Rosa de Vidro

15 Capítulo 15 - Dor


Capítulo 15 – Dor

– Urahara-san, o que aconteceu com os três hollows? Você os dispensou logo que entramos no nosso caminho. Achei que as ordens do capitão eram absolutas.

– Eu também já fui capitão Abarai-san. E eu não faria isso sem motivo. O que acontece é que a própria Neliel me pediu para se desviar para um certo caminho porque sentiu uma reiatsu conhecida e queria verificar. Jurou que nos alcançaria assim que a acabasse as coisas por lá. Eu confio na força dela. Ela é a espada número três, é muito forte e agora que Orihime-san a curou não tem mais como mudar de personalidade ou ter problemas no meio da luta.

– Mas ela disse quem era?

– Não Sado-kun. Mas eu tenho certeza que ela ficará bem. Mesmo que algum fantasma do passado venha a assombrá-la, ela já não é mais criança pra ter medo de bicho-papão e pode dar conta.

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– Foi aqui.

– Tem certeza Nel? Está vazio. Se esteve aqui já foi...

– Quanto tempo Neliel...

Ela gelou com a pronúncia tão enfática do seu nome. Como suspeitava, ele sobrevivera. Uma parte de seu coração via aquilo como um milagre, queria vê-lo vivo. A outra o apontada como extrema ameaça. Sentia-se sendo fitada pelos olhos frios e o sorriso malvado. Virou-se e fitou aqueles olhos negros. O cabelo, também negro, e brilhoso, estava mais curto. Ele segurava sua grande foice dupla na mão direita.

– Achou que eu morreria tão fácil? – O sorriso enorme permanecia implacável em seu rosto.

A princípio ela o olhava com olhos assustados, mas logo a frieza os tomou também. Não deixaria que seus sentimentos do passado derrubassem tudo de novo.

– Vejo que todos estão vivos... por que você está aqui? Veio junto com o Kurosaki e os outros shinigamis pra salvar aquele capitão?

– O que você tem a ver com isso?

– Nada mesmo. Aquele que enlouqueceu lá depois que o hollow passou a usar a memória dele me propôs negócio, mas eu não aceitei. Estava vivendo aqui, só isso, e preferi continuar como estava.

– Se elevou tanto sua reiatsu naquela hora você queria ser encontrado, mas por que?

– Por que nós nunca tivemos chance de terminarmos aquela luta. E uma luta só termina quando um dos adversários morre.

– Você combina mesmo com aquele shinigami enlouquecido. Se ele tivesse vindo, tenho certeza que já teriam se encontrado e destruído metade de Las Noches.

– É, provavelmente sim. Mas o que quero saber é se você vai lutar ou vai morrer – abriu um sorriso maior ainda.

– Eu não tenho opção. Sei que não me deixará em paz e se pra sair preciso passar por cima de você, eu farei isso, por mais que eu não queira lutar com você. Eu vim ajudar a Rukia... e eu vou fazer isso. Sem falar que já estou cansada de tentar dialogar em vão com você.

– Nel, tem certeza?

– Sim Don. Já chega de ficar fugindo só porque não quero matá-lo.

– Uma espada que não mata, que ridículo – ele riu e avançou na direção dela, iniciando uma luta cruel – Eu não vou poupar você. Nós nascemos pra destruir e matar. Os shinigamis são nossos inimigos, não faz sentido ajudá-los.

O coração doía. Ela não disse nada, se defendeu, e olhava no fundo dos olhos negros. Até aquele dia, ela ainda tentava entendê-los.

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– O que você quer provar com isso? Até agora só brincou com eles fazendo-os rodar em círculos e lutarem com inimigos fracos pros níveis deles.

– O que quero mostra a você meu neto é que nós somos superiores. Uma falsa Kuchiki pode sobreviver a tudo que está vivendo agora, mas ela não resistirá quando chegar aqui. Então você vai entender porque não podemos ter um ser como esse desonrando nossa família e você mesmo vai querer se livrar dela. Afinal, você mesmo disse uma vez que iria encontrá-la e matá-la com suas próprias mãos não é?

O Kuchiki arregalou os olhos e quase levou a mão ao peito. Seu coração falhou num choque tão forte que ele quase perdeu a consciência. Escondera aquela lembrança no fundo de sua alma para não vê-la nunca mais. Nunca se perdoaria por aquele momento.

