Roommate for Unknown
15 #15 Pra sempre é muito tempo, mas eu não me importaria de passar ao seu lado
Notas iniciais
– Que feio, Kurt... Escutando atrás da porta. - Blaine tentava segurar uma gargalhada ao ver o rosto confuso de Kurt quando o pai e filho abriram a porta. — Mas que bom que você escutou a conversa, isso nos poupa um grande trabalho. - Empurrou o filho em direção ao ex-marido.
– Pai, desculpa... - Disse com os dentes cerrados e as mãos juntas.
Kurt sorriu e abraçou o filho, ficaram ali por alguns segundos.
– É tarde, eu deveria ir. - Blaine quebrou o abraço dos outros dois. Ambos pai e filho pareciam chateados com a notícia do Anderson tendo que ir embora.
– Sobremesa. - Disse Kurt descompassado tentando criar alguma desculpa para passar mais tempo com Blaine. Não que seu subconsciente soubesse que estava fazendo isso. Apenas se sentia bem ao lado do ex-marido, e tinha medo de se sentir sozinho.
– Sobremesa? — Perguntou Blaine sem sequer saber que havia uma.
– É, sobremesa. - Leo entendeu e arrastou o pai pelo braço até o andar de baixo. Kurt segurou um sorriso e foi atrás dos dois.
– Quanto tempo eu não comia esse mousse de morango! - Blaine colocava na boca a última colher da sua taça de sorvete com mousse, sobremesa que Kurt costumava fazer quando estavam juntos. - Você precisa me passar a receita.
– Nada disso. Você é bom com o salgado e eu sou bom com os doces. Aliás, essa receita vai comigo para o túmulo. - Kurt sorriu e levou a ultima taça até a pia. - Bom... Leo sabe a receita também porque um dia me ouviu cantarolando e... Falando nele, onde esse garoto se meteu?
– Deve ter ido deitar. - Blaine se levantou da mesa ainda terminando de lamber os lábios pela deliciosa sobremesa que havia acabado de comer.
Na verdade Leo havia deixado o recinto assim que percebeu que aquela poderia ser uma chance dos pais ficarem sozinhos. Viu os olhares que Blaine dava à Kurt e não queria atrapalhar um possível momento. Estava em seu computador relatando seu dia para sua amiga em um e-mail enorme.
– Bom, você está indo então, não é?
Kurt não olhava nos olhos de Blaine.
– Não antes de te ajudar com a louça. - Blaine arregaçou as mangas do seu suéter cinza e se aproximou da pia, porém Kurt o puxou para longe.
– Nada disso, você é visita.
– Kurt, você não me convence assim. - Blaine cruzou os braços.
– Droga.
Kurt soltou um sorriso rápido e saiu da frente. Blaine pegou a esponja na gaveta enquanto Kurt havia ido até o outro cômodo, voltando de lá com um copo sujo que estava por lá e seu inseparável ipod.
– Kurt, não me diga que...
– Sim, e fique quieto.
– Depois de todo esse tempo?
– Qual é, Blaine. - Kurt gargalhou baixo e empurrou o ex-marido que gargalhava um pouco baixo também por acharem que Leo estava dormindo.
– Um homem crescido que não consegue lavar louça sem ouvir música, o que suas clientes diriam disso?
– É melhor ficar quieto antes que eu me revolte e te encha de espuma igual fiz aquela vez e... - Kurt hesitou em continuar. A história acabava em sexo no chão da cozinha, então parou ali mesmo. Blaine sorriu encarando o chão.
Colocou o ipod em modo aleatório em um som um pouco baixo enquanto pegava a esponja em uma mão e o detergente em outra. Blaine ficou com a tarefa de secar as louças que Kurt já havia lavado. A pia da casa era um pouco pequena então eventualmente os homens se esbarravam, porém sem estranhamento. Lavaram a louça entre sussurros de letras de músicas. De vez enquanto o mais novo olhava o castanho que lavava a louça e cantarolava ao mesmo tempo.
A última música havia se encerrado e a próxima estava prestes a começar. Assim que Kurt ouviu a batida moveu sua mão rapidamente até o aparelho para mudá-la, mas Blaine o impediu.
– Eu ainda gosto dessa música. - Sorriu sincero.
Kurt mandou uma mensagem para seu cérebro que não poderia corar naquele momento. Não no momento em que Blaine Anderson assumira que ainda gostava da música que era tema dos dois juntos.
Blaine soltou um sorriso encantador e deixou Kurt cantarolar junto com sua gravação vinda daquele pequeno ipod branco que tinha de estimação.
– Merely we fall out of line, out of line. I'd fall anywhere with you I'm by your side. Swinging in the rain, humming melodies. We're not going anywhere until we freeze... – A voz de Kurt era baixa com a gravação, mas como Blaine estava perto do castanho podia ouvila tranquilamente. - I'm not afraid anymore, I'm not afraid.
– Forever is a long time. – Blaine cantarolou também.
Os dois rapazes não cantavam há muito tempo, e não ouviam o outro cantando há muito tempo também. Bom... Kurt vivia ouvindo os CDs de Blaine, mas era diferente ao ouvilo sussurrar sua música tema ao seu lado. Logo os esbarrões pareciam significar alguma coisa.
– But I wouldn't mind spending it by your side. – Cantaram juntos.
– Carefully we're placed for our destiny. You came and you took this heart and set it free. Every word you write or sing is so warm to me, so warm to me, I'm torn.– Kurt foi entregar um prato para Blaine secar e as mãos se tocaram, os homens trocaram um sorriso rápido e logo desviaram os olhares. - I'm torn to be right where you are.
