Rosas Negras
2 Philipe
“ Ele é muito idiota! Tem alguma coisa errada e só ele não vê! Rita Lee tava certa: o amor nos torna patéticos! ”
— Opa!
Me assustei.
— Ah, opa!
— Eu marquei com você por telefone, sou Miguel.
— Ah sim, piercing na língua certo?
— Isso aê.
— Pode entrar e sentar, você é novo por aqui?
— Sou sim. Passando as férias com meu pai. Sabe como é...
— To ligado.
— Faz tempo que você é body piercing?
— Dois anos, comecei assim que fiz dezoito.
— Faz tattoo também?
— Não, tô procurando um tatuador bom pra me juntar e abrir um estúdio maior. Você faz?
Ele riu:
— Não.
— Eae, o que ta achando da cidade?
— Horrivel. Sou de cidade grande, sabe como é. Cidade pequena pra mim é um saco! A única coisa que ta salvando o tedio é uma gata que eu conheci.
— É?
— Sim, uma tal de Alice ou Aline não sei.
Eu gelei.
“ Não pode ser! “
— Como ela é?
— Ah sei lá, bem sem graça. Baixinha de cabelo preto. Mas tem uns peitões...
— Hm...
“ Puta merda! “
Tentei me concentrar:
— Ta pronto?
— Bora.
Meia hora depois ele estava saindo.
Eu fiquei ali, pensando no que fazer.
“ Ela não seria capaz... Ou seria? Mas depois de tudo?! Nick fez tudo por ela! Ele mata e morre por ela! Puta merda! E agora? “
— Oiiie, terra pra Ph!
— An? Ah oi Selina!
Selina era a garota mais linda do planeta!
Cabelos pretos cacheados até o ombro, pele branca, o corpo todo na medida certa e os olhos... verdes como esmeralda! E caso não tenha dado pra perceber, eu sou doido por ela. Desde que eu tinha nove anos! Mas ela nem sonha...
— Em que planeta você estava?
— An... No novo jogo que eu e Nick não conseguimos jogar.
— Hm...
— Mas diga aê. O que ta pegando?
Ela olhou em volta:
— Você tem algum cliente hoje?
— Não. Até agora ninguém marcou nada. Por que? Tá tudo bem Lina?
— Eu preciso conversar com você. Urgentemente!
— Espera, vou pegar as chaves e a gente vai pro parque pode ser?
— Vai te atrapalhar?
“ Mesmo que fosse eu não perderia a chance de ficar sozinho com você”
— De jeito nenhum. As coisas tão paradas, vamos.
Caminhamos um pouco e sentamos em baixo de uma arvore longe de qualquer pessoa.
— E então?
Ela olhou em volta três vezes pra ter certeza de que ninguém estava por perto.
— Lina? Tô ficando preocupado...
— Olha, eu vi uma coisa que eu preciso te contar.
— Conte.
Ela suspirou e me olhou.
— Eu vi... Eu vi Alice beijando um cara.
Adeus mundo!
— C-como assim? Você tem certeza???
— Shiiiiiu! Para de gritar Ph!
— Selina, você tem certeza?
— Tenho. Eu tava voltando pra casa e vi ela saindo do beco com ele.
Me levantei e comecei a andar de um lado pra outro.
— Você tem certeza? Quando foi isso? Tem certeza que era ela mesmo? Quem era o cara?
— Calma Phillipe! Senta aqui de novo!
Sentei.
— Eu tenho certeza. Eu queria não ter, mas tenho. Foi a duas noites. Não contei antes por que eu fiquei desesperada. O Nick é tão bom... Nós três crescemos juntos praticamente! Eu não sabia o que fazer!
Ela tinha razão. Eu não sabia o que fazer!
— Lina, eu tive um cliente hoje e ele disse que tava pegando uma garota da cidade. Ele nem ao menos lembrava o nome dela. Achava que era Alice ou Aline. Mas quando ele descreveu a menina...
— Ele descreveu a Alice.
Concordei com a cabeça.
— Quem era o cara que você viu?
— Era o Cristian.
— Filho da puta! D-desculpa...
— Tudo bem.
Cristian era o ex-namoradinho da Alice.
“ E agora? “
— Ph... A quanto tempo ela vem fazendo isso?
— Não sei... Mas quer saber a pior parte?
— Tem pior?
— Tem. Ele foi pedir ela em namoro para os pais ontem!
— Puta merda!
Concordei com um aceno.
— E agora?
— Não sei...
— Você tem que contar pra ele Ph! Ele tem que saber!
— Eu sei, eu sei! Mas como vou fazer isso? Ele ama aquela garota!
— Mas ela não ama ele!
Ficamos em silencio por alguns minutos...
— Eu tenho que ir. Vou pegar minha prima na rodoviária.
— Prima?
— Sim, ela vem passar um tempo aqui. Tá escrevendo um livro e quer a ‘paz da cidade pequena’ pra poder escrever.
Ri.
— Legal, vai lá. Eu vou ver Nick e contar. Ele tem que saber.
— Sim... Qualquer coisa, me ligue!
— Pode deixar, tchau Lina.
— Tchau Ph.
Fiquei ali por mais duas horas imaginando toda a conversa até meu celular tocar. Era o Nick.
— Fala viado!
— Philipe, vem pra minha casa cara...
— Nick, você ta chorando? O que aconteceu?
— Vem pra cá mano, por favor.
— Tô chegado!
Fale com o autor