“Nunca diga isso na frente da Rukia!”

As palavras de Ichigo ecoaram em sua mente. E aquele olhar... ele não sentia nenhum ódio pelo homem que queria matar o pequeno e delicado ser que ele queria proteger. Aqueles olhos só mostravam um desejo desesperado de protegê-la, de vê-la livre, viva e bem. E uma tentativa de entender porque quem mais deveria protegê-la queria matá-la.

– Acho que você ainda não sabe. Mas esses dois... eles estão juntos Byakuya. Mais um motivo para acabar com ambos. Ele não é um Kuchiki, nem morto ele estava quando se tornou um shinigami.

Uma confusão interna dilacerava seu coração e acabada com toda a sua capacidade de raciocinar. Nem ficou zangado ao saber da notícia, talvez ela nem tivesse chegado a sua mente abalada. O que lhe preocupava no momento era encontrar uma saída.

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– Droga! Vamos ter que improvisar!

A shinigami cravou a zampakutou na mão do hollow, que gritou de dor e ameaçou soltá-los, mas não o fez. Ao invés disso os sacudiu, deixando-os tontos e quase fazendo Sode no Shirayuki despencar até o chão.

– Você é doida Rukia?! – Se conteve ao sentir a cabeça doer.

– O que pretende fazer então?!

– Ele usa muito a visão.

O hollow tinha um único olho gigantesco e vermelho e o movia o tempo todo observando cada detalhe do ambiente.

– Se alguém nos soltar daqui o caminho ficaria livre pra um de nós cegá-lo. Ficaria muito mais fácil combatê-lo.

– Vou repassar a informação.

– Tsubaki?! – Ambos se assustaram com a aparição repentina do baixinho.

– A capitã disse que as parede desse labirinto enviam reiatsu pra ele. Todos os hollows que estão aqui são como reservas de alimento. Ele sua a reiatsu deles através das paredes do labirinto. Se destruirmos as paredes muito hollows vão atacar, mas isso vai diminuir consideravelmente as chances dele. Quanto ao olho, é por conta de vocês. Se soltem e façam.

– Espera aí! Como vamos nos soltar?! – Ichigo gritou, mas já era tarde.

Logo a destruição em massa das paredes começou. O holloe gritou, se sacudiu, quase deixando-os surdos.

– Chega! Hadou no san ju ichi, Shakahou!

A mão do hollow explodiu. Ichigo ficou paralisado com a potência do hadou. Rukia havia evoluído ainda mais nisso. O hollow os soltou enquanto sacudia a mão. Antes de alcançarem o chão, cravaram as zampakutous no corpo do monstro e assim fizeram até alcançarem a cabeça, enquanto ele gritava cada vez mais alto e se sacudia.

– Quando fizermos isso, você sabe que ele vai nos jogar pra baixo, não é?

– Sei sim... Mae, Sode no Shirayuki.

A zampkutou se transformou e em seguida ambos as enfiaram no olho gigantesco do hollow, que gritou como um louco e os agarrou com a mão intacta, jogando-os pra baixo com toda força.

– Saiam da frente! – A capitã gritou.

– O que?! A gente vai se arrebentar no chão e ela ainda quer que a gente saia da frente! – Ichigo reclamou.

A tempo, Orihime acionou o escudo os apanhou. O esquadrão de assassinato dava conta dos hollows restantes. Soi Fong atirou na direção da cabeça do hollow, com o que devia ser um bankai. Ichigo notou o quanto o bankai a incomodava, provavelmente por contrariar toda a elegância da capitã. A cabeça do hollow foi pelos ares e antes que o corpo gigantesco os atingisse, Rukia o congelou.

– Segunda dança. Hakuren!

O corpo despedaçado do hollow congelou e quebrou em milhares de pedacinhos de gelo antes de atingir o chão de forma magnífica e bonita, como uma chuva de pequenos pedaços brilhantes de gelo. Quanto todo o labirinto se desfez, mais um grupo apareceu diante deles.

Uryuu e Ashido, carregando Natsu, que dormira, em suas costas.

– Rukia... Creio que possamos encontrar o caminho.