Roommate for Unknown
26 #26 É oficial e real
Leo nunca havia acordado com tanto ódio de um despertador como ele havia acordado naquele dia. Estava tendo uma das melhores noites de sono na sua vida, sem saber o motivo, e logo a realidade o acordava para mais um dia de escola no colégio que Leonard mais odiava. E agora, sem Linda, seus dias ficariam mais tediantes do que antes.
Calçou suas pantufas e se arrastou até o corredor, entrando no banheiro para escovar os dentes preguiçosamente. Leo demorou o dobro do tempo, sem ao menos ter vontade de continuar a rotina. Poderia inventar algum tipo de dor para o pai deixá-lo faltar, certo? Ou não, já que o adolescente tinha uma consulta com a Dra. Pillsburry mais tarde.
Após escovar os dentes saiu do banheiro e continuou se arrastando, sem ao menos tirar o pé do chão para caminhar. A escada pareceu uma tortura, como quem olhasse do topo de uma montanha o declive que viria logo a seguir.
Leonard era dramático como Kurt.
Chegando na cozinha, se sentou na cadeira sem a menor vontade de se levantar daquele lugar daqui a alguns minutos para tomar um banho e ir para a escola. Kurt estava no fogão preparando o café da manhã, ainda em seus pijamas de seda escuros. Pelo cheiro no ar, Leo podia jurar que comeria waffles.
– Bom dia, filho. — Kurt disse ao sentir a presença de Leo.
– Bom dia. — Respondeu como quem fosse obrigado. — Pai, por que temos três xícaras na mesa ao invés de duas, como sempre? — Leo perguntou cuidadoso, achando que o pai havia se confundido com quando Douglas ainda morava ali.
– Uma pra mim, outra pra você e outra pro seu pai. — Kurt respondeu ainda de costas para o filho, porém com um pequeno sorriso no rosto esperando a reação do adolescente.
– Pro meu pai? — Perguntou desconfiado.
– Sim, Leo. Seu pai. — Kurt mordia os lábios.
Leonard franziu o cenho, tentando entender o que estava acontecendo ali. Não conseguia distinguir quem estava dormindo acordado, ele ou Kurt.
– Bom dia, amores da minha vida. — Blaine entrou na cozinha vestindo um par de pijamas bordô um pouco menor do que deveria ser. Afagou os cabelos cacheados do filho e caminhou até Kurt, o pegando pela cintura e lhe deu um selinho rápido. Soltou o ex-marido logo em seguida e se sentou na mesa, ignorando o olhar perplexo do filho sobre tudo isso.
– Mas que merda tá acontecendo aqui? — Perguntou o adolescente.
– Eu e seu pai estamos juntos, Leo. — Blaine disse como se fosse óbvio.
– Isso eu estou vendo. — O garoto continua sem feição, porém agora não estava mais com tanto sono. Em fato, aquilo tudo havia servido para acordar Leo melhor do que um balde de água fria jogado sobre sua cabeça.
"Kurt abriu os olhos lentamente e se viu deitado no peito nu do marido, que o observava calmamente, abrindo um sorriso enorme no rosto assim que os olhos se encontraram.
– Que maneira boa de acordar... — Kurt sussurrou.
– Bom dia, meu amor. — Blaine respondeu depositando um beijo na testa do estilista. O moreno achava Kurt lindo, mas particularmente ainda mais bonito quando acordava. — Acordei há alguns minutos, mas queria te dar um beijo de bom dia antes de descer e mudar de quarto.
– Ah. — Kurt gemeu um pouco triste. — Temos mesmo que fazer isso?
– Você sugere o quê, Kurt?
– Vamos contar para Leo, hoje. — Kurt se acomodou no peito de Blaine, ainda encarando aqueles olhos cor de mel que o hipnotizavam. — Eu não aguento mais me esconder.
– Tudo bem. — Blaine sorriu feliz como não sorria há anos. — Você sabe que ele vai pirar, não sabe?.
Kurt gargalhou e alcançou os lábios macios do marido."
– Não entendo a confusão. — Kurt soltou o fogão e se sentou na cadeira livre ao lado de Blaine. Por alguns instantes, seu cérebro talvez cogitou a ideia de Leo não estar tão feliz com essa ideia. — Não era isso que você queria? Seus pais juntos novamente?
– Era, eu acho. — Leo encarava os dois pais tão próximos. — C-como isso aconteceu? Quando? Há quanto tempo que isso vem acontecendo? Hã?- Sua cabeça ainda estava embaralhada. Definitivamente sua cabeça não estava pronta pra tantas informações logo pela manhã.
– Não faço ideia. — Kurt gargalhou baixinho.
