Room Mate

1 Capítulo 1


Stiles encarava o teto de seu quarto com uma expressão de poucos amigos na face. Ele já não aguentava mais. Se o homem pudesse invocar projéteis de bazuca pelos olhos, ele, com toda a certeza do mundo, os invocaria agora, para explodir o chão do apartamento de cima e finalmente fazer a paz reinar. Ele não aguentava mais a gritaria que ocorria lá em cima. O homem de cabelos castanhos rolou na cama, cobrindo o rosto com o travesseiro, tentando ignorar aquela barulheira novamente.

No entanto, sem sucesso, voltou a posição anterior, suspirando irritado e desapontado. O castanho virou o rosto para o lado, constatando que dormira apenas seis horas. Seis fucking horas. Ele vivia uma vida adolescente, mesmo já sendo um homem formado e que sustentava a si mesmo. Ele ainda estava em sua adolescência prolongada. Era como gostava de chamar o seu estilo de vida E esta, por sua vez, lhe permitia, no mínimo, nove horas de sono. E as outras três horas, Stiles havia perdido tentando ignorar aquela discussão infernal entre os vizinhos do apartamento acima do seu.

— ah, agora, chega. Já deu – falou o homem se levantando.

Stiles marchou por seu apartamento, usando apenas o seu pijama, que consistia em uma calça de moletom, com cogumelos vermelhos e verdes do Mario Bros espalhados por ela. O castanho abriu a porta do apartamento com força, fechando a mesma também com força, antes de seguir a passos pesados para o elevador. O homem de cabelos bagunçados apertou incessantemente o botão do elevador, ao mesmo tempo em que via, pelo visor acima do botão, que o elevador ainda se encontrava no térreo. Mas Stiles morava no décimo terceiro andar. Demoraria um século!

— ah, mas que inferno. Hoje realmente não é o meu dia. Eu simplesmente não deveria existir, hoje – falou caminhando para a porta ao lado do elevador.

O homem, ignorando o fato de estar sem camisa, subiu os degraus das escadas naquela noite fria, com as janelas das escadas abertas, sentindo o vento frio que adentrava as mesmas atingir o seu peito. Mas o seu sangue fervia de raiva, então o frio nem fora sentido. O homem não demorou nem cinco segundos para chegar a porta do quarto andar. Stiles abriu a mesma com tanta força, mas tanta força, que o som da porta sendo aberta ecoou pelo corredor vazio do prédio.

Ele estava puto!

O castanho se virou para a direção do apartamento barulhento e se sentiu um pouco melhor ao ver uma perna vestida com uma calça negra do lado do apartamento. As vozes estavam mais altas. O homem respirou fundo uma vez, tentando se acalmar. Ele não conseguiria a paz que tanto queria se chegasse no local gritando tanto quanto os vizinhos barulhentos que obviamente não poderiam passar mais cinco minutos no mesmo metro quadrado. O castanho parou bem ao lado da porta, esperando ser notado pelo homem de cabelos negros que se encontrava na porta do apartamento.

— VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO! NÃO PODE FAZER ISSO COMIGO! – a mulher gritava várias vezes a mesma coisa, enquanto o homem de cabelos negros apenas a ignorava, ao mesmo tempo em que tentava puxar alguma coisa do apartamento. Aquela coisa parecia ser bem pesada.

— EU NÃO SÓ POSSO, COMO VOU! – gritou o homem em resposta, antes de puxar seja lá o que fosse com mais força.

— Derek, calma. Você está de cabeça quente, cara – disse uma voz masculina de dentro do apartamento.

— CALA A BOCA, SEU FILHO DA PUTA. EU VOU FAZER E PRONTO – gritou o moreno que se encontrava na porta do apartamento.

— eu adoraria que esse “isso” de que tanto falam fosse silêncio – falou o castanho chamando a atenção do homem ao seu lado, que se surpreendeu e acabou largando aquilo que segurava e logo passos foram ouvidos no apartamento.

— MAS QUE MERDA! – exclamou o moreno de olhos verdes dando alguns passos para trás.

— me desculpe pela intromissão, mas... – o castanho tentou falar, mas fora cortado rapidamente.

— isso não é problema seu – o moreno de olhos verdes soltou, antes de adentrar o apartamento novamente. Stiles bufou irritado.

— eu tentei ser legal – falou adentrando o apartamento dos vizinhos e batendo a porta logo em seguida, chamando a atenção das três pessoas no interior do mesmo, que se viraram para si curiosos, embora o moreno de olhos verdes vestido com um terno lhe fitasse com fúria e indignação.

— quem é você? – perguntou o homem musculoso enrolado em um lençol no centro da sala, enquanto a mulher enrolada em um lençol segurava uma mala.

— é o seguinte. Eu tentei. Tentei mesmo, mas MESMO, de com força. Mas acontece que não deu. Tentei mesmo ignorar todo esse cabaré de mãe Joana aqui, mas vocês são realmente impossíveis. Nossa, eu quero matar vocês – falou o homem descamisado com pijama de cogumelos coloridos.

— e você é? – perguntou o homem mais alto, ainda lhe encarando confuso, enquanto a mulher enrolada em lençol e o homem de terno disputavam por uma mala.

— isso não é problema seu, saia daqui – falou o moreno de olhos verdes com ignorância.

— Não. Isso é problema meu, sim – falou e os três ergueram a sobrancelha para si.

— é? – perguntaram os dois homens e o moreno olhou furioso para a mulher.

— ele também? Sério? – indagou o de olhos verdes antes de a mulher se virar indignada para si.

— ah, não. Não. Eu só sou algo que vocês pareceram esquecer que têm, me chamo vizinho. E tudo o que eu queria era dormir. Dormir mesmo. Sabe aquele sono gostoso? Que só de você se deitar, é como se os anjos estivessem lhe envolvendo com as asas? Então, eu estava nesse sono. E o aproveitei, enquanto pude, mas aproveitei – respondeu o castanho, encarando os três com certa fúria

— e daí? O que isso tem a ver? – perguntou o musculoso enrolado no lençol.

— o que isso tem a ver, é que, eu apenas dormir seis míseras horas desse sono gostoso, porque, ao que parece, eu não sei – falou a última parte dando de ombros e fazendo um beicinho para os três, enquanto caminhava pela sala – mas, tudo indica que vocês resolveram criar um reality show particular de vocês para os seus vizinhos, exibindo os seus problemas. Não sei com qual finalidade, talvez... esperar pela ajuda dos universitários, ou quem sabe apelar para as cartas. Não faço ideia. Mas acontece que, uma gritaria dessas, a essa hora da noite não tem como NINGUÉM DORMIR – falou exaltando um pouco a voz, antes de respirar fundo e fechar os olhos, para em seguida sorrir docemente para os três a sua frente.

— por isso estou aqui, pedindo gentilmente para que parem de gritar e resolvam as coisas como os adultos que são – finalizou vendo o mais alto dos três fazer uma careta confusa em sua direção.

— me dá logo essa mala – falou o moreno de olhos verdes puxando a mala com uma das mãos, enquanto a mulher, desesperada, lutava para ficar com a mesma

— VOCÊ NÃO VAI EMBORA DESSA CASA, DEREK. NÃO VAI – ralhou a morena nua coberta pelo lençol, enquanto fazia de tudo para manter a mala em suas mãos e lançava uma expressão chorosa para o moreno de olhos verdes.

