Rosas
20 Capitulo vinte
Edward parecia despreocupado enquanto caminhávamos até o portão, ao contrario de mim que me encontrava suando frio. A noite caia mais a cada piscar de olhos e a lua começava a brilhar sobre nós, alheia a nossas meras perturbações humanas.
Eu podia ver melhor quanto mais nos aproximávamos. Através das grades eu via a silhueta de minha mãe, acompanhada por um homem fardado, com certeza era um oficial.
— Não tenha medo... — Edward sussurrou.
Assim que chegamos ao portão, Edward o abriu.
— Senhor Cullen, correto? — O oficial estendeu a mão para Edward, que assentiu e o cumprimento. — Sou Oficial Odonaghue, temos uma acusação de rapto contra o senhor.
— É ela mesma oficial... Isabella Swan, em carne e osso. — Minha mãe disse sarcasticamente. — Sr. Black não quer mais se casar com você, a mandarei para a França por desonrar meu nome dessa forma.
— Desculpe, mas Isabella Swan nunca esteve nessa propriedade. Essa é minha esposa, e legalmente se chama Isabella Cullen. — Edward disse calmamente, e o oficial assentiu.
— Está aqui contra sua vontade? — Oficial Odonaghue me perguntou e eu rapidamente balancei a cabeça.
— Não! Estou aqui por vontade própria, e aqui que desejo ficar. — Disse firmemente.
— Bem, minha senhora... — Ele se virou para minha mãe. — Não há nada de errado aqui.
Eu observei seu rosto tomar um tom avermelhado, então não foi surpresa quando ela gritou alterada.
— Como não?! Ela é minha filha, e eu não aceito que ela fique com um caseiro sem berço!
— Senhora, em primeiro lugar não grite com uma autoridade. Em segundo, não a lei que me permita tirar uma mulher de sua casa e de seu marido, principalmente contra a vontade dela. — O oficial disse a ela, em um tom parecido com o que se usaria para explicar algo a uma criança pequena.
— Eu trabalhei duro para poder dar a minha esposa a vida que ela desejar, poderia comprar duas vezes todas as suas posses e ainda nos sobraria muito. — Edward disse. — E é apenas em respeito a minha esposa que perdoo suas ofensas a mim e meus pais.
— De pouco me importa seu dinheiro! É por isso, Isabella?! Dinheiro é mais importante para você que um marido de boa família? É mais importante que o que sua mãe deseja para você? Mais importante que a história da família do seu pai, sua honra e princípios? — Ela vociferou ignorando o oficial.
— Edward é mais importante! Mais importante que dinheiro, berço, status e seus falsos princípios. Minha única desonra é ter nascido de você, então saía da minha casa! — Eu não percebi o quão alto minhas palavras foram ditas até o silencio as enrodilhar e Renée me encarar com os olhos arregalados.
— Vamos embora Sra. Swan. — O oficial a virou e a guiou para fora. Edward fechou o portão, e sentindo que eu não aguentaria muito mais me abraçou.
A noite esfriava mas seus braços eram quentes, e enquanto eu ouvia seu coração bater eu afundei meu rosto em seu peito. As lagrimas vieram intensas, mas ele me manteve de pé me segurando firmemente sem se importar que eu estivesse manchando seu fraque.
— Não pense em nada do que ela disse... — Pedi o abraçando forte, e ele continuou afagando minhas costas.
— As palavras dela não são verdadeiras, sei que estão maculadas por seus preconceitos. — Ele respondeu calmamente. — Veja você, se preocupando comigo quando foi a maior afetada nessa visita... Eu não me importaria de ser insultado, o importante é estar com você. — Ele sussurrou.
— Sim, ela estava absolutamente errada. — Me separei dele para olhar em seus olhos, e segurei firme em seu fraque. — Meu pai ficaria em êxtase por tê-lo na família, e mesmo que cada ancestral meu descesse a terra para amaldiçoar-me, eu pouco me importaria... Porque eu sou sua esposa, e o seu amor é a única coisa da qual não poderia nem pensar em abdicar.
Ele ergueu seu polegar e capturou uma lágrima que descia por meu rosto. Meu rosto deveria estar úmido, e meus olhos se avermelhando e inchando, mas eu não conseguia parar de chorar.
— O meu amor te pertence, para toda a eternidade. — Ele prometeu.
— Nunca vamos deixar de nos amar? Nunca iremos ser como esses casais mais velhos que se tratam como meros conhecidos com o qual são obrigados a conviver? Nunca irá me deixar ser alguém como minha mãe? — Eu indaguei ainda aos prantos e ele riu.
— Não seja absurda, seremos um casal que dará inveja aos mais jovens. Eu sempre vou te amar, e você sempre será minha Bella. E você será a melhor mãe que alguém poderia querer, eu sei que no futuro vão se dizer aos quatro ventos que não existe melhor companha no mundo que Isabella Cullen. E sortudo serei eu, de poder passar todo o tempo com você. — Ele sorria gentilmente, e eu voltei a afundar meu rosto em seu peito, as lágrimas continuavam a vir, mas eu me sentia segura ali em seus braços. — A primeira vez que te vi, você era apenas um bebe e eu era uma criança. Naquela noite eu mal dormi pensando no quanto gostava de seus olhos, e eu desejei poder olha-los pelo resto da minha vida... Então por favor, olhe para mim.
Eu esfreguei meus olhos com o punho e o olhei dando o melhor sorriso que pude, mesmo tendo acabado de ser profundamente magoada pela mulher que me deu a vida.
— Meu amor te pertence, para sempre. — Eu mantive meus olhos fixos no seu. — Vamos entrar agora em nossa casa, e... — Eu fiquei envergonhada de terminar a frase e ele riu.
— Você passou por um momento difícil, minha Bella. — Ele me abraçou e começamos a caminhar para dentro.
— Eu passo por um momento difícil desde que nasci, Edward! — Resmunguei e ele tentou não rir, mas seus mais baixos sons eram altos agora que a noite já havia caído.
Quando entramos, a senhora Siobhan praticamente correu ate nós, suas mãos juntas próximas ao rosto quase como uma prece.
— O que o oficial queria? Não estão em problemas, eu espero... — Ela tinha a fala rápida e ansiosa, que me fez ter ainda mais um pouco de afeição por ela e seu modo gentil de agir.
— Eu lhe disse, minha querida. Acabou em nada. — Edward disse despreocupadamente.
— A senhora sabe sobre o modo não convencional que nos casamos? — Perguntei sorrindo e ela assentiu. — Parti vestida de noiva em um cavalo branco, poderia alguém querer uma vida mais emocionante? — Brinquei, talvez isso a fizesse perder o receio, não queria as pessoas que trabalhavam nessa casa me tratando como em casa minha mãe era tratada. Talvez tenha funcionado pois ela riu.
— Bem, vamos subir agora...Pela manhã, lembre-se de acomodar bem Kaure, sim? No caso de Bella e eu não acordarmos antes de sua chegada. — Edward disse e a senhora corou. Desejou boa noite e se retirou.
Naquela noite, eu não pensei mais em Renée ou na sociedade que via nosso amor como errado. Tudo que teve minha atenção foi Edward, e de toda a minha vida, aquela foi minha noite favorita.
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