Roommate for Unknown

29 #29 O que antecede o último


Notas iniciais
Essa é aquela fanfic que eles são separados e tem um filho que é meio rebelde. No último capítulo Blaine saiu de casa correndo pra uma possibilidade de emprego, enquanto isso Leo e Calvin chegavam machucados por uns trogloditas, fazendo a insegurança de Kurt voltar sobre Blaine estar novamente escolhendo o trabalho no lugar da família.

Havia tudo dado certo na reunião de emergencia com Guy e Lance. Blaine tinha um sorriso estampado no rosto como se sua vida fosse um comercial de pasta de dente. Caminhava firme até seu carro e tentava ignorar seu cérebro o dizendo para chorar de alegria. Ele havia conseguido. Ele havia conseguido um contrato, havia conseguido o direito de suas novas músicas e um lançamento nacional para começar a algumas semanas. Aquilo era... Era tudo que o moreno almejava, e ele mal podia esperar para contar para seu ex-marido.

Ex-marido? Bom... Kurt já havia passado disso há algum tempo. Eles estavam morando juntos novamente, criavam o filho como uma família que nunca tiveram a oportunidade de ser e... Bem, eles eram mais do que um velho casal de divorciados. Talvez o divórcio tenha sido um dos maiores erros que Blaine já cometera. Talvez ele pudesse consertar isso, talvez...

Seus olhos correram até suas mãos fixas no volante, em especial no dedo anular esquerdo. Há quanto tempo ali não havia um anel de compromisso? É claro que Kurt teve Douglas, e o anel de seu segundo casamento estava guardado em uma pequena caixa de veludo no fundo da gaveta de meias, mas aquilo era diferente, certo? Era com Blaine dessa vez, pela segunda e desejada última vez. Blaine rolou os olhos até o cruzamento que estava parado com o carro.

Embreagem, primeira marcha e seta para a esquerda. Aquele não era o caminho de casa, aquele era o caminho de uma relojoaria. Blaine tramava algo. Não demorou muito para o moreno começar a suar frio com a incerteza que percorria sua espinha conforme entrava naquela loja. Pedir Kurt em casamento, pela segunda vez? Isso não era um pouco cafona para sua idade? Por que o músico não podia se conformar em apenas viver novamente ao lado do Hummel? Por que a insistência em transformá-lo em Hummel-Anderson outra vez? Seus pés inquietos finalmente se pousaram em frente à um balcão de vidro.

— Boa tarde, senhor Anderson. — Sorriu Natalie, a recepcionista ao atender seu melhor cliente. Blaine era conhecido na loja pelas comprar de relógios e pulseiras de luxo, as mais caras geralmente. — Atrás de outro Rolex Veron, senhor? Ou talvez dessa vez o senhor esteja interessado em nosso produto especial, um Cartier Crocodilo? — A menina sorria enquanto pegava a caixa de relógios de dentro de um pequeno cofre.

— Não hoje, Natalie. — Disse com os dentes um pouco cerrados. — Eu gostaria de ver as alianças de noivado, se me permite.

— Alianças de noivado, huh? — A menina sorriu novamente e se dirigiu até outro cofre, tirando algumas caixas estofadas de dentro dele. — Temos a fama de sermos a loja mais recomendada para casamentos de todo o Leste do país. Você teria alguma preferencia de pedra?

— Turmalina turquesa. — Respondeu se lembrando dos olhos de Kurt.

— É uma ótima escolha. — A atendente abriu a caixa aveludada. — Trabalhamos apenas com aneis sob encomenda, mas tenho aqui alguns modelos. Você se importa com a faixa de preço, sr. Anderson?

— O valor é o que menos me importa. — Respondeu tentando não parecer muito esnobe, mas era a mais pura verdade. Kurt não era digno de preços, ele era mais.

— O que achou desse? — A moça entregou uma prata brilhante na mão do músico, que ergueu os olhos com um ar desanimado. — É ouro branco, quinze quilates, um fio de diamante na parte interior. — Blaine negou com a cabeça. — Tudo bem, temos também esse mais fino, dezessete quilates, ouro rosa. Ele é do mesmo artista que confeccionou o anel de noivado de Kate Middleton.

