Roommate for Unknown

11 #11 Será que um dia verei os sinos do casamento?


Notas iniciais
Flashback.

"Blaine se olhava no espelho pela décima vez nos últimos trinta segundos. Suas mãos suavam frias e podia jurar que seu coração palpitava como se fosse saltar pela boca. Seus olhos percorram mais uma vez diante do espelho, tentando achar o que diabos estava de errado naquele visual.

– Toc toc. – Brincou Cooper colocando a cabeça dentro da porta.

Blaine deu um sorriso sem graça e fez sinal para o irmão entrar. Cooper fechou a porta atrás de si rapidamente e caminhou até o irmão, que desfazia e fazia o nó da gravata pela terceira vez naquele dia.

As mãos do Anderson menor tremiam, e então a gravata foi solta em sinal de desistência. O moreno andou pra longe do espelho e se jogou na poltrona do quarto em que estava. – O papai veio?

– Não. – Cooper respondeu sincero.

Blaine sabia que aquele seria o melhor dia de suas vidas, sabia que queria se casar com Kurt no dia em que beijou o castanho pela primeira vez, porém era como se o cosmos estivesse mandando esse enorme aviso para voltar atrás e não fazer isso. Antes que Blaine pudesse falar alguma coisa, Cooper continuou.

– Você deveria ajeitar essa gravata. O noivo deve estar no altar em cinco minutos.

Puxou o irmão pelo braço e o colocou na frente do espelho. Não esperou que Blaine arrumasse, então passou suas mãos ao redor do pescoço do menor, quais os olhos estavam vagos e as pupilas mais dilatadas do que nunca. Arrumou a gravata em seu estágio final e saiu de frente ao espelho, deixando o noivo se ver por alguns instantes. Blaine jogou os braços ao alto em desistência.

– É isso, vou colocar gel. – Blaine caminhou com passos largos até o banheiro.

Cooper correu atrás do irmão e o trouxe novamente até o quarto em que antes estavam.

– Kurt fez você prometer que não usaria gel no dia do seu casamento, e você me deixou encarregado disso, lembra? – Sorriu para o irmão que tinha as sobrancelhas baixas. – Blaine, o jardim está mais decorado do que nunca. Seus votos estão comigo, as alianças também e Kurt está do outro lado do corredor extremamente bonito. Esse é o melhor dia de sua vida. Não se apavore.

– Você tem razão. – Sorriu sincero. – Posso dar uma última lida nos meus votos?

– Tudo bem. – Cooper levou a mão ao bolso do lado de dentro do paletó. – Talvez você queira se apavorar um pouco. – Blaine levantou o olhar até o irmão. – Meu bolso está furado.

Burt deu o braço para Burt e assim que todos se levantaram para a chegada do castanho a banda começou a tocar uma versão instrumental e mais lenta de Teenage Dream. Provavelmente muitos ali se perguntariam o porquê da música de Katy Perry estar tocando e não a marcha nupcial, porém os únicos que precisavam saber o motivo tinham ambos sorrisos nos lábios.

Fora Kurt quem escolhera que o casamento fosse celebrado nesse lindo quintal em um domingo de manhã. Tudo foi organizado pelo Hummel mais novo e por sua madrasta. Carole ajudou e muito para que a cerimônia fosse realizada da maneira mais perfeita possível.

Também com Blaine no pequeno altar estavam Finn e Quinn como padrinho e madrinha de Hummel e Rachel como madrinha de Blaine, enquanto Cooper revirava o hotel inteiro procurando pelas malditas alianças e pelo papel com os votos de Blaine. É claro que o moreno havia se precipitado e convidado Sam para ser seu padrinho, e provavelmente Sam não perderia as alianças e seus votos antes da cerimônia, mas achou que Cooper deveria participar disso. Kurt sabia que o futuro marido estava apenas usando Cooper de padrinho como uma desculpa para compensar o pai que não iria ao casamento.

Na primeira fila estavam sentados ao lado direito a mãe de Blaine, David, Wes e sua namorada Lindsay. Alguns warblers completavam as fileiras de trás assim como colegas de time de lacrosse que Blaine participava.

Já do lado esquerdo na primeira fileira estavam Carole à espera por Burt, Mercedes e uma prima de Kurt que misteriosamente adorava demais essa relação entre o Hummel e o Anderson.

