Rosas Negras
8 Nick
Eu estava péssimo com tudo que tinha descoberto então fui procurar Ph.
O estúdio estava fechado.
“Lina...”
Fui até lá e me assustei quando ouvi o som alto.
Chamei, bati na porta, mas nada, então entrei.
Não tinha ninguém até que Lucy apareceu no balcão quase morrendo de susto.
— Mas que porra é essa? Você não sabe bater não garoto?
— Eu bati e chamei, mas você não ouviu então...
— Então você foi entrando?
— Eu sou de casa sabia?
Ela riu.
— Saiba que você não é de casa já faz um tempinho Nicollas!
As palavras me doeram e ela percebeu.
Fechei a porta e desliguei o som.
— Ei!
— Pra que o som se você canta mais alto ainda? Que música é essa?
— TNT, Ac/Dc. Tira a mão dai!
Ela saiu de trás do balcão e eu não conseguir não olhar pra ela: apenas um sutiã branco e uma calcinha estilo shortinho de renda rosa.
— Você poderia olhar menos ou pelo menos disfarçar?
— Eu só estou te olhando por que você está parecendo um ET nudista. Você não tem roupa?
— Eu estou em casa, fico pelada se quiser!
— Ok. Que isso na sua cabeça?
— Cabelo.
“Que menina irritante!”
Ela pegou a garrafa e deu um gole.
— Existe uma coisa chamada copo sabia?
— O que você quer aqui exatamente? Levou outro pé? Ah já sei, descobriu o que ela andou fazendo nessa semana?
Fiquei ali parado olhando pra ela.
— Ph...
— Ele e minha prima foram num parque aquático. Só voltam a noite.
— Tudo bem eu volto...
Mas não consegui me mexer.
“Eu não quero ficar sozinho, não agora.”
— Pode ficar se quiser. Tenho tequila também.
Eu a olhei:
— Você só sabe beber?
— Pelo menos eu não fico chorado pelos cantos feito idiota!
Minha vontade era de dar uns murros nela.
Ela percebeu e sorriu.
— Ou se quiser pode ir pra casa chorar por seu amor: “ Alice, Alice...”
— Você se acha muito durona, não é? Mas se tirar o seu álcool e seu cigarro você é o que?
— Escritora, gostosa, boa de foda, sou ótima em Gears of War, tenho ótimo gosto musical, pra filmes, series e ah beijo bem pra caralho como você mesmo já sabe.
Fiquei sem graça com essa última.
— Você sabe o sentido da palavra humildade?
— Sim, é o oposto de Lucy. Vai ficar ou não?
Sentei no sofá e abaixei a cabeça.
Ela foi até o balcão e me deu um copo.
— Você pretende me embebedar?
— Sim. Depois te amarrar na minha cama e quicar em cima de você até não sentir mais as minhas pernas.
— O-oque...
— O nome disso é sexo. Vamos tome.
“Ela com certeza é louca”
Virei o copo e sorri:
— Você é estranha.
— E você é de dar pena!
Bebemos duas garrafas de whisky e antes de abrirmos a tequila ela se levantou e foi pro banheiro.
Fui atrás:
— Você já tá passand...
— Você é tarado mesmo né?
— D-desculpa. Eu achei que você ia vomitar ou tava se sentindo mal.
Ela me ignorou e ligou o chuveiro.
— Você vai ficar ai?
—Eu...te espero na sala.
Eu sai mas puder a ouvir rindo.
Tentei pensar em outra coisa para diminuir a excitação que começava a virar uma ereção.
Alguns minutos depois ela voltou com um shortinho jeans e uma blusa soltinha que deixava bem claro que estava sem sutiã.
“Meu Deus, ela é linda! “
— Então...o que você vai fazer da sua vida?
— Não faço ideia.
— Boa resposta Nicollas.
— Cale a boca, vira ae, deixa eu ver que cor ficou.
Ela virou, as pontas estavam verdes limão.
