Roommate for Unknown

30 #30 Quem é vivo sempre aparece


Notas iniciais
Atualizada: 17/02/2016 às 23:25. Ai gente, desculpa mesmo! hahahah Mas com a série acabando e todo mundo migrando pra outras coisas, eu acabei perdendo o interesse nisso tudo, mas sempre com as minhas criações na mente e no coração. Enfim. Tô atualizando pela minha maravilhosa Joyce, aquela linda que espero que me perdoe pelo hiato de 2 anos que deixei... O final que eu tinha na mente pra essa história talvez não seja o mesmo que eu vá fazer agora pelo simples motivo que FAZ DOIS ANOS, mas espero que não decepcione vocês de qualquer maneira. Esse capítulo ficou BEM longo, pensei em desmembrá-lo em dois... Mas eu demorei dois anos pra escrever isso... Quem dirá quanto tempo vou demorar pra escrever a outra parte... Então vai tudo de uma vez! hehe

Não é incrível como tudo na vida parece se encaixar de alguma maneira? Como se o passar dos anos só servisse para te comprovar das coisas que você sempre soube e tinha certeza que aconteceria. Esse era o sentimento que Kurt teve quando viu a porta se fechar após Blaine ter passado por ela. Era isso. As lágrimas em seu rosto não o deixavam pensar ou até respirar direito.

Aquele pesadelo que Kurt havia tido durante todos os dias desde a volta de Blaine à sua vida finalmente havia se tornado real. Ele aos prantos vendo o amor de sua vida partir, novamente, pelo mesmo motivo. E não havia nada que ele pudesse fazer pra impedir.

Era a mesma situação, o mesmo frio na barriga.

Foi quando Kurt levantou a cabeça para si mesmo. Em todos os pesadelos, Blaine ia embora e Kurt acordava chorando desesperado por ter deixado aquilo acontecer novamente. Por ter finalmente encontrado sua felicidade e tê-la deixado ir por um medo que já era seu conhecido há muito tempo. O nome disso era sim egoísmo, mas não era o egoísmo de Blaine.

Não percebeu quanto tempo demorou até poder colocar seus pensamentos no lugar, se demoraram 5 segundos ou horas. Mas sabia que aquilo dependia muito mais dele do que de seu parceiro. Ele estava em controle da situação naquele momento.

— Blaine, espera! — Gritou ao abrir a porta.

O namorado estava caminhando na calçada em direção ao carro, mas ao ouvir a voz do amado parou bruscamente e se virou, encontrando aquele homem alto praticamente correndo em sua direção.

— Kurt... eu...

Foi impedido de falar. O castanho havia o envolvido em um abraço terne e tudo que Blaine havia para falar havia se cessado em sua mente. Não havia mais nada. Era aquilo, era aquele momento. Ele soube que Kurt estava arrependido das coisas que falara, ele também estava envergonhado de suas próprias palavras, mas aquele abraço foi o suficiente. Foram as palavras não-ditas que mais gritaram em sua mente. Apenas retribuiu o abraço, deixando o namorado afundar sua cabeça na curva de seu pescoço enquanto acariciava as costas do amado.

— Não vai embora. — Sussurrou Hummel.

Blaine manteve o silêncio, enquanto aproveitava o momento. Sabia que não conseguiria se afastar novamente. Sabia que aquele Anderson havia ficado no passado e que hoje Kurt e Leo eram uma parte fundamental de quem o músico era. Ele não poderia nunca deixá-los novamente. Como algo mais forte que si próprio, Blaine tentou algumas palavras.

— Eu estava em uma reunião, celular desligado. Poderia acontecer com qualquer um. Isso não signifique que eu não me importe com vocês. — Respirou fundo. — Você não faz ideia do tamanho do sentimento que eu tenho pelo Leonard, ou por você. É muito mais do que um dia senti. Você tem que entender isso. Eu largaria tudo por vocês, sem titubear.

— Não foi o que pareceu. — Kurt levantou a cabeça e encarou o amado com aqueles olhos azuis penetrantes.

