Roommate for Unknown
27 #27 Lalvin all the way
Notas iniciais
– Oi, meu amor. Como foi com Leo? — Perguntou Blaine ao ver Kurt entrar pela porta de seu apartamento. Fazia tempo que o moreno não passava um tempo por ali, já que vivia mais na casa do ex-marido do que em sua própria.
– Bem. — Disse tirando seu casaco e o colocando no pendural perto da porta. — Emma conversou com ele, disse que é um garoto ótimo... — Kurt se aproximou do namorado que esquentava água no fogão e capturou seus lábios em um selinho que logo foi transformado em um beijo pelo cantor.
Os amantes ficaram ali alguns minutos, se beijando e se acariciando. O beijo do Hummel era a melhor coisa do mundo, na percepção do moreno. Separaram-se com beijos breves e sorrisos enormes nos rostos. Kurt então se sentou no banco perto do balcão e ficou observando Blaine.
– E sobre aquele assunto? — Blaine pigarreou.
– Sobre ser assexuado? — Kurt negou com a cabeça. — Ela deixou claro que não é por que ele não teve interesse por Linda ou Calvin que ele não vá ter interesse em alguém no futuro. Devemos apenas deixar rolar, ver o que acontece. Ele nesse momento deve estar com o garoto no Lima Bean.
– Lima Bean, huh? — Blaine virou-se para tirar a água que fervia no fogão, colocando-a em agora duas xícaras com um pequeno saquinho de ervas. — Parece que o nosso garoto está seguindo os passos do pai.
– Espero que Calvin pelo menos saiba seu pedido de café... — Kurt gargalhou baixo e aceitou a xícara de chá que o namorado o oferecia. — Desde quando deixamos de ser viciados em cafeína e aderimos ao chá? — Perguntou enquanto bebericava o líquido quente.
– Não faço ideia. — Blaine repousou sua xícara em cima do balcão, sem parar um minuto sequer de observar o Hummel em sua frente. — Acho que o café é pra quem está começando nesse negócio de amor, e nós dois sabemos muito bem que somos especialistas nisso. — Disse sorrindo, alcançando uma das mãos de Kurt por cima do mármore frio.
– Você me conquista cada dia um pouco mais. — Kurt soltou.
– Essa é a intenção. — Blaine voltou a sorrir.
[...]
Os dias passavam em tudo que estava solto ia se encaixando como um enorme quebra-cabeças, e bem, a vida era mais ou menos assim, não? Era como se cada dia fosse uma peça nova a ser encaixada, e Kurt e Blaine estavam se mostrando serem muito bons nesse jogo.
Ficou combinado do moreno passar os finais de semana na casa do Hummel, não queriam apressar as coisas e atropelar tudo como fizeram da última vez. Leo aceitava tudo com um enorme sorriso, já que aqueles haviam sido os melhores dias que já havia vivido.
Logo os dias chegavam e Blaine passava também as sextas-feiras na casa maior, e algumas vezes as quintas também. Não demorou muito até todos perceberem que o moreno queria cada vez mais e mais ficar por ali.
– Blaine? — Kurt perguntou, chamando a atenção do namorado.
– Hm. — Respondeu o Anderson sonoramente.
O castanho estava sentado no sofá da casa observando algum reality show que passava na televisão enquanto Blaine tinha a cabeça em seu colo, deitado lendo um livro de Don Parkins, um de seus escritores favoritos. A trama era interessante e prendia a atenção do moreno.
– Você acha que devemos dar mais um passo?
– Sobre? — Perguntou ainda sem tirar os olhos do livro, sorrindo fraco ao receber um carinho em seus cachos pelo ex-marido.
– Nós. — Kurt perguntava incerto. — Morarmos juntos novamente.
Blaine fechou o livro e o colocou sobre seu peito, tirando também seus óculos de grau, antes de olhar para Kurt e encará-lo com seus olhos cor de mel que o deixavam hipnotizados. De seus lábios, apenas duas palavras saíram: — Por quê? — Perguntou o homem.
– Eu não sei. Por que não? — Sorriu Kurt. — Parece que é a hora certa.
Blaine se levantou, colocando o livro e seus óculos em cima da mesa de centro. Logo depois se ajeitando melhor no sofá e sentando-se ao lado do Hummel.
– Seria maravilhoso voltar a morar com você e com nosso filho, finalmente ser uma família completa. — Dizia.
