Room Mate
2 Capítulo 2
Derek acordou se sentindo estranhamente leve. Algo lhe deixava confortável de forma demasiada. Ele respirou fundo, se espreguiçando e bagunçando os lençóis. Um cheiro bom e amadeirado dominou o seu olfato. Um cheiro bom que fez o seu coração acelerar e uma angústia estranhamente gostosa lhe tomar o peito, como se fosse ansiedade. O Hale respirou fundo mais uma vez, enquanto gemia de preguiça e se aconchegava melhor ao colchão e aos lençóis. Ele tentava identificar que cheiro era aquele que mexia daquele jeito único consigo. Derek nunca havia se sentido assim. Bom, não que ele se lembrasse. Ele sentia que o cheiro estava perto, mas bem perto mesmo de si. Derek abriu os olhos e deu de cara com um travesseiro.
Estranho.
Ele não se lembrava de ter um travesseiro com aquela fronha de personagens pequenos de gorro verde e cabelos loiros em seu quarto no apartamento de Stiles. O olhar de Derek se estendeu um pouco e ele pôde ver um pôster de uma espécie de animação, em que uma mulher estava abaixada, com uma das pernas estirada e apontava uma arma para algo, enquanto um homem estava atrás de si, em pé e de costas, olhando por sobre o ombro com um olhar sério e apontava uma arma para cima. Ok! Ele também não tinha um pôster de um jogo. Ao olhar ao redor ele constatou o óbvio: aquele não era o seu quarto. E, em um estalo, as memórias da noite anterior vieram e ele logo soube que aquele era o quarto de Stiles.
Derek estranhou mais ainda.
De onde viria tal cheiro que lhe deixava completamente desconfortável ao mesmo tempo que lhe deixava mais confortável do que em sua própria cama? Derek passou a respirar fundo mais vezes, tentando identificar de onde vinha o cheiro, mas não demorou para que percebesse que vinha do travesseiro de Stiles. Derek passou a se perguntar que perfume seria aquele que estava impregnado no travesseiro do castanho. Se fosse algum tipo de amaciante, ele saberia, afinal, Stiles que lavava suas roupas na máquina de lavar.
Não que Derek pedisse ou estivesse à vontade com isso. Ele até trancava a porta para que o castanho não pegasse a roupa suja de seu quarto. Mas quando Derek menos esperava o seu cesto de roupa suja estava vazio e a máquina cheia de roupas suas. Sempre que Derek dizia para Stiles que não precisava lavar suas roupas o castanho dizia não ter nada demais, já que ele não tinha nada para fazer mesmo.
O Hale voltou a se questionar sobre que perfume seria aquele, mas a fome lhe tomou a concentração quando o seu estômago roncou alto. Derek se levantou e arrumou a cama, antes de seguir para o banheiro do corredor. O Hale fez suas necessidades matinais antes de sair do banheiro e dar de cara com um Jackson completamente destruído, aparentemente.
— com licença, eu preciso terminar de morrer – disse o loiro, de maneira manhosa, devido as dores que sentia, adentrando o cômodo e fechando a porta.
Derek riu do amigo de seu colega de apartamento, antes de seguir para a cozinha. Ele precisava tomar um café. O loiro de topete, agora desgrenhado, não era o único a ter dores, embora o moreno não demonstrasse tanto e ainda tivesse rido do outro. Uma boa xícara de café e uma aspirina deveriam ser o suficiente para lhe ajudar a melhorar. O moreno de olhos verdes caminhava até a cozinha, precisando atravessar a sala, e foi enquanto ele atravessava a sala que o Hale fora surpreendido pela imagem de Stiles, chutando o ar repetidas vezes, enquanto segurava um controle de Xbox em mãos. O Hale encarou a cena confuso, antes de piscar os olhos, os fechar, e em seguida os coçar. Ele precisava saber se estava realmente enxergando direito.
— o que está fazendo? – perguntou o moreno de olhos verdes vendo o castanho inclinado para o lado, com o corpo apoiado sobre um pé, enquanto o outro estava erguido no ar, sendo utilizado para golpear o ar repetidas vezes.
— meu pé está formigando — respondeu o castanho, olhando rapidamente por sobre o ombro, voltando a encarar a tela e dedilhar sobre o controle com velocidade.