— No calor do momento, na hora da discussão eu possa até ter pensado em cometer o mesmo erro idiota de anos atrás. Mas eu nunca me permitiria. Eu voltaria, eu acabaria voltando pra vocês. — Sorriu sem graça. — Eu não sou nada sem você, Kurt Hummel. E odiaria perder um pequeno tempo da minha vida sequer longe de você.

Kurt não disse nada, apenas o abraçou forte. Blaine então continuou:

— Mas você tem razão. Leonard é prioridade agora. Por favor, me conte o que aconteceu para eu poder ajudar minha família. — O moreno deu ênfase na ultima parte da frase, fazendo Kurt se sentir ainda mais quente e confortável em relação ao que havia acabado de acontecer. Kurt então se pôs a explicar o acontecido.

.:.

Naquele mesmo dia, Blaine e Kurt se digiram ao hospital para dar apoio e algum tipo de conforto ao filho. Leonard estava bem, com algumas contusões, mas nada sério. Calvin permaneceu ao seu lado o tempo todo, o que tirou alguns sorrisos do casal mais velho e da mãe do adolescente.

Durante toda a internação de Leo, que durou pouco menos que uma semana, pouca coisa foi comentada entre Kurt e Blaine sobre o pedido de casamento que o mais novo havia feito dias antes. Como haviam combinado, o filho era a principal prioridade do casal e estavam tentando lidar com tudo aos passos de bebê. O homem de olhos azuis sequer sabia onde Blaine havia guardado o anel. Sequer sabia se o moreno ainda queria embarcar naquela aventura novamente... Seus pensamentos tiravam toda a sua atenção, até que foi tirado de seus devaneios pelo médico entrando no quarto onde Blaine e Leo faziam as malas com os pertences do jovem.

— Leonard, como você está? — Perguntou o homem de jaleco.

— Melhor agora com os remédios. — O moleque sorriu. — Porém ainda estou tentando me acostumar com essas muletas. — Apontou para o par de objetos metálicos encostados na cama. Leo não havia fraturado osso nenhum, mas para melhor recuperação deveria usá-las por alguns meses.

— É questão de prática. — O doutor sorriu. — Bom, acredito que você já esteja bem o suficiente para continuar o tratamento em casa. Não há nenhum motivo que te faça ficar nesse hospital. Você só precisa se lembrar de tomar os antibióticos nos horários estabelecidos na sua ficha, para as dores musculares serem mais leves. Você acha que consegue?

— Como se meus pais fossem me deixar esquecer... — Revirou os olhos.

Blaine soltou uma gargalhada gostosa e caminhou até o médico que parecia novo demais para ter um diploma de medicina.

— Não se preocupe, doutor. Vou fazer de tudo para que Leo se recupere o mais cedo possível. — Sorriu encantador enquanto estendia a mão para cumprimentar o profissional. — Muito obrigado por todos os cuidados que você teve com meu filho. Somos muito agradecidos.

— Faço o meu trabalho. — O homem sorriu de volta, mas não antes de dar uma longa fixada de olhar na mão de Blaine e se certificar que não havia nenhuma aliança ali. — Se precisar de mim, pra qualquer coisa, sabe onde me encontrar.

Kurt revirou os olhos e se levantou rapidamente.

— Sim, sabemos. — Sorriu falso em direção ao médico e caminhou até Blaine.

O moreno entendeu o que o castanho fizera e porque fizera, então apenas se desvencilhou do médico e foi até o filho que precisava de ajuda para carregar sua mochila. Não deu muita bola em relação à isso, sabendo que o castanho estava agindo estranho durante toda a semana. Kurt apenas sentiu o namorado um pouco frio em relação à tudo isso, porém ignorou.

Era verdade que havia alguns dias que não trocavam algum tipo de carícia, mas resolveu ignorar qualquer sinal ou pensamento idiota que sua mente criava e apenas dava isso ao fato do filho estar no hospital. Agora todas as coisas voltariam ao normal, acreditava (e esperava) ele.