– Mas...
– Mas... — Blaine sorriu ao ver o marido lê-lo completamente. — Eu não sei. Já erramos nisso antes e eu sei o quão horrível pode ser pra Leo e pra nós se algo acontecer novamente, e você ainda mantém contato com a família de Douglas, eu não sei o que eles irão achar sobre você tomando essa decisão. O que você acha? — Segurou a mão do homem de olhos azuis que o olhava com empatia.
– Eu acho que amadurecemos muito nesse tempo que passamos separados e sabemos colocar as necessidades de Leo acima das nossas. Já a família de Douglas, bem, eles nunca gostaram da ideia de você voltar à minha vida... Mas Blaine, meu amor, eu sinto sua falta segundos depois de você sair pela porta. Sinto o incompleto ao dormir sozinho após o final de semana... Eu quero todas as coisas, eu quero você por perto. Isso parece tão certo, não entendo como poderia dar errado dessa vez. — Disse enquanto continha um sorriso fraco no canto dos lábios. — Eu amo você, e finalmente podemos acertar nessa família. Eu, você, Leo e até Calvin dependendo de como as coisas estiverem indo. Você não quer isso também? — Ousou saber a resposta.
– É tudo que eu mais quero, Kurt. — Blaine sorriu fraco enquanto franzia as sobrancelhas, do jeito que o castanho achava adoravelmente lindo. Ficaram se encarando por alguns segundos até Blaine puxar o marido pela nuca e roubar um dos melhores beijos que já haviam compartilhado, lento e apaixonado, cheio de esperança como anos atrás.
.:.
Blaine arrumava suas últimas caixas no quarto de casal da casa. Finalmente aquele lugar era seu novamente. O violão no canto do quarto, os livros nas estantes e as roupas no lado direito do closet. Tudo em seu devido lugar, como nunca deveria ter saído. Na cabeceira da cama, uma foto de Kurt e Blaine no telhado da Dalton, abraçados e apaixonados como nunca.
– Pai? — Leo bateu na porta que já estava aberta.
– Sim? — Perguntou tirando a atenção de sua velha caixa de partituras que estava sendo organizada por ordem cronológica.
– Eu queria conversar com o senhor. — Dizia o garoto dando passos lentos até o pai, que sentava no pequeno sofá no canto da suíte. Blaine deixou a caixa de lado e observou o filho sendo cuidadoso com as palavras.
– Sobre? — Perguntou tentando não ser intimidador.
– Calvin.
– Oh. — Blaine arqueou as sobrancelhas. — Tudo bem, sente-se aqui. — Leo forçou um sorriso e sentou perto do pai, que fez sinal para que o filho começasse a falar. O adolescente hesitou por alguns segundos, então disse.
– Como você soube que estava apaixonado pelo papai? — Soltou.
Blaine sorriu com a pergunta. — Nós estudávamos juntos e éramos inseparáveis. Todos os dias ficávamos até tarde da noite conversando e logo de manhã cedo estávamos juntos novamente. Antes mesmo de ficarmos juntos, já parecia certo. Alternávamos os finais de semana entre ficar em minha casa em Westerville, ou na casa de Kurt em Lima. Burt era como um segundo pai pra mim e os amigos de Kurt se tornaram os meus. — Leo não encarava o pai e brincava com os dedos enquanto ouvia a história. — Mas seu pai percebeu isso primeiro do que eu. Ele começou a perceber ações que eu fazia em perceber, como cantar duetos apaixonados, ou segurar sua mão involuntariamente. Ele me contou que tinha uma queda por mim e eu não soube muito ao certo o que fazer naquele momento porque nunca havia pensado em Kurt como um namorado antes. Então tudo que fazíamos eu passava a prestar atenção. Abraços, mãos dadas, tudo. Eu não parei de ser o que eu era com ele, mas passei a notar a frequência que eu fazia todas aquelas coisas e me perguntei como meu corpo sabia antes de mim. Um dia seu pai teve um momento ruim, perdeu um pássaro com quem havia aprendido a passar muito tempo junto, foi quando eu me senti na obrigação de ajudá-lo, mas não só isso. Eu percebi que queria ajudá-lo em todos os momentos ruins, queria ser a pessoa na qual o ajudava a enfrentar coisas ruins, compartilhar com Kurt. Você entende? — Blaine perguntava passivamente.