— EU VOU EMBORA DESSA CASA, AGORA! ME DÁ LOGO A MINHA MALA. – gritou o homem de olhos verdes voltando a disputar a mala com a mulher.

Stiles suspirou, revirando os olhos e levando os dedos ao topo do nariz. Era óbvio que aquela discussão não acabaria de formar calma e pacífica. Muito menos que acabaria sozinha. O castanho olhou ao redor e achou a entrada para a área de serviço. Enquanto o moreno e a morena discutiam aos berros, o castanho escolheu uma vassoura e voltou com a mesma em mãos para a sala.

— eu estou pedindo para que resolvam as coisas em um tom de voz mais baixo. Podem se xingar, se espancar, se matar. Eu não quero saber e pouco me importa, eu só peço que não me façam eu me meter nisso por perturbarem o meu sono. Porque o meu sono é algo sagrado para mim – falou o castanho, com a vassoura na mão, mas fora prontamente ignorado.

— Derek, vamos conversar – falou o careca musculoso.

— EU NÃO QUERO SABER DE VOCÊ, ENNIS. KALI, LARGA A MINHA MALA OU EU VOU APELAR PARA A VIOLÊNCIA – gritou o moreno de olhos verdes e logo o som de algo se quebrando chamou a atenção dos três, que se viraram para o castanho, que continha duas metades de um cabo de vassoura de madeira em mãos.

— EITA! QUE EU ESTAVA SÓ ESPERANDO ALGUÉM GALAR EM VIOLÊNCIA! – gritou o castanho, já possesso pela raiva.

— CANSEI. EU CANSEI. CALÉM AS BOCAS E APENAS ESCUTEM – berrou o homem desconhecido e os três arregalaram os olhos para a expressão furiosa do mesmo.

— cara, você não é ninguém para... – o homem careca, chamado Ennis, se calou quando o castanho bateu um dos bastões de madeira na parede, fazendo o barulho ecoar pelo apartamento e o homem se sobressaltou minimamente, se afastando um passo.

— eu quero vocês dois, os peladões, sentados nesse sofá – ordenou o castanho, com um olhar assassino para os dois. Os três lhe fitaram confusos e rindo.

— não vamos... – Ennis tentou dizer, mas fora impedido pelo som da madeira batendo na parede com força novamente.

— quer que passe a usar isso em você? Pode não fazer o mesmo barulho que faz quando na parede, mas podemos tentar, o que acha? – perguntou o castanho encarando o homem lhe fitar assustado, antes de, relutante, se sentar no sofá. Mas Kali permaneceu agarrada a mala, enquanto Derek fazia o mesmo.

— vocês dois. Larguem essa porra. Enquanto eu estiver aqui, remediando tudo, essa mala ficará bem aqui, do meu lado direito – falou apontando para o chão com o bastão de cabo de vassoura quebrado.

— olha, eu não ei quem é você, não sei o que está fazendo, mas eu não vou largar... – a voz de Derek morreu quando o castanho balançou o bastão na mão, indicando que soltassem a mala.

— eu não vou entregar isso para ele – falou Kali cerrando mais os dedos ao redor da mala. Stiles respirou fundo antes de bater um bastão no outro.

— isso daqui é o que eu vou fazer com as suas cabeças se não fizerem o que eu estou mandando. Eu estou aqui para ajudar a acabar com isso, não porque me importo, já que estou começando a cagar e andar para vocês, mas sim porque eu quero dormir, em paz, se possível. Eu tive um dia cansativo, meus dedos estão com calos, meus olhos estão doendo e para completar eu cortei a palma da mão com a porra do joystick. Então vocês vão fazer o que eu digo para poderem resolver isso como adultos e não como mais um casal barraqueiro de Deus sabe lá onde – falou o castanho em um tom de voz ameaçador.

— agora eu quero que vocês soltem essa porra antes que eu me estresse. E vão por mim, isso aqui é só o começo do meu estresse real – ditou o homem e os dois morenos ficaram lhe encarando. Derek, por algum motivo que ele desconhecia, ou achava desconhecer, se sentiu um pouco confortável. Ele olhou para o castanho naquele momento e acabou vendo sua mãe, fazendo igualzinho ao que ela fazia quando ele e Laura brigavam por algo.

— e-eu não vou largar. Se eu largar, ele vai pegar ela e ir embora – argumentou Kali encarando o castanho com suplica.

— ele não vai para lugar nenhum até eu dizer que ele pode. E se ele tentar, acredite, um desses vai na cabeça e o outro vai entrar em um lugar que vai impossibilitar ele de sair correndo – falou o castanho girando os bastões na mão e Ennis riu, enquanto Derek lhe fazia uma careta de indignação.

— você aí, não ri, não. A coisa não está boa para o seu lado e tem mais cabos de madeira na cozinha, inclusive uma colher bem grossa. Posso muito bem fazer com você – disse o castanho e o homem se calou, rolando os olhos e sibilando um “até parece”.

— eu não vou largar – repetiu a mulher, puxando o objeto para si, mas Derek voltou a fazer uma careta de raiva, enquanto puxava o objeto para si com uma mão.

— é o seguinte. Derek, você vai soltar a mala, para que a Kali solte e eu possa pegar ela para colocar no lugar – falou o castanho e o moreno lhe fitou com seriedade, antes de bufar e soltar a mala. Kali puxou a mesma para si, desesperada, enquanto dava passos para trás.

— você não vai embora – argumentou a mulher encarando o moreno de olhos verdes.

— Kali, me entregue a mala, por favor – pediu o homem de cabelos castanhos e a mulher negou com a cabeça.

— Kali, solte essa porra – ralhou o castanho, elevando um pouco a voz.

— se eu soltar ele vai pegar – comentou a mulher olhando para o homem ao seu lado.

— Derek, se sente a mesa da sala – ordenou o Stilinski apontando para a mesa ao seu lado.

— isso está ridículo! Nós não somos crianças. Não pode chegar em minha casa e começar a mandar em mim. Eu vou chamar a polícia – disse o moreno de olhos verdes tentando alcançar o telefone fixo, mas o castanho golpeou o aparador onde o telefone se encontrava, antes que a mão do moreno se aproximasse.

— eu já disse que vocês vão sentar e conversar como adultos. Não vou deixar chamar a polícia para continuarem a fazer escândalo e a interromperem o meu sono – falou o homem descamisado, antes de apontar para a cadeira.

— eu vou chamar a polícia para lhe prender – falou o moreno levando a mão ao bolso onde se encontrava o seu celular.

— quer que eu quebre o seu braço ou o seu telefone? – perguntou o castanho já erguendo o bastão.

— como é? – questionou Derek parando na hora.

— eu não quero me estressar mais. São três da manhã e vocês estão me impedindo de dormir por causa dessa briga. Se não podem discutir civilizadamente, então precisam que alguém delegue essa discussão. E se eu vou passar horas sem dormir, que ao menos seja acabando com o problema que me impede de dormir – disse o homem descamisado antes de bater com o cabo de vassoura suavemente na própria mão.