Blaine negou novamente com a cabeça, olhando entediado para aqueles aneis que estavam na caixa estofada. Nenhum daqueles seria digno de estar no dedo de Kurt. Ele queria um melhor, um mais caro... Seus olhos rolaram até a vitrine atrás da mulher e jurou ter seu coração parado por alguns segundos. Aquele anel na vitrine... Era aquele! Um anel de ouro branco com uma pedra celeste, alguns brilhos que pareciam ser diamantes, e um brilho igual o de Kurt.

— Eu quero aquele. — Apontou e a moça se virou.

— Oh, claro. O Diamante de Veneza. — Um sorriso enorme se abriu no rosto da atendente. — Esse anel não é especificamente novo. Ele tem cento e cinquenta e um anos, veio com uma família Veneziana durante a imigração americana. Ele é ouro branco, doze quilates e uma pedra conhecida como pedra da Lua, que nos contos primórdios era conhecida como a pedra do amor eterno. Os diamantes cravejados foram inseridos ano passado após a compra pela loja.

— É esse. — Disse sorrindo.

— Claro, Sr. Anderson. Me deixe apenas chamar o gerente para mostrá-lo à você, já que apenas ele pode abrir o vidro blindado. — A mulher sorriu e saiu caminhando para os fundos da loja. Talvez aquele anel fosse fazer um estrago enorme na conta de Blaine, mas deveria ser aquele. Todos os outros aneis pareciam ridículos perto do Diamante de Veneza, e Blaine poderia imaginar a surpresa de Kurt ao receber um anel tão maravilhoso como aquele.

— Bom dia, sou August, gerente da loja. — Estendeu a mão.

.:.

O músico saiu da loja um pouco atordoado. Talvez comprar uma cobertura em Dubai fosse mais barato do que o rombo que aquele anel fizera em sua conta corrente, porém após uma gorda quantia como entrada e algumas vezes no cartão, Blaine finalmente teve o luxo de segurar o anel e poder dizer que ele era seu.

O gerente da loja fez questão de mandar alguns seguranças seguirem Blaine até em casa, apenas em caso de algo acontecer com seu melhor cliente durante o caminho. Blaine estacionou sua Mercedes em frente à casa de Kurt (por que era tão estranho assumir que aquela era sua casa também?) e suspirou fundo antes de sair do automóvel. Dessa vez não faria cerimônias. Sem músicas, sem corais e sem nada ensaiado. Apenas ele, o amor de sua vida e um anel do preço do imóvel, ou até mesmo mais caro.

Blaine escondeu a caixinha em suas mãos e entrou em casa lentamente. Daria a notícia de seu contrato na gravadora e em seguida se declararia, e em uma perfeita sintonia, Kurt aceitaria ser seu esposo novamente. Ao chegar à sala viu o ex-marido sentado na poltrona, aconchegado ao quente da lareira, enquanto lia alguns papeis usando o óculos de grau do Anderson.

— Oi. — Blaine disse um pouco tímido.

— Blaine, onde você esteve?! — O Hummel se levantou do sofá. — Você não vai acreditar o que aconteceu. Leo... — Foi interrompido.

— Você não vai acreditar no que aconteceu. — Dizia ainda sorrindo, chegando proximo de Kurt e não percebendo a feição preocupada do estilista. — Guy e Lance amaram minhas músicas, tenho um contrato de cinco anos e uma turnê nacional que se inicia daqui a alguns dias, Kurt. Você sabe o que é isso, não sabe? É nossa vida reacendendo novamente. E com ela, bem... O trabalho está correndo tudo certo, as coisas nessa casa estão fluindo, então... — O moreno tirou a caixinha e num gesto brega se ajoelhou em frente ao Hummel, abrindo o veludo e mostrando o anel. — ...Kurt, você aceita mais uma vez se tornar meu marido, compartilhar comigo mais momentos como esse, e me fazer feliz pelo restos dos dias?