— então está bem – ditou o Hale se encaminhando para a cozinha.
Stiles era estranho na maior parte do tempo.
Ao adentrar a cozinha o moreno de olhos verdes encarou surpreso uma mesa pronta para o café, com direito a panquecas e café quente com creme. Derek encarou a mesa assustado, antes de olhar para a sala, confuso, vendo o castanho ainda chutando o ar e jogando videogame. Jackson chegou na cozinha, passando por si e se aproximando da mesa.
— espero muito que você tenha algum tipo de melado para eu colocar na panqueca! – exclamou o loiro de cabelos desgrenhados, seguindo para a geladeira.
— no armário – ditou o castanho sem parar o que fazia.
— foi você quem fez tudo isso? – questionou o Hale, desconfiado. Geralmente o café da manhã do castanho era pizza com bacon.
— eu não tinha nada o que fazer e o Jackson é um porre do caralho quanto a alimentação dele – respondeu o castanho ainda da sala.
— na verdade eu só encho o saco dele para comer as panquecas dele – sussurrou Jackson para o moreno de olhos verdes, que lhe fitou risonho, enquanto o loiro sorria travesso.
— disse alguma coisa? – questionou Stiles da sala.
— eu disse que vou precisar malhar em dobro pra queimar esse açúcar – respondeu Jackson em voz alta, sorrindo travesso quando o castanho soltou um “vai se foder” em alto e bom tom.
Derek se sentou para comer e tentar não se atrasar para o trabalho. Quando ele provou das panquecas, ele entendeu o porquê de Jackson manipular o castanho. Aquilo conseguia ser melhor do que as panquecas de sua mãe. Ele viu o loiro lhe apontar com o garfo, enquanto soltava um “uma delícia, não é?” estando de boca cheia.
Quando Derek finalizou o seu café da manhã, Isaac e Scott já estavam a mesa. Ele se arrumou para o trabalho e, quando estava de saída, se despediu dos amigos do seu colega de apartamento, antes de sair com as chaves do carro e a maleta em mãos. Ele demorou um pouco, mas logo chegou ao térreo. Derek seguiu para o estacionamento, fazendo o mesmo percurso de sempre, indo até a sua vaga.
O moreno de olhos verdes destravou o carro assim que se encontrava próximo ao mesmo. Ele estava distraído com o seu celular, respondendo as provocações de Lydia via mensagem de texto. Aquela ruiva era um tanto extrovertida para alguém que transparecia tanta classe. Assim que ergueu o olhar, o Hale foi surpreendido pela imagem de Kali, lhe fitando suplicante.
— Derek, vamos conversar – pediu a mulher, encarando o homem rolar os olhos e respirar fundo, antes de liberar todo o ar pela boca.
— eu não tenho mais nada para falar com você, Kali – ditou o moreno de olhos verdes, passando pela mulher, mas a mesma segurou o seu braço, tentando lhe fazer virar para a encarar.
— não seja assim, Derek. Foi um deslize meu. Por favor – pediu a mulher encarando o homem lhe fitar por sobre os ombros.
— um deslize?! Me poupe, Kali. Você me traiu com o cara que eu considerava o meu melhor amigo. Isso não é deslize, é sacanagem – ditou Derek, tentando controlar o tom de voz no estacionamento.
— Derek, amor... – a mulher tentou argumentar, mas o Hale a cortou imediatamente.
— não me chama de amor. Me esquece, corra atrás do Ennis – disse o moreno dos olhos verdes dando as costas a mulher.
— Derek você é o meu marido, é você a quem eu tenho que chamar de amor – argumentou a mulher, em um tom emocionado, enquanto via o homem adentrar o Camaro negro.
— me poupe, Kali. Me chama de amor, mas é para o meu melhor amigo que você abre as pernas? Vai se foder, e me faz o favor. Leva aquele filho da puta junto – disse Derek fechando a porta e dando a ré bruscamente, fazendo o carro sair da vaga.
— Derek! DEREK! – gritou Kali vendo o moreno fazer a curva e se colocar de frente para a saída do estacionamento. Derek parou com a porta ao lado de Kali e abaixou o vidro, enquanto colocava os seus óculos escuros.
