Roommate for Unknown
16 #16 Obrigada, Joey!
Notas iniciais
Kurt se sentou no sofá sem entender realmente o que havia acontecido.
Bom, ele entendia, só não conseguia entender. Complicado.
Pressionava as têmporas tentando entender se aquilo era ruim ou péssimo. Blaine, seu ex-marido e o pai do seu filho havia acabado de beijá-lo depois de anos separados. Será que Kurt havia dado algum tipo de sinal que ele poderia fazer isso? Respirava fundo. Não sabia se sorria ou chorava com o beijo, tinha um sorriso confuso nos lábios e as sobrancelhas arqueadas.
– Papai já foi? — Leo desceu as escadas chamando a atenção do pai.
– S-sim, já. - Sorriu para o filho.
Leo assentiu e caminhou até o pai, dando um beijo em sua testa e subindo as escadas novamente. Queria apenas sorrir. O pai não sabia, mas estava no começo da escada vendo tudo, espionando os dois pais. Assim que subiu os primeiros degraus comentou com um sorriso sacana no rosto: - Aquele não é o cachecol do papai?
Kurt gargalhou entendendo o recado. Conhecia o moleque.
Catou as chaves do carro na vasilha perto da porta, colocou o cachecol de Blaine no pescoço e fechou a porta com um tanto de força. Seria talvez insano ir de madrugada à casa de seu ex-marido que havia acabado de o beijar apenas para entregar um cachecol, mas uma força o falava que precisava ver Blaine.
Assim como tudo na vida de Kurt, o carro não queria dar a partida.
– Droga. - Socou o volante na parte da buzina, assustando um casal que caminhava pela calçada. - Desculpa. - Gritou sem graça.
Ele era filho de um mecânico, poxa. Depois de abrir o capô do carro algumas vezes, Kurt havia conseguido resolver o problema dos fios (não permanentemente, talvez funcionaria apenas por alguns quilômetros, mas era o que Kurt precisava). Deu a partida e desceu a cidade, ignorando os faróis que nesse horário da noite apenas piscavam em alerta.
– O que você vai dizer, ou fazer? - Se perguntava nervoso enquanto suas mãos suavam frias contra o couro do volante. - Blaine, você saiu tão rápido que esqueceu seu cachecol. E um beijo.- Ensaiava. - Não, eu nem quero o beijar de novo... Ou... Droga, Kurt. - Socou o volante novamente. Estacionou o carro na frente do condomínio de Blaine, sem se importar em pagar o parquímetro.
Sabia a senha da portaria por ter morado ali nos últimos meses, então entrou sem problema. O elevador subia, assim como o frio no estômago de Kurt. Olhou no seu relógio e concluiu que fazia exatamente trinta minutos após o beijo. Seria estranho tocar a campainha aquela hora?
Pensou em desistir. Mas então o elevador se abriu. Não iria desistir. Respirou fundo e caminhou até a porta de Blaine. Levantou a mão para bater, mas hesitou.
Encarou o chão sorrindo como se fosse um adolescente inseguro e suspirou. Lembrou-se do beijo, do jeito que Blaine segurou seu rosto e puxou para si... Kurt suspirou com o mesmo frio na barriga de antes, mas então deu três batidas na porta.
Brincava com os dedos, não sabia qual das cenas ensaiadas faria. Mas era bom com improviso, não era? Ouviu um barulho dentro do apartamento e o frio logo foi embora. A maçaneta se mexeu. Logo a porta se abria e Kurt manteve contato visual com Blaine, que arregalou as sobrancelhas ao ver Kurt ali na porta.
– Kurt? — Era como se ele estivesse inseguro também. Sorriu ao ver um rubor nas bochechas do ex-marido. - Bom... Eu não estava te esperando... — Coçou a nuca se apoiando no batente da porta.
– É. Pois é. - Se viu sem palavras. - É que... Você. Você esqueceu o cachecol lá em casa. - Desenrolou o pano do pescoço. - E eu pensei "ah, o Blaine não vai querer... ficar com frio no pescoço...?" - Se embaralhou.