— Você não conhece nenhuma cor normal?
— Normalidade é cafona!
Rimos e bebemos o resto da tarde.
Ela se levantou pra pegar outra garrafa mas cambaleou e eu a segurei.
— Acho que chega de bebida por hoje, não é?
— Por que? Já tá fraco Nicollas?
Eu ri e ela me beijou.
Retribui o beijo e sem pensar direito a deitei no chão.
Nós tiramos a roupa rapidamente e eu não sei dizer quem estava mais quente.
Eu a penetrei e ela gemeu, um gemido delicioso.
Ela arranhou um ombro.
— Não me arranhe!
Ela riu:
— Cale a boca e continua!
Eu a coloquei de quatro e meti com mais força enquanto ela gemia.
Gozamos.
Várias e várias vezes...
Deitamos um do lado do outro no chão.
Suados, eu estava todo arranhado e ela com chupões pelo peito.
— Você não me disse sobre os piercing no peito.
— Você não perguntou.
A porta se abriu e nós quatro gritamos.
— Lucy! Nick?
— An... Oi Lina.
— Eae priminha.
Ph ria.
— Fechem a porta por favor. Tá frio!
— Vista uma roupa Lucinda!
Eu olhei pra ela:
— Lucinda?
— É meu nome ué.
Nos vestimos e me fiquei esperando a bronca de Lina, mas ela só dava risada.
Quando se acalmou, olhei para Ph:
— A gente pode conversar?
— Claro, vamo lá fora mano.
Fui até o quarto dela:
— Lucy, a gente não usou camisinha...
— Não se preocupe. Eu não posso engravidar. Vá desabafar com seu amigo.
“Pílulas, é óbvio”
Sentamos na calçada e ficamos em silencio por algum tempo.
— Nick, o que tá pegando?
— Eu pedi ela em casamento.
— Como assim? Você tá maluco?
— Ela disse que agora não, que ela ainda é muito nova e que os pais jamais aceitariam.
— Cara você tá louco? Casamento é coisa séria Nick! Não é assim de uma hora pra outra! E depois de tudo que ela te fez...
— Eu sei Ph! Eu sei! Mas eu amo ela mais do que eu amo a mim mesmo!
— Esse é o problema, você não se ama o bastante! E isso tá errado! Você tem que se amar primeiro, depois amar alguém.
Eu fiquei calado.
— Cara...eu acabei de pegar você pelado na casa da minha futura namorada com a prima dela. Isso não significa nada?
— Significa que eu tenho que te pedir desculpas e que eu nunca transei com alguém como Lucy!
— Foi bom?
— Muito! Você tem que perder a virgindade logo cara, isso é muito bom. Eu já tava esquecendo...
Ele ficou vermelho e mudou de assunto:
— Vamos entrar? To com fome.
— Vamos.
Entramos e vimos as duas no sofá conversando sobre cores de cabelo:
— Ah finalmente! Lucy e eu queremos pizza, que tal?
— Eu quero uma de quatro queijos.
— Ok e você Nick?
— Bacon.
—Lucy, que tal uma meia bacon e meia calabresa pra nós?
Ela nos olhou assustada:
— Perai, cada um deles vai comer uma pizza inteira?
Eu ri, fui até ela e beijei sua bochecha:
— Bem-vinda ao grupo!
A pizza chegou e enquanto Lucy brincava com o segundo pedaço, eu e Ph estávamos quase acabando quando ela disse:
— Lina, por que você não está bronzeada?
Ela a olhou apavorada:
— P-protetor solar.
— Fator 500 né?
Ph se engasgou e eu comecei a rir desesperadamente.
—Lucy...eu mato você!
— Ohh priminha, você perdeu o lacre!
— Idiota!
As 22:00horas eu já estava me irritando com os suspiros e bufos de Lucy. Estava realmente cogitando a possibilidade de a amarrar e amordaçar.
