Roommate for Unknown

23 #23 O capítulo mais triste da fic


Notas iniciais
Angst baseada em um drama real. Dedicado à Mandy e à Tamires principalmente por terem me dado apoio durante minha crise, mas também à todas as Dalton Girls. Obrigada, vocês são demais! ♥

Blaine tinhas as mãos suadas e estava nervoso. Olhava para o quadro de voos a cada cinco minutos esperando o avião ficar pronto para o embarque. Celular em mãos no caso de algo ficar complicado. Mas ele estava um pouco exagerando, não estava?

Assim que ouvira de Kurt a seguinte frase “Nosso garoto precisa de você aqui” o moreno cancelou qualquer reunião que havia em Nova Iorque com os produtores da peça e correu até o aeroporto para voltar para casa.

Sua mente o dizia não saber o motivo de tanta preocupação com o filho, ainda mais de Kurt insistir para Blaine ficar na cidade, que Leo podia esperar alguns dias. Mas não. Seu subconsciente entendia exatamente o motivo.

“Os olhos marejaram e as mãos tremiam conforme a pessoa ao outro lado da linha tentava explicar a situação. Blaine não sentia mais o chão e podia jurar que seu coração estava quebrado em incontáveis pedaços, e que provavelmente nunca mais se curaria.

Quando começou a soluçar, ouviu uma voz preguiçosa atrás de si. Blaine sabia que se ouvisse aquela voz calorosa minutos atrás, se derreteria inteiro. Mas agora não fazia mais diferença.

– Volta pra cama, Bee. – Kurt disse rolando pelos lençóis. Era o primeiro dia da lua de mel do casal. Estavam em Nova Iorque e pegariam um voo pra Paris mais tarde. – Essa visão que estou tendo da sua bunda está maravilhosa, aliás. – Kurt sorriu.

Blaine continuou parado encarando a parede. Ouvia atentamente ao telefone. Kurt sentiu que havia algo de errado quando ouviu o marido soluçar. Interviu:

– Blaine? – Saiu da cama um tanto preocupado. – Está tudo bem, amor da minha vida?

O moreno se virou e sussurrou um “não”, antes de jogar o telefone longe e cair em lágrimas. Chorava desesperado aos soluços, queria apenas desabar. Kurt não entendeu o que acontecia, nem o motivo do novo marido ter jogado o celular contra a parede fazendo-o despedaçar inteiro, mas sabia qual era seu dever.

Como em um reflexo, pegou Blaine em seus braços e o abraçou forte. Não sabia o motivo, queria entender o choro, mas não perguntaria. Apenas estava ali, o abraçava forte como se fossem ficar um só. Estranhamente lágrimas começaram a rolar no rosto do Hummel também, como quem dissesse “estou aqui” para o marido. Daria tudo para poder absorver a dor do marido para si, não ligava, apenas queria ver Blaine parar de chorar assustada e desesperadamente.”

Blaine piscou os olhos algumas vezes para evitar que seus olhos se marejassem ao relembrar do pior dia da sua vida. Suspirou e rolou seus olhos brilhantes até o painel de voos. Estava difícil o voo para Lima ficar pronto.

[...]

O adolescente naquele dia não havia ido para aula. Porém Kurt acordara cedo para levar Linda à aula (relutante, pois era um serviço que Nancy podia muito bem fazer já que Linda era sua filha, e não do estilista).

Kurt acordou Leo com afagos no cabelo. O adolescente por alguns segundos não sabia onde estava, até perceber que havia dormido na cama do pai.

– Bom dia, meu amor. – Kurt dizia calmo enquanto mexia nos cachos do filho. Ele se parecia muito com Blaine, era gritante a semelhança.

– Eu não quero ir pra aula, pai. – Afundou a cabeça no travesseiro, gemendo de preguiça. Kurt gargalhou com a situação.

– É quase meio-dia já, Leo. Você não foi pra escola.

– Como assim? – Rapidamente se sentou na cama, um pouco assustado. – Que tipo de pai desnaturado é você? Eu tinha prova de Cálculo hoje. Eu estava apenas fazendo manha, é claro que eu precisava ir pra escola. – Falava lentamente, efeito de ter acabado de acordar.

– Calma. – Kurt dizia gargalhando. – Fui até a escola levar Linda e acabei indo falar com Sue. Inventei uma desculpa qualquer e você está livre de qualquer trabalho ou prova essa semana, tudo bem? Você pode simplesmente ficar em casa que vai ficar tudo bem.