Ao chegar em casa, foram recepcionados por Calvin que estava sentado na calçada da casa, esperando o namorado impacientemente.

— Finalmente, achei que nunca mais chegariam. — Jogou os braços ao alto e caminhou até Leo, sem mostrar muito afeto ou carinho por vergonha dos sogros que estavam ali ao lado. — Você está bem? Tomou seu remédio pra dor hoje? E por que você está usando essas muletas? Você não está conseguindo andar? — Encheu o adolescente de perguntas assim que Leo saía do carro.

— Senti sua falta também, Calv. — Sorriu com seus dentes brancos. — Pais, será que vocês...? — O adolescente não precisou completar a frase. Seus pais assentiram, pegaram as coisas no porta-malas e entraram em casa.

— Os idiotas foram expulsos da escola. — Comentou Calvin. — Eles viram pela câmera de segurança da sorveteria quem foram os imbecis que nos agrediram. Chamaram os pais, que tentaram amenizar o lado dos filhos. Pra polícia não ser chamada, acabaram concordando na expulsão deles. Eles vão estudar na President Willians High School. — Falava Calvin enquanto ajudava Leo a caminhar aos fundos da casa, onde havia um banco qual poderiam ter um pouco de privacidade.

— Fico mais tranquilo assim. — Leo suspirou aliviado. — Assim nenhum idiota vai se meter a besta com você. Eu juro que se eles tivessem encostado um dedo em você eu... — Leo ponderou e respirou fundo. — Prefiro nem falar nisso.

— Você não precisava ter me defendido daquele jeito. Olha como você ficou... — Calvin passou a ponta dos dedos por alguns hematomas que o namorado tinha na extensão de sua pele. — Foi perigoso. Você poderia ter se machucado muito mais!

— Eu não me importo. — Leo sorriu sem mostrar os dentes e Calvin retribuiu o sorriso, colocando sua cabeça no ombro do mais alto.

Enquanto isso dentro da casa, Blaine estava no segundo andar guardando algumas mudas de roupa do filho, que estavam dentro da mochila que haviam trazido do hospital. Sua cabeça estava nas nuvens e cantarolava uma de suas novas canções. Logo sua atenção ia ao seu celular, que tinha o nome de Joey na tela.

Após uma breve conversa, Blaine correu para o andar de baixo para buscar as chaves do carro, pois precisaria sair. Deu um beijo na testa do namorado como despedida enquanto falava "é uma reunião importante, eu preciso ir" e sumiu na rua, dirigindo sua Mercedes em alta velocidade. Kurt apenas suspirou. Teria que se acostumar assim, de um jeito ou de outro. Seria assim.

MUITOS MESES DEPOIS

— Eu não posso acreditar que veremos o papai depois de meses longe. — Leonard corrida pela casa de camisa, cueca e meia. Escovando os dentes e penteando o cabelo ao mesmo tempo. — Papai esteve em turnê o outono inteiro. Eu só o via uma vez por semana, por skype. Mal vejo a hora de vê-lo!

Kurt se mantinha calmo enquanto fazia o nó de sua gravata em frente ao espelho. Seus pensamentos logo foram preenchidos por uma memória não muito boa.

"Blaine havia feito Salmão com Alcaparras para o jantar. Kurt descia as escadas enquanto Leo terminava de colocar a mesa para a refeição. Era meio incomum Blaine fazer a comida, então todos sabiam que era algo importante. Kurt sabia exatamente o que era, sem ao menos precisar ouvir as palavras que saíam da boca do marido.

— Pai, esse jantar está uma delícia, mas tenho que ser sincero e falar que estou esperando a bomba que você vai lançar pra gente. — Leo comentou durante uma mordida ou outra.

— Deixe seu pai tomar seu tempo, Leonard. — Kurt repreendeu o garoto enquanto tomava um gole do vinho branco que havia sido servido. Era um jantar bom demais para um assunto bom. Ele sabia o que viria pela frente.