— Não tem nada descente pra se fazer nessa cidade?
Nós três respondemos ao mesmo tempo:
— Não.
Ela bufou novamente e veio se sentar no meu colo.
— Vocês dois ficam bem juntos.
— Cala boca Ph.
— Qual é cara. É sério!
— Já sei!
— Grita mais alto prima, a gente não te ouviu.
— Tem uma festa na Prot’s hoje. A gente podia ir...
— Onde?
— É uma balada na outra cidade. Meia hora de carro!
Ela fez cara de dó pra Ph e ele me olhou:
— O que você acha?
Podia ser legal até...se elas não demorassem um ano pra se arrumarem:
— Vocês ficam prontas rápido né?
Antes de eu terminar a frase as duas já estavam nos quartos.
Ph riu:
— Vamo cara, a gente não pode ir assim.
— Vou pegar uma roupa sua.
— De boa.
Ao chegarmos na casa de Ph eu peguei uma calça jeans dele, um coturno velho que ele tinha e uma blusa social preta.
— Dobra essa porra de manga.
— Você acha que eu sei usar essas coisas?
— Vem cá.
— Obrigado amorzinho!
—Sai dai viado! Olha Nick...eu vou pedir Selina em namoro.
— Até que enfim! Eu espero que vocês sejam felizes cara, de verdade!
— Obrigado.
Vinte minutos depois estávamos na frente da casa de Lina buzinando pela quinta vez.
— Ai meu Deus! Nick vai lá cara.
— Ta bom.
Assim que passei pela porta, trombei com Lina, ela estava linda: o cabelo preso em um coque e um vestidinho rodado rosa claro.
— Você ta linda.
— Obrigado, Lucy tá no quarto. Puxa ela.
Ela saiu correndo e eu fui até o quarto de Lucy
— Vamos lo...
— O que foi?
Eu a medi. Ela estava linda, perfeita! De salto alto, um vestido tubinho preto desenhando seu corpo e um pouco curto demais e o cabelo preso num rabo de cavalo
— Nada, vamos?
— Vamos.
Depois de meia hora chegamos na boate, quando entramos fiquei olhando uma menina de olhos tão azuis que pareciam brancos! Lucy percebeu e seguiu meu olhar:
— Eu estava olhando os olhos dela, são lindos, não é?
— Prefiro os meus.
Eu sorri e cochichei em seu ouvido:
— Você inteira é linda.
E realmente era verdade.
Ela sorriu.
Amanhecemos o dia na balada e enquanto eu não sentia meus pés de tanto dançar, Ph e Lina estavam com a boca inchada de tanto se beijarem!
— Meu Deus! Daqui a pouco você engole minha prima sabia?
Eles ficaram vermelhos.
— Vamos tomar café antes de ir pra casa? Tem aquela lanchonete Nick.
— Bora.
Chegamos na lanchonete e eu arrastei Lucy para o outro lado.
— P-por que?
Abaixei a voz:
— Ele vai pedir ela em namoro.
Sentamos o mais longe possível deles, mas pudemos ouvir o gritinho de surpresa de Lina.
— Aff...
— Por que você é contra o amor?
— Não sou contra o amor.
“Não é contra, mas também não é a favor. É fria! Como um ser humano consegue ser assim?”
— Vamos a um estúdio comigo?
— Estúdio?
— Sim, eu vi um aqui na esquina.
— O que você quer lá?
Ela me olhou com ironia e ergueu a sobrancelha:
— Uma banheira. O que diabos eu ia querer de um estúdio de tatuagem?
— Pra que mais uma?
— Por eu quero, por que eu tenho dinheiro e por que eu não sou medrosa igual você.
— Eu não sou medroso!
— É sim!
— Se eu quiser faço uma tatuagem hoje mesmo!
— Você não tem coragem...
Ela era irritante!
Medroso?
Como assim?
Me levantei e deixei o dinheiro junto com a gorjeta em cima da mesa.