– Eu acho que sim. — Leo respondeu finalmente.
– Você acha que possa estar gostando de Calvin, Leo?
– Talvez, eu não sei. — Respondeu sincero, finalmente encarando o pai. — É a última semana do colégio e eu comecei a pensar nos meses que vamos ficar separados, e isso está começando a me incomodar.
– Você pode sempre visitá-lo.
– Mas você não mora mais lá, não é a mesma coisa. — Leo suspirou. — De qualquer jeito, vai ter esse baile... — Blaine escondeu um sorriso, sabendo onde o filho queria chegar. — Eu não acho muito importante, mas Calvin estava comentando de como seria legal ir. E o McKinley desde que você e o papai estudaram lá mudou bastante...
– Você quer convidá-lo? — Perguntou com um sorriso torto.
– É, eu achei que seria legal. Mas não sei se quero convidá-lo como meu amigo ou se eu quero tornar isso um encontro. — Engoliu seco. — Não falei isso com o papai porque você sabe que ele surtaria e já criaria mil desenhos de roupas que eu poderia usar e... Bom, você o conhece melhor do que eu. — Blaine gargalhou baixo, mas deixou o adolescente continuar. — Eu queria algum conselho, talvez uma ajuda.
– Bem... — Blaine não sabia por onde começar. — Primeiro, você já conversou com Calvin sobre essa amizade que vocês tem? Se ele é gay, ou bi, ou remotamente interessado em você?
– Oh, ele é gay. — Leo disse com convicção, fazendo o pai gargalhar.
– Então o chame pra sair, como em um encontro. — Blaine aconselhou. — Vocês podem dançar, tomar um pouco de ponche não-alcoólico... — Deu ênfase na última parte e Leo revirou os olhos. — ...e se divertir. Pelo o que eu conheço de Calvin, ele é um garoto ótimo e não irá o forçar a fazer nada que não queira. No fim da noite você saberá o que fazer, Leo.
– Obrigado, pai. — Leo abraçou o pai apertado, fazendo Blaine sorrir sem saber que o adolescente tinha tanta força. — Você é o melhor! — Disse antes de sair do quarto, deixando o pai sem saber ao certo se havia ajudado o filho.
O dia do baile não demorou a chegar e Leo havia convidado Calvin durante um dos cafés que tomavam juntos, não deixando claro se seria um encontro ou uma reunião de amigos. Kurt tentou ao máximo não surtar quando soube da notícia e prometeu à Blaine que deixaria Leo alugar um smoking em uma loja qualquer, por mais que saber que seu filho não usaria um traje sob medida doesse seu coração.
Blaine havia emprestado sua Mercedes para Leo, que havia prometido cuidar bem do carro do pai e não beber nada alcoólico na festa. O combinado seria buscar Calvin em casa e partiriam até a festa, não voltando depois da uma da manhã, dando brecha de uma hora. Usavam o famoso provérbio de Ted Mosby. "Nada de bom acontece depois das 2am."
Depois de muitas fotos tiradas de Kurt para recordação Leo finalmente conseguira sair de casa. Dirigiu com calma até o antigo prédio do pai, com o coração praticamente saindo do corpo de tanta ansiedade e preocupação se sairia tudo certo. Se antes tinha dúvida de gostar de Calvin, todas elas haviam ido embora com o nervosismo que Leo sentia.
Apertou o interfone do apartamento e depois de alguns segundos Calvin entendera, avisando que logo desceria e que não seria necessário Leo subir. O adolescente ansiava a presença do amigo e não conseguia explicar o motivo. Bom, talvez soubesse.
Das paredes de vidro do prédio Leo pôde ver o outro adolescente aparecer com passos lentos. O garoto parecia tão nervoso quanto Leo e mexia descontroladamente os dedos, sem saber ao certo o que estava acontecendo consigo mesmo. Passou pela portaria e finalmente encontrou com o Hummel-Anderson, que tinha um sorriso no rosto.
– Calvin J. Heraldrys, você está fabuloso. — Disse sem graça.
– Você também, Leonard Hummel-Anderson. — Brincou. — Podemos ir? Acho que estamos um pouco atrasados. Minha mãe ficou tirando centenas de fotos minhas. — Revirou os olhos divertidamente.
– É, eu sei como é isso. — Leo gargalhou e caminhou com o amigo até o carro.
