— Lucy eu to... Que isso?

— Tinta.

— Você está pintando o cabelo ou a pele?

— Os dois, eu acho.

Rimos.

— Olha eu to saindo, volto a noite ok?

— Ok.

— Lave esse banheiro depois de terminar isso ai, seja lá o que for.

— É verde. Vou deixar as pontas verde limão.

— Ahh... tudo bem então. Quem vai ficar careca não sou eu mesmo. Beijos.

Ela saiu e eu liguei o som.

Fiquei ali terminando minha obra de arte capilar.

Fui pra cozinha cantando tão alto quanto o som:

'Cause I'm T.N.T., I'm dynamite

T.N.T., and I'll win the fight

T.N.T., I'm a power load

T.N.T., just watch me explode

I'm dirty, mean and mighty unclean

I'm a wanted man

Public enemy number one

Understand?

Abaixei para procurar a garrafa de whisky e quando levantei quase morri do coração:

— Mas que porra é essa? Você não sabe bater não garoto?

— Eu bati e chamei, mas você não ouviu então...

— Então você foi entrando?

— Eu sou de casa sabia?

Eu ri.

— Saiba que você não é de casa já faz um tempinho, Nicollas!

Eu vi a tristeza dele no olhar, patético.

Ele fechou a porta e desligou o som.

— Ei!

— Pra que o som se você canta mais alto ainda? Que música é essa?

— TNT, Ac/Dc. Tira a mão dai!

Sai de trás do balcão e vi ele me olhando.

— Você poderia olhar menos ou pelo menos disfarçar?

— Eu só estou te olhando por que você está parecendo um ET nudista. Você não tem roupa?

— Eu estou em casa, fico pelada se quiser!

— Ok. Que isso na sua cabeça?

— Cabelo.

Peguei a garrafa e dei um gole.

— Existe uma coisa chamada copo sabia?

Que moleque irritante!

— O que você quer aqui exatamente? Levou outro pé? Ah já sei, descobriu o que ela andou fazendo nessa semana?

Ele ficou ali parado me olhando de cara feia.

— Ph...

— Ele e minha prima foram num parque aquático. Só voltam a noite.

— Tudo bem eu volto...

Mas não se mexeu.

Ficou ali parado olhando pro chão.

“ Será que eu fiquei assim naquela época? Por que ninguém me deu uns tapas? É o que ele tá merecendo... “

— Pode ficar se quiser. Tenho tequila também.

Ele me olhou:

— Você só sabe beber?

— Pelo menos eu não fico chorado pelos cantos feito idiota!

Eu vi a vontade dele de me dar um murro.

Sorri.

— Ou se quiser pode ir pra casa chorar por seu amor: “ Alice, Alice...”

— Você se acha muito durona, não é? Mas se tirar o seu álcool e seu cigarro você é o que?

— Escritora, gostosa, boa de foda, sou ótima em Gears of War, tenho ótimo gosto musical, pra filmes, series e ah beijo bem pra caralho como você mesmo já sabe.

Ele ficou sem graça com essa última.

— Você sabe o sentido da palavra humildade?

— Sim, é o oposto de Lucy. Vai ficar ou não?

Ele sentou no sofá e abaixou a cabeça.

Fui até a cozinha, peguei um copo e entreguei pra ele.

— Você pretende me embebedar?

— Sim. Depois te amarrar na minha cama e quicar em cima de você até não sentir mais as minhas pernas.

— O-oque...

— O nome disso é sexo. Vamos tome.

Ele virou o whisky e sorriu:

— Você é estranha.

— E você é de dar pena!

Bebemos duas garrafas de whisky e antes de abrir a de tequila levantei e fui pro banheiro.

Ele foi atrás:

— Você já tá passand...

— Você é tarado mesmo né?

— D-desculpa. Eu achei que você ia vomitar ou tava se sentindo mal.

Ignorei ele e liguei o chuveiro.

— Você vai ficar ai?

—Eu...te espero na sala.

Ele saiu e comecei a rir.

Terminei meu banho, sequei o cabelo e coloquei um short jeans e uma camisa folgada.

Voltei pra sala.

— Então...o que você vai fazer da sua vida?

— Não faço ideia.

— Boa resposta, Nicollas.

— Cale a boca, vira ae, deixa eu ver que cor ficou.

Virei.

— Você não conhece nenhuma cor normal?

— Normalidade é cafona!

Rimos e bebemos o resto da tarde.

Me levantei pra pegar outra garrafa mas cambaleei e quase cai.

Ele me segurou.

— Acho que chega de bebida por hoje, não é?

— Por que? Já tá fraco Nicollas?

Ele riu e eu beijei ele.

Ele retribuiu e me deitou no chão.

Tiramos a roupa rapidamente, parecia que estávamos pegando fogo!

Ele me penetrou e eu gemi.

— Não me arranhe!

Eu ri:

— Cale a boca e continua!

Ele me colocou de quatro e meteu com mais força.

Gozamos.

Várias e várias vezes...

Deitamos um do lado do outro no chão.

Suados, ele arranhado e eu com chupões pelo peito.

— Você não me disse sobre os piercing no peito.

— Você não perguntou.

A porta se abriu e nós quatro gritamos.

— Lucy! Nick?

— An... Oi Lina.

— Eae priminha.

Ph ria.

— Fechem a porta por favor. Tá frio!

— Vista uma roupa Lucinda!

Nick me olhou:

— Lucinda?

— É meu nome ué.

Nos vestimos e me preparei para a bronca de Lina, mas ela só dava risada.

Quando se acalmou, Nick olhou pra Ph:

— A gente pode conversar?

— Claro, vamo lá fora mano.

Eu estava no quarto e Nick foi até lá.

— Lucy, a gente não usou camisinha...

