Rosa de Vidro
17 Capítulo 17 - Reencontro
Capítulo 17 – Reencontro
Estavam todos sentados esperando. Alguns meio distanciados dos outros.
- Relaxe, baixinha. Nós vamos levá-lo de volta são e salvo. E ele é forte, sabe se defender.
Ela suspirou, sorriu e relaxou nos braços dele, que a abraçava. Estava apoiada no ombro esquerdo dele.
- A capacidade enorme de detecção de reiatsu de Natsu me deixa mais tranquila.
- Acho que a todo mundo... Assim que os outros chegarem vamos atrás do Byakuya... Sei que estamos numa situação crítica, mas... Enquanto o seu irmão ainda não tá me procurando pra me matar, me deixa aproveitar que tô com você – abraçou-a mais forte e beijou seu nariz, fazendo-a rir.
- Não faça isso! – Sussurrou autoritariamente, mas sorrindo – Tem muita gente aqui – foi interrompida por ele, que lhe deu um selinho.
- Mas estamos afastados, não liga pra isso – ele argumentou observando os demais a certa distância – e olha só aqueles dois, acho que há algo mais entre eles – ele abriu um sorriso.
Rukia olhou para onde ele indicava. Também longe dos demais, Ashido e Natsu estavam sentados lado a lado, conversavam, mas tinham suas mãos unidas. Ele mantinha um sorriso bobo enquanto ela falava, e afagava as mãos dela.
- Eles ficaram muitos anos sem ver, mas concordo com você – ela disse, também sorrindo – Mas eles não precisam saber que nós percebemos isso.
- Tem razão.
No lado oposto, o outro casal de shinigamis conversava.
- Natsu...
- Hum...?
- Eu quero conversar com você... quando as coisas ficarem mais leves por aqui.
- Vou esperar então... – ela disfarçou um sorriso, provavelmente era algo importante a ponto de ele não ter coragem de falar ali na presença de todos e também devido à situação.
A shinigami, assim como Hitsugaya, Momo, ou Yachiru, parecia não passar de uma criança ou uma jovem, mas tinha quase a mesma idade de Ashido. Ambos eram adultos.
Também aproveitando a distração dos demais, imersos em conversas, o quincy se aproximou da ruiva, que permanecia encostada numa pedra, a alguns metros dos demais, como se tentasse relaxar de tudo aquilo.
- Ori... hime – ela chamou, tímido.
- Oi – ela respondeu com um sorriso – Não está machucado?
- Não... A capitã me contou sobre a luta de vocês. Você está bem?
- Sim. Era um hollow muito esquisito, mas nós acabamos com ele! – Ela disse entusiasmada com os olhos brilhando.
Ele sorriu. Ela parecia tão infantil, mas era isso que o encantava. Ela não tinha vergonha de deixar isso evidente e de sorrir sinceramente, o que a deixava ainda mais linda aos seus olhos. Deveria falar? Era raro terem uma oportunidade daquelas no mundo humano e agora ela finalmente aceitara que quem Ichigo amava era Rukia. Mas só por isso ela lhe daria uma chance? Talvez ela dissesse não, mas tinha que tentar enquanto sua coragem não o abandonasse.
- Hime, eu... – começou, tomando uma das mãos dela entre as suas.
Ela arregalou um pouco os olhos e corou, tanto pelo jeito como ele lhe chamara quanto por ele ter segurado sua mão, tão suavemente.
- Não sei se você vai aceitar, mas... eu não sei se um dia vou ter coragem pra fazer isso de novo – ele disse quase gaguejando, fazendo-a soltar um risinho da timidez dele.
- Pode falar – respondeu docemente.
- Eu... Gosto muito de você. Há muito tempo... Eu acho que talvez você ainda não o tenha esquecido, mas... me daria... uma... chance?
- Está falando do Kurosaki-kun? – Ela perguntou surpresa.
- S-sim.
