Rosas

21 Capitulo vinte e um


Quando acordei o sol batia e meu rosto e eu tentei cobri-lo de novo, mas ele foi tirado do meu rosto e isso foi seguido por uma gargalhada.

­ — Levante-se! — Edward disse de modo brincalhão.

— Oh, por favor... — Me virei ficando de bruços. — Estou tão cansada, sinto como se tivesse caído de um cavalo!

Isso causou uma gargalhada nele que se jogou ao meu lado da cama.

— Levarei como um elogio, minha senhora. — Ele sussurrou no meu ouvido, e eu ri, pois aquilo me arrepiava. — Vamos, irei leva-la para conhecer seus jardins. — Ele persuadiu, e eu com os olhos ainda pesados de sono o olhei.

— Meus jardins? — Repetiu e ele deu um largo sorriso assentindo.

— Sim, absolutamente tudo seu. Você vai sair da sua cama, vestir a sua roupa, andar pela sua casa, até ir aos seus jardins conhecer as suas rosas na companhia de seu marido. — Ele se levantou e estendeu a mão. Eu o olhei envergonhada.

— Hmm, Poderia... Sair? — Perguntei timidamente.

— Por que? — Ele franziu o cenho.

— Eu estou meio... isso é constrangedor! Sem roupas! — Segurei com força meu cobertor para cobrir meu rosto em chamas caso fosse necessário.

— Ah, me perdoe a indelicadeza. — Ele se aproximou e deu um beijo na minha bochecha. — Deixarei que se cubra, e a esperarei na sua varanda.

Eu sorri. Ele estava risonho e brincalhão essa manhã, aquilo era algo extremamente satisfatório. Me levantei da cama, e me senti estranha. Acordar sem roupas era algo estranho, mas eu já sabia que essas coisas aconteciam a uma mulher casada. Eu sabia sobre a nudez e o sangue nos lençóis, mas não deixava de ser menos constrangedor.

Deixei isso para lá e fui ao meu quarto de banho. Me banhei e escovei os cabelos. Vesti um vestido não muito pesado que me fazia sentir bonita, e tirei o lençol da cama para evitar ficar pensando que talvez a senhora Siobhan visse, seria estranho... mais estranho que encontrar uma cama sem lençol, obviamente.

Saí do quarto e vi que uma criada estava quase descendo a escada.

— Ei, moça! — A chamei e ela olhou de volta, rapidamente vindo até mim.

— Senhora? — Ela cumprimentou-me com gentileza.

— Eu preciso de ajuda, uma grande ajuda e é segredo. — Disse baixo e ela inclinou a cabeça confusa. — Esses lençóis estão sujos, de sangue, e eu preciso muito que você os tire da minha vista pelo resto da eternidade pelo bem na minha circulação facial! — Disse bem rápido mas ela entendeu. Tentou segurar o riso quando o pegou e de maneira cumplice sorriu.

— Não se preocupe senhora, os queimarei na mesma fogueira em que queimo todos os meus segredos e colocarei novos na cama, nunca lhe deixarão corada novamente, minha senhora. — Ela tomou me os lençóis rindo.

— Obrigada! — Sorri e a abracei. Ela pareceu estranhar o gesto mas deu de ombros e seguiu seu caminho pelas escadas.

Eu respirei fundo e segui minha vida indo atrás de Edward. Ele estava encostado em uma daquelas colunas brancas da varanda e me olhou risonho.

— Pronta para suas rosas? — Ele arqueou as sobrancelhas.

— Pergunta tola! — Zombei.

Ele me estendeu seu braço o qual segurei e ele começou a me guiar pela lateral da casa, até onde eu podia supor que seria nosso roseiral que víamos da janela.

— Vamos lá! — Ele disse.

Bem, Edward levava promessas extremamente a sério. Aquilo era mais que um sonho! Era parecido com o que tinha na fazenda mas de alguma forma aquelas rosas eram mais vividas! Tinham mais cor e seus aromas eram mais envolventes. Eu poderia facilmente estender ali uma toalha ali entre elas, e passar o resto de meus dias alí. As que mais chamavam a atenção eram as vermelhas, e com satisfação colhi uma delas as levando até meu nariz, sentindo aquele delicioso perfume tomar meus sentidos.

— Isso é o paraíso. — Suspirei.

— Foi a intenção, devo dizer que meu trabalho foi feito com sucesso? — Ele passou seus braços por minha cintura, e eu levei a rosa até seu rosto que se apoiava em meu ombro.

— Sinta esse perfume, e tire suas próprias conclusões. — Eu falava tão alegremente, que estava quase cantando. Ele a cheirou e fez um som de satisfação.

— Cheira quase tão bem quanto você... — Ele beijou minha bochecha.

Passamos mais algum tempo alí com minhas rosas, e ele me mostrou o resto jardim. Possuía outras flores além das rosas, haviam margaridas, orquídeas, madressilvas e jasmins. E em um espaço mais aberto algumas mesas de jardim estavam em uma fila única cobertas por sobras de arvores próximas, enquanto o resto do espaço era destinado a picnics, de acordo com Edward.

Quando eu já me sentia satisfeita de todo aquele ar puro e cheiro de flores, ele me levou até a sala de jantar. Encontramos a mesa posta e nela Kaure já estava se levantando quando nos viu.

— Estava quase indo atrás de você, menina! — Kaure veio até mim me abraçando. — Minha menina determinada, sempre alcança o que quer!