Ela me seguiu.
Ao chegarmos no estúdio o cara a olhou dos pés à cabeça e sorriu:
— O que eu posso fazer por vocês?
“ Filho da puta!”
Eu entrei na frente dela, para que ele entendesse o recado de que ela estava comigo!
— Você tem horário pra dois?
— Claro, entrem. Já sabem o que querem?
Eu a olhei, não fazia a menor ideia!
— Já que você quer mesmo fazer isso, deixe eu escolher a sua.
— Eu não vou tatuar uma borboleta.
Ela riu e eu percebi que ela não tinha pensado nisso.
“Droga! Dei uma ideia cruel para alguém mais cruel ainda!”
— Que tal o selo amaldiçoado do Jin Kazama do Tekken? No braço esquerdo.
O tatuador a olhou:
— Boa escolha. E em você?
— Já que você escolheu a minha, eu vou escolher a sua.
— Tudo bem.
Eu a olhei e peguei sua mão esquerda, lembrei de uma matéria que tinha assistido sobre rosas negras. Lindas e raras.
— Uma rosa negra, na parte superior.
— Feito! Por que uma rosa negra?
— Por que é rara, mas extremamente linda e incomum.
Quando voltamos pra lanchonete Lina e Ph pararam de se beijar e ficaram olhando pra gente de boca aberta:
— Eu esperava isso da Lucy, mas você mano?
— Ele não é tão medroso assim...só chorou um pouco.
— Eu não chorei.
— Claro, foi um cílio que caiu no seu olho não é mesmo?
Depois de deixarmos as meninas em casa eu fiquei acordado no sofá de Ph pensando em tudo que havia acontecido.
Eu não sentia essa paz fazia muito tempo...
Eu estava na loja e ainda sentia a porcaria do gosto de brócolis na minha boca!
“ Eu poderia matar ela, juro por Deus! Que porra de aposta foi aquela? Tudo isso por sexo...como cheguei a esse ponto? Mas aquela boca realmente parecia ser a porta do céu! “
Fiquei excitado ao imaginar...
“Mas vou ficar apenas imaginando já que perdi quem vai pagar sou eu! E ainda por cima ela me fez comer uma pizza de brócolis...”
A porta da loja abriu:
— Vamos?
— Pra onde?
Ela sorriu e eu me arrepiei.
“ To fudido! ”
Fechei a loja e segui ela.
Paramos no lugar de sempre do parque.
Ela estava com um vestido azul curto e um sorriso macabro.
— Levante-se.
Obedeci.
— Fique na minha frente, agora ajoelhe.
Ela se deitou e eu entendi.
“ Essa mulher é louca. Só pode! “
Fiquei com medo de que alguém aparecesse mas sentir o prazer dela era melhor.
Ela puxava meu cabelo e se contorcia até que alguns minutos depois, gozou.
Deitei ao lado dela e ela me beijou:
— Você é ótimo nisso.
— Eae vagabundo.
— Eae.
— Onde você estava a tarde? Passei lá na loja, mas estava fechada.
— Estava resolvendo umas coisas...
— Ah não Nick, você não tava atrás dela né?
— Quem? Ah, não.
Ele me olhou de cima a baixo e quando virei ele começou a rir.
— Do que você ta rindo?
— Desse coração tatuado nas suas costas!
Corri de volta ao banheiro e olhei no espelho.
“ Eu vou matar ela! “
Ph apareceu na porta do banheiro ainda rindo:
— Você não sentiu?
— Logico que senti! Mas não achei que ia virar isso!
Fui pro quarto e vesti meu jeans velho e o all star. Como, graças aquela lunática tinha um coração vermelho na costa, eu não podia ficar sem camisa, joguei um colete quadriculado velho e peguei a touca.
— Bora.
— Gostei do visual, mas ia ficar melhor sem camisa mano, pra me acompanhar no nudismo.
— Cala essa boca!