A nova marcha tocava e Kurt apareceu no final do tapete branco contrastando com a grama. Kurt vestia um elegante terno preto parecido com o de Blaine, porém sua gravata era da cor branca. Um sorriso enorme estampava seu rosto e seus olhos azuis estavam quase vermelhos de lágrimas que caíam de felicidade.

Blaine estava se mantendo forte deste então, porém ao ver seu noivo tão perto de si, dois jovens tão perto de serem marido e marido pôs-se a chorar no alto do altar. Suas pupilas estavam dilatadas e Kurt caminhava lentamente junto com Burt até o final do altar.

– Cuide bem do meu menino. – Burt disse assim que soltou de Kurt, dando um abraço forte no genro. Blaine apenas assentiu com a cabeça apoiada no ombro do mais velho.

Assim que desvencilhou do abraço, Blaine estendeu a mão para Kurt que a pegou no mesmo momento. Ambos tinham um sorriso no rosto. O velho homem esperou os balbucios terminarem para então dar início à cerimonia. Coincidentemente, era o mesmo juiz de paz que fizera o casamento de Burt e Carole.

Antes que o mestre de cerimônias pudesse dizer alguma coisa, Kurt sussurrou: — Você fica lindo sem gel, sabia?

– Bom dia a todos os presentes. É a segunda vez em minha vida que realizo um casamento da família Hummel, e como tradição o Sr. Kurt Hummel planejou toda a cerimônia sozinho, tirando novamente as partes que ele achava chata para a mesma. – Algumas risadas foram ouvidas. – Então passo direto para a parte dos votos, onde os noivos declamarão seu amor. – O juiz de paz sorriu para Kurt. – Você primeiro.

Quinn entregou uma folha de papel para Kurt. O castanho agradeceu para a loira que estava demasiadamente linda em um vestido branco na região do busto com uma saia marfim que destacava a cor de pele da Fabray. Rachel tinha o mesmo tom de cores com um vestido de modelo diferente.

Kurt rolou os olhos pelo papel e alternava em olhar para seu noivo em alguns instantes.

– Minha mãe se foi quando eu tinha oito anos, e até os meus dezessete anos eu nunca tive nenhuma referência de amor até meu pai conhecer Carole. Passei minha infância inteira assistindo a filmes de conto de fadas e me perguntando quando meu príncipe viria em um cavalo branco me buscar. E então quando me tornei adolescente, tive que encarar a realidade e perceber que não viria ninguém. – Algumas lágrimas escorriam pelos olhos do Hummel, porém Kurt continuava lendo seus votos calmamente. – Eu estava enganado. – Olhou Blaine no fundo dos olhos. – Creio que um dia se deixar de te amar ficarei louco. Você é tudo que eu vejo, tudo que respiro. Perdi a conta de quantas vezes tentei olhar pra trás e descobrir quando nossa vida se tornou uma só, mas estamos juntos desde que me lembro. Você é companheiro, gentil, atencioso e perfeito. Não me vejo em um altar como esse com ninguém mais do que você. Estou pronto para me tornar um Anderson-Hummel para o resto de minha vida. – Kurt dobrou o papel e colocou no bolso de seu paletó, encarando Blaine cair em lágrimas com um enorme sorriso no rosto. – Eu te amo, e antes que qualquer um pergunte, eu aceito me tornar seu marido. – Blaine sorriu de uma maneira que nunca havia sorriso antes. Cooper chegou alguns instantes antes e sussurrou que não havia achado a folha com os votos, porém colocou a caixinha de veludo com os anéis no bolso do paletó do irmão.

– Me atrasei muito?

Mona se assustou ao ouvir a voz do marido ao seu lado. O Sr. Anderson tinha olhos cansado porém sua mulher conseguia enxergar felicidade em seu olhar. A velha senhora sorriu para o marido e sentou um pouco mais para o lado, para que o Anderson pai pudesse assistir à cerimônia.

– Kurt já disse seus votos, mas acho que chegou a tempo para ouvir seu filho.

– Kurt, e-eu... – Blaine gaguejou e Kurt arregalou os olhos. Os jovens estavam revisando seus votos por semanas para isso não acontecer. Talvez Blaine pudesse lê-los, como Kurt fez.

– Onde estão seus votos? – Sussurrou.