— olha, nos desculpe se... – o moreno de olhos verdes tentou falar.

— cala a boca e senta logo na porra de uma dessas cadeiras – ralhou o homem de cabelos castanhos apontando para a mesa de vidro ao seu lado.

— faça logo o que esse esquisito está mandando. Assim isso acaba logo – comentou Ennis apontando para o castanho. Stiles desenroscou a parte da vassoura que continha os cabelos coloridos e jogou a mesma no homem careca com toda a força que tinha, vendo o homem ddesvio soltando um “wow”.

— eu não mandei você falar. O esquisito é o que vocês ganham me acordando – ralhou o Stilinski e Derek tentou se aproximar de si.

— não pense nisso – disse apontando com um dos bastões para o homem. Derek tentou roubar o objeto, mas tudo o que conseguiu fora um golpe no braço, que o fizera desistir rapidamente devido a dor.

— caralho! – exclamou acariciando o local onde apanhara.

— cadeira! Eu não estou de brincadeira. Kali, me passa logo essa porra, antes que você seja a próxima – ditou se aproximando e pegando a mala com rodinhas das mãos da mulher, que ficou um pouco receosa, mas não teve opção quando o castanho lhe lançou um olhar furioso.

— feliz, agora? – perguntou Derek, irritado.

— ainda não. Kali, se sente ao lado do idiota – ordenou o homem mais novo e a mulher o fez rapidamente.

— agora, sim, estou um pouco – disse se virando para o moreno de olhos verdes, se sentando na cadeira do outro lado da mesa, com a mala ao seu lado.

— vamos começar logo com isso. Já conheço vocês e o motivo da discussão. Eu acho que até o porteiro já sabe – murmurou o final, coçando o nariz, antes de erguer a cabeça – bem, eu sou o vizinho do 1302, o qual vocês acordaram com essa gritaria toda – disse o homem apontando para si mesmo.

— caguei para você – falou Ennis, rolando os olhos.

— desculpe, é impossível. Merda não defeca. Então apenas se cale e só fale quando eu te pedir opinião. Eu quero que você, Derek, me diga o motivo dessa discussão toda. Quer dizer, o motivo eu sei, mas eu quero ver a sua versão dos fatos primeiro – disse o castanho apontando para o moreno de olhos verdes, que ergueu uma sobrancelha em sua direção.

— isso é o quê? Alguma terapia de casal? Eu não quero terapia. Eu quero ir embora dessa casa – inquiriu o homem cruzando os braços e encarando a mala fixamente.

— isso não é uma terapia de casal. Isso sou eu remediando esta merda toda. Então, por favor, me diga a sua versão – respondeu o castanho cruzando as pernas elegantemente.

— olha, cara. Eu não sei o seu nome, mas, eu só quero... – o homem de olhos verdes teve sua fala cortada ao tentar persuadir o vizinho.

— para começo de conversa, você pode me chamar de Stiles. E eu estou como dono dessa porra dessa mala no momento. Quer que eu te dê esta merda? Me diga o que aconteceu – disse o castanho encarando o homem a sua frente com seriedade.

— cara, é simples. O Derek entrou aqui e me viu fodendo a mulher dele. Pronto, foi isso – disse o calvo apontando para o moreno de olhos verdes, antes de apontar para si e depois para kali.

— ô, babaca, eu já tenho o resumo. Inclusive, o meu resumo tem mais detalhes do que o seu, já que eu tive que ouvir três horas de gritaria sobre isso. Agora cala a boca a porra da boca que ainda não chegou a sua vez, idiota. Cara ridículo do caralho – disse o castanho voltando a encarar Derek, mas desta vez apoiando o queixo sobre as mãos, apoiando os cotovelos na mesa.

— eu estou esperando – disse soltando um sorriso de contentamento para o homem a sua frente.

— Já que não tem outro jeito – disse o moreno, coçando a garganta.

— isso mesmo – disse o castanho, sorrindo largo.

— eu estava viajando a trabalho, mas no meio do percurso, a viagem teve de ser adiada. Aí eu chego em casa, animado. Finalmente iria ter um tempo para ficar em casa, com minha mulher. Mas quando abro a porta do quarto, encontro a maldita da vadia da minha mulher de quatro para o meu melhor amigo, enquanto ele fodia ela na maior cara de pau, perguntando se eu fazia aquilo com ela – disse o moreno de olhos verdes, sentindo a raiva voltar instantaneamente e logo ele socou a mesa de vidro com força, fazendo a mesma rachar.

— ótimo! Era tudo o que eu precisava: gente rica com complexo de ator – comentou o Stilinski erguendo o cotovelo, receoso de que alguma rachadura lhe cortasse, mas nenhuma fora tão grande ao ponto de cruzar a mesa inteira.

— Derek, essa mesa era a nossa favorita – disse a morena, mas o marido lhe fitou com fúria.

— cala a boca que a tua moral não está boa com o homem no momento, não. Porra, sério? O melhor amigo do cara? Não basta arrasar o homem com o fim do casamento, tem que acabar com a amizade também? – perguntou o castanho e a mulher lhe fitou indignada.

— é o quê? Escuta aqui – Kali começou a falar, mas fora praticamente ignorada.

— sério? A mulher de seu melhor amigo? BILHÕES de vaginas no mundo. Tinha que enfiar a porra do pau justo na dela? Na que seu melhor amigo estava metendo? A enlaçada? – questionou o homem mais novo, indignado, olhando para Ennis, que lhe fitou confuso.

— não venha colocar a culpa em mim. Eu só queria sexo, não acabar com a nossa amizade. Sem contar que você não é ninguém para se intrometer nesse assunto – falou Ennis encarando o castanho com seriedade nos olhos

— eu não sou ninguém, otário. No momento, eu sou o que te separa de uma visita com Deus. E se você continuar me irritando, eu faço você passar para o outro plano rapidinho – disse o castanho apontando o bastão para o homem mais alto e musculoso.

— por favor! Olhe para você, meu irmão. Eu sou o dobro de você. Eu acabo com a sua raça em um soco – Ennis se vangloriou e Stiles sorriu.

— quero ver tentar. Eu faço você apagar mais rápido do que possa começar a chorar pela mamãe – o castanho sorriu divertido para Ennis, que se levantou irritado pelo orgulho ferido.

— então vamos resolver assim. Palavra é para maricas e nerds! Homens resolvem as coisas no braço! – exclamou o homem socando a palma de uma das mãos. Stiles se levantou e passou a girar um dos bastões na mão com facilidade, antes de lamber o lábio inferior.

— cara, calma aí – falou Derek se levantando e ficando na frente de Stiles.

— Ennis, se acalma – disse Kali se erguendo e tentando deter o homem calvo.

— relaxa, Derek. Me dê dois minutos e eu apago esse aí. Se demorar mais do que dois minutos, chame a ambulância, pois ele vai precisar – disse o castanho tentando dar a volta no moreno, ainda girando os bastões de forma habilidosa.

— qual é? Vai vir de arma na mão? – perguntou Ennis encarando o castanho sorrir e jogar a cabeça levemente para o lado.

— calado! Palavra é para nerds e maricas – disse o Stilinski antes de tentar correr contra o homem, mas o moreno de olhos verdes se colocou a sua frente novamente.