– Acho que foi basicamente sua culpa. — Blaine sorriu. — Se você não tivesse sido expulso da Dalton e feito aquela confusão toda sobre mudar de casa, eu e seu pai não teríamos voltado a nos falar. E uma coisa foi levando à outra e eu e Kurt fomos vendo que ainda tínhamos muito em comum... — Blaine ainda tinha o sorriso no rosto e agora pegava na mão de Kurt por cima da mesa. — Então chegou um momento que vimos que ainda nos amávamos.
Leo passou os olhos rapidamente pelas mãos enlaçadas dos pais.
– Então vocês voltaram? — Perguntou cauteloso, tentando entender.
– Sim, Leo. — Kurt tinha o tom calmo. — Mas se isso for confuso pra você, entendemos. Muita coisa aconteceu nos últimos meses, acredite, eu sei. Não queremos que você seja forçado a aceitar nada. — Disse sincero.
– Não, é ótimo. Vocês voltaram, mas... — Leo hesitou.
– Mas o quê, filho? — Blaine perguntou.
– Não quero que vocês fiquem juntos por mim, mas que as brigas continuem. Papai já foi embora uma vez, não quero que ele vá de novo.
Blaine sentiu uma grande pontada dentro de si naquele momento, como se seu corpo congelasse como o choque de realidade que havia sentido. O filho estava certo, mas até hoje nunca havia recebido dessa forma o fato de ter deixado Kurt e Leonard.
– Filho. — Blaine largou a mão de Kurt e pegou as do filho. — Eu não vou embora nunca mais. Acredite em mim quando eu falo: você e Kurt são as melhores coisas que já aconteceram na minha vida e eu seria louco se deixasse tudo isso ir embora novamente. — Disse do fundo do coração.
– Mas e aquele cara que você estava saindo? — Perguntou Leo.
– Que cara? — Perguntou Blaine.
– Pois é. Que cara? — Kurt perguntou encarando Blaine com uma das sobrancelhas arqueadas, tentando entender do que o filho estava falando.
– Calvin disse que você sempre chegava tarde em casa, saía de noite... Eu vi isso também quando estava morando com você. — Leo dizia com calma, olhando Kurt entre as palavras, tendo certeza que não faria os pais que acabaram de voltar terminarem ali.
– Oh, não. — Blaine gargalhou aliviado. — Eu estava na casa de Steve, meu publicitário. Estávamos em reunião sobre minha carreira, algumas pessoas estavam interessadas em um show meu pra recordar os anos de quando eu era um astro. Eu não estava saindo com ninguém. — Dizia.
– Então é real e oficial? Vocês estão juntos novamente?
– Sim, filho. Está tudo bem com você? — Perguntou Kurt.
– Sim. Está ótimo, eu acho. — Leo sorriu finalmente. — Papai vai voltar a morar aqui com a gente? — Perguntou um pouco animado.
– Bem... Não conversamos sobre isso ainda... — Blaine desviou o olhar.
– Desculpa. — Leo sorriu culpado, mudando de assunto rapidamente antes que o clima do café ficasse desconfortável. Os adultos riram e continuaram a conversar, como se fossem aquela família feliz desde sempre.
[...]
Leo estava sentado no banco do corredor enquanto mexia em seu celular, trocando mensagens com Calvin sobre seus pais e a nova novidade. O amigo estava animado e feliz por finalmente Leonard estar animado com alguma coisa, já que suas mensagens ultimamente haviam sido sobre Linda e sobre como o garoto estava triste e confuso.
– Leonard Hummel-Anderson? — Perguntou a mulher.
– Sou eu. — Guardou o celular e se levantou.
– Prazer, sou a Dra. Pillsburry, psicóloga e conselheira da escola. — A mulher de cabelos ruivos sorriu. — Podemos entrar pra conversarmos?
– Claro.
Depois de exatas duas horas de conversa, Leonard saiu por aquela porta como se uma tonelada de problemas tivesse saído de suas costas. No começo achou que seria idiotice conversar com alguém sobre seus problemas, afinal ele era apenas um adolescente e tinha amigos para conversar, mas o ambiente que Emma criou não era hostil e Leonard se sentiu extremamente bem.
Conversaram sobre o relacionamento dos pais, sobre traumas de infância, amigos, e sobre tudo que intrigava Leonard. Ao lado de fora da sala, Kurt esperava o filho. Blaine, infelizmente, não pôde participar da sessão pois teve que levar Linda e Nancy ao aeroporto, mas estava ali em espírito.
– Muito obrigado, Dra. Pillsburry. — Disse Leo saindo da sala.
– Sempre que precisar, Leonard. — Sorriu. — Podemos entrar, Kurt?
O homem assentiu e entrou na sala que lhe lembrou muito seus tempos antigos naquela escola, nas vezes que viera até a sala da conselheira por motivos aleatórios. Sorriu por alguns instantes ao se lembrar de como era sua vida anos atrás e em como ela se encontrava agora.