Andamos de skate pela cidade e paramos para comprar uma cerveja:
— Você e a Lucy...
— Eu não sei...um dia ela me trata bem e no outro finge que nunca me conheceu! Lina disse que é coisa de escritora. O que você acha?
— Que você deveria tomar cuidado. Lucy tá na cidade só pra escrever um livro, Selina disse que ela já passou por muita coisa e sem contar que você infelizmente, ainda ama a outra. Não seria justo despertar um sentimento na Lucy, e depois ser um filho da puta.
— Duvido que Lucy sinta alguma coisa que não seja por ela mesma!
Ele riu e continuamos a andar até anoitecer, quando cheguei em casa vi Lucy sentada na porta, me preparei para brigar com ela pela marca e depois leva-la pra cama, mas me desesperei ao ver o sangue escorrendo pela coxa dela:
— Lucy! O que aconteceu?
— Eu encontre ele caído num barranco perto do rio na estrada. Não conseguia se mexer, eu desci, cai na verdade pra pegar ele.
Ela estava agarrada á um filhotinho de cachorro sujo.
— Desculpa ter vindo pra cá, mas era mais perto e minha perna ta doendo.
— Vem, vamos entrar.
Levei ela ate o banheiro e liguei o chuveiro:
— Vamos, tire a roupa.
— Não me dê ordens.
— Lucy, pelo amor de Deus.
Ela tirou a roupa sem se soltar do cão e entrou no chuveiro, ouvi seu gemido quando a agua bateu no corte da coxa, mas ela estava mais preocupada com o filhotinho.
Ela lavou ele e saiu se apoiando em mim.
Enrolamos o cachorro e coloquei uma camiseta minha nela.
— Temos que leva-lo a um veterinário.
— Temos que levar você á um médico!
— Eu estou bem.
Eu estava enrolando uma faixa na perna dela, mas o sangue não parava de escorrer.
— Vamos, você consegue andar de moto?
Ela balançou a cabeça.
Chegamos no veterinário e o doutor olhou de um jeito pra ela, que por um momento eu quis bater nele!
— De ele aqui, eu vou cuidar dele, e você deve ir pra um hospital ver esse corte.
“ É logico que ele viu o corte na coxa dela! “
— Vamos Lucy, quanto mais rápido formos, mais rápido voltamos para pegar ele.
Depois de muito insistir ela aceitou.
“ Mulherzinha teimosa, Jesus! “
Quase arrastei ela.
Depois que a enfermeira fez os pontos, voltamos ao veterinário:
— Ele torceu a pata mas vai ficar bem. Aqui está a receita com as vitaminas e os remédios que ele vai precisar, mas em uma semana ele já vai estar pulando novamente.
Acho que nunca vi um sorriso tão lindo e puro como o que ela deu quando ouviu a notícia. Parecia uma criança!
Ela abraçou o cão e antes de subir na moto me olhou triste:
— O que foi? A perna ta doendo? A gente pode ir andando ou eu ligo pra Ph e ele vem...
— Não, não é isso. É que Selina é extremamente alérgica a cachorros.
Eu olhei pra ela e as palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse raciocinar:
— Mas eu não. Ele fica comigo, você pode me ajudar a cuidar dele.
Ela concordou com a cabeça e fomos pra minha casa.
Assim que chegamos dormiu no sofá, fiquei ali olhando para ela e pra bunda dela que estava totalmente pra fora da camisa.
“ Elas são tão diferentes... Se um dia eu tiver que escolher entre uma delas, eu vou estar fudido! Alice é doce, sensível e eu amo ela com todas as minhas forças! Mas Lucy é diferente de tudo: louca, desequilibrada, misteriosa, e sem sentido algum! Mas é linda. E fode bem...”
O cachorro me olhou como se soubesse tudo o que estava pensando:
— O que foi baixinho?
Ele se esticou e eu acariciei sua cabeça:
— Como vamos te chamar?
— Que tal Luke?