Blaine abriu um sorriso enorme e alcançou algo do lado de dentro do apartamento.
– Você diz esse cachecol? - Disse segurando um acessório igual.
– Ah. - Kurt fez uma cara de confusão. - E-então esse deve ser o meu... — Blaine gargalhou e inclinou a cabeça achando aquela situação adorável. - Eu acho que talvez eu só precisasse de um motivo pra te ver. Blaine sorriu como se precisasse ouvir aquilo. – ...Eu posso entrar? Kurt continuou.
– Claro. - Blaine abriu a porta, porém antes de Kurt entrar a fechou novamente arregalando os olhos ao se lembrar de algo. - Na verdade... Você não quer dar uma volta?
– Blaine, é quase uma hora da manhã. - Sorriu com a besteira de Blaine, mas seu sorriso se desfez assim que ouviu outro ruído vindo de dentro do apartamento. - Aah... V-você está acompanhado... - Era como se os desenhos animados fizessem sentido e uma enorme bigorna tivesse caído sobre seu corpo. - E- eu não queria atrapalhar.
Blaine sorriu.
– Não seja bobo.
Pegou a mão de Kurt e o trouxe para dentro do apartamento. Kurt rolou os olhos pela sala e viu um homem conhecido sentado no sofá, só não conseguia distinguir quem ele era.
– Vocês já se conhecem, não preciso fazer as honras.
– Kurt? - O homem arregalou os olhos enquanto dava um enorme sorriso. Se levantou do sofá e se pôs a abraçar o estilista que ainda não fazia ideia de quem ele era. - Sou eu, Joseph.
– Joey. - Blaine completou encostado no balcão da cozinha vendo a interação do melhor amigo e do ex-marido.
– Joey, claro! - Kurt sorriu se lembrando do homem. Era incrível como Blaine e Joey continuaram melhores amigos mesmo depois de tanto tempo. - Eu não sabia que estava na cidade.
O sorriso em seu rosto poderia dizer que estava feliz em encontrar o amigo de adolescência, mas na verdade ele só estava feliz de aquele ser Joey, e não outro homem com Blaine.
– Cheguei hoje, Blaine havia dito que eu poderia ficar. Mas já estou indo pra um hotel, não se preocupem. - Sorriu e caminhou até Blaine. Sua mala ainda estava desfeita no canto da sala.
– Não, Joey. Pode ficar. - Kurt achou que estivesse atrapalhando.
– Sem chances. Marido e marido se beijam depois de anos separados e você quer que eu fique no meio disso? - Gargalhou com o rubor na bochecha de Blaine enquanto pegava sua mala. - Almoça comigo amanhã, Blainers?
– Claro. - Disse engasgando.
– Até, mates.
Fez uma reverência e fechou a porta do apartamento, logo o barulho do elevador se abrindo foi ouvido de dentro da casa. Kurt tentava esconder um sorriso. Tiraram a atenção da porta em um silêncio constrangedor.
– Então você o contou sobre o beijo... - Encarou o chão, não sabia se conseguia olhar nos olhos de mel do Anderson. Blaine segurou uma gargalhada em um sorriso brincalhão.
– Eu não sabia que devia ser um segredo. — Kurt então encarou o exmarido. Pôde ver em seus olhos o mesmo Blaine de anos atrás, sentiu uma nostalgia estranha de quando Blaine cantava para ele no piano. Blaine sorriu torto e desviou o olhar, pois sentia a mesma coisa. - Ppor que você veio aqui mesmo? - Mudou o assunto e se desencostou do balcão inconscientemente. Era como se Kurt tivesse um imã que o puxasse pra perto.
– O cachecol... - Kurt dava alguns passos caminhando para mais perto do ex-marido também.
– Ah, claro...
Ambos se olhavam no fundo dos olhos. Aquele oceano azul que Blaine poderia muito bem passar dias olhando, uma imensidão que sempre adorou, nunca havia escondido sobre como se prendia no olhar de Kurt.
