— Eu odeio a sua prima!

— Você odeia quem?

Nós três pulamos de susto.

Lina e Ph pegaram seus lanches e Cocas e foram pra cozinha atrás da loja. Meu coração gelou quando ouvi a tranca ser passada.

“ Filho da puta! Isso é que são amigos! Me deixaram com o demônio verde! ”

Ela estava ali, do outro lado do balcão me olhando:

— E então?

“ Porra “

— Eu... eu...

— Você...

Bufei.

— Você me odeia pelo fato de eu ter achado que você era gay ou por eu ter acertado que você está em depressão por causa de uma idiota que te deu uma arvore de natal na testa?

— Escuta aqui...

— Você ta com fome?

Olhei pra ela com cara feia:

— O que?

— Ta com fome?

— Não.

— Vamos dar uma volta comigo?

Fiquei pasmo.

— Uma volta?

— Sim. No parque.

— Eles...

— Deixa um bilhete.

— Ok.

Por que eu aceitei? Só Deus sabe!

— Pronto, vamos.

Ela foi atrás do balcão, tirou o celular do bolso e colocou em cima da folha.

— Você também.

Obedeci.

Por que? Só Deus sabe também!!!

Fomos caminhando até o parque e paramos no lugar mais distante dele. Ninguém ia lá e algo me dizia que ela amava aquilo.

Ela deitou na grama em baixo de uma arvore e eu fiquei ali de pé olhando ela.

— Vamos, deite. Ou prefere que eu vire a bunda pra você olhar mais um pouquinho?

Sorte minha que sou moreno, por que eu senti meu rosto queimar.

Deitei ao lado dela.

As arvores eram baixas como arbustos e deitados, ninguém nos via, o que me deu um pouco de medo.

— E então?

— O que?

— Me conte como se sente em relação ao fim do seu namoro perfeito.

Bufei.

— Escuta aqui meni...

— Mulher. Eu sou uma mulher! Não uma menina.

Ficamos em silencio.

O dia estava lindo.

Perfeito.

Ela se deitou de lado e ficou me olhando. Fiz a mesma coisa.

“ Meu Deus! Os olhos dela são lindos! “

Eu fiquei ali mergulhado nos olhos dela por um tempo e senti uma paz que nunca senti antes. Nunca!

Até que as palavras saíram da minha boca:

— O nome dela é Alice. Estávamos namorando a um ano e cinco meses. Mês passado decidi oficializar e pedir para os pais dela. A família dela me odeia. Disseram que ela merece coisa melhor do que eu. No dia seguinte descobri que ela me traiu com uns cinco meninos no mínimo por que sou monótono demais. É isso.

Eu esperei ela rir, desdenhar ou fazer uma piadinha.

Mas ela se aproximou e me beijou.

E pra minha surpresa eu retribui.

Foi diferente.

Quente e simples.

Do mesmo modo como começou, parou: de repente.

Ela deitou e ficou me olhando por uns minutos, até começar:

— O amor não é isso. No amor os dois lados sofrem juntos! Só é verdadeiro quando o amor dos dois é na mesma medida, quando os dois estão prontos para matar Deus se for preciso para ficarem juntos. Isso é amor! Você ama ela, ela quer você como consolo, mas quer outros como diversão. Boa sorte nisso, você é patético. E vai sofrer muito mais por causa dela.

Ela se levantou e foi embora. Fiquei ali deitado pensando o resto da tarde.

Fui direto pra casa e Ph não estava. Tomei um banho e fui pra cama.

Sonhei com duas esmeraldas me encarando.

Acordei de madrugada com o barulho do vídeo game na sala.

— Eae Dormidonca!

— Dorme quem?

— Esquece. Por que dormiu cedo?

— Tava cansado ué.

— Onde você e a Lucy foram cara?

— Dar uma volta.

— Onde?

— Pelo parque.

— E?

Eu olhei pra ele irritado:

— Isso é um interrogatório?

— Não. Talvez. Sim!

— Fomos ao parque e conversamos.

— Só?

Eu lembrei do beijo e rezei pra que ele não percebesse.

— Só.

— Ainda odeia ela?

“Você ama ela, ela quer você como consolo, mas quer outros como diversão. Boa sorte nisso, você é patético. E vai sofrer muito mais por causa dela. ”

— Com certeza!

Ele me olhou e ficou calado.

— E você? Onde estava mocinho?

Ele ficou vermelho feito tomate.

