Rosa de Vidro
16 Capítulo 16 - A verdade
Capítulo 16 – A verdade
As espadas colidiam uma contra a outra com toda a força e vontade. Os dois irmãos atendiam, dolorosamente, para eles, o pedido da espada de não interferirem. Aquela luta era dela. Ela não sabia porque estava lutando com ele e nem porque ele tentava esconder aquela dor imensa que ela podia ver no fundo de seus olhos. Ele sempre fora solitário e orgulhoso demais para mudar seu caminho. Preferia passar a eternidade lutando com qualquer um a sua volta ou a morte para esconder aquela solidão.
— Você é igual ao Ulquiorra. Mas ele teve a sorte de encontrar alguém que lhe ensinasse algo que realmente vale a pena antes de morrer. Não entendo porque você não tenta fazer o mesmo.
— Aquilo de coração?! – Ele suspirou – nós somos hollows, não temos coração! – Falou irritado, aquilo era óbvio.
— O coração não é um órgão Noitorra. É o que nasce entre todos para mantê-los unidos.
Ela ouvira aquilo de Rukia uma vez. Parecia que a shinigami estava repetindo as palavras de outra pessoa e que aquilo doía muito. Mas quem ou porque, ela não tinha ideia. Só tinha um fio de esperança de conseguir convencer o espada.
— União? Mais essa agora? Pra que? E não venha me dizer que aqueles shinigamis derrotaram e prenderam Aizen porque se uniram. Só tiveram sorte daquele de cabelo laranja estar lá. Sem ele, nem toda a união do mundo lhes daria a vitória! Sou um espada sem coração e sem nada pra fazer da vida. Ficar parado seria muito chato e isso de união... é para seres fracos. A união pode aumentar a força, mas não garante a vitória.
Ele a atacou de novo. Ambos já mostravam arranhões e filetes de sangue espalhados pelo corpo.
— Por que não desiste desse seu orgulho idiota? Ainda tem tempo.
— Você acha que é tão fácil assim mudar de repente?!
— Mas é! É uma questão de decisão! – Sentiu uma pequena esperança surgir, ele estava cedendo?
— Você fala tudo isso de união, mas cadê os outros?! Te deixaram sozinha aqui sabendo que alguma coisa pode te matar! Que aliados são esses?!
— Eles são muito mais que simplesmente aliados e fui eu que escolhi vir! Esse lugar é muito grande, não podemos perder tempo e quando nos separamos cada um assumiu que corria o risco de não voltar vivo.
— Não interessa. Isso não vai mudar nada no que está acontecendo agora, tanto aqui quanto com os demais – ele reiniciou a luta avançando contra ela com a espada erguida. Se enfrentaram durante alguns minutos até o ponto de estarem ambos esgotados, principalmente ele, ofegante e ferido profundamente pela espada dela. Viu um grande sorriso passar pelos lábios dele, que em seguida avançou contra os outros dois hollows. Sem pensar ela se pôs a frente deles, menos sabendo que agora seriam capazes de se defender e ouviu um som que a fez arregalar os olhos e olhar para suas mãos. A lâmina da espada dela o havia atravessado.
— Foi bom lutar com você... Você também evoluiu muito, mas ao menos por hora... eu tô de saco cheio disso... – disse enquanto seu tom de voz ia diminuindo e ele caia.
Ela observou paralisada a espada ser puxada do corpo dele, que colidiu contra o chão duro de pedra.
— Não... – se abaixou, matá-lo não era sua intenção – Noitorra! Noitorra!
Os dois irmãos sentiam raiva do espada desfalecido, mas havia algo estranho. Nenhum dos dois sentira intenção assassina no ataque dele, o que eu ficaria para segundo plano. A irmã chorava silenciosamente ajoelhada ao lado dele.
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— Caminho... até o nii-sama?
— Sim. Natsu tem uma capacidade absurda de detectar reiatsu à longa distância e ela disse ter sentido duas reiatsus muito semelhantes juntas e uma delas provavelmente é do seu irmão.
Um brilho de esperança encheu os olhos azuis da tenente.
— O que aconteceu aqui?
— Fomos presos por um hollow que... é difícil explicar... – Ichigo tentou.
— O corpo da criatura era um labirinto e ele surgiu do nada das paredes e nos atacou. Mas já acabamos com ele e os outros que estavam aqui – a capitã disse seriamente.