— Fui ofertado de fazer uma turnê. — Cuspiu as palavras como se fossem facas. Viu Kurt respirar fundo e se ajeitar em sua cadeira, então continuou. — São dois meses nos Estados Unidos durante o verão e mais três meses em todo o mundo. Eu voltaria pra casa algumas vezes e entraria em contato todo o tempo livre que eu tivesse.

Leo levantou os olhos e encarou o Hummel, que não parecia muito feliz com a ideia. Sem ao menos ter tempo de criar uma opinião, resolveu ficar ao lado do pai mais alto.

— Não sei se seria uma boa ideia, pai... — Disse incerto.

— Eu não estou tentando convencê-los de nada. É uma decisão que precisa ser muito bem tomada. Estou apenas tentando conversar e vendo os pontos... — Suspirou e largou o talher sobre a mesa. — Eu sei que da ultima vez que isso aconteceu, eu errei muito e acabei deixando minha família de lado. Mas eu não cometeria o mesmo erro duas vezes. Vocês são tudo pra mim e eu não quero perdê-los novamente. Leo não precisa de tantos cuidados agora como quando era bebê e eu sei que Kurt não vai ficar sobrecarregado como antes... Mas sei que é injusto essa oferta. Mas... — Kurt o interrompeu.

— É uma oportunidade que não dá de recusar. Eu sei. — Tomou mais um gole do seu vinho antes de deixar o copo à mesa. — Eu acredito de verdade nisso e sei que sua carreira está ainda na metade, mas... Se vamos mesmo fazer isso, precisamos de regras e comprometimento de ambas as partes.

Leo apenas aceitou que não fazera parte da conversa, então continuou a comer enquanto os mais velhos decidiam as coisas por ali. Afinal, havia sido sempre assim, não é mesmo?

— O que você tem em mente? — Blaine sorriu, encantado com a capacidade de compreensão de Kurt. Ele era mesmo um em um milhão.

— Nessa sua turnê pelos Estados Unidos. Durante o verão. Não existe nenhum motivo para você se afastar. Serão as férias do Leonard na escola, e eu poderia pegar um recesso de alguns vestidos também. Poderíamos ir à todos os shows, viajar juntos... Creio que temos condições de fazer isso, certo? E seria uma boa oportunidade para Leo conhecer o país.

— É uma opção, sim. — Blaine sorriu. — Podemos ir em família. Vocês só precisariam entender que eu não estaria presente na maior parte do tempo, devido aos ensaios e shows.

— Você estaria menos ainda se ficássemos em Ohio. — Blaine assentiu concordando. — Temos um acordo? São dois meses em uma colônia de férias.

— Sim, claro. — Blaine sorriu. — E sobre a tour em outros países?

— Bom, nesse caso creio que teremos que ser cientes e concordar que não teremos como viajar todos juntos. Por motivos de escola, trabalho e também dinheiro. Mas seria legal mantermos uma tradição, como uma hora fixa para fazermos uma ligação em skype ou algo do tipo. Não quero que você suma, não dê notícias ou não nos conte das coisas da turnê. Lembro-me bem de ficar sabendo das notícias da sua última turnê apenas pelos jornais, nunca por você... — Um frio percorreu a espinha de Kurt ao se lembrar da última turnê do namorado.

— Parece um plano pra mim. — Blaine sorriu.

— Então acredito que não teremos grandes problemas em relação à sua turnê. — Kurt retribuiu o sorriso e voltou sua atenção à Leo. — Tem algo que você quer dizer, filho?

— Só que essa comida está muito boa.

Todos gargalharam e voltaram a jantar, como uma família comum."

— Será que uso o broche do Brasil ou da Austrália?

Leo dizia se referindo aos presentes que havia ganhado do pai durante sua turnê. Vez ou outra chegava alguma encomenda na casa dos Hummel-Anderson. Eram presentes que Blaine enviava durante a turnê, para tentar lembrá-los que a família ainda era sua prioridade... Mas era mesmo?

— Pai?