— No cinema com a Selina.

— E?

Ele ficou mais vermelho ainda e eu entendi.

— Finalmente!

— Vai pro inferno!

— Vou pra cama, isso sim. Você deveria dormir também.

— Não consigo...

Voltei pra minha cama e fiquei lembrando: me senti exatamente assim quando beijei Alice pela primeira vez. Só sabia sorrir. E cada vez mais o sentimento foi crescendo.

A porta abriu e eu sai do meu devaneio:

— Ei idiota, seu celular.

— Ah valeu.

— Boa noite.

— Boa.

Liguei ele e repeti o ritual: ligar pelo menos uma vez.

Nada.

Nem tocava.

Dormi e sonhei com Alice:

“ – É claro que aceito! “

Uma semana tinha se passado desde o beijo e ela agia como se isso nunca tivesse acontecido, e eu também.

Quando elas não estavam em casa, nós estávamos na casa delas.

Jogando baralho, bebendo cerveja e eu e o Ph perdendo pra Lucy no Gears of War.

— Vocês são péssimos!

— É eu sei. Vou ali no quarto da Lina ver se descolo uns beijos. É menos humilhante!

— Eae? Mais uma cerveja.

Olhei pra ela de cara feia.

— Ah qual é! Pelo menos não estamos apostando dinheiro!

— Nossa, ainda bem!

Ela ficou quieta e quase pude ver uma ideia maligna se formar na mente dela.

— Você é bom em que jogo?

Pensei um pouco...

— Luta.

— Injustice?

— Sim.

Ela sorriu e eu me arrepiei.

— Vamos jogar apostado.

— Ok. Apostando oque?

Ela deu um pulo do sofá e foi até a cozinha. Demorou uns minutos e voltou com um pratinho com limões cortados, sal e uma garrafa de Tequila.

— Quem perder...

— Feito!

No final eu ganhei 10 e ela 8.

Mas pra saber quem estava pior era impossível!

— Eu vou embora.

— E Ph?

Olhei pra porta do quarto que não tinha sido aberta nenhuma vez.

— Ele deve ta dormindo.

— Dormindo? Duvido muito!

Eu ri:

— Ele ta dormindo. Ph é virgem!

Ela ficou rindo por um bom tempo.

Eu me levantei e ela se esticou no sofá. Estava com uma blusa de pijama e um shorts curtíssimo soltinho de seda.

“ Realmente é linda! “

Sorri, desliguei o vídeo game e a luz.

— Tchau.

Sem resposta.

Fui caminhando pra casa as três da manhã.

Ao chegar no portão eu vi Alice parada ali.

— Oi.

— Você é uma alucinação da tequila não é?

— Você está bêbado Nicollas?

— Acredite, Lucy ta pior!

— A menina do cabelo verde?

— Sim.

— Então é com ela que você está agora?

— Não. Ela é a prima da minha amiga. Só isso! O-oque você ta fazendo na rua a essa hora?

— Eu ia dormir na casa da Jé mas ela foi pra casa do namorado, então... vim pra cá.

Posso dormir aqui?

Meu coração pulou de alegria!

— Logico que pode!

Ela entrou e assim que fechei a porta ela me olhou e sorriu.

Eu não resisti e a beijei.

Fomos pro quarto.

Fazer amor com a Alice era algo único.

Eu ia pra um estado de espirito maravilho e rezava pra nunca acabar. Ela era doce e safada ao mesmo tempo, o que me enlouquecia! Mas a melhor parte era ver ela dormindo nos meus braços.

Acordamos de meio dia, ela não tinha aula então ficamos na cama.

— Vai ser diferente. Eu te prometo Nick. Fui uma idiota, mas percebi isso! Você me perdoa?

— É claro que eu te perdoo. Eu te amo!

Ela sorriu e fizemos amor de novo. De tarde ela foi pra casa e eu liguei pra Ph pois ele não havia voltado ainda.

— O que você quer?

— Nossa, o que aconteceu?

— Nada.

— Você não vem pra cá?

— Não. Vou ficar na minha casa. Não quero atrapalhar você e Alice.

— Como...

— Eu cheguei de manhã e vi vocês dormindo. É sério isso Nick?

— Ela mudou. Pediu perdão!

— Boa sorte mano.

Ele desligou.

“ Perdi meu melhor e único amigo! Não...Isso não é amizade! Ele deveria estar feliz por mim como eu estou por ele e Selina! “