— e só lhe lembrando. Você tem até semana que vem para me dar os papéis do divórcio assinados, ou então nada de repartição de bens para você – falou o moreno dos olhos verdes, ignorando os chamados e pedidos da mulher, antes de arrancar com o carro dali.
Kali xingou alto, chutando o chão. Ela descobriu ontem que Derek ainda morava ali. Ele ainda usava a sua garagem, pelo que Ennis disse. Ela pediu para o homem seguir o moreno dos olhos verdes depois do trabalho e ele lhe disse que viu o mesmo entrar no seu prédio. Mas Derek não morava mais em seu apartamento.
A mulher correu para a guarita do prédio, já fazendo uma certa ideia de como descobrir onde o homem poderia estar dormindo. Ela alcançou a salinha onde ficava o porteiro e viu o mesmo lhe fitar surpreso e questionador. Mas logo entendeu. Derek havia acabado de sair. Ela provavelmente deveria estar procurando pelo mesmo. O prédio inteiro já sabia do termino do casamento.
— Donnovan, onde o Derek está morando? – perguntou a mulher encarando o homem lhe fitar ladino.
— olá, Kali. Bom, ele me pediu para passar para os outros porteiros a mensagem de que as correspondências no nome dele deveriam ser entregues no... 1302, isso. O apartamento do senhor Stilinski. A senhora sabia que o senhor Stilinski quase nunca sai de casa? A vizinha 1301 diz que ele é o maior vagabundo que só faz jogar videogames – disse o homem vendo a mulher estreitar o olhar.
— o vizinho do 1302? Mas esse foi o cara que... FILHO DE UMA PUTA! – rosnou a mulher antes de dar as costas e correr para o interior do prédio. Donnovan sorriu e voltou a se deitar na cadeira, com os pés para cima.
— ah, é tão bom saber que eu acabei com a paz de alguém, hoje – disse o porteiro, sorrindo vitorioso.
Jackson, Isaac e Scott estavam esperando o elevador se abrir para que pudessem ir embora. Assim que o elevador se abriu, uma Kali furiosa saiu de dentro do mesmo, empurrando os três homens. Jackson segurou Scott que iria caindo, por ter sido empurrado enquanto estava distraído no celular.
— qual é o seu problema, vadia? – questionou o McCall enquanto era erguido por Jackson e ajustava a roupa ao próprio corpo.
— morre! – respondeu a mulher parando em frente ao apartamento de Stiles e apertando a campainha várias vezes e com violência.
Kali estava furiosa. Ela estava para matar aquele homem. Como se já não bastasse lhe tirar o seu homem, ele ainda o hospedava abaixo do seu apartamento. Com certeza fazendo a sua cabeça para que Derek não lhe aceitasse mais. Ela voltou a empurrar o dedo contra a campainha, dando pouco espaço de tempo para resposta.
— JÁ VAI, CARALHO! ESTÁ COM PRESSA? ENFIA A MÃO NO CU! – ela pôde ouvir a voz do outro mesmo com a campainha tocando incessantemente. Aquilo lhe deu mais raiva ainda.
— O QUE É?! – gritou Stiles abrindo a porta com raiva
Kali o fitou com fúria. Stiles, ao ver de quem se tratava, sorriu largo, antes de cruzar os braços diante do peito. AH, aquilo deixou Kali mais furiosa ainda. A vontade da mulher era de descer a mão no rosto do castanho, até que o mesmo ficasse irreconhecível. Mal sabendo ela que a vontade de Stiles era a mesma. Ele odiava ter o seu jogo interrompido, mesmo que fizesse aquilo por quase o dia inteiro.
Sim, Stiles não tinha uma vida muito saudável, embora não apresentasse consequência alguma.
— ah, é você. Como vai o Derek? Ah, espera, ele não mora mais com você, é mesmo – o castanho provocou, revelando os dentes quando Kali cerrou o punho.
— eu vim buscar as coisas do meu marido. Ele vai voltar para casa – rosnou a mulher, empurrando o castanho e adentrando o apartamento com fúria.
Stiles encarou a mulher indignado, antes de fechar o semblante e seguir a morena. Kali não teve tempo nem de alcançar o corredor que levava aos quartos. O castanho de olhos claros agarrou o seu pulso, antes de girar, lhe fazendo girar ao redor dele. Stiles soltou o pulso da mulher e Kali cambaleou até o lado de fora do apartamento, caindo diante do 1301, batendo a testa no chão e o topo da cabeça na porta branca do apartamento.