— Desculpa, te acordei?
Ela estava meio grogue.
“ Os remédios fizeram efeito. Ela até fica fofa quando não está xingando a gente ou nos tratando com lixo... “
— Luke?
Ela balançou a cabeça e dormiu.
— Então...o que acha de Luke amigão?
Ele também já estava dormindo.
Deitei no tapete e fiquei brincando com o cabelo dela.
“ Molas de relógio, só que verde.”
Assim que amanheceu fui até a casa de Lina:
— Graças a Deus! Diga que ela está com você!
— Calma Lina, posso entrar?
— Claro.
— Ela tá lá em casa.
Contei a história pra ela:
— Lucy é uma idiota! Vou pegar uma roupa pra ela, tenho que ir trabalhar...
— Eu cuido dela.
— Como ela mesma diz: Boa sorte, você vai precisar!
Na volta pra casa comprei ração e os remédio dos dois.
Cheguei em casa e ouvi o barulho do chuveiro, Luke ainda estava jogado no sofá.
— Posso entrar?
— Tem algo que você não tenha visto?
Sorri.
— Trouxe roupas e os remédios.
— Lina surtou?
— O que você acha?
Fiquei ali olhando ela.
— Você precisa de um banho.
Entendi o recado e imediatamente tirei a roupa e entrei no chuveiro com ela.
— O que você estava fazendo tarde da noite no antigo rio?
— Uma pesquisa.
— Aquele lugar é perigoso.
— Acredite, eu sei me cuidar. Agora, me beije.
Depois do “banho” tomamos café e arrastei ela e Luke para a loja.
Ela era uma ótima companhia e excelente vendedora
Passamos um ótimo mês juntos: ela me ajudava na loja, eu a observava escrever no parque, transavamos aonde ela sentia vontade, ouvíamos todos os tipos de músicas que ela me mostrava e brigávamos constantemente para saber se o Batman ou o Superman era o melhor herói.
Ela é logico, dizia que o Batman ganhava fácil!
— Ele é apenas um homem com uma fantasia preta Lucinda! Como ele ia poder ganhar de um extraterrestre super foda?
— Primeiramente, não me chame de Lucinda! Segundo, se ele tacar uma pedra verde no seu super extraterrestre fodão ele ganha!
— Mas isso seria impossível por que o Superman é mais rápido e tem olhos laser!
— Ora, você não sabe de nada!
— Você tem uma péssima mania de achar que tem a razão sobre tudo, sabia?
— Sim.
— Vamos pra casa? Já vai anoitecer e não é bom ficar a noite no parque.
— Não se preocupe, eu te protejo!
Eu a joguei no ombro e a arrastei para minha casa com Luke ao nosso lado.
— Me ponha no chão! Eu não sou um saco de batatas seu idiota!
Eu dei um tapa na bunda dela o que a fez gritar:
— Isso vai deixar marca!
— Eu sei.
Entramos em casa e ela foi direto pro banho.
— Você só vive de banho?
— Limpeza é importante, sabia?
— Você é paranoica...
Ela riu.
— Vai ficar ai olhando? Você esta fedendo, precisa de um banho.
Realmente eu precisava.
Depois de terminamos, deliguei o chuveiro e ela começou a me beijar:
— Vamos pra cama...
— Não. Ainda não!
Eu a olhei e ela sorriu de um jeito maliciosamente delicioso e mordeu os lábios.
— Não morda os lábios para mim Lucinda!
Ela mordeu minha orelha forte demais e cochichou:
— Não me chame assim!
Então ela se ajoelhou e eu fui ao êxtase.
“ Sua boca realmente é maravilhosa! “
Depois que gozei a carreguei para o quarto, a pus de quatro e fui ao céu novamente.
Ela dormiu e eu fiquei olhando as marcas da minha mão em sua bunda.
“- Minha costa deve estar horrível! “
Ela se virou e vi seu seio cheio de pequenos chupões.