– I'm not afraid anymore, I'm not afraid. – Kurt continuou a cantarolar.
A versão do ipod de Kurt era a curta, logo a música acabava para o alívio dos homens que mal conseguiam suportar a tensão naquele cômodo. Mais alguns pratos depois os homens terminavam a louça.
– Bom, agora é hora de ir. - Blaine olhou seu relógio que já marcava depois da meia-noite. Caminhou até a sala e vestiu seu casaco preto sobre o suéter cinza que usava.
– S-sinta-se livre para visitar Leo sempre que quiser. - Kurt acompanhava o ex-marido até a porta. Ao chegarem, ninguém ousou em abrí-la.
– Vai ser bom, eu sou louco pelo menino. - Blaine sorriu sincero. - E tente pegar leve com todo esse lance dessa tal amiguinha virtual dele, tudo bem? — Kurt revirou os olhos. - Tudo bem, K?
– Tudo bem. Suspirou baixo.
– Boa noite pra você então, Kurt.
– Boa noite, Blaine.
Os homens foram dar um breve beijo na bochecha, mas cada um seguiu para um lado diferente. Pararam centímetros antes de um beijo acontecer, mas não se moveram. Se olharam por alguns segundos e então sorriram sem graça. Kurt aproveitou que Blaine havia se afastado e lhe deu o beijo na bochecha finalmente.
– Tchau. - Disse com um sorriso torto no canto dos lábios.
– Tchau.
Blaine abriu a porta e saiu. Kurt fechou os olhos e suspirou, poderia sentir o cheiro do perfume do outro se se esforçasse um pouco mais. Molhou os lábios e abriu os olhos, provavelmente esse era um efeito nostálgico que a música havia trazido. Sabe quando você ouve uma música e os sentimentos que você tinha quando a ouvia voltam? Não significa nada, apenas lembranças.
Kurt encarou o chão e se virou para subir as escadas quando Blaine entrou na casa novamente e fechou a porta com um tanto de força. O castanho se virou ao ouvir o impacto e antes que pudesse perguntar por qual motivo o ex-marido havia voltado, o músico havia colocado as duas mãos em seu rosto e puxado para um beijo, surpreendendo o castanho.
Há quanto tempo aqueles lábios não se beijavam? Há quanto tempo os rapazes desejaram por aquilo desde a separação? Kurt não correspondia o beijo, mas também não afastou Blaine, ainda tinha os olhos abertos da surpresa. Depois de alguns segundos se deu conta do que estava acontecendo e foi fechando os olhos e entregando seu lábio ao beijo que o Anderson roubara.
Era como se nunca tivessem parado de se beijar.
Era exatamente como se lembravam.
Kurt ousou colocar a mão na cintura de Blaine mas desistiu no meio do caminho. O beijo foi acabando lento e molhado, os lábios se encontrando e terminando em breves selinhos e uma mordida que fez Kurt quase levar os lábios de Blaine consigo. Abriu os olhos logo depois.
Blaine desviou o olhar e se afastou. Passou as mãos pelo cabelo como se não soubesse o que havia acabado de fazer e saiu novamente, só que dessa vez o Hummel foi capaz de ouvir o barulho do carro indo embora.
E ali estava Kurt, vinte e dois anos depois se sentindo do mesmo modo quando Blaine o beijava pela primeira vez na Dalton. Seus pés não estavam mais no chão e suas mãos percorriam seus lábios em uma tentativa de reviver o beijo um pouco mais. Blaine ainda tinha o poder de deixar o parceiro desnorteado.
" N-nós devíamos estar ensaiando... - Blaine sorriu não conseguindo manter os olhos nos de Kurt.
– Nós estávamos. — Blaine não conseguiu se conter e logo puxava o rosto de Kurt para o seu novamente, sugando aqueles malditos lábios que tinham o sabor do café que Kurt sempre pedia.
As línguas em sintonia, os lábios praticamente roxos de serem sugados. O cabelo de Kurt estava bagunçado e a gravata já havia sido desfeita em uma tentativa de trazer o castanho mais pra perto. Não era como se aquele fosse seu primeiro beijo, mas era seu primeiro beijo com Kurt.
– Blaine, cara, você precisa me ajudar à achar o David... Ele está em encrenca e... - Wes parou de falar quando percebeu o que estava acontecendo naquela sala. - Atrapalhei?
– É, atrapalhou. - Blaine soltou um olhar de reprovação para o amigo e se afastou do rosto de Kurt que estava totalmente vermelho. - M-mas o que você disse sobre David estar encrencado?
– O diretor encontrou Tessa saindo escondida pelos portões dos fundos e agora está procurando David para puní-lo. Você sabe que é estritamente proibido namorar nas dependências do colégio e... - Wes percebeu. - Ou talvez não saiba. - Blaine revirou os olhos. - De qualquer jeito, precisamos achá-lo antes do que o diretor.
– Eu estou meio ocupado agora...
– Pode ir. - Kurt sorriu tentando ignorar o olhar de Wes sobre si. – Tudo bem. — Blaine assentiu para si mesmo, rabugento. Wes correu para o lado de fora da sala não querendo testemunhar um beijo de despedida.
– Não vá pra muito longe, eu ainda quero terminar isso. - Blaine sorriu encantador. - Digamos... Telhado, às oito?
– Te encontro lá.
E antes que Kurt pudesse raciocinar, seus lábios foram tomados em um breve selinho e Blaine correu pra fora da sala procurando por Wes. E lá ele estava, de cabelos revirados e bochechas coradas. Um inverno horrível, mas tudo que Kurt conseguia sentir era calor."
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