Leo tinha uma sobrancelha arqueada.

– Isso não é coisa que um pai faria...

– Isso é uma coisa que um pai preocupado com o filho faria. – Kurt sorriu. – Daqui a pouco Blaine chega ao aeroporto e vou buscá-lo, você quer me acompanhar?

– Papai já vai voltar? – Disse esfregando os olhos para se livrar daquela preguiça. – Achei que ele fosse ficar a semana inteira lá.

– Ele quis voltar. – Omitiu o motivo. Sabia que Leo faria um drama e se irritaria ao saber que seu pai havia revelado o que acontecera. – Você quer?

– Tem problema eu ficar por aqui? E-eu... Eu quero conversar com Linda. – Aquela resposta surpreendeu Kurt. – Eu devo uma explicação à ela... – Completou, sem ao menos saber o que iria falar.

– Tudo bem. – Beijou o topo da testa do filho. – Vou fazer o almoço. Algum prato que você queira em específico?

Leo franziu o cenho de novo.

– Pai, você tá me mimando. – Advertiu.

– Eu sei. – Kurt sorriu e se levantou da cama. – Vou fazer bife e fritas, é bom você comer porque a próxima refeição é só à tarde. E vá limpar seu quarto, passei por lá pra pegar um cobertor pra você e vi a bagunça que está.

– Agora sim parece meu pai de verdade. – Leo gargalhou, fazendo o pai sorrir.

[...]

Kurt estava parado em um canto do saguão de desembarque esperando por Blaine. Os passageiros do voo com ligação entre Nova Iorque e Lima saíam animados pelo portão, carregando além das malas um enorme sorriso no rosto.

Kurt era observador, gostava de analisar o comportamento das pessoas. Seus olhos fixaram um garoto parecido consigo adolescente sair um pouco cabisbaixo, mas logo abrir um sorriso enorme ao ver outro adolescente o esperando. O garoto correu até o namorado e o beijou apaixonadamente, parecia morrer de saudades.

Kurt suspirou ao se lembrar da juventude que não tinha mais. Era um cara com quarenta e tantos, por mais que mantivesse a aparência, não tinha mais aquele entusiasmo.

Como um imã, seu olhar foi direto ao portão onde viu um Blaine não tão feliz procurando por Kurt. Quando seus olhos se encontraram um frio na espinha tomou conta dos dois homens. Blaine sorriu torto e seguiu até Kurt.

– Você não precisava ter vindo me buscar, eu podia pegar um táxi, Kurt. – Blaine disse com seu tom passivo de sempre.

– Você chorou.

– Como você faz isso? – Blaine dera o primeiro sorriso daquele dia. Fraco, mas ainda sim era um sorriso. – Não foi nada, Kurtie. – Blaine depositou um selinho rápido nos lábios do castanho, como quem esquecera que estavam cercados de dezenas de pessoas. Kurt ficou surpreso, porém não falou nada.

– Você quer ir para minha casa? – Kurt estava preocupado com as bolsas em baixo dos olhos de Blaine.

– Sim, sim. Eu preciso falar com Leo, não é?

– É.

Kurt sorriu entristecido. Aquela atitude era a tão famosa atitude de Blaine Anderson. Fingir que não tinha problemas apenas para ajudar o próximo. Kurt se lembrou de quando Blaine esteve ao seu lado no bullying, quando seu pai teve câncer, quando Douglas havia morrido... E o moreno nunca pedira nada em troca, apenas se dava por satisfeito em ajudar.

Reparou então que, por mais que o moreno parecesse não ter problemas, ele tinha. Todo mundo tinha problemas, e Kurt sabia melhor do que ninguém que guardar para si era a pior coisa que um humano poderia fazer.

A dor corrói por dentro, e por mais que você pense que é forte em guardar pra si, na verdade você está se matando um pouco a cada dia. Kurt entendia. Eu entendia.

Os homens seguiram até o carro do Hummel e logo viajavam sentido casa de Kurt. O sol de começo de tarde batia no rosto do mais novo, que sequer se importava. Apenas observava as casas passarem rapidamente pelo vidro do carro.

Kurt estava preocupado com o silêncio do ex-marido, mas não falou nada. Blaine sempre precisou de tempo, e daria a ele seu espaço. O moreno se lembrava da data de hoje com dor no coração.