— Leo, desculpa, eu estava perdido em pensamentos. — Kurt se alinhou ao espelho, dando uma última olhada em seu modelito que continha uma camisa branca um pouco transparente, calças justas vermelhas com um desenho em camurça de uma estampa maori e seus inseparáveis sapatos de mocassin pretos.

Leo observou o pai dos pés à cabeça.

— Você está meio simples. — Aquelas palavras caíram como pedras no ego de Kurt. O pai apenas franziu o cenho em dúvida e esperou o adolescente completar. — É a primeira vez que vamos ver o papai em meses. Onde estão seus broches, suas pulseiras, seus aneis? — Perguntou incrédulo ao ver o pai tão comum.

— É um show, Leonard. Eu não posso ir todo arrumado pois vamos estar no meio de uma multidão. — Kurt tentou parecer sucinto.

— Não é só um show. É o último show da turnê do papai, e vai ser aqui em Ohio. Todo mundo que conhecemos vai estar lá. Você não pode ir assim. Até eu estou vestido melhor. Vamos. — Leo empurrou Kurt novamente para dentro do quarto, indo em direção à sua penteadeira. — Precisamos de um broche.

— Broches não combinam com essa camisa. — Kurt falou divertido ao ver o filho tentando dar dicas de moda ao pai experiente. Apenas continuou.

— Um anel então. Precisamos de um anel bem bonito, e grande. Azul.

Kurt encarou o chão, pensativo.

"- Você deve estar muito cansado! — Kurt observou Blaine se jogar em direção ao colchão de sua cama.

Estavam em turnê há dois meses, viajando toda a extensão dos Estados Unidos e finalmente teriam um intervalo de uma semana para poder descansar antes de Blaine voltar para a turnê, dessa vez, mundial. O moreno estava de olhos fechados, deitado em sua cama apenas de cueca. Os olhos de Kurt devoravam o namorado de um jeito provocativo.

— Estou morto. — Blaine suspirou. — Eu até tenho vontade de te trazer pra essa cama e comemorar o fim da primeira parte da turnê, mas eu realmente estou sem sentir meus pés. — Gargalhou baixinho. — Tem algum problema, Kurt?

— Nenhum, meu amor. — Sorriu sem os dentes. — Vamos descansar, também estou devastado. Podemos aproveitar o dia amanhã, ou depois... Temos tempo. Porém... — Kurt caminhou até o dimitri onde haviam umas toalhas de banho e jogou uma em direção à Blaine. — Você vai tomar um banho pra descansar.

— Você vem comigo? — Blaine abriu os olhos e encarou Kurt.

— Achei que você estivesse cansado.

— Nunca cansado demais pra você. — Sorriu.

Após um banho maravilhoso que durou quase uma hora, com muito mais sexo do que banho, o casal saiu do box com suas toalhas enroladas no corpo e um sorriso enorme estampado no rosto. Caminharam lado a lado até a penteadeira para a sessão de cremes antes de deitar.

Kurt cuidava do rosto, passando hidratante por toda a face e principalmente na linha T, enquanto Blaine tentava ajeitar os cabelos que se perdiam na barba do moreno. Tudo virava uma coisa só. — Acho que vou tirar a barba. — Disse sem pensar muito.

— Eu gosto assim, mas tenho que confessar que você sem barba é meu ponto fraco. — Sorriu enquanto lembrava do rosto liso de Blaine quando começaram a namorar e do espanto do castanho a primeira vez que viu Blaine de barba, parecendo um lenhador hipster.

— Está decidido então. — Sorriu. — Você pode me alcançar o creme de barbear? Ele está na gaveta do seu lado. — Blaine pediu enquanto se olhava no espelho, tentando ver por onde começaria. Estava cansado, mas era melhor fazer isso agora do que deixar para uma outra hora.

Kurt assentiu com a cabeça e abriu a gaveta de Blaine no banheiro. Não era como se fosse um lugar secreto, mas Kurt nunca havia a aberto antes. Seus olhos rolaram pelos objetos na gaveta até achar o tubo de creme de barbear. O pegou, porém antes de fechar, seus olhos se encontraram com uma caixinha de veludo branca, um pouco suja do pó do descaso de estar ali há muito tempo.

