Rosas Negras
6 Philipe
— Eu não acredito nisso! Como ele pode fazer isso? Eu podia matar ele! Eu queria matar ela! O pior é que eu não tenho coragem de matar ele e se ela morrer aquele idiota é capaz de se matar!
Eu estava a meia hora andando de um lado pro outro na casa da Selina.
Até que Lucy chegou:
— O que tá acontecendo pombinhos?
— Nick...
— Pela sua cara ele voltou pra ela? A pequenininha?
— Lucy, você conhece a Alice?
— Não priminha. Mas ela e as amigas não sabem disfarçar quando estão seguindo alguém pela cidade. Sou escritora! É fácil pra mim juntar os pontos.
Fiquei ali olhando pra ela.
— Ela te seguiu?
— Ph olha pra mim. Nessa cidade eu sou um outdoor verde ambulante! E provavelmente ela achou que eu e seu amigo estamos juntos.
Sentei no sofá e comecei a chorar. Lina veio ate mim e me abraçou.
— Não seja patético como seu amigo Ph. Eu disse pra ele que isso aconteceria. Ele ama ela! E ela ama ele, do jeito egoísta dela.
— Lucinda cale essa boca!
— Não adianta me xingar Selina! É verdade. Eles se amam! Mas ela é nova ainda. Acabou de fazer dezessete anos certo? Ela está terminando os estudos, é bonita os meninos caem matando. E aquela amiga ruiva? Uma prostituta não seria tão ousada quanto ela! Pelo que pude perceber, essa Alice tem a mente fraca. Qualquer um poderia fazer dela gato e sapato. Ela quer fama, todos aos seus pés. Mas quer um porto seguro quando tudo desmoronar, e é ai que Nicollas entra, com todo o seu amor e devoção por ela. O primeiro amor fode a vida das pessoas...
— E você sabe disso como ninguém não é mesmo prima?
Ergui a cabeça e vi Lucy pálida.
— Lucy eu...me desculpa. Eu não queria...
— Relaxa. Você está certa. Quem sou eu pra julgar o Nick? Mas tenho a consciência tranquila em uma coisa: eu aceitei e segui minha vida. De um jeito errado e totalmente não aceito pela nossa família, mas segui. E posso dizer que sou feliz hoje. Do meu jeito, mas sou. Não vai adiantar vocês ficarem lamentando por ele. Deixem as coisas seguirem seu rumo natural, ele vai aprender. Ou não.
Ela foi para o quarto e olhei pra Lina:
— Como assim?
Ela abaixou a cabeça.
— Lucy passou por muita coisa na vida dela. Ela tem vinte anos mas tem uma alma velha...
— Por isso ela é assim?
— Acredite. Ela é uma boa pessoa, faria de tudo pra proteger quem ela gosta. Eu sei bem disso...
Duas semanas tinham se passado e Nicollas e eu não nos falávamos.
Ele não abria mais a loja e só vivia pra Alice.
Ela mudou até as roupas dele!
Cara, isso era patético.
Me arrumei e fui pra casa das meninas.
— Tá pronta?
— Quase.
Era a semana de aniversário do pai do Nick e eu e Lina íamos até lá.
— Vocês vão mesmo para o meio do mato?
— Lucy, é um sitio.
— Mato.
Ela me fulminou.
— Você ta querendo levar minha prima pro abatedouro né?
Selina gritou do quarto:
— Lucy fica quieta!
Eu fiquei tão vermelho que minha pele queimou.
— L-lucy eu...
— Eu sei. Relaxa, to curtindo com sua cara!
— C-como você sabe?
Ela levantou e me disse piscando um olho:
— Tenho minhas fontes.
No caminho Lina disse:
— Será que ele vai estar lá?
Pensei por uns minutos.
— É o pai dele. Ele tem que ir!
Dirigi por umas duas horas até chegarmos no sitio, já esperavam a gente na porta:
— Ai meus Deus como vocês cresceram! Selina você está linda!
— Obrigado tia Julia.
Julia era a mãe de Nick, uma senhora simples com os mesmos olhos mel dele. Encantadora e dona de um coração enorme.
— Venha cá Philipe! Olha só você... está lindo! Vamos entrar.
— Tia Julia, o Nick tá ai?
Ela me olhou com cara triste:
— Ainda não chegou, ele ligou e disse que estava esperando a permissão do sogro para trazer a namorada. Me diga querido... Como ela é?
Eu e Lina trocamos olhares e tia Julia entendeu.
— Ela vai destruir meu filho e eu não posso fazer nada.
— Tia, a senhora já conheceu ela?