“Kurt estava afagando os cabelos de Blaine há algum tempo. O choro havia diminuído, mas ainda estava ali. Blaine soluçava com menor frequência.

– Kurt... – Ouviu a voz abafada de Blaine contra seu abraço.

– Shhhh. Tome seu tempo. – Kurt apertou o abraço e continuou a distribuir carinhos por Blaine.

– E-eu já estou melhor... – Dizia um pouco choroso, mas havia totalmente controlado os soluços. Blaine tirara a cabeça da curva do pescoço de Kurt – que estava encharcada pelas lágrimas do moreno – e pôs-se a olhar o marido no fundo dos olhos. Kurt apenas depositou um beijo casto na testa do melhor amigo.

– Você está pronto para me contar o que aconteceu? – Perguntava casto. Blaine assentiu com a cabeça que sim, enquanto tentava achar palavras. Kurt deu ao marido seu tempo.

– Meus pais. – Suspirou.

– Seus pais te ligaram, meu amor? Aconteceu alguma coisa? – Kurt enlaçou suas mãos com as de Blaine, tentando passar algum tipo de conforto. Não sabia como agir, geralmente era o contrário.

– M-meus pais... E-eles... – Blaine não queria falar em voz alta. Não queria assumir pra si mesmo que aquilo era verdade. – M-morreram. – Mais algumas lágrimas caíram.

– O quê?! – Kurt perguntou um pouco assustado, fazendo Blaine ficar mais choramingoso. Seu coração se acelerou e não podia acreditar no que havia acabado de ouvir.

Aquilo era péssimo. Era horrível.

Entendia totalmente o desespero de Blaine, então apenas o abraçou forte enquanto deixava novamente o moreno cair aos prantos.

Blaine passou a adolescência inteira tentando fazer as pazes com seu pai, tentando se redimir pelo fato de ser gay, queria apenas o amor do homem. Quando soube que Andrew não iria ao casamento, Blaine chorara desesperado também.

Mas no dia, Andrew aparecera. Não apenas aparecera como chorara durante a cerimônia junto de Mona, mãe de Blaine.

Na recepção do casamento, o pai chamou o filho para uma conversa reservada na qual Kurt não participou, mas de relance podia ver sobre o que se tratava. No canto do salão Blaine e pai choravam enquanto conversavam. Andrew pegava a mão do filho diversas vezes, fazendo o Anderson soltar grandes sorrisos. Era isso, Andrew assumira seu erro.

Fora o melhor dia da vida do músico. Estava casado com o homem que amara, finalmente feliz, e todo seu passado ruim podia ser esquecido porque “a partir de agora seus pais estariam sempre ao seu lado”, citando uma das coisas que Andrew havia falado para o filho.

Blaine esperou por esse momento em anos, e agora... Agora Andrew e Mona haviam ido embora.

Kurt podia jurar que sentia o coração de Blaine bater em uma velocidade tão forte, como se fosse saltar pra fora do peito e abandonar sua função.”

– Está tudo bem? – Kurt perguntou enquanto estacionava o carro na garagem de sua casa. – Você ficou alheio a viagem inteira.

– Está tudo bem. – Blaine limpou a lágrima que descia seu rosto e deu um sorriso forçado. – E-eu quero conversar com você mais tarde sobre isso. Eu apenas não posso agora, ok? – Kurt assentiu, segurando a mão de Blaine com carinho. – Preciso falar com Leonard antes, não posso desabar na frente dele.

– Eu vou sempre te ajudar, Be. – Kurt depositou um selinho demorado nos lábios do moreno, que forçou mais um sorriso para o moreno.

– Obrigada, Kurt. – Se abraçaram. – Depois vou precisar de seus conselhos... – Disse falhando em um ato sem pensar, causando um grande embrulho no estomago do castanho, mas aquilo não era sobre ele.

– Aprendi com o melhor. – E continuaram no abraço por mais alguns minutos.

.:.

– Disseram que é aqui que tem um adolescente precisando de conselhos do pai, estou certo? – Blaine disse enquanto abria a porta do quarto do filho lentamente.

Leo estava deitado na cama com seu notebook jogando algum RPG qualquer, talvez o mesmo que jogava quando conheceu Linda. Um sorriso fraco se abriu no rosto do garoto.

