Roommate for Unknown
10 #10 Seu corpo é um imã ao meu
Notas iniciais
Por maior que fosse a insistência de Burt, todos acharam melhor não sobrecarregar o velho homem e decidiram voltar à suas casas. Rachel se sentiu horrível por ter que voltar à Nova Iorque tão cedo, mas Kurt jurou à diva que entendia e que iria visitá-la assim que se sentisse melhor. Mercedes voltou para Los Angeles e Quinn voltou para New Heaven com Finn e, eventualmente, Blaine, Kurt e Leo voltaram para casa.
Na verdade, Blaine arrastou Kurt até a sua casa, não deixando o castanho voltar para a casa onde morava com Douglas por ainda ser cedo e poder trazer más lembranças. Entraram no apartamento em silêncio.
– Leo, você não quer ir na casa de Calvin por algumas horas? Acho que seu pai e eu precisamos descansar um pouco depois de tudo isso. — Encarou o adolescente fazer um rosto de "no way". — Por favor.
Leo rolou os olhos e assentiu, indo até o apartamento do lado e batendo algumas vezes na porta. Blaine fechou a entrada do apartamento e quando se virou encarou Kurt que tinha os braços cruzados na altura do peito.
– Você não precisava fazer isso, Blaine. — Kurt falou um pouco rouco. — Eu poderia enfrentar tudo isso sozinho.
– Eu sei que você poderia e conseguiria, mas eu não iria deixar isso acontecer. — Esboçou um pequeno sorriso em seus lábios. — Você vai ficar aqui por um tempo, com Leo e comigo, para se sentir melhor.
– E-eu não quero incomodar, Blaine.
– É a décima e última vez que vou te falar isso, Kurt. — O compositor deu alguns passos à frente. — Você não incomoda, eu quis te trazer pra cá. Não iria nunca te deixar sozinho naquela casa.
– Obrigado pelas coisas que está fazendo por mim. — Sorriu sentando-se na banqueta que ficava no balcão da cozinha. — Não sei, me senti ruim por deixar meu pai sozinho e... — — Blaine o interrompeu.
– Ele tem Carole. Você mesmo achou melhor não preocupá-lo com seus problemas! — Blaine procurou o bule nas prateleiras, pronto para fazer café para a "família" como muito tempo não fazia.
– Eu sei, mas ao mesmo tempo sinto que estou ausente... Eu e meu pai costumávamos ser inseparáveis. — Suspirou. — Depois que tudo passar vou passar um tempo com ele. Talvez na fazenda, não sei.
– Leonard adora a fazenda. — Blaine sorriu colocando a chaleira no fogão com a água para esquentar, finalmente observando o ex-marido. — E seria bom pra você... Tirar umas férias, não sei.
– É.
Blaine percebeu que Kurt encarou o chão e que seus olhos estavam mais brilhantes que o normal. Percebeu que o ex-marido estava chorando quando viu uma lágrima caindo. Sentiu um aperto no coração, deu a volta no balcão e abraçou o castanho.
– Ei, Kurtie. — Levantou o queixo do estilista, chocando seus olhos contra os azuis do outro homem. — Você tem olhos lindos e vê-los cheios de lágrimas não é a melhor maneira de admirá-los.
– Essa frase é minha. — Kurt soltou um sorriso enquanto Blaine limpava suas lágrimas que caíam nas bochechas rosadas do castanho.
– Eu sei, só queria te fazer sorrir.
– Por que elas conseguiram e eu não? — Leo jogou sua cabeça contra o sofá enquanto assistia o filme "Operação Cupido" na cena em que os pais das meninas gêmeas finalmente ficaram juntos.
– Você ainda está com a ideia de juntar seus pais na cabeça? — Calvin pausou o filme e encarou o amigo que tinha os olhos fechados e a cabeça pressionada contra o couro branco do sofá. — Leo, isso não vai dar certo. Seu padrasto acabou de morrer, isso é doentio da sua parte. O que seu pai menos está pensando agora é em ter um novo-velho marido.
– Me empresta seu notebook? — Deu de ombros pras coisas que o amigo dizia. Calvin assentiu e entregou o mac para o amigo, enquanto despausava o filme e continuava a assistir a trama.
Assim que entrou o skype, já foi chamado para uma conversa.
