Notas iniciais
Assativo: adjetivo que significa “próprio para assar”. Aqui usei como “quase tão quente e seco quanto um forno” Pira’y: Significa, em mbyá-guarani, "golfinho" ou "peixe pequeno"

Para Raoni, o interior do quarto era quase assativo. Faltava a umidade do Norte, onde era mais suportável passar tanto tempo na forma humana.

— Você é tão arrogante quanto dizem. – Disse Kai, baixinho. – É por isso que gente como meu irmão precisa nos proteger…

— Seu irmão é o Naurú? – Sabia que ele lembrava alguém.

— Agora o meu silêncio não convém, pira’y? Tarde demais! Seguirei sua amigável sugestão.

Foi vestir-se no banheiro, fechando a porta ruidosamente.

Raoni assobiou, os olhos azuis brilhando de raiva. Por mais desagradável que fosse, era lua-cheia e absolutamente ninguém deveria enfrentá-la naquele dia.

Notas finais
Bom, gente! Algumas informações aqui: Kaynan/Kai é da etnia Mbyá-guarani, que é um povo localizado fora da área de ocorrência do boto (que é a bacia amazônica), então eles não têm uma palavra em Mbyá para "boto", por isso ele a chamou de golfinho, mas o fez de uma maneira desrespeitosa. Por ser Lua-cheia ou "jaxy guaxu", os poderes do boto estão em seu auge. A maioria das pessoas a teria obedecido com um sorriso no rosto, sem se importar com o quão rude ou arrogante ela pudesse ter sido. Assim, Kai não deveria ter sido capaz de enfrentá-la como fez.