– Você voltou de Nova Iorque só por isso? – Disse tentando não sorrir. Blaine nunca tinha sido um pai ausente, mas também não era considerado um pai presente. Estava ali quando precisava, mas nada além disso.

– Eu voltei de Nova Iorque por tudo isso. – Blaine sorriu tentando mostrar ao filho que problema nenhum era pequeno demais para pedir ajuda e se sentou na cama do garoto, ficando de frente para o filho. – Você tem tempo pra conversar com seu velho pai?

– Claro. – Sorriu.

– Ouvi a voz de Blaine. – Nancy saiu de seu quarto onde ficava enfurnada o dia inteiro. Mas claro, era obvio que a mulher sairia de lá ao ouvir o nome da pessoa que mais lhe interessava naquele lugar, até mais que sua própria filha debilitada.

Kurt aproveitou que estava de costas para a mulher e rolou seus olhos.

– Ele está conversando com Leonard. – Respondeu ríspido, continuando a arrumar a prateleira de DVDs que Linda e Leo haviam desarrumado.

– Ah, sim. – Disse em um tom baixo, porém continuou parada no mesmo lugar. – Sobre o quê?

Kurt sorriu com o cinismo daquela mulher em querer se meter novamente nos assuntos da família Hummel-Anderson. Seu cérebro mandava ter um ataque adolescente ali e jogar algumas verdades, mas apenas suspirou e respondeu sem pensar:

– Sobre Linda ter beijado Leo sem o consentimento dele. – Kurt finalmente se virou para encarar a mulher. – Durante nossa adolescência tivemos problemas também com um beijo roubado. – Kurt falava ao se lembrar de Karofsky o agarrando e o puxando para um beijo no vestiário, mais de vinte anos atrás. – Eu e Blaine sabemos como pode ser um pouco desconcertante e confuso.

– Foi só um beijo? – Nancy perguntou fazendo pouco caso e Kurt assentiu. – Qual é, ele vai ficar bem. Não é como se um beijo na adolescência fosse o traumatizar para o resto da vida. Eu mesma tive vários namorados e estou bem.

– Não duvido que sim. – Kurt respondeu irônico. – Mas isso não se trata de você. Ele é nosso filho e queremos ajuda-lo se for preciso. Não acho que foi uma atitude muito legal de Linda, mas não posso julgar. Ela provavelmente deve ter aprendido isso em algum lugar... – Kurt insinuou, se virando novamente para a prateleira.

– O que você quer dizer com isso? – Disse a mulher um pouco irritada.

– Nada. – Kurt sorriu satisfeito.

– Olha aqui, Kurt. Não é porque você está- — Foram interrompidos por Linda que havia chegado da escola e precisava de ajuda para passar com a cadeira de rodas pela porta da frente. – Continuamos com essa conversa depois. – Advertiu a mulher.

– Não vejo a hora.

Kurt revirou os olhos em um ato de ironia. No mesmo instante, do topo da escada desciam pai e filho conversando sobre algo com um sorriso no rosto. Aquilo chamou a atenção de Kurt, que sabia que Blaine estava machucado demais para sorrir de verdade. Fazia aquele esforço pelo filho.

– Oi, Leo. – Linda disse sem graça desviando o olhar do garoto sobre si.

– Oi, Linda. – O garoto tinha um sorriso forçado no rosto. – Podemos conversar?

– Claro. – A menina assentiu e fez sinal para irem até a sala.

– Oi, Blaine. – Nancy disse com um sorriso doce que Kurt jurou que pegaria diabetes.

– Oi, Nancy. – Desviou o olhar da mulher. – Kurt, podemos conversar a sós?

– Claro, deixe-me só tirar a água do fogo. – Kurt deixou o local, deixando apenas a fã e o ídolo na entrada.

– Você soube o que sua filha fez? – O moreno quebrou o silêncio, encarando a mãe da menina perder o sorriso que tinha no rosto. Assentiu. – Ok.

A mulher sentiu seu rosto queimar. Não queria nunca que Blaine ficasse chateado ou magoado com ela por algo que a filha fizera sem pensar.

– Vamos, Blaine? – Kurt apareceu.

– Claro. – Sorriu forçado para a mulher. – Tchau, Nancy.

– Tchau. – Soltou a mulher sem realmente saber o que sentir ou pensar.

Kurt tentou esconder o sorriso ao ver o gelo de Blaine para a mulher, em vão. O moreno encarava Kurt com uma certa curiosidade, mas deu de ombros e subiu as escadas na frente do castanho.