Inconscientemente, Kurt levou a mão até a caixinha e a abriu, se deparando com um anel brilhante de Turmalina turquesa com alguns diamantes em volta. Poderia dizer que até seus olhos sentiram inveja do azul daquela pedra.

— Blaine. — Soltou como um sussurro, enquanto tinha ambos o creme e a caixinha de veludo com o anel nas mãos.

Blaine encarou o castanho com o objeto nas mãos. Pegou o tubo de creme de barbear nas mãos antes de repousá-lo na pia e colocou sua atenção no anel que não via ha muito tempo (mas ainda lembrava a existência todo décimo dia do mês pelo desconto ENORME que o pagamento fazia em sua conta). — Ah, isso. — Falou sem dar muita importância. — Pode colocar de volta na gaveta, não é importante. — Disse fechando a caixa com o anel e a jogando naquela gaveta escura novamente, depois a fechando com delicadeza. Voltou sua atenção para o tubo de barbear.

Kurt ficou surpreso e confuso. Não era importante?"

— Não tem nenhum anel azul. Mas tem esse vermelho, toma. — Leo estendeu o anel para Kurt, que precisou ouvir seu nome para voltar ao mundo. Suspirou e vestiu o adereço, antes de descer as escadas atrás da chave do carro. O show começaria em algumas horas.

— Oi oi oi galera de Ohio.— Blaine falava alto no microfone enquanto ouvia todos gritarem em animação. Na pista podia se ver adolescentes, adultos e até senhoras gritando apaixonadas pelo cantor moreno. Ele realmente era um sucesso. Não só pelas suas letras, como pela sua aparência. — Essa é pra vocês. — E a melodia começava a tocar enquanto os fãs iam à loucura e delírio.

Kurt, Leo e Calvin acompanhavam o show dos bastidores, ao lado do palco. Era até poético de se ver o jeito que o castanho olhava ao amado cantando e tocando seu violão. Era como se todo o sentimento de toda sua vida emanasse dentro de seu corpo, era totalmente sem palavras aquela emoção. Nem o castanho sabia ao certo o que era.

Na verdade sabia sim, era orgulho e amor misturados.

O show havia sido um sucesso, todas suas músicas novas e velhas já haviam sido tocado e o músico já cantava sua última canção. A platéia estava mais calma conforme o som de fundo diminuía o ritmo. O palco se iluminava de um tom azul claro forte enquanto Blaine caminhava até os fãs, sem seu violão.

— Então galera de Ohio. Esse show foi maravilhoso, e essa turnê até agora foi maravilhosa. Mas eu sou obrigado a dizer que foi a última, e que esse show que apresento agora, também será o último de minha carreira.

Todos os fãs arregalaram os olhos em surpresa. Algumas lágrimas caíam sobre o rosto de alguns fãs enquanto outros gritavam palavras sem sentido, que não montavam frases. Blaine esperou a confusão acabar para continuar se explicando:

— Muito tempo atrás eu era louco por isso aqui. Todos os movimentos, todas as veias do meu corpo corriam músicas e acordes. Eu tocava as teclas de um piano como se elas fossem extensões do meu dedo. — Blaine falava do fundo do coração, enquanto observava aquela multidão de pessoas o encarando. — Eu poderia considerar canções o meu oxigênio e a música como o trilho que guiava minha vida. E isso de fato aconteceu por muito tempo. Mas recentemente eu descobri que, por mais que a música fosse o trilho que me guiava, eu queria descarrilhar. — Sorriu sem graça. — Eu, que sempre fui apaixonado pela música, me vi me apaixonando por outra coisa. De novo. — Blaine encarou Kurt, que tinha um olhar surpreso. — Durante toda minha vida eu também quis passar o que era o amor através das letras que eu escrevia, mas eu por mais que fosse elogiado ou bem aclamado por vocês, nunca senti que soubesse falar de amor de verdade. Porque eu descobri que o amor não tem como ser encaixado em frases em um verso, mas em momentos. — Blaine sorria para Kurt. — Momentos como o momento que você vê uma pessoa pela primeira vez e sabe que ali tem muito mais do que um outro corpo, um outro ser humano. Tem alguém que vai te acompanhar por muito tempo. Momento que você dá o primeiro beijo e consegue sentir nas tuas veias, que a música não era o teu amor. Ela te levaria à ele, te faria encontrá-lo. Momentos pequenos que são amor. E eu quero continuar tendo o amor na minha vida, em momentos, ao lado da pessoa que eu amo. — A platéia sorria, entendendo. — Então eu gostaria de chamar aqui no palco, por favor, o meu companheiro de momentos Kurt.