— O que aconteceu com ela – Orihime lançou um olhar preocupado aos três que acabavam de chegar.
— Nós também fomos atacados como podem ver – todos finalmente deram atenção aos arranhões e cortes distribuídos nos corpos dos três – ela está bem, só dormiu.
Todos sentaram para que Orihime curasse os ferimentos. Após cuidar do casal de shinigamis, ela tratava Uryuu. O olhar dele estivera tão tenso, mas se transformara completamente ao se encontrar com o dela. Quando finalmente ela se sentou ao lado dele, que estivera encostado em uma parede, o garoto a olhou surpreendendo-se com a aparição repentina dela e ruborizando.
— Ori... hime...
— Vou curar você agora.
Ver aquele tão sincero e raro no rosto dela e todo aquele carinho nos olhos cinzentos o fizeram esquecer completamente da dor, da tensão de toda aquela batalha e tudo mais que pudesse incomodá-lo. Seus olhos se encheram de ternura e sorriu também quando ela começou a curá-lo.
— Quando Inoue-san terminar vamos tentar nos juntar e seguir na direção que Natsu indicou, pode não ser conveniente continuarmos separados. Eu creio que todo esse tempo ele esteve brincando com a gente.
— É por isso que derrotamos todo mundo até agora?
— Não exatamente, pelo que acabaram de me contar do hollow labirinto vocês podiam ter perdido, mas suas habilidades superaram as expectativas do inimigo.
— Se o avó do nii-sama era mesmo tão orgulhoso em relação ao sangue da família e algum hollow está usando o que restou de seu espírito para fazer tudo isso, provavelmente o objetivo dele é me ver morta e depois voltar a Soul Society e fazer uma revolução em relação á nobreza.
Ichigo não deixaria, sabia que todos estavam ali pra protegê-la, mas só de ouvi-la dizendo aquilo, gelou.
— Não seria mais fácil ele atacar você diretamente lá?
— Claro que não, Ichigo! O Sou Taijou e mais um zilhão de shinigamis estão lá. É muito mais simples nos atrair pra cá e causar todo esse caos.
Ashido olhou para a shinigami adormecida em seu colo e aproximou os lábios do ouvido dela.
— Hora de acordar bela adormecida. Todos aqui querem sua ajuda no momento.
— Muito engraçado... – ela murmurou.
— Achei que você não soubesse dessas coisas dos humanos – Ichigo estranhou.
— Os hollows falam de tudo naquela floresta, até mesmo do que ouvem dos humanos enquanto procuram boas presas no mundo deles.
— Eu não acredito... – o ruivo achava graça daquilo e ao mesmo tempo era muito esquisito.
A shinigami de olhos cinza claro se mecheu, gemeu e finalmente abriu os olhos e levantou.
— Eu não durmo assim há séculos...
— Literalmente? – Ichigo questionou.
— Não. Todas essas partículas espirituais daqui nos permite passar anos sem nos alimentarmos uma única vez, mas dormir de vez em quando é meio inevitável.
— Natsu... você sabe do meu irmão?
A shinigami arregalou os olhos tentando pôr os pensamentos em ordem e finalmente lembrou.
— SIM! Eu senti duas reiatsus parecidíssimas e uma delas deve ser a dele. Não está longe daqui.
— Pode detectar os outros também? – Orihime perguntou.
— O cara esquisito de chapéu está atrás de você, o garotinho de olhos verde-água e o loiro estão na direção oposta e aqueles três hollows estão à nossa esquerda. Perto deles três tem uma pressão espiritual muito forte, do nível de um espada, baixando consideravelmente.
Todos ficaram impressionados, não só com a capacidade de localização dela, mas com o quarto hollow, um espada. Quem seria?
— Você sabe quem é esse espada?
— Não – respondeu ao quincy, que também estivera calado até então – não o conheço. Na direção em que o cara de chapéu está seguindo vai chegar aqui logo. Os outros estão parados e três deles parece que estão dormindo.
Aquilo preocupou os demais, mas se sentiram aliviados por o espada enfraquecido não ser Nell.
— Não façam essas caras, estão vivos e bem, só machucados. A reiatsu de todos está subindo aos poucos. Algum deles sabe curar?
— O tenente loiro sabe – Soi Fong informou – já sabemos a direção. Vamos esperar aquele vendedor esquisito chegar aqui e se os outros não chegarem logo aumentaremos a reiatsu para atraí-los, depois iremos até o capitão Kuchiki.
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