— não foi você que disse para nos acalmarmos? Que você era o mais calmo? – indagou Derek tentando trazer o homem mais novo para a razão novamente. No entanto, Stiles sorriu largo, exibindo o desdém em sua dentição.

— eu nunca disse que era o mais calmo. Eu disse que vocês me tiravam a calma e ele continua tirando o pouco que me resta – respondeu o castanho encarando o moreno de olhos verdes.

— Ennis, cala a boca e fica quieto – ordenou Derek, tentando não gritar mais. A sua garganta também não permitia mais.

— vai defender ele? Mas não vai defendnã a mim? – perguntou o homem mais alto, indignado.

— eu não traí ele dormindo com a vadia da esposa dele! – rebateu o castanho, dando de ombros.

— você fique quieto. Não sabe de nada para falar essas coisas – Kali se irritou com o vizinho.

— sei o suficiente para saber que não se trai um cara desses com isso – ditou o castanho apontando para o moreno de olhos verdes, antes de apontar para Ennis.

— e digo mais. Não vai adiantar querer pagar de boa moça, não. O prédio inteiro já deve estar sabendo que você é uma vadia. Vocês não pouparam cordas vocais para divulgar esse fato – ditou Stiles vendo a mulher tomar uma coloração avermelhada na face, tanto pela raiva quanto pela vergonha.

— Isso?! ISSO?! – esbravejou Ennis, tentando avançar no castanho, mas Kali o segurou e Derek afastou Stiles com a mão, mas não foi o suficiente para que o bastão de Stiles não alcançasse a testa de Ennis, criando um corte leve.

— MAS QUE PORRA! – exclamou Ennis, levando a mão para a testa, sentindo um pouquinho de sangue molhar sua mão.

— VOCÊ É DOENTE?! – gritou irritado e Stiles sorriu.

— é, eu fico doente. Fico doente, sim. EU FICO LOUCO QUANDO UM FILHO DA PUTA COMO VOCÊ INTERROMPE A PORRA DO MEU SONO! – gritou o castanho, antes de levar o bastão a boca, mordendo o mesmo, rosnando de raiva, tentando conter um grito irritado em si.

— saia de nossa casa. Você não é bem-vindo – ordenou Kali apontando para a porta. O interfone tocou e Stiles caminhou a passos irritados para atender o mesmo, enquanto Derek ainda impedia a sua passagem até Ennis e Kali

— Parrish? Não, cara. Você ligou certo. Eu estou no 1402 resolvendo essa baixaria que estava aqui. Não, eu dei uns gritos, agora, com um filho da vadia do diabo, mas já está de boas. Já estou acabando. Boa noite e desculpes o incomodo. Dê beijos no pivete por mim – falou o castanho antes de desligar, voltando para a sala onde Kali lhe encarava incrédula devido a sua naturalidade ao atender o interfone.

— ótimo! – exclamou Ennis, se jogando no sofá.

— já está de saída? Perfeito. Saia de nossa casa – falou a morena enrolada em lençol, apontando para a porta. O castanho se aproximou da mesa e pegou a mala e a arrastou para a porta.

— eu vou, mas o cara aí também vai – ditou o castanho empurrando a mala para fora e deixando a porta aberta para o moreno de olhos verdes passar.

— VOCÊ NÃO TEM O DIREITO! – gritou a mulher, tentando se aproximar, mas o castanho se colocou entre a mesma e a mala.

— não, eu não tenho o direito de o arrastar daqui, mas ele tem o direito de sair se quiser. E ele quer. É você que não pode o prender aqui. Se quisesse continuar casada com ele, não teria aberto as pernas para... aquilo – falou apontando o dedo para a mulher e depois apontando para Ennis, que se virou enfurecido.

— fala sério! Ennis?! Vamos lá! O que ele tem? Porque, obviamente, mais bonito do que o seu marido ele não é. E não adianta ter esse corpo se ele vai ser um homem camarão, sabe? Arranca a cabeça e fica com o corpo. Ele por acaso é melhor financeiramente? Porque, obviamente, carinhoso não deve ser. Ah, espera. Ele só pode ter um pau mágico. Porque para você largar um homem desses, por aquilo?! Depois eu que tenho problemas mentais – disse o homem de cabelos castanhos, antes de receber um tapa no rosto.

— você não tem o direito de entrar na minha casa e ainda mais falar isso de mim – a mulher praticamente rosnou, enfurecida. O homem descamisado riu, antes de virar para a mulher e desferir um tapa tão forte que a mulher se virou, fazendo uma careta de dor, enquanto encarava o chão surpresa.

— HEY! — exclamou Ennis se aproximando.

— claramente, eu não tenho o direito de invadir a sua casa. Mas se você não queria ser chamada da vadia que abriu as pernas para o melhor amigo do marido, sendo que ele nem era lá essas coisas, você não deveria ter feito o que fez. Você que perdeu o direito de não ser chamada assim – rosnou o castanho antes de se virar para o moreno de olhos verdes – você vai sair ou não? Está esperando o quê? Um convite? Agora é a hora de pegar essa mala e correr – falou o Stilinski vendo o moreno menear positivamente, chocado, e sair, passando por trás de si, que ainda encarava Kali com fúria – e deixe-me te avisar: encoste um dedo em mim, novamente. E eu depeno a galinha que você é – falou antes de se virar para a porta. O Stilinski caminhou até o elevador, onde Derek esperava o mesmo se abrir, mas parou ao ouvir a voz de Ennis ecoar pelo corredor.

— hey! Se acha que vou deixar você, seu viadinho de merda, bater nela desse jeito, você está lou... – o homem enorme e calco se aproximou do castanho jovial com fúria, mas se calou e caiu de joelhos no chão ao levar uma joelhada no meio das pernas. Stiles puxou o homem pela orelha, o forçando a erguer a cabeça.

— eu já disse que você não deve abrir a boca enquanto eu não disser que você pode abrir a boca – ralhou jogando o homem no chão antes de se virar para o elevador, onde Derek mantinha a porta aberta, enquanto encarava o seu ex-melhor amigo, que era uma montanha de músculos, ser jogado no chão como um boneco de pano qualquer por um homem quase duas vezes menos musculoso do que Ennis.

Os dois adentraram o elevador. Stiles como se nada tivesse acontecido e Derek um pouco receoso com a presença do homem mais baixo ali. Stiles se virou para o moreno, que se assustou um pouco, antes de o castanho gargalhar e recuperar o ar, enquanto Derek lhe fitava confuso. Ele julgava o outro homem muito naquele momento.

— relaxa, ok? Eu não mordo... mais – disse cruzando os braços.

— mais? – perguntou o moreno de olhos verdes e Stiles negou com a cabeça, rindo para o chão.

— já sabe o que fazer? – inquiriu o castanho vendo o homem de olhos verdes negar com a cabeça, após morder o lábio inferior

— Ennis era a única pessoa que eu conheço nessa cidade, pelo menos ao ponto de pedir abrigo. Me mudei recentemente. Acho que vou para um hotel, ou coisa assim – disse dando de ombros, antes de a porta se abrir.

