Notas iniciais
Olá meus queridos, sim eu demorei. Estava cheia de prova, mas agora estou de ferias *-* Enfim, não me odeie ! Se bem que eu só ando tendo um comentário por capitulo, não acho que vcs tenham sentido tanto a minha falta assim. Queria agradecer a Luba Rocha e a Biah ( Uma menina) por estarem me acompanhando nessa jornada incrível que é escrever esta fanfic e avisar que esse é o antepenúltimo capitulo, e sim eu tenho novidades em breve.

Capitulo Sete

Lucille se esforçou para abrir os olhos, mas a luz era um empecilho e tanto; sempre foi, na verdade. Sua última memória era escuridão e sangue, praticamente toda a sua vida podia ser resumida em escuridão, e ultimamente o sangue começou a fazer parte disso. Procurou por Thomas, mas foi incapaz de encontra-lo. Tentou gritar, mas sua voz se tornou um sussurro patético. Sentiu seu corpo limpo, não tanto, mas com certeza mais limpo que antes já que não tinha mais sangue entre as pernas. Havia uma tigela de algo como uma sopa no criado mudo. Pensou que Thomas talvez tivesse a alimentando, mas ao tomar a tigela nas mãos trêmulas percebeu que ele jamais teria conseguido fazer aquilo sozinho.

— Sente-se melhor? — Perguntou o autor da sopa.

— Cadê o Thomas? — Responde ela de imediato.

— Perguntei se está melhor. — O pai já não soava tão doce como na primeira pergunta.

Ela se recusou a respondê-lo e nem sequer o olhava, não suportava tal coisa. Mesmo que agora parecesse doce, entes fora um monstro. Thomas sempre dizia isso, mas ela se recusava a escutar. Ele chegava sempre daquele jeito depois de algum ataque, sorridente e com flores na mão. Eram sempre rosas vermelhas. Antes ela as chamava de rosas da redenção, agora as chama de rosas de sangue.

— Ainda não me perdoou? — Ele posou as rosas na cabeceira, tinha o rosto brando e sereno. Mas suas linhas de expressão logo formaram uma expressão fúnebre, tinha os olhos negros e uma barba mal feita, pois era sempre sua mãe quem a fazia.

Só então percebeu, ela havia causado dor nele. Mesmo com aquela relação doentia com a mãe, ele a amava, e Luci a tirou dele, assim como agora ele queria tirar Thomas dela. Era justo, mas ele tirou mais do que isso. Tirou algo de dentro, que era só dela. Mesmo que o irmão tivesse parcela de culpa, era dela. Crescia dentro dela, se alimentava de suas forças, era dela e ninguém tinha o direito de toma-lo. Mas ele tomou, a esperança que crescia dentro dela escorreu vermelha entre as pernas e se tornou uma poça de sangue no chão.

O pai podia não perdoa-la, mas ela com certeza também nunca perdoaria ele por isso.

— Precisamos conversar e quando eu digo conversar eu significa que você tem que falar comigo.

Luci se limitou a virar o rosto.

— Olha, princesinha, nós dois fizemos coisas ruins. Uns mais do que os outros. — Falou, se referindo a senhora Beatrice. — Mas vamos podemos nos acertar e seremos uma família de novo.

— Você não é a minha família, Thomas é. — Insiste ela.

Em um flash seu rosto se tornou furioso e voltou à serenidade novamente.

— Esqueça essa bobagem com Thomas. — Neste momento ele tinha um ar sombrio. — Vamos conversar sobre o que houve com sua mãe.

— Eu a golpeei e...

Charles a interrompeu depressa, provavelmente com medo do que vinha a seguir.

— Seu amado Thomas já me contou isso. — Em sua voz havia asco, mas Luci não sabia se era de seu ato ou era o fato de mencionar seu irmão.

— Então o que quer que eu diga? — Tentou soar indiferente, mas não sabia se havia conseguindo.

— O que iremos fazer com você? — Perguntou ele sabendo que dela não haveria resposta.