Kurt não sabia o que falar. Tinha a boca entre-aberta e seus olhos estavam fixos no músico. Blaine estava certo, ele não acreditava. Tudo aquilo parecia uma utopia, ou uma pegadinha de muito mau gosto. Blaine estava ali, ajoelhado, depois de doze anos, o pedindo para voltar a ser seu marido. Voltar a ser um Hummel-Anderson. Aquilo era deveras perfeito, se não fosse por um detalhe: sua vida estava desabando. Era a coisa certa, mas no pior momento da vida de Kurt. Depois de alguns segundos constrangedores, Blaine tentou mais uma vez.

— Kurt, você me ouviu? — Um frio percorreu sua espinha ao pensar que talvez o Hummel não o amasse tanto assim. Talvez o Hummel tivesse passado esses anos com Douglas e estar com Blaine agora fora apenas algo para preencher seu vazio. Todas aquelas possibilidades estavam matando o moreno. Por que Kurt não respondia logo o pedido?

— Leo está no hospital. — Foi a única coisa que conseguiu responder, ainda estático no lugar sem conseguir mexer um músculo diante da surpresa.

— Leo o quê?! — Blaine fechou a caixa do anel e se levantou rapidamente.

— L-leo foi atacado por alguns marginais quando estava com Calvin. O Heraldrys está bem, mas Leo teve umas contusões bem feias, então precisou passar a noite por lá. Tentamos te ligar o dia inteiro, mas seu celular não atendeu. — Kurt dizia no modo automático.

— Ele está sozinho agora?! — Perguntou um pouco estridente.

— Não, meu pai está com ele. — Blaine deixou sua mente descansar quando descansou seu olhar em seus pés e seu coração voltou ao ritmo normal, porém Kurt continuou. — Você não estava aqui. — Blaine encarou o castanho. — Mais uma vez uma coisa importante aconteceu com seu filho e você não estava aqui, Blaine. Graças a alguma força desconhecida ele e o namorado estão bem, mas eles poderiam não estar. E-e eu não consigo. E-eu criei esse garoto sozinho e poderia lidar com essa situação sozinha se fosse em outros tempos, mas agora eu tenho você. Bem... Eu deveria ter você, mas você não estava disponível para o seu filho. Não estava por causa de uma droga de emprego, o mesmo emprego que te afastou de nós uma vez. E-e eu tentei convencer a mim mesmo e às pessoas ao nosso redor que talvez essa oportunidade fosse uma boa coisa, mas ela não é. Ela irá nos afastar novamente, como fez da outra vez e como sempre irá fazer. — Kurt desabou. Seu ritmo cardíaco estava descontrolado e as mãos suavam frias, os olhos marejavam a cada palavra cuspida.

— Kurt, você... Você não pode me culpar. Eu saí por algumas horas...

— Você não esteve aqui semana passada quando Leo me perguntou sobre sexo. Você não esteve aqui terça-feira quando os Heraldrys me ligaram perguntando se Leo poderia dormir lá. Você não estava aqui para o primeiro jantar de Calvin conosco e você não estará aqui quando algum marginal bater no nosso filho. — Kurt desabafou. — É como se eu estivesse criando o garoto sozinho, e eu consigo fazer isso, mas apenas me diga. Eu preciso estar preparado para saber que, se algo acontecer, só eu estarei aqui por ele.

— Você está sendo egoísta. — Blaine fechou o punho, amassando um pouco a caixa de veludo branca com o anel.

— Estou? — Kurt aumentou o tom de voz. — Você não pode simplesmente entrar na minha casa e me pedir em casamento. Não estamos mais na faculdade. Temos problemas, uma vida complicada para resolver. Está tudo desabando e você parece não notar isso. E-eu... Eu te amo, Blaine. Eu te amo com a mesma certeza que tenho ao admitir que Sarah Jessica Parker fica linda em botas camurça. Mas não me faça fingir que estamos vivendo em um conto de fadas quando está na cara que não é verdade. Deveríamos pensar primeiro em nosso filho, depois em nós. Isso é o que significa ser pai.

— Então você não quer se casar comigo? — Perguntou rude.