— se conseguir, não é? Às... quatro da manhã? Em Beacon Hills?! Boa sorte. Somos meio que uma cidade grande, mas ainda temos costumes do interior. E o risco de crimes a essa hora aumenta e muito, os bandidos não dormem mais, parecem vir de Nova Iorque, a cidade que nunca dorme – falou o castanho, rapidamente, vendo o moreno de olhos verdes estreitar os olhos em sua direção.

— entendo... – foi tudo o que Derek soltou.

— bom, se não conseguir achar nada a essa hora, sabe onde moro. 1302. Fique a vontade em me chamar. Já que meu sono se perdeu há horas atrás – disse o castanho quando a porta se abriu.

— obrigado – disse o moreno de olhos verdes, antes de o homem sair e a porta se fechar.

Stiles estava sentado no sofá, cercado por três caixas de pizza – Santo serviço 24 horas! – enquanto jogava Mortal Kombat Shaolin Monks em seu Playstation 2 preto. O castanho estava apertando o X e o O do controle desesperadamente com uma mão, enquanto que com a outra ela segurava um rolo de pizza de frango com creme de queijo nas bordas. A campainha tocou e o homem olhou para o relógio sobre a mesa de centro, onde uma das caixas de pizza se encontrava e sorriu ao ver que eram apenas cinco da manhã. Ao abrir a porta, o castanho notou um homem de cabelos negros e olhos verdes, um tanto molhado pela chuva que se dava no lado de fora. O homem lhe encarava um tanto tímido, com os olhos um pouco vermelhos.

— Eu... não tenho para onde ir – falou fungando levemente, antes de morder o lábio inferior.

— temos pizza morna, três sabores para escolher, bebidas quentes e lençóis quentinhos, além de uma cama no quarto de hóspedes – disse o castanho dando passagem para o moreno de olhos verdes que adentrou o local um tanto receoso.

Derek analisou o apartamento com os olhos. Era idêntico ao seu no quesito tamanho, mas a organização era completamente diferente. Derek sorriu minimamente. Parecia com uma fraternidade que um amigo seu de faculdade participava, quando ele ainda era um universitário. O apartamento era organizado, mas continha uma estante enorme, mas não de livros, muito menos de álbuns de fotografia, mas sim de jogos de vários consoles.

O moreno de olhos verdes parou na sala, vendo a televisão ligada exibindo um mapa estranho, enquanto o centro continha três caixas de pizza. O castanho fechou a porta e caminhou até se encostar com as nádegas no sofá. Derek coçou o braço, ainda um pouco tímido. Stiles lhe sorriu tímido, antes de bater uma palma, chamando a atenção do homem a sua frente.

— eu vou pegar uma toalha, para você tomar um banho quente para quebrar o frio que deve estar sentindo – disse o homem, apontando para o quarto, e Derek meneou positivamente, enquanto engolia em seco, antes de olhar ao redor, notando o resto do apartamento.

Não demorou nem dois minutos e Derek olhou para a direita, notando o homem de cabelos castanhos, parado bem ao seu lado, com a toalha estendida para si. O moreno se sobressaltou, causando uma gargalhada divertida no castanho, que se afastou, ainda rindo, enquanto o homem respirava um pouco aliviado.

— desculpe, não resisti. Adoro fazer isso – disse entregando a toalha azul escura ao moreno, que meneou um pouco tímido.

— tudo bem – falou abaixando o olhar para o chão.

— direto pelo corredor, primeira porta a esquerda é o banheiro. A porta em frente a porta do banheiro é o quarto de hóspedes. Pode colocar suas coisas lá – o homem de cabelos castanhos sorriu gentil para o moreno de olhos verdes, que lhe sorriu um pouco forçado, antes de menear positivamente e caminhar na direção do corredor.

Derek tentou. Ele realmente tentou não demorar demais naquele banho, mas foi inevitável. Ele estava desabando por dentro. Ele chorou o banho inteiro. Ele chorou mudo, abraçando o próprio corpo, enquanto apertava os dedos em sua pele com força, deixando a marca dos mesmos. Quando o homem julgou estar demorando demais, ele saiu do banheiro, enrolado na toalha e caminhou até o quarto de hóspedes, onde vestiu alguma das roupas que ele pegou em casa, durante toda a discussão com Kali.

Quando o moreno de olhos verdes saiu do quarto, ele se surpreendeu ao chegar a sala e encontrar um Stiles sentado no sofá, comendo pizza e com uma almofada no colo. A almofada tinha o desenho de quatro contornos de uma cabeça humana deitada. A que estava voltada para o espaço no sofá dizia “chore aqui”. O castanho estava com um pedaço de pizza pendurado pelos lábios, enquanto as mãos dedilhavam o controle rapidamente. Na mesa de centro, havia um recipiente prateado contendo gelo e algumas garrafas de bebidas e ao lado do mesmo estavam dois copos de vidro e uma caixa de lenços.

— o que é isso? – perguntou o moreno de olhos verdes, encarando o castanho continuar a jogar com seriedade.

— eu não te conheço muito bem, então não sei o seu jeito de reagir a uma traição. Mas pelos seus olhos vermelhos, eu achei que seria bom me preparar para qualquer coisa. Aquele saco de areia ali é para você descontar a raiva – respondeu, apontando para o canto da sala, onde havia um saco de areia pendurado por uma corrente.

— ah... não sei o que dizer – disse o moreno de olhos verdes encarando o castanho parar de apertar os botões e erguer os braços para o ar, encarando na tela, um personagem de chapéu tipo sombreiro se jogar para agarrar o corpo de uma mulher, antes que a mesma chegasse ao solo.

— JOGA LEQUE NA MÃE, AGORA, VADIA – gritou animado, antes de se virar para o homem de olhos verdes.

— me desculpe por isso, mas eu realmente odeio essas três. Enfim, você acabou de descobrir que sua mulher transa com seu melhor amigo. Não pode conter tudo aí dentro. Isso vai destruir você. Você vai se tornar uma pessoa arisca, desconfiada, que não conseguirá se aproximar de ninguém a não ser sua família e olhe lá se até dela você não começar a desconfiar. Em resumo, colocar para fora é bom, é tipo vômito de ressaca. É sempre melhor colocar para fora – disse o homem voltando a prestar atenção no jogo quando começou a ouvir a música do mesmo, junto dos gritos de ataque das duas mulheres restantes.

— eu não vou me embebedar em sua casa. Eu nem se quer te conheço – argumentou o moreno de olhos verdes, encarando o castanho pausar o jogo e largar o controle sobre o colo, para encarar o homem parado em pé na entrada do corredor.

— não confia em mim para beber, o cara que te ajudou a sair de casa mais fácil do que piscar os olhos, mas confia para aceitar moradia e dormir na casa de uma pessoa que nem conhece? – perguntou observando o moreno de olhos verdes, que ergueu uma sobrancelha para si, antes de suspirar, após um bom tempo em silêncio.

Derek caminhou para o sofá, se sentando do outro lado do mesmo. Ele ainda estava um pouco desconfiado daquele homem. No mundo de hoje, com toda essa violência, alguém que lhe tratasse do mesmo modo que o castanho era algo muito, mas muito suspeito mesmo. O homem pegou uma fatia de pizza e passou a comer, vendo o castanho jogar vídeo game. Stiles começou abrindo uma garrafa de vinho, antes de se servir e servir o moreno de olhos verdes.

