Roommate for Unknown
24 #24 Linda and Nancy have left the building
Notas iniciais
Blaine e Kurt ainda estavam abraçados depois de longos minutos de silêncio. Depois do desabafo do moreno em lágrimas, e dos pedidos suplicantes para continuarem juntos, Kurt achou melhor apenas abraçá-lo até o ex-marido se sentir confortável novamente.
Bom, essa era a ideia. Porém os gritos de Leo soavam pelos corredores do andar de cima. Blaine tirou sua cabeça que estava encostada no peito do castanho e encarou a porta do quarto, um tanto curioso. Logo, Kurt e Blaine desciam as escadas rapidamente para saber o porquê do filho estar gritando.
ALGUNS MINUTOS ANTES
Leo caminhou com Linda para a sala no mesmo instante que Blaine e Kurt subiam as escadas para conversarem sobre ele. Ignorou o fato de ser o assunto principal em uma conversa dos pais e em como estaria trazendo problema pra vida deles nos últimos meses e então focou em Linda, que estacionava a cadeira de rodas no espaço entre os dois sofás.
– Você não vai sentar? — Perguntou a menina olhando o garoto andar em círculos no meio da sala. Ele forçou um sorriso e sentou-se ao lado da amiga.
– Linda.
– Sim, eu sei. — Disse torcendo os lábios. — Me desculpa pelo beijo, eu não sei onde eu estava com a cabeça. E-eu achei que você gostasse de mim também.
– Eu gosto, ou pelo menos eu achei que gostasse. — Leo fugiu do encontro do olhar de Linda e agora encarava suas mãos. — Eu sei que vivíamos flertando por Skype e tudo mais, mas quando eu te vi eu senti uma felicidade enorme de estar ao seu lado, como se você fosse uma irmã pra mim.
– Oh.
Linda deixou escapar, mas logo gesticulava para o amigo continuar. Ela não sabia ao certo se era culpa o que ela sentia. Ela queria sim ter beijado Leo, talvez estivesse com até um pouco de raiva do adolescente por não ter retribuído. Ou talvez Leo, crescendo em uma casa com Kurt e Douglas, podia achar que não gostava de meninas. E aí entra Calvin... Bom, era melhor prestar atenção nas palavras do amigo.
– Eu gosto muito de você, mas eu não quero nada além da amizade, sabe? E me assustou muito quando você me beijou. Eu queria sair correndo e contar pra alguém que eu não queria aquilo, mas a única pessoa pra qual eu conto essas coisas é pra você... Eu não quero estragar o que a gente tem. — O garoto pegou nas mãos da garota sem expressão em sua frente.
– Tudo bem, Leo. Me desculpe, eu sinto muito. — As palavras saíam da boca de Linda parecendo sinceras, mas a garota não se arrependia de ter feito aquilo. Ela ainda conseguiria o Hummel-Anderson pra ela, era apenas questão de tempo e de ensiná-lo de que o adolescente podia estar apaixonado por ela.
– Que bom que você entende. — O adolescente suspirou aliviado.
– Eu realmente fiquei preocupada em você não querer mais olhar na minha cara. — A garota gargalhou, dessa vez sendo sincera. — Quando você saiu, eu pensei que tudo isso entre a gente ia acabar. Um flashback enorme passou na minha cabeça.
Leo gargalhou alto, e Linda continuou: — É sério, Leonard. — Deu um tapa no amigo. — Eu me lembrei dos tempos que jogávamos aquele jogo medieval, quando Kevin me contou que ele tinha achado alguém pra preencher a vaga que faltava na clã.
– Kevin era um cara legal.
O adolescente jogou suas costas contra o sofá e agora conversava animadamente com a amiga, como se aquela cena do beijo nunca tivesse acontecido. Realmente, ele gostava de Linda como uma irmã.
– Sim, era. Aquele ano foi louco, em todos os sentidos. Você tinha que ver o ataque da minha mãe na primeira vez que ela me ouviu falar seu nome. Ela saiu gritando pela casa, perguntando se o tal Leonard Hummel-Anderson que eu estava falando era o filho do cantor Blaine, e que ela me mataria se eu não continuasse a falar com você. — Linda gargalhava um pouco baixo. — Ela me deu dezenas de presentes e me fez entrar todos os dias pra conversar com você... Você viu como ela é louca pelo seu pai... — A garota tinha um sorriso enorme nos lábios... Já não podia se dizer o mesmo do outro adolescente.
– O-o quê? — Leo perguntou sem expressão.
ATUALMENTE
Blaine praticamente voou escada abaixo tentando descobrir o motivo dos gritos e berros do filho, Kurt vinha atrás com um pouco de calma. As vezes poderia ser só mais uma encenação de alguma série que ele fazia com Linda, o que Kurt aprendeu a ignorar nessas semanas que os adolescentes estavam morando juntos.
– Leonard, o que aconteceu? — Blaine perguntou ao ver o tumulto na sala.
Linda estava com lágrimas nos olhos, assim como Leonard, acuada em um canto enquanto Leonard gritava coisas aleatórias ao ver de Blaine para a adolescente. Nancy tentava gritar com Leonard para fazê-lo parar. Logo Blaine entrava nos berros tentando fazer Nancy parar de apontar o dedo para Leonard e ninguém entendia nada o que o outro estava falando.
– CHEGA! — Kurt disse em um grito estarrecedor que calou a boca de todos naquela sala. Os dois adultos e os dois adolescentes haviam se calado e agora olhavam para Kurt que tinha os dedos pressionando as têmporas como se lidasse com crianças. — Pelo amor de deus, chega!