– O que você tanto olha? - Perguntou sorrindo sem graça, desviando o olhar.
– Seus olhos. - Blaine sorriu, mantendo uma distância ainda segura. - Você sabe o que dizem? - Kurt negou com a cabeça e voltou a encarar o moreno. - Que quando você olha alguém e suas pupilas dilatam, isso significa que ou você ama essa pessoa, ou você a odeia impensavelmente. - Kurt permaneceu quieto. - Eu não acho que você me odeie...
– Eu não odeio. - Kurt sorriu se vendo em uma distância perigosa agora. — Mas se esse é o seu argumento, devo te dizer que suas pupilas também estão dilatadas. - Os corpos quase se encostavam. Aquele lugar poderia explodir com a tensão sexual a qualquer momento. - ...Isso significa então que você me ama?
– Eu nunca escondi isso.
Os corpos se encostaram. Kurt suspirou ao ver o rosto de Blaine tão perto, e seus olhos deslizaram até os lábios do moreno. Blaine tinha os olhos brilhantes e logo a boca de Kurt chamava sua atenção também.
– Se você não me beijar, eu te beijo. - Kurt disse como em um sussurro.
– Ah, eu beijo.
E então Blaine capturou os lábios do ex-marido com urgência, sendo correspondido de primeira dessa vez. As mãos de Kurt enlaçavam os ombros de Blaine, enquanto o moreno pressionava o quadril do castanho contra o seu. Kurt não conseguia segurar os gemidos, e isso deixava Blaine com apenas mais sede de Kurt. Não era como se ele pudesse matar as saudades apenas com um beijo.
As mãos do moreno então desceram até a bunda de Kurt, onde contra o jeans escuro apertava contra si. Kurt não hesitou, parecia tão certo fazer aquilo com Blaine, como se fosse automático. Kurt empurrou o ex, fazendoo dar alguns passos para trás e cair por cima dos bancos do balcão.
– Malditos. - Blaine sussurrou ainda com os lábios nos do mais velho empurrando as cadeiras pra longe, não se importando com o barulho que fazia pros vizinhos.
Livre, agora Blaine virou Kurt que tinha as costas contra o balcão. Com um pouco de força conseguiu colocar Kurt sentado sobre o mesmo. O castanho abriu as pernas para que Blaine ficasse entre elas, ainda de lábios colados.
Aquilo era demais, aquela sensação. Era como se nunca tivesse parado de ser certo. Mesmo anos depois, Kurt ainda se sentia de Blaine, e Blaine ainda se sentia de Kurt.
As mãos do moreno percorriam as costas do ex-marido, apertando cada pedaço que desejava há tempos. Kurt mal conseguia colocar os pensamentos em dia.
– B-blaine. - O rapaz não respondeu, apenas continuou sugando os lábios do amado. Não por não ter ouvido, mas por medo de Kurt vir com aquela história de "isso é errado, vamos parar". Afinal, não tinha sido ele quem havia o procurado depois do beijo? - Blaine! - Empurrou o peito do moreno pra longe.
– S-sim? - Estava sem ar, um pouco irritado pela quebra do beijo. Sabia que Kurt iria dar uma de sensato. Sabia que Kurt daria uma desculpa, sairia correndo daquele apartamento e no dia seguinte fingiria que nada havia acontecido.
– É mais confortável no quarto.
Disse com uma voz baixa e um sorriso escondido nos lábios. Blaine sorriu e assentiu, puxando Kurt pela mão e fazendo-o ficar em pé. Os lábios se encontraram novamente e os homens foram caminhando aos beijos até o quarto do apartamento, tropeçando em alguns CDs e instrumentos que estavam espalhados pelo chão.
– Geez, você é desorganizado. - Kurt gargalhou ao ver Blaine quase cair ao tropeçar em uma almofada que estava no chão do quarto.
– Você quer parar isso pra arrumar a casa?
– Não.
– Então não reclama.
Blaine sorriu e puxou Kurt para a cama.
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