Notas iniciais
Queria agradecer as duas almas maravilhosas que recomendaram a fanfic. Eu amo vocês ♥ Depositei algumas dicas no capitulo, quero que vocês tentem descobrir a surpresa que aguarda o próximo. Tem alguma ideia do que é? Me diga nos comentários.

Capitulo Cinco

Todos os cheiro s se tornaram enjoativos, até o de Thomas que outra hora fora seu vício. Seu estômago revirava o tempo todo, seu corpo implorava pela cama a todo o momento. Thomas disse que talvez fosse por causa do incidente que aconteceu no banheiro. Ainda não tinha tido coragem de ver, mas o cheiro invadira a cada toda, como uma constante lembrança de seu erro. Lucille pode ignorar por algumas semanas, mas a aquilo pairava no ar tão amargo e insuportavelmente cruel quanto à morte poderia ser.

Thomas cuidou dela, melhor do que ele tinha cuidado da mãe deles. Ela teve vergonha de vomitar tanto na frente dele, afinal ele era sempre quem recebia seus cuidados e não ao contrário. Ele fez alguns brinquedos para distraí-la enquanto estava na cama. Uma boneca de madeira muito bem pintada, um relógio que a cada hora saia uma casal e se beijava, entre outros diversos. Mas só o que a fazia sentir melhor, era seu corpo quente e seu beijo molhado, ele tinha os olhos tão grandes e azuis que esbanjavam inocência, era tão doce. Ele acha que eu sou um monstro? Pensava quando o olhava.

— Thomas. — Chamou o garoto que dormia em seus braços. — Você não tem medo de mim, não é?

O rosto dele tomou uma expressão confusa como se o que ela tivesse dito fosse o pior dos absurdos.

— Não! — Exclamou quase zangado. — O que você fez foi por nós, e não me faça esse tipo de pergunta de novo.

Ela o beijou na testa de leve e afagou seus cabelos negros. Tinham tanta coisa para resolver e mesmo assim ele dormia como um anjo. Talvez fosse a hora de eles fugirem, mas para onde? Ela só tinha quinze anos e eles nem ao menos sabiam pegar um trem sem o pai. Thomas nunca nem havia saído da cidade e Lucille só havia saído quando fora para o internato. Não sabiam onde havia dinheiro na casa, nem como conseguir quando acabasse. Não sabia bem o que pensou quando fez aquilo, mas tudo era por Thomas. Para que pudessem ficar juntos em paz.

Não pensou nas consequências do ato, mas tinha que resolver o problema. Fugir como Thomas desejava não era possível, só restava limpar os restos.

— Ei! — Disse ao acordar a irmão. — Acho que está na hora.

— Você tem certeza? — Indagou Thomas. — Você não esta se sentido bem, acho melhor esperarmos mais e...

— Não! — Interrompeu com certeza. — Temos de fazer agora, antes que o papai chegue.

— Mas o que falaremos para ele?

— Deixe isso comigo, agora venha e me ajude.

Ele fez o que lhe foi dito, como sempre. Seguiu lhe de mãos dadas até o banheiro. A porta ainda estava entre aberta como Luci deixou. O fedor de morte pairou o ar quando ela empurrou a porta devagar e se deparou com a banheira.

Água tomara um tom escarlate como a argila que cercava a casa, lá dentro jazia um corpo deformado. A senhora Beatrice se transformou um bando de ossos com um pouco de carne pobre escorrendo. No lugar onde ficavam os olhos azuis como os de Lucille não havia nada além de uma escuridão assustadora. Ao se aproximar Luci pode ver que o olho esquerdo estava pendurado. O que restava de dentes na boca da mãe estava à mostra e quando se olhava muito podia se ver larvas saindo de sua boca. O cutelo que Lucille havia cravado em seu crânio ainda estava lá, do mesmo jeito que ela havia deixado. De repente, ela achou que não era uma boa ideia ter trazido Thomas com ela.

— Saia! — Ela gritou.

— O quê? — Seu rosto estava pálido e as lágrimas juntaram-se em seus olhos, o terror assolava seu pobre irmão. — Você disse que eu devia ajudar.

— Retiro o que eu disse, saia.

Ele foi e Luci estava sozinha com a mãe de novo. Por instantes pode ver tudo novamente, o corpo nu e enrugado da mãe dentro da banheira quente. Tinha a expressão amedrontada quando a viu. Ela caminhou devagar, continha um sorriso nos lábios mesmo sem saber o motivo dele. Talvez por ver o medo estampado no rosto da mãe, ou pela euforia que corria em suas veias. Tudo desapareceu, todo o amor que ela tinha pela mãe, toda a esperança que ela voltasse ao normal, toda a carência se transformou em ódio. Lucille tinha que deixar aquele ódio escapar. Chegou mais perto e podia ouvir a respiração desesperada da mãe.

— Não! — Foi a ultima coisa que ela falou.

Luci desferiu um golpe certeiro, e depois outro e outro. No primeiro ela achou que o crânio ainda não havia quebrado, decidiu que deveria dar outro dessa vez mais forte. Depois desse o ato tornou-se viciante, quase relaxante. Ela pode sentir todo o ódio dentro de si se esvair dela enquanto golpeava, a euforia era inevitável e depois veio êxtase. Maior do qualquer alívio que já havia sentido, maior do que prazer que tinha com Thomas. Sentiu uma paz absurda e uma serenidade que nada, além disso, foi capaz de lhe proporcionar. O vazio foi preenchido. Quando olhou para ela contemplou sua obra, sangrenta e feroz. Havia um buraco no crânio da mãe, jorrava o belo sangue escarlate e em seu rosto havia um rachado. Olhou seus braços que estavam todos arranhados, mas não se lembrava de Beatrice ter lutado. Seus ouvidos doíam, mas também não se lembrava dela ter gritado. Pois tudo o que viu naquele momento não viu mais nada, não sentiu mais nada além de um perverso prazer.

À medida que os dias se passavam a serenidade passou. Faltava algo na vida de Lucille, era sua mãe? Não, faltava aquilo que sentiu ao matar a mãe. Nem todas as noites quentes com Thomas foram capazes de acalmar seu eu novamente. Ela queria mais, sonhava com mais, precisava de mais do que aquele sentimento vazio que morava dentro dela. Ela queria o êxtase e a serenidade novamente. Sem isso, sempre iria faltar algo dentro dela, só o quê? Mas tinha única coisa boa que sobrara dentro dela e era seu amor por Thomas.

Notas finais
Descobriram? Gostaram?