Na noite da surra, o pai a havia advertido que a casaria. Ele sempre falava de casar ela com um amigo, ele era rico e velho. Devia ter a idade do pai ou era até mais velho. Lucille já havia visto ele, quando o pai o trouxera para ver uma de suas invenções. Ela tinha treze anos na época, mesmo assim ele teve a indecência de dizer:

— Sua filha já esta bem mocinha. É linda! Já tem um pretendente, Charles?

— Lucille ainda é uma criança! — Ele exclamou. — Ainda não tem pretendentes.

— Mas quando tiver a pretensão de casa-la, me avise.

— Seu filho já não é prometido à filha de Delfin? — Tão inocente Charles.

— Sim, mas um velho também é merecedor de amor, você não acha? Desde que Amélia morreu, preciso de alguém para me aquecer e sou louco para ter outros filhos.

Os olhos do pai se arregalaram, mas não hesitou em concordar. Charles não era um homem muito respeitado na região, quem é que gostaria de casar com a filha do um homem que nada tem além de ideias extravagantes que nunca saem do papel? O velho Matthew Bello era seu único investidor e ele ofereceu a mão de Lucille de imediato. A garota tinha consigo que depois o pai se sentiria culpado (como sempre que fazia algo ruim), então o fizera prometer que esperaria até que ela fizesse dezoito anos.

Quando olhava para Matthew sentia nojo. Nojo em saber que teria de lhe dar filhos. A essa altura já sabia o que havia de acontecer para que ela tivesse filhos, embora Thomas não tivesse ideia de onde vinham os bebes. Ela soube depois de que uma em uma noite acordou ensanguentada. Manchou tudo, cama, lençóis e até o próprio Thomas que dormia com ela. Ficou envergonhada e assustada. Não tinha ideia do que estava acontecendo, pensou até que iria morrer. Então o pai entrou no quarto depois de ouvir seus berros. Pálido como leite perguntou o que havia acontecido, e ela, envergonhada, lhe contou. Charles explicou com dificuldades o que houve, já que Beatrice estava péssima naquela época. E então chegou a hora de explicar sobre os bebês e entre outras coisas, no começo sentiu nojo. Depois quando foi para o internato, as garotas de sua idade falavam disso com mais fervor e ela se acostumou com ideia. Porém só pôde imaginar-se fazendo aquilo com Thomas.

— Quando soube? — Exigiu ela saber ao se despertar de suas memórias.

— Soube o que? — Sínico.

— Sobre Thomas e...

Desta vez foi interrompida com uma bofetada na face que a fez virar o rosto com muita força.

— Não há nada entre você e Thomas! — Berrou ele. — Você é louca, vocês são irmãos! São meus filhos, e farão o que eu disser.

Seu rosto tomou toda fúria do mundo para si. Ficou vermelho e estúpido, chorou mais do que ao saber da morte da esposa. Será que seu amor era tão errado assim? O dele era ainda pior, ela e Thomas não brigavam como cães a gatos. Não se agrediam e não se magoavam, ao contrario da relação de seus pais que só semeava ódio.

— Existe sim! — Ela gritou. — Eu o amo! E nós teríamos um filho se não fosse por você.

Outra ardida bofetada atingiu seu rosto.

— Você só pode estar louca. Sabe o quanto isso é errado? Deus lhe fez um favor de lhe tirar esse bastardo infeliz e amaldiçoado de dentro de você.

— Foi você quem o tirou de mim! — Era tudo o que ela queria ter dito a ele desde que o viu entrar com suas rosas vermelhas.

— Fiz lhe um favor! Tirei a própria maldição de você. — Ele não tinha culpa dentro de si.

Ela se recusou a olha-lo de novo. Só podia pensar em como seria o rosto dele, talvez fosse mais parecido com ela, ou talvez fosse igualzinho ao irmão. Queria se perder dentro daqueles olhos imaginários e ser feliz com sua fantasia divina.

— Você é louca! — Sussurrava ele sem parar em quanto andava de um lado para o outro. — Completamente louca, o que diabos eu farei com você? Não posso entregar ao Matthew uma vagabunda.

A essa altura ela nem sequer se ofendia, só queria sair dali. Se transformar na areia da praia que é levada pelo vento sem destino algum, só livre.

— Você voltará para o internato! Mas dessa vez, para ala psiquiátrica. — Uivou ele, em desespero.

Notas finais
Comente ai vai!!! *-*