Rosas sobre o chão
3 Blue Rose
Notas iniciais
por Garry:
Esta manhã eu cheguei de trem à Paris e me dirigi para casa de minha irmã, mal cheguei e ela já estava na porta, com seus cabelos ruivos impecavelmente arrumados:
—Garry! et il est temps? vous devriez déjà être allez à la galerie! (e isso são horas? você já deveria estar indo para a galeria!)
– Maryanne salut, bon de vous voir trop! (Oi Maryanne, é bom te ver também)
–Garry excuse, plus vous savez ce que grand-père dire s’'il savait que vous aviez retardé. (desculpa garry, mais você sabe o que vovô diria se soubesse que você se atrasou).
—Maryanne bien, je sais que je vais avoir le temps.(tudo bem maryanne, sei que vou chegar a tempo)
– Je serai bientôt de retour.(logo estarei de volta)
—au revoir (adeus)
Ai me dirigi a galeria onde seriam expostas as obras de meu avô, Guertena, esse era meu sobrenome que minha mãe custava a pronunciar, o nome de seu pai. Andei algumas quadras até parar na frente da antiga mansão da família, ela era minha agora, essa foi a herança que meu avô me deixou.
“me lembro de quando eu e Maryanne eramos crianças, corríamos pelo terraço que parecia infinito, descíamos os enormes corrimões como se fossem escorregadores e eu em particular, adorava visitar meu avô em seu estúdio no qual trabalhava quando minha mãe e minha irmã não vinham junto comigo.”
Retomei meu foco, que era ir para a galeria. tomei um ônibus, olhando pela janela vi meu reflexo: meus cabelos ruivos bagunçados em ondas, meus olhos verdes, que eram herança de minha avó materna (a qual nunca conheci) e meus traços que já não eram mais infantis, mas também não eram de um homem-feito, apesar de já ter meus 19 anos.
Deci na parada e andei mais duas quadras até chegar a porta da galeria, a mesma que minha mãe sempre visitava quando era criança, porém agora iria após a reforma, devido ao incêndio.
Eu estava tentando permanecer calmo, mas estava nervoso e ansioso para ver como tudo estava depois da reforma. ao olhar pra o lado vi uma linda moça, ela tinha longos cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo, tinha grandes olhos penetrantes vermelhos cor de sangue, usava uma blusa social branca, com um lenço amarrado no pescoço, e uma calça jeans vermelha. ela parecia nervosa também, vi que ela reparou minha atenção nela e me virei e abri o livro que carregava na minha bolsa, mas uma menininha de aproximadamente 9 anos passou correndo entre mim e a senhorita e acabei derrubando meu livro. Me abaixei para pegar meu livro e a senhorita fez o mesmo, olhei para ela e disse:
—Você está bem?- disse, enquanto entravamos na galeria
—Sim…. você?
—Estou bem.- pensando rápido disse- Qual é o seu nome?
– Me desculpe. Meu nome é Isabella.- ai me dei conta de que não havia me apresentado corretamente.
—O meu é Garry, muito prazer!- disse sorrindo e ofereci a minha mão para que ela a apertasse e ela o fez dizendo
—Prazer em te conhecer também!
Então nós nos separamos, eu segui em frente e ela foi para o andar superior.
Andei entre as pinturas e as esculturas que já me eram familiares, quando passei pelo quadro do homem tossindo pensei “meu avô era um artista peculiar” e sorri. Me dirigi ao segundo andar, parei em frente a pintura do " hanging man ", era uma figura realmente peculiar, fiquei alguns minutos observando aqueles olhos sem vida. Continuei andando para ver se tudo estava no seu lugar original e me deparei com " fabricated world ". Assim que terminei de ler seu título, a música que antes tocava agora havia parado.
"que brincadeira de mau gosto é essa?"—pensei já assustado e algo pingou do quadro:
—você não foi convidado!- Isso estava ficando bizarro, e para piorar surgiram letras no chão que escreviam a palavra INTRUSO.
“não entre em pânico”- disse para mim mesmo e pisei em uma das letras manchando meu sapato de tinta azul.
Desci para o primeiro andar na esperança de achar mais alguém ali, mas a única coisa que vi foi “abyss of the deep” com uma parte de sua cerca de proteção quebrada, ai fui verificar se não haviam danificado a pintura e algo estranho aconteceu, eu fui puxado para dentro do quadro e por um instante senti a água me sufocar, como se estivesse me afogando.
Despertei em uma sala azul, em minha frente haviam um vaso com uma rosa que veio com um bilhete:" você e a rosa são um, se a rosa …. você também….", e uma chave azul, peguei a rosa e a chave e sai da sala. Quando sai da sala a chave se desfez em tinta e a escuridão começou a tomar conta do corredor e é claro que eu saí correndo como o ótimo e perfeito medroso que sou.
Chutei a porta a minha frente e depois a fechei me deparando com outra sala só que esta era um pouco maior com duas grandes esculturas familiares cheguei mais perto, li seus títulos e fiquei surpreso eram esculturas que meu avô havia feito, " mas essas não haviam ficado na mansão?" estava confuso.
Andei para direita e de longe pude ver uma pitura familiar segui em frente e fui me aproximando do quadro e vi que se tratava de " Lady in red ", a pintura que meu avô fez de sua linda esposa, a qual nunca conheci. A observei por um tempo, tentando imaginar como ela seria se ainda fosse viva.
Me afastei e fui em direção a uma porta, porém a tela saltou da parede e tentou agarrar a rosa e lhe arrancou algumas pétalas, senti minha cabeça girar. me esquivei para impedir que ela danificasse mais a flor e percebi que ela deixara cair uma chave, dei a volta na escultura vermelha, peguei a chave e passei pela porta. me deparei com uma espécie de biblioteca, haviam várias estantes e uma porta, e é claro que ela estava trancada.
“a chave deve estar por aqui” pensei tentando ser positivo. Comecei a olhar os livros do canto inferior esquerdo e entre eles havia um que dizia:
" As meninas na tela
As mulheres aqui se tornam muito agressivas uma vez
que aqui elas tem certo desejo por humanos.
Elas sempre vão perseguir coisas até que estejam
satisfeitas, parece obceção.
Qualquer lugar, todo lugar até os confins da terra,
mas se elas tem uma fraqueza é que não podem abrir
portas"
“que alívio!” disse para mim mesmo.
Andei entre as estantes e achei outro livro, mas desta vez não queria saber sobre o que se tratava e coloquei o livro de volta a prateleira, porém outro livro parecia sair da prateleira, eu o empurrei e '‘clic’' a porta se destrancou. Passei pela porta e havia um vaso cheio de água nele coloquei minha rosa que havia perdido algumas pétalas para a lady e a rosa se regenerou estava tão bela quanto quando eu havia a pego e percebi que minha cabeça já não girava.
Segui para a esquerda e havia mais uma lady, só que essa era a “Lady in Blue” e comecei a me afastar, quando tropecei no degrau e ela saltou sobre mim arrancando pétalas de minha rosa, desta vez mais que antes e comecei a cuspir sangue, me levantei corri para uma porta com a lady atrás de mim, infelizmente ela conseguiu entrar, mas eu achei a chave que trancava a sala e a prendi lá dentro. corri para o lado contrário e senti uma pontada no peito, foi quando me dei conta de que não estava mais com minha rosa. Dei meia volta para tentar retomar minha rosa, porém não senti mais meus pés, minha cabeça girou e então eu desmaiei.
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