Leo havia conseguido convencer seus pais a passar um final de semana na casa do avô com a desculpa de que o velho homem havia o prometido ensinar a trocar o pneu de um carro. Blaine deixou o filho lá sexta-­feira à noite. Burt e Carole já estavam na cama, o que fez Leonard pensar que talvez conseguisse arrancar alguma informação de seus pais pelos seus tios.

– É hora de dormir, tampinha. -­ Finn sorriu ao passar pela sala e ver que Leo ainda estava acordado com um enorme livro de fotografias no colo aberto pela metade.

– Tio Finn, você acha que um dia meus pais talvez voltem a ficar juntos? — Perguntou sincero, o grandalhão lhe passava um ar de confiança do qual resolveu arriscar.

– Espero que sim, apostei com Rachel há alguns anos que eles ficariam juntos no final das contas... Cem pratas. -­ Gargalhou e se sentou ao lado do sobrinho. ­- Por que a pergunta?

– Não sei, depois da morte de Douglas fiquei pensando nessa possibilidade. -­ Leo colocou todas suas habilidades artísticas em cena e olhou para o alto com os olhos brilhando. -­ Você teria alguma história dos meus pais pra me contar?

– Não, garoto... Faz um tempo já que eles se separaram...

– Por favor... ­- Leo tinha o olhar de cão abandonado igual ao de Blaine.

Então Leonard e Finn conversaram por horas sobre tudo que sabiam sobre seus pais. Sobre o pedido de casamento, o casamento, as noites de núpcias (os detalhes que ouviram por trás das paredes e o drama ao saberem da morte dos pais de Blaine). Leo tentava guardar tudo em sua mente para talvez um possível proveito futuramente.

O resto dos dias na casa do avô se passaram exatamente iguais. O garoto havia conseguido informações sobre os pais até com os vizinhos mais antigos. Era domingo à noite quando voltou para casa com a mochila cheia de fotos, lembranças, alguns CDS de seu pai no qual as músicas eram dedicadas para Kurt e uma enorme esperança de ser uma família novamente.

– Onde você está indo? A casa do papai é por ali... -­ Leo levantou o olhar ao ver que o Hummel dirigia em um caminho oposto ao costumeiro.

– Estamos indo pra casa, não podemos ficar morando na casa de Blaine pra sempre. ­- Kurt respondeu casto enquanto observava o farol à sua frente ficar vermelho.

– E vocês nem me avisam disso? -­ Praticamente gritou, abalado com a notícia. -­ Eu gostava de morar com o papai, você não podia fazer isso comigo sem ao menos dar chance de me despedir. Você praticamente não sabe os danos de uma separação paternal em um adolescente e... -­ Kurt o interrompeu.

– Blaine está lá em casa nos esperando para jantar. -­ Sorriu um pouco. ­- E menos drama, Leonard. Aqui não é a Broadway.

Leo ignorou seu pai ter ganhado a discussão e observou a janela afora. O inverno estava começando a ficar mais rígido e não se acreditava que mais alguns meses já seria final de ano. Assim que o carro estacionou na garagem da sua antiga casa, o adolescente saltou do carro e correu porta adentro.

Kurt encontrou o filho abraçando o pai em uma cena adorável enquanto Blaine tentava abraçá-lo de volta e molhar o peru com a gordura. Kurt gargalhou e ajudou o ex­-marido. Sentaram-se à mesa juntos igual fizeram todos os dias desde a morte de Douglas.

– Foi bom o final de semana na casa de Burt? -­ Blaine perguntou enquanto servia o prato dos demais presentes na mesa, Leo apenas assentiu rapidamente.

Todos compartilharam um sorriso e o silêncio se instalou no cômodo. Eram ouvidos apenas o barulho dos talheres no prato e o maldito gato da vizinha que sempre miava esse horário da noite.

– Alguma novidade, Leo? ­- Kurt insistiu.

– Eu acho que sim... Queria pedir dinheiro emprestado pra ir assistir ao campeonato de ginástica olímpica que vai acontecer no centro de eventos aqui da cidade. -­ Disse empolgado. ­- É que minha amiga vai se apresentar e eu realmente queria conhecê-­la. Posso ir, né?

– Que ótimo, Leo. ­- Blaine sorriu. ­- É claro que você pode ir... ­- Kurt o interrompeu.

– Essa menina é aquela tal Linda Applebee? ­- Perguntou sério.

– Linda Applebee? Quem é, Leo? Uma namorada? ­- Blaine sorria ao ver o filho ficar com vergonha e suas bochechas rosarem.

– É ela sim, e é só minha amiga, por favor. -­ Leo fez os olhos de cachorro abandonados do pai.

– Claro que pode.

– Não.

­ Kurt e Blaine falaram simultaneamente.

– Qual o problema no garoto ir ver a amiga competir? — Perguntou Blaine.