“- Ela vai me matar quando ver isso! “
Eu sorri e deitei ao seu lado.
Ela abriu os olhos e disse com um inglês perfeito:
“ And I will stay up thoroungh the night. Yeah, let’s be clear, won’t close my eyes. And I know that I can survive. I’ll walk though fire to safe my life and I want it, I want my life sob ad. I’m doing everything I can then another one bites the dust. It’s hard to lose a chosen one!”
— O que é isso?
— Sia, Elastic Heart.
Ela sorriu e me beijou.
Eu a abracei e me lembrei da tradução que eu tinha visto na internet uma vez:
“ E eu ficarei acordada durante a noite. E sejamos honestos, não fecharei meus olhos! Eu sei que posso sobreviver já caminhei no fogo para salvar minha vida e eu quero isso, quero muito a minha vida! Eu estou fazendo tudo que posso. E então mais um vai ao chão. É difícil perder um escolhido! “
No dia seguinte fomos para loja.
Pouco tempo depois a porta da abriu, era Alice.
Lucy estava sentada no chão com um short de malha curto e uma mini blusa com os cabelos tapando quase todo o rosto, como estava de fone no último volume (eu estava no balcão e ouvia a voz do Kurt cantando Rape Me) não reparou.
Alice por outro lado olhava para Lucy, Luke que estava ao seu lado e para mim.
— Atrapalho?
— Não, acabei de abrir. Posso ajudar em alguma coisa?
— Quero conversar com você.
Luke deu um rosnado baixo o que chamou a atenção de Lucy que tirou o fone:
— O que foi menino? Ta doendo? Nick cad... Ah, eae.
Luke deitou e ficou rosnando para Alice.
— Vamos lá fora.
Abaixei e deu um beijo na bochecha de Lucy:
— Eu vou...
— Eu cuido da loja, não se preocupe.
“ Ela não se importa. Melhor assim. ”
Fomos até o parque e sentamos no primeiro banco:
— Vocês estão juntos?
— Não.
Não menti. Não estávamos...
Depois de um longo silencio, ela disse:
— Eu te amo.
Me coração parou.
Olhei pra ela e a vi sorrindo:
— Eu também te amo.
Ela me beijou, profundamente e longamente.
Ficamos no parque até entardecer até que me lembrei de Lucy:
— Tenho que ir, te ligo depois.
— Você não vai!
— O que?
— Você não vai atrás dela!
— Alice...
— Se você for, me esqueça!
Ela era birrenta como criança.
— A loja está aberta.
— Então eu vou com você!
— Tudo bem.
Quando entrei Ph estava lá dentro me fuzilando:
— Até que enfim voltou.
— Onde está Lucy?
— Saiu a cinco horas atrás. Pegou meu carro emprestado, disse que tinha que fazer uma pesquisa para o livro, mas não podia ir andando. Luke ta lá na cozinha comendo de novo. Vou indo nessa, boa sorte nessa palhaçada. Cuide do cachorro pelo menos, ele não tem culpa de você ser um babaca!
Ele passou por mim e eu senti a raiva dele.
— Vamos pra sua casa?
— Vamos...
No caminho Luke rosnava para Alice, enquanto ela tentava conquista-lo de todas as formas possíveis.
— Olha Alice, é melhor você ir pra casa, eu tenho umas coisas pra resolver e Luke precisa do máximo de atenção possível. Me desculpe. A gente se vê amanhã?
Ela me olhou indignada, mas concordou.
Assim que cheguei em casa desabei no sofá.
Alguma coisa não estava certa...
Á meia noite liguei para Lina:
— O que você quer?
— Lina, Lucy está em casa?
— Não...
— Ph ta ai?
Eu ouvi ele entrando e Lina preocupada:
“ – Como assim ela não voltou?
— Eu não sei, ela disse que voltaria em algumas horas, mas até agora nada!