— eu quero me divertir com você. Por isso vou deixar a porta aberta. Mas tenha uma certeza, coloque os pés de novo nesse apartamento sem que eu lhe convide e eu vou arrancar você dele na base da porrada – disse o castanho, caminhando para trás, com um sorriso vitorioso nos lábios, antes de apoiar as nádegas no encosto do sofá.
Ah, Kali sorriu irônica, escondendo a sua fúria A mulher se levantou e ficou de frente para a porta do apartamento. Se era briga o que o seu vizinho queria, era briga o que ele teria. A mulher caminhou para o apartamento lentamente. Kali sempre soube se defender.
— eu sou de família militar, palhaço. Posso quebrar você ao meio num instante – ditou a mulher, colocando os pés no apartamento, e Stiles sorriu, mas nada fez.
Kali sorriu vitoriosa. Sua ameaça bem fundada havia surtido efeito. Quando ela atingiu a sala, a mulher viu o castanho erguer a mão ao seu cabelo. A mulher interceptou a mão do homem, mas para a sua surpresa, Stiles já esperava por isso e agarrou o pulso da mulher, antes de o girar e o colar nas vertebras de Kali, quase torcendo o braço da morena.
A mulher gemeu de dor, antes de começar a respirar pesadamente devido a raiva, quando, com a outra mão, Stiles agarrou os seus cabelos com força, os puxando para trás. O castanho puxou a mulher para si colando a boca no ouvido da mesma.
— você não é a única que teve treinamento militar – rosnou o castanho, fazendo questão de puxar bem os cabelos da mulher, enquanto a empurrava para fora.
Novamente o Stilinski a jogou para fora do apartamento. Eles passaram uma hora nessa briga. Stiles, já entediado, jogou Kali para fora uma última vez, antes de fechar a porta. Kali voltou a tocar a campainha incessantemente, o que irritou o castanho. Assim que a porta fora aberta, Kali fora surpreendida por um enorme cachorro, preso ao castanho por uma corrente.
O cachorro passou a latir e a rosnar para a mulher, fazendo questão de exibir as suas presas no processo, enquanto tentava alcançar Kali com as patas. A mulher se assustou, dando um passo para trás, se afastando. Ela encarou Stiles, vendo o mesmo lhe fitar com um sorriso vitorioso nos lábios.
— é melhor você ir embora. Eu esqueci de alimentar o Nogi, hoje. Não, espera. Tenho algo melhor para você. Não quero que o meu cachorro morra de intoxicação alimentar – disse o castanho e a mulher viu o mesmo soltar o cachorro que ficou ali, na porta, apenas rosnando para a mulher.
— Nogi, vai para o quarto do Derek – disse o castanho de dentro da casa e o cachorro, no mesmo instante, se tornou amigável e correu para o interior do apartamento, abanando o rabo.
Quando Kali iria aproveitar a deixa para seguir o cachorro, Stiles surgiu na porta segurando um felino de pelos escuros nos braços. Ele se posicionou na porta do apartamento e passou a acariciar o bichano, que apenas encarava a humana a sua frente com desdém.
— Void, quero lhe apresentar o seu novo arranhador. O melhor de tudo é que ele é bem realista, embora seja de péssima qualidade. Quando você coloca as unhas nele, sai sangue de verdade – disse o castanho em um tom brincalhão, encarando Kali.
— você é doente ou coisa do tipo? Como se um gato fosse... – a mulher se aproximou para peitar o castanho.
Foi nesse exato momento em que o gato rosnou, a atacando com a pata. Kali se afastou com a mão no queixo, sentindo a ardência causada pelo rasgo em sua pele, feito pelas unhas do gato. Ela encarou, furiosa, o bichano e o seu dono. O gato voltou a lhe fitar entediado, enquanto permanecia, elegantemente, deitado no braço do castanho, que o acariciava com um sorriso vitorioso nos lábios.
— toque a minha campainha de novo para você ver, se de dentro da sala eu não jogo ele em cima de você – disse o castanho fechando a porta. Kali bufou irritada. Stiles pegou o felino entre as duas mãos e o ergueu.
