficarmos assim para sempre? – Ele indagou num murmúrio.

— Acho uma ótima ideia – Respondi sorrindo – Sem ninguém para nos incomodar, apenas nós.

— Apenas nós – Ele beijou o topo de minha cabeça enquanto acariciava meu braço com uma das mãos – Acha que sua mãe gostou de mim? – Sua voz soou séria.

— Ela não gosta de ninguém além dela mesma e Amelie. Mas parece que vocês dois já estão trocando segredos.

— Sabe como é, acabamos ficando amigos íntimos. Ela deve ter se impressionado com a minha comida.

— Não vai mesmo me contar o que ela te sussurrou não é?

— Não, não vou. Mas a parte boa desta noite, além da ultima hora – Sorriu maldoso – É que a massa da torta ficou bem aceitável.

— Aceitável?

— Não ficou perfeita, mas é um bom começo.

— Mudando de assunto – Sentei-me na cama – O que acha de irmos pra Escócia? – Coloquei uma mecha de cabelo desgrenhado atrás da orelha.

— Fazer exatamente o que na Escócia?

— Meu pai irá se casar em uma semana, e ele quer te conhecer.

— Certo, eu vou conhecer seu pai – Assinalou assustado.

— Relaxa, ele é um cara legal, de onde acha que veio meu senso de humor? De mamãe que não foi. E tem mais uma coisa ele não fala francês.

— Ah, ótimo, vou conversar com seu pai através de sinais.

— Vai dar tudo certo – Me sentei em seu colo e inclinei meu corpo em sua direção – Apenas relaxe – O beijei e senti suas mãos percorrerem meu corpo outra vez.

Notas finais
Gente e aí, o que acharam? Por favor comentem e ah quem ainda não fez as perguntinhas pro vídeo que vou gravar por favor faça, eu preciso de várias pra responder, pode ser sobre a fic e sobre mim. Afinal já estamos no capítulo 24 e no no capítulo 27 ou 28 teremos o niver da Rose e eu só postarei o capítulo depois que o vídeo estiver pronto já que poderá conter spoilers do capítulo do niver dela e eu darei a vocês o presente da Rose que o Cara está fazendo. Então por favor comentem e façam as perguntas. Um beijo e até o próximo capitulo.