– Mas pai, ela... — Leo tentou falar, mas Kurt logo interrompeu.
– Eu tenho vizinhos. Vizinhos que já devem estar cansados de tanta coisa estranha que vem acontecendo nessa casa. Pelo amor de Madonna, onde foram parar seus modos? Pergunto à Leonard e Blaine, já que Nancy eu desconfio muito que tenha aprendido alguma. — Kurt disse rapidamente, sem dar chance da mulher responder alguma coisa. — Vocês podem todos entrar em um acordo e me contarem por partes o que aconteceu?
– Linda só se tornou minha amiga porque a mãe dela queria conhecer o papai. — Leonard soltou como um desabafo. — Talvez a gente virasse amigo, mas a mãe dela forçou a filha a conversar todos os dias comigo pra ver se tirava alguma informação do papai, de alguma musica ou tour.
– Você o quê? — Kurt encarou Nancy com ódio nos olhos. — Você usou sua filha, a fez enganar meu filho, só porque é obcecada pelo meu marido? Isso é muito mais sujo do que eu pensava que você fosse! — Kurt nem percebeu que chamara Blaine de marido outra vez.
– Isso não pode ser verdade. — Blaine colocou as mãos na cintura, tentando se acalmar. Tudo bem que minutos atrás havia deixado todas as emoções florescerem, mas agora precisava voltar a ser o homem firme que era. — Nancy, se explique por favor.
– E-eu...
– Tira elas daqui, pai. Por favor! — Leo tentava ignorar seus olhos marejados com o fato da pessoa que ele mais confiava o trair. Ele não podia com aquilo. Ele queria distância daquela garota.
– Leo, por favor. — Linda gemeu chorosa.
– Você precisa de ajuda para fazer as malas? Eu faço elas pra você. — Leo caminhava até o quarto onde Linda estava hospedada, porém Kurt parou o garoto sussurrando algo, que o fez ficar mais tranquilo.
– Blaine, e-eu... — Nancy tentava falar alguma coisa, porém não conseguia palavras para formar uma frase. E também, não é como se Blaine quisesse escutar o que aquela mulher havia pra falar.
– Nancy, por favor. — Blaine falou com calma. — Eu estou com uma terrível vontade de te expulsar dessa casa à força, mas não vou fazer isso porque tenho um pouco mais de educação do que eu desejava. Então peço, com todo o carinho qual não deveria ter, faça suas malas. Vou levá-las à um hotel e arranjar umas passagens para Nova Iorque pra vocês.
– Mas eu não quero ir, e-eu...
– Você vai. — Kurt continuou, dando um passo à frente. — Você é irritante, preguiçosa e me irrita com esse olhar apaixonado em cima de Blaine. Por favor, vá. Não tente criar mais confusão nessa família do que você já criou.
Nancy encarou o ídolo por alguns segundos, ignorando Kurt totalmente. Assentiu e caminhou lentamente até o quarto. Brigaria com Linda mais tarde. Logo agora que tudo estava indo tão bem, que estava morando na mesma cidade de Blaine e vendo o ídolo quase todos os dias, a filha estraga tudo.
Blaine se virou, encontrando Leonard agarrado à Kurt enquanto o castanho afagava seus cabelos. Blaine sorriu gentilmente e desejou naquele momento beijar Kurt com todas suas forças, porém não o fez.
– Kurt, me empresta o carro? — O castanho assentiu e fez sinal que subiria com Leo. Não demorou muito até Linda e Nancy estarem prontas e Blaine levá-las até um hotel em Lima perto do aeroporto, prometendo que ao amanhecer apareceria por ali para entregar as passagens. Nada além disso havia sido dito.
.:.
Blaine voltou até a casa dos Hummel e encontrou o ex-marido sentado na sala, tomando um copo de algo quente que parecia ser algum tipo de chá calmante. O castanho deu um sorriso forçado à Blaine ao ver o moreno entrar pela porta da frente. O cantor se sentou junto com o estilista, afundando o namorado em um abraço.
– Quando vamos ter sossego? — Kurt suspirou. — Tem sempre algo acontecendo na nossa vida, parece que nunca vamos ter paz.
– Eu estou em paz com você. — Blaine respondeu olhando nos olhos azuis do castanho, recebendo um beijo no topo de sua testa. — Leo está dormindo?
– Quem dera. Acho que ele não vai dormir tão cedo. — Com uma mão o Hummel segurava a caneca, e com outro mexia nos cachos de Blaine. — Ele está assistindo Bastardos Inglórios. É a única coisa que não o lembra de Linda.
– Não é perigoso ficarmos assim? Ele pode descer as escadas a qualquer momento. — Blaine perguntou, porém não se mexeu. O abraço o castanho era, em sua opinião, o melhor lugar do mundo.
– É sim. — Kurt respondeu sem se mexer também, provocando uma gargalhada gostosa de Blaine, que apenas se aconchegou ainda mais no seu abraço.
– A gente devia contar.
– Eu sei, odeio mentir pra ele. E ambos sabemos que ele ia adorar saber que estamos juntos de novo, mas eu não sei. Tem muita coisa acontecendo com ele, sabe? — Kurt suspirou. — Amanhã ele tem uma consulta com a Dra. Pillsbury.
– Então talvez devêssemos contar aos poucos.
– Aos poucos como em...? — Kurt fez sinal para Blaine continuar.
– Aos poucos como em eu poder dormir aqui hoje. Com você.
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