Linda diz: Pensei que você tinha morrido, jogado em uma fossa e estavam procurando seu corpo até hoje. Pelo amor de Deus, Leonard, por que você sumiu assim? Quer saber? Não precisa se explicar. Eu estou MUITO chateada com você. Nem me ligar você ligou mais!
Leo diz: Me desculpa.
Linda diz: Fácil pra você falar. O que aconteceu que você sumiu desse jeito?
Leo diz: As coisas ficaram bem feias aqui. Douglas morreu.
Linda diz: O quê??!
Leo diz: Sim, meu pai está lá em casa agora, estou na casa de Calvin. Só entrei no skype pra te contar e falar que estou com saudades, e que provavelmente vou sumir mais uns dias... Eu realmente senti sua falta nesses dias, mas não pude fazer nada, estava na casa do meu vô e não tinha como te ligar. Meu pai está passando por uma barra muito pesada! :(
Linda diz: Quem é Calvin?
Leo diz: De tudo que falei, você só prestou atenção nisso?
Linda diz: Sinto muito pelo seu pai.
Leo diz: Tudo bem... E Calvin é um garoto que mora do lado do apartamento do meu pai. Agora que estou morando aqui tive que me enturmar, já que todos da minha sala parecem ter um preconceito por eu ser filho de dois homossexuais.
Linda diz: Entendo, mas não achou que talvez pudesse me avisar? Somos amigos há anos e você nunca ficou offline mais de vinte e quatro horas. Fiquei MUITO preocupada com você!
Leo diz: Já pedi desculpas, que coisa!
Linda diz: O que aconteceu com aquele Leonard que eu costumava conhecer?
Leo diz: Ele ainda continua aqui, só não estou acreditando que você realmente está brigando comigo porque tive que me ausentar por causa do meu pai. Isso é egoísta demais, Linda!
Linda diz: Eu deveria pedir desculpas por me preocupar com você?
– Leo, posso colocar play em Jogos Vorazes ou você vai continuar no computador? — Calvin chamou a atenção do adolescente que digitava com os olhos vidrados no computador.
– Oh, sim, claro. Só vou me despedir aqui. — Deu um sorriso fraco.
Leo diz: Esquece.
Linda diz: É fácil fugir dos problemas.
Leo diz: Olha, não tenho tempo pra drama agora. Tenho dois pais que estão passando tempo juntos como um casal mas não conseguem expressar isso além de uma amizade estranha e tenho um padrasto que gerou ainda mais confusão na minha família morto do que vivo. Seu ciúmes é a última coisa que preciso agora!
Linda diz: Ciúmes?
Leo diz: Tá na cara que você está mais preocupada comigo estando na casa de Calvin do que com as coisas que estou passando.
– Leo.
– Já vou.
Leo diz: E agora, se você me permite, vou sair e assistir um filme, tirar minha cabeça desse mundo cheio de problemas. Gosto muito de você pra deixar nossa amizade acabar assim. Conversamos depois.
Leonard está offline.
O adolescente fechou a tela do notebook com um pouco de força e ignorou o olhar vindo de Calvin. Apenas puxou as cobertas até a altura do queixo e sorriu ao ver o amigo colocar play no filme na televisão. Excluiu os pensamentos que o faziam ficar mal sobre Linda e tentou focar apenas no filme que estava ansioso de assistir desde que saíra nos cinemas.
[...]
Leo já estava no quarto dormindo. Blaine saiu do banheiro vestindo uma calça de moletom e uma camiseta quando percebeu a luz da sala acesa. Caminhou até o local e encontrou Kurt com uma xícara de chá em mãos assistindo televisão, uma série que pôde reconhecer de longe.
– Downton Abbey, depois de todos esses anos?
– Descobri que eles iriam reprisar. — Sorriu sem graça e voltou sua atenção para a televisão. Blaine pegou uma xícara no armário, colocou um pouco de água quente e deixou seu sachê de chá ali.
– Você deveria estar dormindo. — Disse preocupado. — Faz três dias que você não prega os olhos.
– Corrigindo: faz três dias que não deixo você me dopar com calmantes. — Blaine tentou esconder uma risada, mas não conseguiu. — E se o que meu pai falou é verdade, você não dorme também desde que aconteceu tudo isso.
– Eu tinha que ter certeza que você ficaria bem. — Sorriu se sentando ao lado de Kurt do sofá, se aconchegando com o quente da pequena lareira no cômodo.
