Rosas de Sangue
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
Foi a primeira vez que foi estranho vê-la assim, nua na sua frente. Antes, isso fora natural entre eles, afinal por anos entraram na banheira juntos e se banharam de inocência. Não houve inocência naquela noite. Ela deitou em cima dele sob um fino lençol. Ela tinha um cheiro doce e os olhos arregalados. O beijou nos lábios de leve, e depois mais forte até invadir seus lábios com a língua suave:
— E agora? — Ele perguntou atrapalhado, nem um dos dois tinha ideia do que estava fazendo. — Você acha que vai doer?
— Pelo que eu vi sim. — Respondeu com firmeza — Tudo bem, eu aguento.
Lucille passou um tempo em um internato, e lá disse que aprendeu algumas coisas, coisas que queria ensinar a Thomas. Ela disse que a primeira vez iria doer, mas ele sempre soube que ela era forte, mais forte do que ele. Era mais velha que ele, agora tinha 15 e ele 13, e sempre o protegia e escondia suas travessuras. Levou centenas de bengaladas do pai no rosto , escondendo Thomas nos braços. Mais tarde, seu rosto era tomado por sangue e arranhões sangrentos. E ele a presenteava com todos os tipos de brinquedos que conseguia criar, para compensar a dor.
— Esta tudo bem Thomas, pare de chorar. — Ela dizia sempre.
— Mas esta sangrando e... — E caia em lagrimas novamente. — Foi por minha causa.
— Mas é isso que nos une Thomas. Eu te protejo com meu sangue, e você me compensa com sua doçura.
E naquela noite ela sangrou de novo. Não só por ele, mas por ela também. Pela sua expressão havia doído talvez, ele tivesse feito algo de errado. Ele perguntou-a se estava tudo bem, ela soltou um sim trêmulo, misturado com alguns gemidos fracos. Foi estranho, mas foi bom. Pela primeira vez o sangue não o apavorou, descobriu novas sensações e sentidos que não conhecia. Fazia algum tempo que as coisas ficaram diferentes, mas especificamente quando ela voltou do internato. Quando mais novos, ele costumava dormir com ela no colchão do sótão, enquanto ela lhe afagava os cabelos e o beijava nos lábios para lhe desejar boa noite. Agora o toque dela se tornara menos afetivo, e seu beijo mais intenso. Causava sensações novas que ele guardou para si, com medo de compartilhar com Lucille. Aprendeu a lidar com sozinho, mas no final lhe causava certa culpa.
Aquele porão frio, se tornou quente quando ela revirou os olhos e sussurrou seu nome. Ele foi dominado por uma perversa onda de prazer. Então, ela se jogou para o lado cansada , sorriu e puxou Thomas sobre ela e repousou sobre seu peito nu. Tudo foi paz nesse momento. Lá estavam eles, dentro de seu próprio mundo até serem arrancados de seu paraíso. Passos apressados nas escadas soaram desesperadores. Toda a cor do rosto de Lucille despereceu deixando um rosto pálido e assustado, começou a se vestir em uma rapidez absurda e sussurrou que ele fizesse o mesmo, limpou os vestígios, arrancou os lençóis e escondeu de baixo da cama. Comburiram-se com oque restou na cama, debaixo da coberta, Thomas pode sentir a respiração ofegante dela e ao se aproximar mais sentiu seu coração que ele jurava que podia pular de sua boca.
Seu pai abriu a porta tão violentamente que as velas quase apagaram. Thomas ouviu sua bengala arrastando e seus passos tortos. Ele não havia entrado muito, só deu três passos para dentro, fiscalizou e se foi, como sempre. Ele era um homem que viaja muito, e na aquela noite nem deveria estar ali. Quando a porta se fechou e os passos do velho Charles Sharpe se afastaram Lucille sussurrou:
— Thomas, a gente não deve deixar ninguém saber disso.
— Oque? Saber oque? — Thomas quis saber.
— Isso, que a gente fez. Ninguém pode saber, irmãos normais não fazem isso.
— Mas por quê? — Thomas nunca pensou que a relação deles era diferente da dos outros irmãos.
— Não sei, mas nós fazemos porque somos diferentes. Porque nosso amor é maior, porque nós só temos um ao outro, porque pertencemos um ao outro Thomas.
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