Em poucos minutos, Derek já estava deitado no sofá, com a cabeça na almofada que se encontrava no colo de Stiles, desabafando sobre tudo o que passou com Kali, como eles se casaram e tudo mais, enquanto segurava em uma mão uma fatia de pizza e na outra um lenço, com o qual limpava o nariz, já que estava pouco se importando para as lágrimas.


Derek adentrou o apartamento, cansado. Graças a Kali, os seus dias de trabalho conseguiam ficar cada vez mais cansativos. A mulher ligava de cinco em cinco minutos. O celular em seu bolso vibrou e o moreno de olhos verdes puxou o mesmo, apenas para constatar ser a morena. Ele jogou o celular sobre o sofá, após desligar a chamada. Ela simplesmente não aceitava o divórcio. O moreno de olhos verdes entregou os papéis ontem para a mulher. Ele havia se decidido. Seguiria em frente. Depois de todos os conselhos que ele ouviu de Stiles, ele seguiria em frente.

O castanho estava certo. Kali não lhe merecia. Não havia desculpa para o que ela havia feito. Porra! Ela lhe traiu e com o seu melhor amigo. Hunf! Ennis. O desgraçado ainda teve a coragem de aparecer em seu escritório para falar consigo. A primeira coisa que Derek fez foi socar o focinho do desgraçado e a segunda foi chamar os seguranças do prédio, para o remover dali. O moreno de olhos verdes se dirigiu para a cozinha, pegou um copo de refrigerante e se sentou no sofá, retirando os sapatos e os deixando ao lado de seus pés. Derek estava realmente cansado naquele dia. Um cachorro trotou do interior do corredor, até chegar ao sofá, subir no mesmo e se deitar no local, com a cabeça sobre a cocha do moreno de olhos verdes, que passou a acariciar o animal.

— cadê o seu dono, hein? Essa é a primeira vez que chego em casa e ele não está jogado nesse sofá, ou então enfurnado na cozinha – falou acariciando atrás da orelha do cachorro de pelo negro.

Já fazia um mês e meio que ele estava morando no apartamento de Stiles. O castanho sempre estava no apartamento quando Derek saia para o trabalho e quando voltava, o homem sempre estava jogado no sofá, comendo porcaria e jogando vídeo game, ou assistindo alguma série ou filme. Derek não sabia como aquele homem ainda estava vivo. Stiles vivia comendo porcaria e não levantava um dedo para fazer exercícios ou malhar, mas mesmo assim mantinha um corpo bem em forma para alguém que não possuía muitos músculos.

O homem parecia ter nascido para o estilo de vida que levava.

O moreno de olhos verdes ainda se sentia um intruso no apartamento do castanho. Ele só conheceu o cachorro do homem quando o mesmo voltou do veterinário, vulgo no terceiro dia de sua estadia ali. E também não foi um encontro muito amigável. Nogi quase lhe atacou. O cachorro monstro, como o Hale gostava de pensar nos primeiros dias de contato com o animal, passou uns dias apenas rosnando e latindo para si. Por isso que Derek preferia Void, o gato preto de olhos da cor de mel.

Por falar no felino, o mesmo se encontrava dormindo sobre o Xbox do castanho de olhos claros. Sua cauda felpuda balançava de um lado para o outro, fazendo Nogi erguer a cabeça e passar a acompanhar o movimento do cilindro de pelos negros brilhantes. Derek terminou o seu refrigerante e suspirou cansado novamente, esperando o castanho acordar. Afinal, Stiles dormia muito e sem nenhum horário ou período fixo. Mas o som de uma chave sendo inserida na fechadura da porta lhe chamou a atenção. Ele havia chegado do trabalho e Stiles estava fora de casa?! Isso era novidade. Stiles quase nunca saía. O moreno de olhos verdes se levantou, para colocar o copo na pia. Quando voltou para pegar os sapatos e ir para o quarto, foi surpreendido pela presença de três homens parados na sala, sorrindo. Os três lhe encararam surpresos.

— ah... olá – o moreno de olhos verdes os cumprimentou confuso.

— Quem é você? – perguntou um loiro de cabelos cacheados.

— Isaac liga para a polícia. Scott, pega o bastão de beisebol. Eu vou pegar o cara que invadiu o apê do Stiles – ditou um loiro de topete arregaçando as mangas, mas parou ao ter o traseiro chutado por um Stiles risonho.

— deixa de drama, Barbie esportista. Ele está morando comigo – disse o castanho adentrando o apartamento e a primeira coisa que olhou fora o móvel onde ficava a televisão e todos os seus consoles de vídeo game.

— DESCE DAÍ, VOID! – gritou para o felino que se levantou num pulo e desceu, correndo para as pernas de Derek, passando a se enroscar nas mesmas, em um pedido mudo por carinho e ajuda. O moreno de olhos verdes se abaixou para pegar o felino, mesmo não gostando muito de gatos, e o colocando no braço, passando a acariciar o mesmo. Assim que o moreno de olhos verdes ergueu o olhar, os três homens ao lado do castanho lhe encaravam questionadores.

— eu acabei de ver o seu gato demoníaco ser pego no braço e simplesmente ronronar? – perguntou o loiro de topete, encarando o castanho, que caminhou até o moreno de olhos verdes.

— deixa o meu gato em paz, Jackson. Ele só não vai com a cara de vocês... e do resto do mundo – disse o Stilinski, acariciando a cabeça do felino, que fechou os olhos, passando a ronronar, antes de olhar para o lado.

— Derek, estes são Scott, Isaac e Jackson, amigos meus, que eu carinhosamente chamo de Mascott, Barbie Veterinária e Barbie Esportista – disse o castanho apontando para os três homens que lhe fitaram entediados.

— oi – disse o moreno de olhos verdes erguendo a mão que estava sobre o corpo de Void.

— pessoas fofas e irritantes, Derek, que eu chamo carinhosamente de lobo azedo – disse o castanho apontando para o Hale, que fez uma careta de nojo em sua direção.

— olá! Eu sou Scott, Scott McCall. Infelizmente, quando o Stiles pega um apelido, só outro para o tirar da boca dele – disse o moreno de queixo torto, estendendo a mão para o Hale.

— Prazer, Derek. Derek Hale. Nem me importo mais com o gosto estranho dele para apelidos – falou o moreno de olhos verdes tendo o ombro socado.

— eu me aproximaria, mas esse gato me dá medo – disse o loiro de cabelos cacheados, encarando o felino nos braços do Hale, que encarava o Lahey com as pupilas dilatas.

— por que tem medo dele? – perguntou Derek ouvindo o gato ronronar com a caricia que ele fazia na cabeça do bichano.

— porque ele odeia a gente. Você não está entendendo. Eu quero saber como você fez para essa coisa gostar de você – disse Jackson encarando o animal preto nos braços do Hale.

— deve ser porque a primeira coisa que eu fiz quando o vi foi dar uma sardinha do meu prato para ele – disse o moreno de olhos verdes, dando de ombros e Jackson riu irônico.