– E-eu pensei que chegaria aqui hoje, falaria à você meus votos e você me acharia o cara mais perfeito desse mundo por expressar tão bem meus sentimentos em tantas palavras bonitas e planejadas, porém eu... P-por um ato do destino, eu perdi meus votos hoje.

– Você o quê? – Kurt falou em um sussurro alto.

– E eu não consigo me arrepender por isso porque a imagem que estou vendo agora, você nesse altar comigo, seria a inspiração perfeita para reescrevê-los para você. – Kurt suspirou aliviado conforme o noivo improvisava seus votos em sua frente. – N-nunca acreditei em destino. Sempre soube que qualquer decisão que você toma pode mudar sua vida totalmente. Fico feliz por no dia que te conheci ter parado alguns segundos para observar um cachorro lutando contra uma árvore, ou por ter me atrasado passando gel demais em meus cabelos porque esse tempo perdido foi o tempo certo para te encontrar no alto daquela escada. – Kurt tinha algumas lágrimas caindo em seu rosto, assim como Mona. A velha mulher não sabia que Blaine se sentia assim. Muito menos seu marido ao vê-lo segurar algumas lágrimas. – S-sei que você não acredita em Deus, mas agradeço à ele todos os dias por ter colocado uma benção em meu caminho, um milagre que me fez descobrir e me encantar todos os dias com esse seu olhar azul que enche meu dia de alegria. E antes que eu possa falar que também aceito ser seu marido, quero te avisar que seremos Hummel-Anderson, porque a partir de hoje quero te colocar em primeiro plano todos os dias em minha vida. Eu te amo e não há outra pessoa com quem eu gostaria de estar agora a não ser você.

Kurt demorou alguns segundos para engolir as lágrimas e finalmente conseguir falar alguma coisa. — Nada mal para um discurso improvisado. – Disse divertido. Blaine apenas soltou uma gargalhada que abafou com seu choro baixinho. O mestre de cerimônias havia se emocionado também, assim como o resto dos convidados. Então a cerimônia continuou:

– Diante dos votos, tenho a certeza que a união desses dois jovens se faz nada mais, nada menos do que por amor. Onde duas almas descobrem uma a outra no meio de milhares de outras sozinhas, procurando por abrigo. Esses dois homens em minha frente juraram diante de nós nunca se magoarem, ou deixarem de amar um ao outro. Isso, meus senhores, é a prova viva de que não existem barreiras para o amor.

Rachel chorava desesperada, deixando as lágrimas caírem inconscientemente. Diante dos votos dos amigos, ou diante da cerimônia realizada pelo juiz de paz observou Finn algumas vezes, porém o ex-namorado parecia confortável ao segurar a mão de Quinn.

– As alianças? – Kurt sussurrou à Blaine.

– C-claro. As alianças. – Apalpou os bolsos e deles tirou uma caixinha de veludo preto. Dentro dela haviam duas alianças praticamente do mesmo tamanho douradas. Blaine pegou a menor assim que Kurt dava a mão para o marido.

O círculo deslizou pelo dedo anelar da mão esquerda de Kurt enquanto o juiz de paz falava suas palavras. – A aliança dourada agora sela o matrimônio dessas duas pessoas que se amam. Um círculo representará o amor dos dois de uma forma onde não há fim. – Kurt repetiu o ato.

– Faço de minhas palavras a palavra do Estado. Estes homens agora podem se chamar de marido, e usarem a partir de agora o sobrenome de Hummel-Anderson. – Todos se levantaram e aplaudiam. O juiz de paz e velho amigo da família encarou Blaine. – Você sabe o que fazer.

Pego de surpresa, Blaine segurou Kurt nos braços e roubou um beijo do agora marido, deixando o castanho sem fôlego. De agora em diante, quando fossem se referir aos homens, não poderiam usar “o Hummel” ou “o Anderson”, porque agora Blaine e Kurt eram oficialmente Hummel-Anderson.

Desde então o relacionamento entre a família Anderson havia aumentado. Foi uma prova de fogo para Blaine e Cooper quando souberam que Mona e Andrew haviam morrido em um acidente de carro horas depois do casamento. Blaine e Kurt ainda estavam em lua de mel quando a notícia veio à tona. Mas essa é uma história pra outro capítulo."