– Ele nunca a viu pessoalmente, até onde eu sei é uma menina que mora em Nova Iorque e conversa com ele há anos. Sabe-­se lá que perigo a internet pode trazer a um garoto de dezessete anos. ­- Kurt estava decidido. ­- Você não vai.

– Mas pai...

– Eu não quero ver meu filho sendo sequestrado por um estranho que há anos planeja te encontrar, Leonard. O assunto está encerrado aqui. -­ Kurt voltou sua atenção ao prato.

– Papai... -­ Leo poderia chorar se quisesse.

– Kurt, milhões de pessoas se conhecem pela internet e nenhuma delas é um pedófilo. Podemos ir junto a esse campeonato, conversar com os pais dessa tal garota, ou com sua treinadora... -­ Kurt largou os talhes com brutalidade.

– Blaine, você não sabe. Leonard é louco por essa menina desde os doze anos. Ele é capaz de nos enfrentar por causa dela. Lembra que você disse sobre ligações extensas a um número de DDD diferente quando deixava Leo sozinho? Linda! ­- Kurt falava com um pouco de pressa. ­- Meu filho não vai.

– Kurt, pense melhor. -­ Blaine tinha o tom de voz calmo. -­ Acho que se proibirmos Leo de encontrar essa tal amiga pode ser ruim para o desenvolvimento dele e...

– Desenvolvimento? — Kurt engasgou. -­ Você mal esteve perto para ver suas primeiras palavras e agora quer criá­-lo do seu jeito? Eu crio as regras desde quando esse menino era uma criança, e se eu digo que ele não vai, ele não vai.

– Mas pai...

– Eu já disse que não!

– Eu te odeio! ­- Leonard gritou e correu até seu quarto no andar de cima, obviamente chorando com a ignorância do pai mais velho.

Blaine olhou para Kurt com uma cara como quem lhe dissesse "olha o que você provocou", colocou seu guardanapo sobre a mesa brutamente e foi atrás do filho. Kurt passou as mãos pelos cabelos e suspirou forte, não sabendo o que havia acontecido para o clima mudar de agradável para inferno.

Blaine subiu as escadas lentamente e caminhou até o quarto do filho. Não havia prestado atenção na casa mais cedo, mas continuava exatamente do jeito que havia a deixado anos atrás. Até mesmo os arranhados no papel de parede que Blaine havia deixado de tanto arrastar os móveis pela casa.

Chegou à porta de Leo e, como esperado, estava trancada.

– Vá embora. ­ Disse a voz vinda de dentro.

– É o seu pai legal.

Blaine sorriu e esperou alguns segundos. Logo a porta se abria lentamente dando espaço para um adolescente dos cabelos cacheados e olhos vermelhos. Blaine forçou um sorriso e entrou no cômodo do filho.

Era engraçado estar ali. Antes aquele quarto era recheado de âncoras e desenhos infantis, agora era repleto de pôsteres pelas paredes, nas prateleiras os bichinhos de pelúcia haviam sido substituídos por itens de colecionador e boxes de algumas séries. Blaine terminou de dar uma olhada no local e se virou para encarar o filho.

– Por que ele consegue ser tão chato quando quer? — Leo perguntou, se jogando na cama de bruços. ­- Não me admiro que você tenha se separado dele.

– Não foi bem assim que aconteceram as coisas. -­ Blaine sorriu e se sentou no canto da cama do filho. -­ Mas você precisa ser mais paciente, você puxou ao seu pai em ser tão explosivo desse jeito.

Passou a mão pelos cachos do filho. ­ E o que Burt e Finn colocaram na sua cabeça esse final de semana? Leo levantou o olhar e se sentou na cama.

– Como assim?

– Eu posso não ter morado com você desde os dois anos de idade, mas eu conheço seu pai e vocês são praticamente iguais. Sei que essa história de fazer eu e Kurt voltar ainda está na sua cabeça... E sei que você quis passar o final de semana na casa do seu avô para buscar algumas histórias. Eu sou muito bom em adivinhações.

– Sério? -­ Leo perguntou com um sorriso no rosto.

– Não. ­- Gargalhou. -­ Quinn me ligou pedindo desculpas caso houvesse algum problema e eu liguei as coisas. -­ Blaine deixou um sorriso no rosto.­ — Se você quer tanto saber sobre a história de seus pais, porque não nos pergunta?

– Fácil. -­ Revirou os olhos. ­- Meu pai sempre dá um jeito de fugir do assunto, ou falar que não interessa mais porque é coisa do passado.

– Isso porque você nunca perguntou a mim. ­- Blaine sorriu.

– Você me contaria? ­- Seus olhos brilharam.

– Você pediria desculpas ao seu pai por ter dito que o odiava?

– Você me deixaria ir ao campeonato de ginástica olímpica?

– Você é bom em chantagem. ­- Blaine sorriu e se levantou. -­ Vamos, garoto.

Notas finais
BLAINE VEM PRA MINHA VIDA POFAVO