– Você precisa parar com essa mania de querer me proteger de tudo e de todos. Não estamos mais no ensino médio, Blaine. — Kurt pegou a mão livre do ex-marido. — Por mais que me faça bem essa sua atenção.
– E-eu não sei se consigo, Kurt. — Encarou o chão. — Eu me sinto tão bem podendo te ajudar, e você nunca reclamou antes de eu querer te ajudar. — Blaine tentou esconder um bocejo, em vão.
– E eu não estou reclamando agora. — Kurt soltou da mão de Blaine, desligou a televisão e se levantou, ficando de frente para o sofá. — Mas acho que agora chega. É minha vez de cuidar de você! — Blaine levantou uma das sobrancelhas. — Você está um horror, Blaine.
– Obrigado. — Sorriu sem graça.
– Não, você não é um horror, mas você está um. Você costumava ser lindo, Blaine. — Kurt tentou ignorar o rubor em suas bochechas que começava a aparecer. — E agora está com essas bolsas enormes em baixo dos olhos, essa barba por fazer e tudo isso por que está cuidando mais de mim do que de você.
– Kurt...
– Não. — Kurt pegou a caneca das mãos de Blaine e colocou em cima da mesinha de centro da sala. — Vou te colocar pra dormir a-g-o-r-a.– Disse pausadamente. — Tudo bem?
– Tudo bem. — Finalmente concordou, bocejando de leve mais uma vez.
O estilista estendeu a mão e Blaine a pegou. Andaram em silêncio até o quarto onde Kurt preparou a cama para Blaine enquanto o ex-marido se encostava no batente da porta, lutando contra o sono.
Observaram Leo dormir na cama de solteiro improvisada sem entender o motivo. O adolescente não dormia na cama de casal enquanto Blaine dormia na de solteiro? Blaine tentou ignorar sua mente falando que o filho havia trocado de cama para fazer os pais dormirem juntos, uma vez que seria menos constrangedor pai e filho dormirem juntos do que ex-maridos.
– Pronto. — Sussurrou já que Leo dormia no canto do quarto. Kurt havia preparado o lado esquerdo da cama (como ele ainda lembrava que Blaine preferia dormir desse lado?).
Blaine rastejou até a cama e se jogou. Kurt o cobriu sorrindo. Blaine piscou lentamente algumas vezes, mas logo seus olhos ficaram pesados demais para abri-los. Apenas resmungou quando viu Kurt se afasta. — Onde você vai? — Perguntou com um tom dorminhoco em sua voz.
– Fechar a porta da frente.
– Você não vai dormir no sofá, vai? — Blaine sussurrava de olhos fechados, aproveitando a cama confortável que nem lembrava que tinha.
– Não, eu já volto. — Sorriu sem graça e saiu do cômodo.
Durante o caminho até a porta de entrada Kurt ficou se lembrando de como dormir com o ex-marido seria estranho. Como isso se pareceria como "trair Douglas", por mais que o mesmo já não estivesse mais aqui. Porém ao mesmo tempo precisava daquilo. Conviver mais com Blaine e Leo trazia uma certa paz ao castanho, fazia esquecer aqueles momentos ruins que passou ao lado do caixão do marido.
Sentia falta de uma "verdadeira família", pois não se sentia assim com Douglas mais. Ok, talvez a morte do marido tenha feito Kurt pensar que ele fosse bom, mas convivia com o terror todos os dias, e sabia disso. Sabia que Douglas era longe de ser um bom marido, mas ainda assim seria desumano não sofrer sua falta após a morte.
Girou a chave na maçaneta e caminhou lentamente até o quarto. Fechou a cortina que trazia a luz dos outros prédios e caminhou até a cama no breu do quarto. Chocou sua cabeça contra o travesseiro e suspirou, finalmente tendo um pouco de sono para fechar os olhos e finalmente conseguir dormir.
Era uma noite fria e cobertas não eram suficientes. Seria inevitável que ambos os corpos procurassem outra fonte de calor. Não demorou muito até Kurt e Blaine estarem abraçados na cama, dormindo como dois anjos. Foi por instinto do corpo. Nenhum dos dois homens se deu conta que estavam assim durante a noite, mas mesmo se percebessem, provavelmente não se distanciariam.
Leo que gostou da imagem que viu quando levantou pela manhã.
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