Ela apenas o fitou por segundos silenciosos que pareceram eternos e torturantes. Seus olhos azuis se encontraram com os cinzas dela, que pareciam pensar. O que deveria fazer? Sabia que o quincy gostava dela, mas sempre fingira não saber e ignorava isso insistentemente. Finalmente se conformara, quem Ichigo amava não era ela e talvez fosse o momento de dar um passo a frente. Gostava muito do quincy, ele sempre arriscara a vida sem medir consequências para protegê-la e confortá-la. Mesmo ainda sendo um sentimento jovem, ele poderia crescer.
- Sim... – Ela disse com a voz mais doce que ele já ouvira sair de seus lábios e com um sorriso ainda mais doce em seguida.
Por milésimos de segundo ele ficou apenas de olhos arregalados, tentando assimilar que aquilo era verdade. Quando finalmente seu cérebro absorveu a situação, lentamente soltou a mão dela para abraçá-la. A apertou gentilmente e a sentiu corresponder. Iria conquistá-la aos poucos, sabia que ela ainda não esquecera completamente o shinigami, e pressioná-la seria um choque. Selou os lábios dela com os seus durante três segundos apenas.
- Eu prometo ter paciência – disse deslizando os dedos pelo rosto dela e pelos longos cabelos ruivos, depois se soltá-la, antes que fossem notados.
Ela o observou se afastar enquanto abria um sorriso. Logo o tom das vozes aumentou e os casais voltaram para perto dos demais. Urahara, Renji e Sado haviam chegado, acompanhados pelos irmãos hollow e uma Nell triste e calada.
- Nell, aconteceu alguma coisa? – Ichigo perguntou.
- Eu encontrei o Noitorra... – ela respondeu fitando o chão.
- Mas o que houve com ele? Era dele a reiatsu que estava enfraquecendo? – Rukia perguntou.
A espada contou o ocorrido rapidamente, não podiam ficar muito tempo parados. Deixara o espada acomodado do melhor jeito que podia com a esperança de mantê-lo vivo, o que não era nenhuma garantia.
- Mas não se preocupem com isso. Ainda temos o que fazer aqui, e não podemos olhar pra trás. Eu ainda estou com você Rukia – ela sorriu para a shinigami.
Sabiam que ela era forte e suas palavras eram sinceras, mas a marca das lágrimas continuava em seu rosto. Enquanto o casal de shinigami permanecia ao lado da espada, Urahara falara sobre os livros possivelmente roubados da Soul Society e o que deduzira de tudo aquilo, deixando todos espantados. Sem esperar mais nenhum segundo, Soi Fong se conectou com o primeiro esquadrão e depois com o décimo segundo. Dentro de minutos, uma equipe estaria sendo enviada para resgatar os livros e informações. Não esperaram muito e o último grupo chegou.
- Me deixem em paz! Ainda dói!
- Mas capitão, você é tão fofinho e abraços fazem bem! – A tenente o abraçou.
O baixinho reclamou da dor dos ferimentos, bem melhores agora, mas ainda presentes, e a tenente o soltou reclamando do quanto ele era insensível e fraquinho por ser tão pequeno.
- Chega! Isso aqui é uma missão séria! – Exclamou com os olhos em chamas.
Mas logo se calou e corou quando a tenente do quinto esquadrão segurou sua mão e pediu que se acalmasse, fazendo os demais rirem. Atrás dos três, vinham Yoruichi, Kira e Hisagi. Todos bem melhores depois de tratados.
- Minha doce Yoruichi-san... – Urahara cantarolou ao rever a ex-capitã.
Ela respondeu com um sorriso. O vendedor podia parecer apenas feliz em revê-la, mas somente ela era capaz de perceber aquela preocupação no fundo de seus olhos e o alívio dele por vê-la bem. Também se sentira tranquila ao vê-lo são e salvo. Mesmo sabendo do potencial e grande força de cada um, ambos sabiam que subestimar os inimigos não era uma opção.
- Não podemos esperar mais, já estão todos aqui – a capitã do segundo esquadrão falava – Eu acho que seja quem for que armou tudo isso, tendo alguma relação com Aizen ou não, está nos esperando enquanto prende o capitão Kuchiki em algum lugar. Vamos acabar com isso.
Guiados por Natsu, se dirigiram ao possível local onde estaria o capitão.
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