— Meu Deus! “
Desliguei o celular e corri até a garagem, liguei a moto e acelerei até chegar no antigo rio. Ela não estava, liguei para Ph:
— O que você quer porra?
— Lucy...
— Está aqui. Não precisa fingir que está preocupado. Volte para sua namorada!
Fiquei ali por algum tempo até que resolvi ir pra casa, mas um motorista bêbado achou melhor que eu fosse para o hospital.
— Onde você estava com a cabeça meu filho?
Me sentei com dificuldade.
— Onde estou?
— No hospital, você bateu forte a cabeça e quebrou o pulso.
— Quanto tempo...
— Dois dias.
— Cadê o papai?
— Voltou pro sitio, é época de colheita. Eu vou ter que ir também, mas sua tia vai cuidar de você.
— Ela está aqui?
— Sim, chegou ontem.
— Onde?
Nesse instante a porta abriu e ela entrou de braços dados com o médico.
Tia Sara era muito bem conservada para sua idade. Tinha 48 anos mas aparentava 30: cabelos pretos lisos e Chanel; olhos cor de mel; 1,68 de altura e um corpo malhado com tudo muito bem distribuído.
Ela era a “Porra loca da família”.
— Ora,ora! Bom dia Bela Adormecida!
— Oi tia.
— Adivinha só? Você vai ter alta amanhã!
Minha mãe tinha ido embora depois de muitas lagrimas e advertências para a irmã mais nova:
— Não o deixe sozinho, não o irrite, lembre-se da hora dos remédios e qualquer coisa me ligue! Ouviu Sara?
— Tudo bem, tudo bem. Agora vá logo! Mas que saco...
De meia noite ela entrou no quarto:
— Ainda acordado?
— Sim, conseguiu o número de quantos?
— Respeite sua tia criança!
Ela se sentou na cadeira ao lado da cama e jogou os pés em cima de mim me fazendo prender a respiração de dor:
— Ah desculpe. Doeu?
— N-não titia.
Ela se sentou direito e me olhou de cara feia:
— Que porra você está fazendo com sua vida garoto?
— Como assim?
— Eu conversei com Philipe e Selina. Sei tudo sobre sua namoradinha!
— Tia, sei que é confuso, mas eu amo ela e ela me ama.
— Você tem certeza disso?
— Sim.
— Tia ela é importante pra mim...muito importante.
— Ela é uma criança que ainda não decidiu o que quer da vida! Seus amigos estão preocupados com você, e eu também estou!
Eu me deitei e fechei os olhos.
— A menina de cabelos verdes...
— Lucy.
— Vocês dois...
— É difícil explicar, ela é humanamente desequilibrada.
Contei tudo, desde o primeiro dia em que a vi.
— Entendo.
Alguém bateu na porta e a abriu:
— Oi.
— Alice!
— Vou deixar vocês dois a sós. Não quero ser contaminada com tanta falta de vergonha na cara!
Assim que ela saiu, Alice tomou seu lugar na cadeira:
— Ela me odeia.
— Sua família também não gosta de mim, mas eu sobrevivo com isso. Não se preocupe, com o tempo ela melhora.
Ela me olhou por uns minutos.
— Nicollas, o que você estava fazendo na estrada se me disse que ia para casa cuidar do cachorro?
“Merda”
— Você foi atrás dela, não é?
— Alice...
— Com quem você quer ficar afinal?
— Com você, apenas com você!
— Você tem certeza disso?
— Absoluta! Quero me casar com você, ter filhos...
— Prove!
— O que você quer que eu faça?
— Se afaste dela de uma vez por todas! De todos eles!
— Mas Selina e Philipe são meus amigos desde sempre...
— Eles me odeiam e vão fazer de tudo pra que você fique com ela!
— Alice...
Ela se levantou e antes de fechar a porta me olhou:
— A escolha é sua: eles ou eu.
Dormi pensando em tudo que ela me disse.
Eles entenderiam.
Era a minha felicidade que estava em jogo.
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