— Não é isso, Blaine. — Kurt suspirou. — Eu não estou dizendo que não quero me casar com você, estou apenas dizendo que nós não somos importantes agora. A vida do nosso garoto vem sempre antes da nossa. Não há nenhuma possibilidade de eu ou Leonard sairmos de Lima nesse momento para alguma turnê nacional com você. É aqui que nós pertencemos.

— Eu achei que você tivesse dito a verdade quando disse que me apoiaria.

— As coisas mudaram, Blaine. — Blaine assentiu com indiferença e caminhou até a porta da casa. O Hummel suspirou como quem discutisse com uma porta. — Você quer ir até o hospital? Tenho certeza que meu pai não se importaria de deixá-lo ficar com Leo.

— Não, eu vou... Eu vou sair. — Blaine se virou para Kurt e era visível as lágrimas nos olhos do moreno. Um gelado percorreu o corpo do Hummel, que parecia ter um dejavú daquela cena antes. Doze anos atrás... — Foi burrice minha achar que as coisas funcionariam novamente, e-eu... Nossas rotinas não se encaixam... Não me peça para desistir de uma coisa que sabe que é meu sonho desde meus quinze anos.

Kurt engoliu seco e piscou algumas vezes. Aquilo não poderia ser o que ele estava achando que era, certo? Um adeus? Depois de meses morando juntos e finalmente ter se acertado com o Anderson, ele estaria partindo novamente?

— O que você está fazendo? — Soou um pouco desesperado ao ver Blaine alcançar a porta. As lágrimas brotavam em seus olhos e o castanho não sabia ao certo como agir naquele momento.

— Diga a Leo que eu ligo. E-eu amo vocês.

— Ama mesmo? — Perguntou amargurado. — Se amasse, não estava partindo e nos deixando mais uma vez.

— É por amar vocês que eu estou indo embora. — Deixou uma lágrima rolar. — Não gosto da sensação de saber que estou sempre os deixando na mão. E você é um ótimo pai, sei que vai conseguir. Veja o garoto que você criou sozinho, ele é maravilhoso. Ele é igual à você, Kurt.

Nesse momento, o Hummel tinha um choro entre soluços, mas se recusava a implorar para Blaine ficar. O músico era livre para decidir para onde iria. Se limitou a falar: — Você faz isso. Entra na minha, na nossa vida, nos encanta e nos faz pensar que tudo o que há de ruim não importa e que viveremos apenas com a paixão e a cumplicidade. E então vai embora. Você já fez isso antes, e não me surpreende que esteja fazendo isso novamente. — Blaine desviou o olhar. — Espero que sua carreira dê certo. Não são todos que tem a coragem de fazer o que você está fazendo. Desejo que valha a pena.

Blaine assentiu, sem olhar nos olhos de Kurt, e fechou a porta atrás de si.

Notas finais
E parece que essa história tá chegando na reta final... Finalmente, Jesus. Acho que essa foi uma das fanfics mais longas que eu já escrevi, mas enfim, espero que estejam gostando dos dramas (desnecessários, but anyway) e estejam ansiosos pelo capítulo final. Sim, senhoras e senhores, esse é o penúltimo e no próximo descobriremos se tudo são flores ou se uma certa Autora será apedrejada até a morte. Enfim. Avisos: estou com internet em casa. Sim, depois de meses de aflição, finalmente consegui colocar internet na minha casa nova (não a primeira, porque me mudei algumas vezes), mas agora é definitivo. Estou trabalhando em uma escala 6x1, o que me fode um pouco e me deixa super sem tempo de atualizar, mas esse hiatus estava me matando e tenho certeza que estava matando vocês também. Os comentários eu prometo que vou tentar responder, mas essa rotina louca está me deixando até de cabelos brancos. Espero logo enriquecer e poder escrever minhas histórias lá de Paris, hahahah. Tá, tudo bem, menos. E poooooor favooooor, comentem o que vocês acharam. É dificil atualizar uma história que ficou quase três meses parada, então eu gostaria de saber se você ainda lê e em uma escala de 0 a 10 o quanto você quer me matar por esse capítulo. Nos vemos em breve para a despedida de uma das minhas histórias mais queridas. Até lá, meus marujos marujeiros! ♥