— cara, com a gente não tem sardinha certa – disse Jackson cruzando os braços e fazendo uma cara feia para o gato.

— qual é? Ele não é um gato ruim – argumentou o moreno de olhos verdes e o felino miou.

— na verdade, ele realmente odeia pessoas – disse Stiles, vendo o moreno estreitar os olhos em sua direção.

— vocês estão tirando uma com a minha cara – falou apoiando o corpo com as nádegas no encosto do sofá.

— aqui, olhe isso – disse Jackson coçando a garganta.

— Void, venha aqui menino – falou o loiro chamando o gato assoprando por entre os lábios a medida em que ae aproximava a passos lentos. No mesmo instante o gato começou a rosnar para si, enquanto a sua cauda passou a se mover bruscamente.

— viu só? Ele odeia a gente – disse Scott tentando chegar perto, mas o gato tentou golpear sua mão com as unhas.

— VOID! – exclamou Stiles e o gato abaixou a pata, mas permaneceu a rosnar.

— anda, vamos logo com isso. Liga a TV e traz a bebida – ditou Jackson se jogando no sofá, ao lado do cachorro de pelos pretos, que ainda estava deitado no móvel.

— quer participar? – perguntou Stiles, vendo Isaac e Scott se sentarem no chão da sala.

— o que vão fazer? – inquiriu o moreno de olhos verdes, ainda com o bichano no colo.

— vamos jogar vídeo game apostando. A cada partida perdida nós bebemos uma dose – respondeu o castanho caminhando até a geladeira e pegando algumas garrafas de bebida.

— vocês vão fazer o quê? – perguntou Derek e Void saltou de seu braço quando Stiles aproveitou para colocar ração para os dois animais.

— Stiles, você tem que pegar leve! – disse Isaac da sala, enquanto Jackson se levantava para colocar algum jogo em que pudessem fazer uma disputa.

— eu juro solenemente não quebrar a cara de vocês – disse o castanho, erguendo a mão na porta, para que o loiro enxergasse, mas de trás da parede, o homem cruzava os dedos e piscava para o moreno de olhos verdes, que sorriu.

— e então, entra ou não? – questionou o castanho vendo o vizinho ficar um pouco pensativo, antes de estalar os lábios.

— tudo bem, eu topo – disse o homem de olhos verdes, sorrindo e Stiles sorriu com o sorriso do homem.

— o que? – perguntou Derek, vendo o outro negar com a cabeça.

— seus dentes fofos me lembram de alguém – disse antes de dar de ombros e se virar para a sala, deixando um Derek envergonhado e surpreso na cozinha.

Não se passou nem duas horas e eles já haviam secado três garrafas de bebida. O loiro de topete teve que ir na cozinha pegar mais três e quase derrubou uma quando chegou a sala, mas Derek conseguiu agarrar a mesma antes que chegasse ao solo. O moreno de olhos verdes se surpreendia em como Stiles era bom em jogos e em como todos ali eram duros na queda quando se tratava de beber. Stiles sozinho fez com que Scott, Derek, Isaac e Jackson bebessem três garrafas e meia. A outra metade ele teve de beber pois Isaac estava se sentindo muito injustiçado por jogar contra o castanho.

— ISSO NÃO VALE. VOCÊ TRABALHA COM ISSO, PORRA! – gritou o loiro revoltado por ter que beber um copo extra quando o seu personagem fora morto com uma genki damma.

— então vamos fazer o seguinte: me mate com combo, ou uma técnica ou então ganhe a luta com metade do life ainda intacto, só faça um personagem meu morrer com você estando com uma boa quantidade de life e eu bebo dez doses – disse o castanho, balançando o controle na mão, enquanto as explosões do campo completamente destruído pelo poder do personagem, agora loiro, que flutuava na tela, ecoavam pela sala.

— CHALLENGE ONE! – gritou Jackson erguendo as mãos, o homem já estava animadinho depois da última dose.

— COMEÇOU! – gritou Scott, erguendo as mãos, igual a o loiro que estava sentado entre as suas pernas

— beleza, agora eu vou escolher quem vem – disse o loiro de cachos movendo o analógico direito para baixo, fazendo a lista de personagens, que ele escolheu antes de a partida começar, revelar os personagens restantes.

— ISSO! Super Buu! – disse apertando os dois analógicos e o personagem apareceu no campo.

— então eu posso mudar também? – perguntou o castanho já movendo o analógico direito, enquanto Isaac insistia em lhe lançar ataques a longa distancia desesperadamente.

— Super Janemba – disse o castanho pressionando os seus analógicos e seu personagem loiro trocou de lugar com uma espécie de demônio. A primeira coisa que Stiles fez fora fazer seu personagem se teleportar para trás do personagem de Isaac e começar a golpear o mesmo rapidamente.

— filho da mãe! – exclamou o loiro tentando, em vão, se defender do combo do castanho.

— ele disse que trabalhava com isso? – perguntou Derek tentando distrair Stiles e matar sua dúvida ao mesmo tempo. Bom, Stiles ainda estava invicto e isso meio que o irritava, mas a frase de Isaac em sua revolta lhe deixou curioso.

— ele não sabe? – perguntou Scott curioso.

— ele sabe que eu dou produtor audiovisual, mas não o tipo de conteúdo – respondeu Stiles, dando de ombros.

— uma resposta bem vaga – comentou Jackson, sorrindo de lado.

— Bom, eu meio que nunca falo do trabalho, como se fosse trabalho. Porque é mais uma diversão do que trabalho – ditou o castanho para o moreno de olhos castanhos.

— Stiles é streamer e jogador profissional – disse Jackson, com os braços sobre as coxas de Scott, que se encontravam ao lado de seus ombros.

— como é? – perguntou o Hale um pouco perdido.

— eu me sustento jogando vídeo game – falou o castanho dando de ombros, ao levar uma sequência de vídeo, onde eles não controlavam os personagens durante os combo.

— é sério! Ele realmente ganha a vida com isso – disse Jackson apontando para o moreno de olhos verdes.

— você trabalha jogando vídeo game? – perguntou Derek encarando o castanho derrotar Isaac com facilidade.

— eu ganho torneios e de vez em quando sou Game Master para algumas empresas produtoras de jogos. Mas a maior parte da renda vem das lives – respondeu o Stilinski dando de ombros, enquanto Isaac bebia uma dose, ao mesmo tempo em que o seu próximo personagem descia dos céus.

— ele é o atual campeão mundial em alguns jogos de torneios como a Evo – ditou Scott, encarando o outro moreno fitar o castanho com surpresa no olhar.

— tipo quais? – perguntou Derek encarando o castanho passar a dedilhar os botões um tanto despreocupado.

— The King of Fighters, Mortal Kombat e Injustice – falou o castanho encarando o moreno menear positivamente.

— Acredita que esse filho da mãe jogando vídeo game, ganha mais do que eu? – perguntou o moreno de olhos castanhos, um tanto indignado.

— é gratificante, mas não é fixo, Scott – disse o castanho de olhos claros, terminando a partida como vencedor.

— Qual é?! – questionou o Lahey tristonho, bebendo mais uma dose e passando o controle para Jackson.

— quanto você ganha nisso? – indagou Derek vendo o castanho dar de ombros.