A plateia explodiu em aplausos e gritos. Kurt arregalou os olhos, ainda não acreditando que aquilo estava acontecendo. Seu coração gelou e mal poderia se lembrar a ultima vez que estara em um palco. Caminhou lentamente até Blaine, que ao ver, segurou sua mão com confiança e continuou:

— À todos vocês que me acompanham, que gostam da minha música, eu gostaria de lhes apresentar a verdadeira música. Aquela que preenche meus ouvidos todos os dias, que me faz querer ser uma pessoa melhor. — Sorria. — E eu sei que não posso prometer que serei perfeito como os acordes de um violão afinado, e que já cometi erros pra uma vida, mas eu gostaria de continuar tentar acertando ao lado desse homem. Pois momentos com a música eu posso ter em muitos lugares e de muitas maneiras... Mas momentos ao teu lado... — Blaine encarou Kurt no fundo dos olhos. — ...eu perco a cada segundo que passo longe de você. E eu não quero passar um milésimo sequer sem te olhar, te tocar ou te dizer o quão importante você é pra mim. — Os olhos azuis do Hummel estavam presos em uma cortina de lágrimas. — Então Kurt Hummel, eu gostaria de te entender. Te perguntar se você aceitaria ser os meus momentos. Se você aceitaria ser novamente o meu Kurt Hummel-Anderson. Para uma segunda e última vez. — Blaine sorriu, tirando uma caixinha branca do bolso enquanto se ajoelhava. Ao abrir, o mesmo anel de meses atrás.

A platéia tinha um misto de emoções. Ninguém sabia ao certo, mas em uníssono era possível ouvir um coro de "SIM".

Kurt abriu a boca para dizer alguma palavras, mas não conseguiu. As lágrimas invadiram seu rosto e ele apenas acenou com a cabeça, quando puxava Blaine para um beijo demorado. Tudo parecia maravilhosamente bem. As luzes do palco se apagaram e as cortinas se fecharam, esse havia sido o encerramento da turnê de Blaine Anderson, ou mais futuramente, Blaine Anderson-Hummel.

E a vida acontece assim. Há muitos caminhos que te levam distante do teu objetivo principal, de tudo que você havia planejado pra si mesmo. Mas não tem problema, inclusive, use isso para seu bem. O fim só é o fim porque deu certo, então se você ainda não está feliz, se você ainda sente que seu fim poderia ser muito melhor do que você planejou, nunca desista de lutar. Você não é uma árvore para criar raízes, então mova-se. Mude. Faça tudo que precisar.

Tudo que importa é se, no final, você vai ter chego ao destino que embora não tenha sonhado, seja o destino necessário pra ti.

E foi isso. Não é o fim. É apenas só mais um final.

Notas finais
Me desculpe se acabei decepcionando alguém com essa história, tanto com o final dela ou com a demora pra postar. Prometo que sou uma pessoa boa, ok? Para qualquer coisa vocês podem me procurar nas redes sociais, sempre estou como @lyandradelro. E de todo o resto, a gente se esbarra por aí... Porque como eu gosto de dizer... Nem sempre é um adeus! ;) Valeu marujos marujeiros, amo vocês!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!