Kaure voltou a se sentar e engatamos uma conversa sobre a cada. Nós tomamos café juntos e de algum jeito, eu nunca me esqueceria, foi minha primeira manhã na minha casa, e como esposa de Edward. E tudo, desde o bordado da toalha de mesa até o sabor doce do bolo de chocolate me fazia mais feliz. Era algo delicioso o sorriso de Edward, a concentração ao ler o jornal ou até mesmo a simples forma que ele tinha de morder uma maçã, tudo isso me fascinava.

— Sr. Cullen... — O mesmo homem que ontem abriu o portão quando cheguei chamou timidamente da porta.

— Não se acanhe, Gustavo. — Edward riu. — Por favor, deixe-me apresentar, minha esposa Isabella, e essa é Kaure. Damas, esse é Gustavo, o homem que faz milagres com as mãos no jardim.

Ele pareceu ainda mais envergonhado com o elogio mas chegou mais perto.

— É um prazer. — Disse a ele e Kaure sorriu de modo gentil mas permaneceu quieta.

— Igualmente... E... chegou essa carta, que agora acredito ser da senhora. — Ele me entregou. — Mas tive duvidas pois estava destinada a Srta. Isabella Swan.

Eu estranhei ao ler o endereço, e em seguida fiquei ainda mais surpresa, pois reconhecia aquele papel da carta.

— É de casa... — Murmurei. Edward me olhou confuso, mas em seguida ficou claro para ele. — Da minha antiga casa.

— Ah, bem... Gustavo, se importaria de levar Kaure para conhecer o jardim? — Edward propôs. Gustavo e Kaure se olharam por um momento e ele assenti.

— É um bom horário, as flores gostam da manhã. — Ele disse e estendeu a mão para Kaure, que a pegou se levantando. — Senhora. — Ele cumprimentou.

— Senhorita na verdade, nunca fui casada. — Ela corrigiu. Os dois saíram da sala, e imediatamente Edward saiu de seu lugar a mesa vindo ficar quase colado a mim.

— Se importa de ler em voz alta? — Ele perguntou.

Eu examinei a carta por um momento. Era exatamente o mesmo tipo de papel de carta e envelope que comprávamos para a fazenda, e havia sido remetida por Sra. Renée Swan. Ela não sabia escrever e lia mal, mas não era nada fora do comum já que ela tinha criados que sabiam escrever, e assim apenas ditava o que escrever na carta a ser enviada.

— Olhe a data, deve ter sido escrita ontem após sair daqui... E ela ainda colocou meu nome de solteira. — Apontei, aquilo não parecia um bom presságio.

— Me pergunto o que haveria de se escrever em tal situação. — Edward murmuro, em seguida comecei a narrar a missiva.

— “Isabella.

Sua herança e a fazenda estarão sendo mantidas com zelo e cuidado. Contratarei um novo caseiro para administrar e como deve ser: Após minha morte, tudo pertencerá a você. Não faço isso por amor ou bondade, afinal nem mesmo precisaria disso agora, então faço somente por ser meu dever.

Você é a única descendente viva de Charlie, e assim a única de toda a Família Swan. Uma família tradicional, de honra, cujo nome sobrevive a séculos mas agora chega ao fim pela minha incapacidade de gerar um filho homem. Mesmo casada com alguém sem berço ainda é a única herdeira, e por isso e somente por isso tudo que passou de pai para filho durante anos na família Swan será seu assim que meu coração parar de bater.

Peço que tenha ao menos a decência de cuidar como se deve de tudo, pois sabe o amor de seu pai por essas terras. Confio isso a você mesmo você não sendo uma pessoa confiável, então não me decepcione mais.

Você jogou ao vento toda a boa educação que tentei lhe dar, foi ingrata a pessoa que lhe deu a vida e sujou para sempre a honra de nossa família. Teria se casado com alguém respeitável graças a mim, mas preferiu um caseiro que conseguiu dinheiro por sorte. Nem sua morte teria me doído tanto.

Nunca lhe perdoarei e espero nunca mais ter que te ver até o fim da minha vida. Quanto a minha vida espero que seja breve, pois não gostarei de conviver muito tempo com a vergonha que você me causou. Gostaria eu de me envergonhar de nunca ter dado uma criança a meu marido ao invés de agora me ver mãe de uma mal falada. Nunca me procure, e nunca espere uma visita minha. Adeus.” — Eu abaixei a carta, e ficamos em silencio.

— Eu sinto muito... — Senti a sua mão sobre a minha.

Nunca havia pensado bem de minha mãe, mas nunca havia pensado em um mal tão estremo quanto agora pensava. Aquela carta me magoara mais que todas as ofensas proferidas em toda a minha vida, mas eu me recusava a chorar. Imaginei ela sentada na cadeira do meu pai no escritório, com uma expressão dura e vazia ditando tais palavras a um criado que nunca decoraria o nome. Em seguida, amacei a carta até que ela formou uma bola em minha palma e a coloquei em meu copo de suco, assim a destruindo completamente.

— Não poderíamos esperar rosas de Renée. — Disse a Edward da forma mais firme que pude.

— Está arrependida? — Ele perguntou e eu o olhei assustada com seu tom, parecia quase magoada. — Se arrependeu de ter se casado comigo?

— Edward! — Ralhei me sentindo quase ofendida. — Não diga coisas absurdas! A única coisa da qual me arrependo foi ter aberto essa carta.

— Me desculpe. — Ele disse e fez com que eu o olhasse. — É quase um pecado te amar, mas o que posso fazer? Eu te amo mais que tudo...

— Se for, eu fui a primeira. Apenas esqueça isso, sim? — Me aproximei lentamente e beijei seu lábios. Sem me distanciar eu pus meus braços ao redor do seu pescoço. — Eu te amo.

Notas finais
O próximo será o epílogo... Sim, o ultimo capitulo. Comentem ♥