Eu olhei pra ele e rezei pra que ele não percebesse a dor no meu olhar:

— Não se preocupe. Eu não posso engravidar. Vá desabafar com seu amigo.

Ele me olhou e saiu no momento em que Lina entrou.

— Pois bem...

— Eu lavo o tapete.

— Só o tapete?

Fiquei vermelha:

— E-eu limpo tudo amanhã. Juro!

— Pois bem, vamos pedir uma pizza?

— Claro, to morta de fome!

— Eu imagino mesmo, você precisa recuperar as energias, não é?

Rimos e fomos pra sala.

Depois de meia hora os meninos voltaram.

— Ah finalmente! Lucy e eu queremos pizza, que tal?

— Eu quero uma de quatro queijos.

— Ok e você Nick?

— Bacon.

—Lucy, que tal uma meia bacon e meia calabresa pra nós?

Eu olhei assustada:

— Perai, cada um deles vai comer uma pizza inteira?

Nick riu e veio perto de mim, me deu um beijo na bochecha e disse:

— Bem-vinda ao grupo!

A pizza chegou e enquanto eu me esforçava pra comer segundo pedaço, Nick e Ph já estavam acabando a deles, quando reparei em algo:

— Lina, por que você não está bronzeada?

Ela me olhou apavorada:

— P-protetor solar.

— Fator 500 né?

Ph se engasgou e eu entendi tudo.

Olhei pra Nick e ele estava rindo feito uma hiena.

—Lucy...eu mato você!

— Ohh priminha, você perdeu o lacre!

— Idiota!

AS 22:00 horas o tedio me consumia.

Não tem nada descente pra se fazer nessa cidade?

Os três responderam ao mesmo tempo:

— Não.

Bufei.

Levantei e fui sentar no colo do Nick.

— Vocês dois ficam bem juntos.

— Cala boca Ph.

— Qual é cara. É sério!

— Já sei!

— Grita mais alto prima, a gente não te ouviu.

Ela riu:

— Tem uma festa na Prot’s hoje. A gente podia ir...

— Onde?

— É uma balada na outra cidade. Meia hora de carro!

Ela fez cara de dó pra Ph e ele olhou pra Nick:

— O que você acha?

Nick me olhou e eu sorri:

— Vocês ficam prontas rápido né?

Antes deles terminarem nós duas já estávamos a caminho do quarto.

Vinte minutos depois eles voltaram e buzinaram cinco vezes.

Selina saiu e Nick entrou no quarto:

— Vamos lo...

— O que foi?

Ele me mediu.

— Nada, vamos?

Eu estava de salto alto, um vestido tubinho preto que Selina me obrigou a colocar e o cabelo preso num rabo de cavalo.

— Vamos.

Depois de meia hora chegamos na boate, quando entramos Nick estava olhando uma loira de olhos azuis.

Segui o olhar dele e ele reparou:

— Eu estava olhando os olhos dela, são lindos, não é?

— Prefiro os meus.

Ele sorriu e cochichou em meu ouvido:

— Você inteira é linda.

Sorri.

Amanhecemos o dia na balada e enquanto eu e Nick estávamos cansados de tanto dançar, Ph e Selina estavam com os lábios inchados de tanto beijar:

— Meu Deus! Daqui a pouco você engole minha prima sabia?

Eles ficaram vermelhos.

— Vamos tomar café antes de ir pra casa? Tem aquela lanchonete Nick.

— Bora.

Chegamos na lanchonete e Nick me puxou para o outro lado.

— P-por que?

Ele abaixou a voz:

— Ele vai pedir ela em namoro.

Sentamos o mais longe possível deles, mas pude ouvir o gritinho de surpresa de Lina.

— Aff...

— Por que você é contra o amor?

— Não sou contra o amor.

Ele me olhou, mas não disse nada.

— Vamos a um estúdio comigo?

— Estúdio?

— Sim, eu vi um aqui na esquina.

— O que você quer lá?

Eu olhei pra ele e ergui uma sobrancelha:

— Uma banheira. O que diabos eu ia querer de um estúdio de tatuagem?

— Pra que mais uma?

— Porque eu quero, porque eu tenho dinheiro e porque eu não sou medrosa igual você.

— Eu não sou medroso!

— É sim!

— Se eu quiser faço uma tatuagem hoje mesmo!

— Você não tem coragem...

Ele se levantou, deixou o dinheiro em cima da mesa com uma gorjeta pra garçonete e começou a andar.

Me levantei e segui ele.

Ao chegarmos no estúdio o cara me olhou dos pés à cabeça e sorriu:

— O que eu posso fazer por vocês?

Nick se colocou na minha frente:

— Você tem horário pra dois?

— Claro, entrem. Já sabem o que querem?

Ele me olhou e eu ri.

— Já que você quer mesmo fazer isso, deixe eu escolher a sua.

— Eu não vou tatuar uma borboleta.

Eu ri, essa ideia não era ruim....

— Que tal o selo amaldiçoado do Jin Kazama do Tekken? No braço esquerdo.

O tatuador me olhou:

— Boa escolha. E em você?

— Já que você escolheu a minha, eu vou escolher a sua.

— Tudo bem.

Ele me olhou e pegou minha mão esquerda:

— Uma rosa negra, na parte superior.

— Feito.

— Por que uma rosa negra?

— Por que é rara, mas extremamente linda e incomum.

Quando voltamos pra lanchonete Lina e Ph pararam de se beijar e ficara olhando pra gente de boca aberta:

— Eu esperava isso da Lucy, mas você mano?

— Ele não é tão medroso assim...só chorou um pouco.

— Eu não chorei.

— Claro, foi um cílio que caiu no seu olho não é mesmo?

Voltamos pra casa e assim que cai na cama, apaguei.

Sonhei com dois olhos cor de mel me observando.