— não é algo fixo. Nos torneios, depende do número de participantes do torneio. Mas no último torneio mundial, eu ganhei... Trinta mil dólares – respondeu Stiles e Derek deixou o queixo cair.

— em um torneio, você ganhou trinta mil?! – perguntou o moreno de olhos verdes vendo o castanho menear positivamente.

— isso em um só torneio – disse Jackson encarando o moreno com indignação

— em alguns anos, poucos torneios mundiais ocorrem, por isso que eu também participo de regionais e nacionais. Além de conseguir prestígio e patrocínio, eu ganho mais para compensar a falta de internacionais – ditou escolhendo o seu time novamente, enquanto Jackson ainda se decidia quais personagens formariam o seu time.

— Já na live, depende da quantidade de pessoas me assistindo, do número de assinaturas que ganho e doações com mensagens da galera – explicou o Stilinski vendo o Hale lhe fitar curioso.

— é por isso que você sempre está em casa? – perguntou o moreno de olhos verdes vendo o castanho menear positivamente.

— sim e não. Sim, eu passo o dia todo em casa porque eu trabalho em casa. Mas eu estou dando um tempo nas lives, desde de antes de você vir morar aqui. Eu sempre me dou um mês de férias no ano para poder respirar, sabe? É sempre bom – respondeu e logo na televisão uma linha quase invisível apareceu e o castanho segurou dois botões e quando Jackson lançou um ataque de longa distancia, o personagem do castanho desapareceu e reapareceu atrás do personagem do loiro de topete, que xingou quando o castanho passou a lhe golpear com velocidade.

Os primeiros a irem dormir foram Isaac e Scott, que Derek acabou descobrindo se tratar de um casal. Os dois acabaram pegando o seu quarto e se trancando lá dentro. Jackson pegou o quarto livre, restando assim, apenas o quarto do castanho. Derek ficou sentado no sofá, esperando que o dono do mesmo se retirasse para que ele pudesse dormir ali, mas o Stilinski parecia não se cansar de jogar. Então o moreno apenas ficou ali, encarando o castanho jogar online.

— quanto vai ganhar nesse? – perguntou o Hale encarando o homem dedilhar no controle em suas mãos com velocidade, enquanto golpeava o adversário várias vezes.

— nada. Meu ID está caindo no ranking mundial, preciso voltar lá para cima – respondeu Stiles antes de vencer e encarar o moreno de olhos verdes ao seu lado.

— existe um ranking mundial sem ser em um torneio? – questionou Derek vendo o castanho menear positivamente.

— quanto mais forte o adversário, maior a quantidade de pontos que recebemos – disse vencendo o adversário com facilidade e largando o joystick no colo, para estalar os dedos das mãos.

— e você não tem sono? – indagou Derek vendo o castanho negar com a cabeça, ao mesmo tempo em que esperava o sistema encontrar outro competidor.

— às vezes eu sofro de insônia. Por isso passo algumas noites acordado jogando – respondeu voltando a dedilhar o controle em suas mãos.

“Merda!” pensou Derek, imaginando que não teria coragem para pedir que o outro se retirasse do próprio sofá, então teria que dormir no chão.

— e você? Não está com sono? – perguntou o Stilinski lhe fitando de soslaio.

— bem, sim. Mas pegaram o meu quarto. Então eu vou dormir aqui – respondeu pegando uma almofada do sofá e se deitando no chão, aos pés do castanho.

— então vá dormir em meu quarto – falou Stiles com seriedade, encarando o moreno deitado ao lado de seus pés.

— eu não vou deitar em sua cama. Seria muita audácia – ditou o Hale ainda de olhos fechados.

— ah, pelo amor de Deus. Vai logo dormir, homem. Eu não vou conseguir dormir hoje, então a cama vai ficar só para você – falou o castanho, vendo o moreno rolar no chão para lhe encarar.

— não sei, não. Eu não vou ficar confortável deitando na sua cama. Já estou morando aqui há um mês, só lhe dando trabalho e ainda deitar em sua cama?! Não – disse Derek se virando e tentando fechar os olhos.

— você tem duas opções: ou vai por vontade própria, ou eu vou te jogar naquela cama – falou Stiles cruzando os braços e vendo o moreno rolar no chão novamente.

— quero ver me tirar daqui – disse o moreno de olhos claros se enrolando por completo, deixando apenas a cabeça do lado de fora, enquanto abraçava um dos pés da mesa de centro.

— e você acha que uma mesa de centro vai me impedir de te tirar daí? – questionou Stiles, com um tom de incredulidade na voz.

— sim – respondeu Derek, se ajustando melhor ao solo e afundando o rosto na almofada.

Stiles se esticou no sofá para alcançar o controle do ar-condicionado e começou a apertar o botão de diminuir temperatura diversas vezes. O castanho se ergueu e arrancou o lençol de Derek, ouvindo reclamações e súplicas por parte do moreno de olhos verdes, as quais prontamente ignorou no intuito de caminhar na direção de seu quarto. O homem mais baixo jogou o lençol sobre a cama de qualquer jeito e voltou para a sala, sendo observado por um Derek irritado. Stiles se jogou no sofá e passou a encarar o moreno estirado no chão.

— vamos ver quanto tempo você dura – disse sorrindo vitorioso.

— a noite não está tão fria para eu precisar de cobertor – rebateu Derek erguendo uma sobrancelha em desafio. Stiles sorriu travesso.

— isso é o que nós vamos ver – soltou Stiles, apoiando a cabeça no braço e encarando Derek.

— o que está fazendo? – perguntou Derek notando que o castanho não parava de lhe encarar sorrindo.

— esperando, e você? – disse o mais baixo, como se eles fossem amigos que há muito não se viam.

— estou tentando dormir – respondeu Derek com um tom um pouco irritado. Stiles sorriu alegre.

— ah. E eu atrapalho? – inquiriu levando a outra mão aos fios castanhos e passando a brincar com os mesmos.

— sim – respondeu o Hale, irritado, encarando o castanho fazer uma expressão de surpresa.

— ah, é?! Que bom saber, muito bom – falou vendo Derek rosnar irritado e virar para o lado, ainda abraçado ao pé da mesa de centro.

Não demorou muito para que Derek encolhesse o corpo, trazendo as pernas para perto do torso, enquanto suspirava, sentindo o corpo tremer. O moreno sentiu o chão e o ambiente esfriarem de forma intensa em pouco tempo. Derek passo a tremer no chão da sala, enquanto contorcia os dedos dos pés tentando aquecê-los. O Hale mordeu o lábio inferior, tentando aguentar o frio. Ele não daria o braço a torcer, mas em questão de segundos ele desistiu. Ele poderia ficar doente caso ficasse naquele chão gelado.

— arfs. Tudo bem, tudo bem. Eu vou deitar no seu quarto – disse se levantando e colocando a almofada no sofá, antes de rumar na direção do cômodo, ignorando o sorriso vitorioso nos lábios do Stilinski deitado no sofá. Assim que Derek fechou a porta, Stiles saltou do sofá e passou a apertar, desesperadamente o botão de aumentar a temperatura.

— puta que pariu! Eu preciso de um café depois disso – ditou correndo para a cozinha e ligando a cafeteira.