— Não muito bem, minha querida. Eu falei com ela por algumas horas quando fui visita-lo no começo do ano passado. Ele entraria na frente de uma bala por ela, mas... não tenho certeza que ela faria o mesmo.
Uma voz dentro da casa acabou com o assunto, mas a tristeza no olhar dela, me doeu a alma.
— Já chegaram? Onde estão meus presentes? Meu Deus, quem é você? Um anjo?
— Oi tio André.
— Um mulherão desse me chamando de tio... isso me corta o coração. Vamos, entrem. Tem bolo de brigadeiro!
Era o nosso preferido desde pequenos. Brigávamos pelo pedaço maior sempre.
Ficamos lá até a madrugada e depois do discurso da tia Julia de que “ a estrada é muito perigosa a noite, que tinha espaço pra dormirmos lá, e se quiséssemos, ela até deixava a gente dormir juntos! “, fomos embora.
— Ele não apareceu. Como pode não ter aparecido no aniversário do próprio pai?
— Não sei Lina... não sei.
“ O que porra esse menino ta fazendo da vida dele? “
Chegamos na cidade as 5:30h da manhã e vimos algumas viaturas na praça.
— Que droga é essa?
— Não sei, mas me leve pra casa. Estou preocupa com Lucy.
Olhei espantado pra ela:
— Lucy?
— Lucy não se dá muito bem com policias.
Acelerei o carro. Paramos na frente da casa dela e ela quase voou pra dentro.
Lucy estava dormindo sofá com uma garrafa de tequila vazia nas mãos.
Lina me olhou:
— Obrigado pela carona.
— Ela...
— Ela está bem, acredite. Vou dormir. Até depois.
— Até.
Fui pra casa e fiquei pensando num bom motivo pra Nick não ter ido na casa dos pais.
Geralmente, na semana de aniversário de um dos dois, ele passa os sete dias lá. Em cima de um cavalo e se entupindo de pão.
Liguei pra ele, alguma coisa não estava certa.
Ele atendeu um pouco antes de cair na caixa postal:
— Oi.
— Oi, eu gostaria de saber por que você não está na casa dos seus pais.
Ele ficou mudo.
— Nicollas?
— Eu vou amanhã. Aconteceu um imprevisto...
— Um imprevisto?
— Sim, Alice quis ir pra uma festa e eu fui com ela mas... A festa saiu do controle e foi pra rua. Os vizinhos chamaram a polícia.
— Você tá preso?
— Não. To em casa, com um olho roxo.
— Deveria estar preso. Quem te bateu?
— Meu sogro.
— Ele devia ter te matado.
— Me desculpe Ph. Eu não sei o que estou fazendo...
— Você está fudendo a sua vida. É isso que você ta fazendo.
Desliguei e fui dormir.
De manhã tinha uma mensagem dele no meu celular:
“ Estou indo pra casa dos meus pais. Me desculpe, por tudo.”
Ele era um idiota de primeira.
Fui pro estúdio e pouco tempo depois Alice apareceu por lá com a amiga ruiva:
— Oi loirinho.
— O que você quer Alice?
— Jé quer por um piercing
Olhei pra ruiva:
— Qual sua idade?
— Dezessete e meio.
— Volte quando tiver dezoito.
— Nossa loirinho, qual é. Faz esse favor pra namorada do seu amigo.
— Escuta aqui Alice, saia daqui antes que eu fure a sua testa! Você é muito hipócrita mesmo... depois de tudo que fez ainda tem coragem de pedir pra voltar com Nick!
Ela sorriu:
— Enquanto ele me amar, e eu amar ele, vamos ficar juntos.
— Você não ama ele. Nunca amou!
Ela se levantou, saiu e gritou por cima do ombro:
— Um dia eu aprendo a amar ele loirinho. Ou talvez eu me apaixone por você!
Eu mataria ela!
Durante a semana que Nick ficou na casa dos pais, Alice foi pra três festas com os amigos da escola.
Ele voltou e foi direto pro meu estúdio.
— Olá.
— O que você quer?
— Conversar.
Fomos para o parque e ele estava péssimo.
Sentamos no mesmo canto de sempre:
— Você ta um trapo!
Ele sorriu.
— Eu sei.
— Você esta feliz com isso Nick?
Ele me olhou:
— Ela está feliz, então eu estou.
— Ela traiu você!
— Eu sei, mas o amor que sinto por ela me faz esquecer de tudo que ela fez!
— Ela traiu você varias vezes idiota!
— Eu sei! Eu sei...
— Cara...você vai se arrepender.
— Eu sei.
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