Foram até o quarto de Kurt, porém sabiam que nada de mais iria acontecer ali. Evitaram até trancar a porta. Blaine caminhou por aquele quarto observando as mudanças que haviam sido feitas.

Estivera ali antes, mas apenas com o desejo de Kurt, que o cegou completamente para o castanho. Agora observava atentamente a tudo. Kurt mudara os móveis de lugar, assim como trocara a cor das cortinas. Sorriu fraco e sentou-se na poltrona que ficava perto da janela, Kurt se sentou ao seu lado.

– O que aconteceu, Blaine?

– É sobre Leo. – Sorriu torto para o ex-marido. – Eu acho que talvez ele possa ser assexuado, sabe? Conversamos, e acho que ficou bem claro isso. Ele perguntou se podia ir à uma terapeuta, e se a gente amaria ele, caso ele fosse.

– Que pergunta idiota! É claro que iremos amar ele. Iremos amá-lo até se quiser se transformar em um camelo. – Bufou e Blaine sorriu com o jeito do castanho.

O moreno então se lembrou que não podia sorrir, não naquele dia. O sorriso se desfez e o moreno desviou os olhos do castanho.

– Blaine, o que aconteceu?

– O quê, Kurt? – Mudou de assunto.

– Você está aéreo o dia inteiro, parece estar se arrastando triste. Eu quero tentar ajudar, por favor. – Kurt pegou a mão do moreno. – Por favor. – Repetiu.

– Não é nada, só que... Hm. – Engoliu seco. – Hoje faz exatamente dezoito anos desde o nosso casamento. E amanhã, bem... Você sabe o que aconteceu na lua de mel.

– Oh, Blaine. – Kurt tinha os olhos brilhantes, então segurou a mão do ex-marido que tinha os lábios torcidos em uma tentativa de dizer que tudo ia ficar bem. – Deixe-me te ajudar de alguma forma. Você quer conversar sobre isso?

– Não, Kurtie. Eu estou bem. – Mentiu.

– Por que você sempre finge que está bem, quando eu claramente posso ver que não está? – Kurt suspirou, chegando mais perto do músico. – Você cuidou de mim nos momentos que precisei, e hoje cuida de Leo... Quem cuida de Blaine?

– Eu cuido. – Blaine sorriu com um suspiro.

– Eu quero cuidar. – Kurt disse olhando nos olhos amêndoa do homem a sua frente. – Por favor, desabafe comigo tudo que você está guardando. Você sabe que não é saudável...

– É só que... Droga. – Blaine sentiu seus olhos marejarem e seu estômago embrulhar. – Eu me senti horrível quando você ligou para falar um problema de Leo e eu não estava aqui. E-eu deveria estar aqui, mais do que ninguém. Eu não quero que meu filho passe por nenhuma dor, ou dificuldade. – Blaine tentava engolir o choro.

– Blaine, você pode chorar. – Disse o castanho puxando o marido para um abraço, com uma das mãos afagando seus cabelos cacheados.

Blaine então não fez questão de segurar mais o choro. É claro que se sentia patético, um cara de quarenta e um anos chorando feito adolescente, mas precisava.

Quanto tempo não chorava daquele jeito? Quanto tempo não conversava com alguém que sabia que estaria lhe ouvindo e tentando melhorar a situação? Kurt lhe confortava, lhe oferecia um abraço que achava que era pouco, mas na verdade significava o mundo para ele.

Soluçava um pouco, agarrado ao corpo de Kurt. Deixava as lágrimas saírem e tentava controlar as batidas de seu coração, sem sucesso. Kurt apenas o abraçava mais forte, segurando suas lágrimas para deixar as do moreno terem mais importância.

“- C-cooper estava junto com eles. E-ele está bem, mas está no hospital. – Blaine contava para Kurt. – E-eles precisam que eu vá assinar os papéis. Os papéis do funeral, Kurt. Os papéis do funeral dos meus pais. – E Blaine voltara a chorar como uma criança, berrando aos prantos. Kurt sentia seu coração partir ao ver aquela cena comovente. E se sentia inútil.

– Blaine, shhhh. Nós vamos e vai ficar tudo bem. – Tentava não transparecer sua dor na voz. Precisava se manter firme para o marido. – Se tivesse uma maneira de tirar essa dor que você está sentindo, eu tiraria. Mas eu não posso, meu anjo. Eu não posso, anjinho... – Kurt beijava a testa do moreno.