– Uau. — Soltou o garoto ao ver o automóvel. — Uma Mercedes AMG A45. — Disse fascinado com o carro que pertencia ao Anderson. Leo sabia como o garoto adorava carros e insistira para o pai durante dias para emprestar o carro. Blaine tinha o carro como xodó, mas não pôde simplesmente negar o pedido suplicante do filho.
– É nosso primeiro encontro, eu queria caprichar. — Leo gargalhou, abrindo a porta para o amigo e fechando logo em seguida que Calvin entrara. Deu meia volta e entrou no lado do motorista.
– Então é um encontro? — Perguntou.
– Fico feliz que seja um. — Respondeu sorrindo, antes de colocar o cinto de segurança e partir com o carro. Calvin escondeu um sorriso e desviou o olhar, não sabendo ao certo o que pensar naquele momento.
.:.
– Como será que está sendo o encontro de Leo e Calvin? — Perguntou Kurt sem dar muita bola à comida que estava cozinhando para o jantar.
– Kurt, é a quinta vez que você faz a mesma pergunta. — Blaine gargalhou e caminhou até o marido o abraçando pela cintura. — Tenho certeza que está indo tudo bem.
[...]
O baile havia se encerrado há um bom tempo. Leonard e Calvin haviam decidido sair mais cedo e comer alguma coisa em algum fast food, saindo da dieta rigorosa que Kurt fazia na casa dos Hummel-Anderson.
A noite estava sendo proveitosa e os amigos estavam se divertindo muito. Durante o baila conversaram e comentaram sobre tudo, dançaram algumas músicas animadas e algumas lentas. Não havia sido nada constrangedor como o Leo achou que seria, e por alguns segundos pensou sentir aquele sentimento que o pai havia comentado consigo semanas atrás.
– Aquelas nuvens parecem a Sra. Goudfield. — Calvin apontava para o céu escuro em sua frente, sem muitas nuvens e estrelas.
Leo havia levado o amigo para uma de suas partes preferidas da cidade, qual havia descoberto num dia voltando da escola pra casa. Era o alto de uma montanha, onde havia um pequeno parque e alguns bancos virados para o resto da cidade. Seria até óbvio demais falar que o lugar era romântico iluminado à luz fraca de poucos postes e à luz da lua.
– Você consegue falar de mecânica até quando estamos longe da escola? — Gargalhou o adolescente ao se lembrar da professora da aula extracurricular dos fins das terças-feiras. — Mas infelizmente tenho que concordar com você, as nuvens lembram ela.
– Eu não disse?! — Falou vitorioso.
Lentamente, enquanto Calvin se perdia nas estrelas, Leo aproximou sua mão à do amigo no banco, colocando uma sobre a outra. O Heraldrys parou de encarar o céu e agora olhava para o amigo com um olhar qual Leo não conseguia decifrar qual era o certo e um sorriso no rosto.
– Já falei o quanto adoro quando você sorri e abrem umas covinhas nas suas bochechas? — Perguntou novamente, não sabendo ao certo de onde aquilo havia saído. Seu coração naquele momento batia como um enredo de uma escola de samba e Leo não sabia ao certo como era manejar aqueles sentimentos e aquele calafrio dentro dele.
– Eu quero te beijar, Leo. — Calvin assumiu. — Mas não quero que você se assuste igual aconteceu antes. Então, por favor, me pare se isso for acontecer.
Disse antes de se inclinar para pegar os lábios do adolescente, que apenas fechou os olhos e aproveitou do beijo. Não sabia ao certo como saber, mas sabia que Calvin o ajudaria. O beijo foi um pouco desajeitado, mas logo tomava rumo e jeito, fazendo os adolescentes suspirarem. Quebraram o beijo com alguns selinhos, sem ao certo quererem tomar distância novamente.
– Você beija bem, Heraldrys. — Leo sussurrou ainda de olhos fechados e com o rosto bem próximo ao de Calvin, que sorriu e puxou o adolescente novamente para selar os lábios.
Naquela noite, Leo chegou às 02h16min em casa e nem se importou na possibilidade de levar uma broca dos pais. Fora dormir sorrindo, e sabia, finalmente, qual era aquele sentimento que o pai havia conversado consigo. Era amor, meus jovens, o amor mais puro e doce que um adolescente pode sentir por alguém.
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