– Bom, Kurt. Não vamos enrolar porque creio que eu tenha estourado meu tempo com Leonard e agora tenhamos pouco tempo para conversar sobre seu caso. — O homem assentiu e a mulher continuou. — Leonard me contou sobre todos seus medos, traumas, pensamentos, sentimentos. Ele obviamente tinha um problema com seu ex-marido, algo mais sobre desconfiança, porém imagino que isso não importe mais.
– Douglas nunca foi muito receptivo com Leonard. — Kurt soltou.
– Sim, fiquei sabendo disso. Já com Blaine é outro resultado. Eu vejo muito de Leonard em Blaine quando era adolescente e vinha na minha sala pedir por ajuda, a diferença é que Blaine sabia se expressar e já Leonard talvez possa ter um problema com isso. Notei, não na consulta, que ele não tenha muitos amigos e essa decepção que ele teve com essa amiga virtual dele talvez tenha abalado sua confiança. — Emma soltou com um pouco de incerteza na voz. — Mas voltando ao assunto de se expressar. Leonard é um garoto ótimo e ele precisa de um lugar para se moldar, do mesmo jeito que o clube glee fez com todos vocês. Alguma aula extracurricular faria bem à ele, a se abrir e aprender a se comunicar. O problema não é em Leo, ele apenas não consegue achar as pessoas certas para se comunicar.
– Fico feliz em saber isso. — Sorriu aliviado.
– Leo me contou sobre o que aconteceu com você e Blaine, sobre vocês estarem juntos novamente. Eu, particularmente, fico muito feliz com essa notícia e aposto que Will adorará saber também, mas me preocupo com Leo. Ele se mostrou muito inseguro em relação à esse relacionamento, já que ele contou que vocês brigavam muito. — Emma respirou e tentou se manter em u tom passivo. — Vocês não podem meter ele no meio dessa confusão novamente, Kurt.
– Eu sei, eu sei. Mas está tudo bem. Eu e Blaine amadurecemos muito nesses últimos anos e não faríamos nada com Leo por sabermos como ele sofreu esse tempo longe do pai.
– Ótimo. — Emma sorriu. — Bom, agora vamos ao assunto principal. Como eu disse antes, Leonard é um garoto ótimo, com uma capacidade incrível de conversar e se comunicar. Ele me contou sobre Linda ter o beijado, me contou sobre Calvin e sobre o medo que ele tem de tudo isso.
– Eu e Blaine achamos que talvez ele seja assexuado. — Kurt interviu.
– Não, não acho que seja o caso. — Emma negou com a cabeça. — Acho que ele tenha medo de se rotular por ter ouvido história sobre os pais pelos corredores do colégio. Ele não quer se rotular, basicamente. Mas creio que esse Calvin seja um bom rapaz pra ele, Leo mostrou bastante afeto enquanto falava do amigo, dos dias que ficava na casa dele quando o pai não estava em casa. Não estou dizendo que ele é gay ou bi, estou dizendo que talvez ele não queira se decidir agora, ele queira descobrir por si próprio. — Disse calmamente. — O baile da escola é daqui a algumas semanas. Perguntei à Leo se ele gostaria de ir e ele respondeu que sim. Perguntei se ele gostaria de ir com Calvin e ele ficou pensativo.
Kurt abriu um pequeno sorriso nos lábios. Já havia passado por isso.
– Então não devemos nos preocupar? — Perguntou.
– Enquanto ele manter as notas altas e ser um bom garoto em casa, você não tem nada a se preocupar. — Disse a mulher sincera. — Leo é um garoto de ouro, e assim que ele souber o que ele quer, ele irá conversar com você e Blaine porque ele sabe que é um lugar seguro e confiável pra conversar e desabafar.
– Você não sabe como eu fico feliz e aliviado ao saber disso.
Kurt sorriu e agradeceu à psicóloga. Conversaram mais um pouco sobre assuntos relacionados à Leonard e logo Kurt saía da sala também sem um peso enorme nas costas.
Antes que pudesse falar alguma coisa, Leo correu até o pai.
– Calvin me convidou para tomar um café, posso ir? — Disse.
Kurt sorriu e encarou Calvin esperando o amigo no fim do corredor, com um sorriso fraco nos lábios. O garoto era obviamente bom para Leonard, e Emma tinha razão, quem era Kurt para querer saber o que o filho queria? Desde que fosse feliz, aquilo estava ótimo.
– Claro, filho. Se divirta!
– Obrigada, pai.
O garoto deu um beijo no pai e caminhou rapidamente até Calvin. Kurt observou tudo com um pequeno sorriso nos lábios, se lembrando dos dias que ele iria até o café com Blaine. Com certeza o Lima Bean era uma parte importante naquela família, não importasse em qual geração estava.
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