– D-desculpa.

– Pelo o quê, amor da minha vida?

– E-estragar nossa l-lua de mel.

– Não pense isso. Teremos todo o tempo do mundo para irmos à Paris, à Londres e à qualquer outro lugar do mundo. Precisamos agora estar onde precisam de nós. – Kurt balançava Blaine como quem ninasse uma criança com sono.”

– E-eu sinto a falta deles, Kurtie. – Sussurrou ainda choroso. – Eu sinto a falta deles todos os dias. – Pausou para soluçar entre as lágrimas. – L-leo nem chegou a conhecer os avós, Kurtie... – E desabava em lágrimas.

– Shhhh. – Ninava o marido. – Tenho certeza que ele adoraria Mona, do mesmo jeito que adoraria Andrew. Mas eles estão cuidando de nós, Bee. Assim como minha mãe. Eles estão juntos olhando por nós.

– E-eu sei. – Fungou. – Mas tem dias que a saudade parece insuportável. – Dizia entre berros e prantos. – Eu não me lembro mais da voz deles, Kurtie. Eu não me lembro da maldita voz dos meus pais e eu me sinto um merda por isso. E-eu... Eu sou horrível.

– Não é sua culpa, Blaine... – Kurt tinha o coração na mão, não sabia o que fazer para ajudar o moreno.

– E-eu não tenho sequer um vídeo para lembrar. E-eu não tenho. – Suspirou choroso. – E-e eu tenho tanto medo, K. Tanto medo...

– Medo do quê, meu amor? – Kurt abraçava Blaine forte, tentando confortá-lo de alguma maneira. Se sentia inútil novamente.

– D-de acontecer alguma coisa. D-de deixar Leonard do jeito que m-meus pais me deixaram... – O choro aumentou. – E-eu sei como é difícil. E-essa dor horrível que só p-parece aumentar... L-leo não suportaria.

– Nada vai acontecer. Eu não vou deixar nada acontecer com você, ouviu? Nada. – Kurt sussurrava. Seu coração se quebrou ao ver o moreno tão carente, precisando de alguém.

– E-eu não posso falhar com meu filho, Kurtie. E-eu não posso! – Blaine soluçava muito. – E-eu não estive presente, n-não o vi crescer. P-por favor me deixe f-ficar ao lado dele.

– Você pode ficar pra sempre ao lado dele, amor. Sempre, ouviu? E você pode ficar ao meu lado também. – Kurt distribuía alguns carinhos em Blaine, tentando fazer o moreno pelo menos parar de chorar.

– V-você é tudo pra mim. – Blaine dizia tentando controlar a fala. Se livrou dos soluços logo em seguida.

– Você também é tudo pra mim, meu amor. – Kurt separou do abraço para poder encarar aqueles olhos amêndoa vermelhos. Ele realmente queria dizer aquilo, realmente queria ficar com Blaine pra sempre. Não se importava com o passado. – Não vá embora outra vez. – Disse encarando os olhos de Blaine, como quem conversasse com a alma do moreno.

– Eu estou exatamente onde eu preciso estar. – Blaine forçou um sorriso, ainda com a respiração alterada pelo ataque de choro anterior. — Eu te amo, Kurt. Sempre amei.

– Eu também te amo, meu baixinho. – Kurt puxou Blaine novamente para o abraço, finalmente dizendo as palavras que queria dizer faz tempo. Finalmente. – Amor da minha vida. – Dizia como quem tirasse um peso das costas de ter segurado tanto tempo.

– Vamos ficar juntos, não vamos? – Blaine perguntou choroso, tentando não parecer estar se humilhando. Mas precisava de Kurt, dessa paz que o abraço do castanho trazia.

– Vamos, Bee. Vamos sim.

Estavam tristes pela ocasião, mas felizes em alma por finalmente se acertarem.

Notas finais
Blaine, eu te entendo. E creio que devem ter leitores que também entendam esse drama... Um mês, dois anos no meu caso, ou dezoito anos no caso de Blaine... Perder alguém é sempre horrível e essa dor fica pra sempre. O tempo não cura, o tempo ensina a fingir que está tudo bem... Pois é. Sem condições de uma nota bonitinha... Espero que tenham gostado. Vocês são meu refúgio! ♥