— quem é o bebê antissocial mais bonito do papai? É você, minha bolinha de pelos pretinha – dizia o castanho, descendo o gato até o seu rosto várias vezes, vendo o olhar de tédio do felino.
— merece até uma sardinha por ter dispensado aquela piranha – no mesmo instante a expressão do gato se suavizou, enquanto o mesmo aceitava os beijos do castanho em sua cabeça, sem colocar as patas nos lábios do Stilinski, o parando.
Assim que chegaram a cozinha, Stiles soltou o gato no chão, vendo o mesmo passar a lhe seguir com olhinhos pedintes. Assim que o castanho soltou as duas sardinhas no caco do bichano, ele chamou por seu cachorro, enquanto colocava a ração do mesmo. O som dos passos do enorme cachorro ecoou pelo apartamento, antes de Stiles ver o mesmo surgir na cozinha e, ao tentar fazer a curva durante a corrida, deslizar pelo chão e acabar se batendo na geladeira.
O castanho gargalhou alto, antes de ver o cachorro correr para o caco que jazia ao lado do caco do gato de pelos pretos, que estava deitado diante de sua refeição. O cachorro, atraído pelo cheiro do peixe, aproximou o focinho do caco do gato, mas o afastou assim que passou a levar patadas no rosto. Stiles sorriu, negando com a cabeça, antes de pegar o caldo na lata vazia e o jogar no caco do cachorro.
— vai, esfomeado. Parece até o Scott comendo. Eu hein – disse o castanho lavando as mãos, após jogar a lata no lixo.
— se eu pegar um dos dois tentando tirar a lata do lixeiro, a coisa vai ficar feia — ditou saindo da cozinha e seguindo para a sala.
Derek estava em sua sala, comendo rosquinhas e bebendo café, enquanto analisava alguns papéis da filial da empresa dos seus pais em Beacon Hills. Ele ainda sentia os efeitos da ressaca em si, por isso estava se entupindo de doces, enquanto tomava café para se manter acordado. Ele havia colocado o celular no vibratório com o intuito de ignorar, novamente, Kali, que lhe ligava incessantemente. O celular vibrava sem parar sobre alguns papéis, enquanto ele analisava outros.
Sinceramente falando, Kali estava sendo um porre ultimamente. Se não fosse os contatos importantes que ele tinha naquele celular, ele já o teria jogado pela janela, rezando para um caminhão passar por cima. Ele só viu a mulher uma vez naquela semana, que fora hoje pela manhã, e já queria distância por um mês. Estranhamente, ela não vinha lhe fazendo falta, como na primeira semana e como ele esperava que estaria.
Aquilo era bom.
Derek achava que era.
Isso implicava menos choro, menos coração partido e menos amargura por sua parte. Ele não sabia se era o jeito maluco de Stiles, que lhe divertia e lhe distraía sempre que estava em casa, ou se era ele que não amava Kali como realmente imaginava que amava.
Ele também não queria pensar sobre isso. Ele preferia atribuir o mérito ao castanho e foi por isso aceitou morar com o mesmo. Quando disse que estava procurando por apartamentos, no seu quinto dia no apartamento do Stilinski, o mesmo lhe golpeou com o jornal e disse que não precisava, que ele poderia ficar ali se quisesse.
Derek achou que o mesmo estivesse brincando. Mas sempre que Stiles lhe pegava olhando a sessão de imóveis do jornal, o castanho tomava o jornal de suas mãos, o enrolava, antes de dar com o mesmo em sua cara, soltando um “não vai morar sozinho, não”.
Derek ria sempre que se lembrava disso. Ele demorou um pouco para aceitar a ideia, mas não foi muito difícil com a comida deliciosa de Stiles e tendo o mesmo para lhe entreter. Derek acabou concordando com o castanho: morar sozinho, tendo a vida que Derek tinha, seria chato.
E foi perdido em pensamentos e sorrindo para o papel em suas mãos, que Derek fora surpreendido quando a porta fora aberta bruscamente. Ele viu uma mulher ruiva, de salto alto, adentrar o local a passos rápidos e firmes. Ela parecia furiosa. Ele viu a mulher se jogar sentada em sua mesa, antes de lhe puxar pela gravata.
— eu acho bom que tenha uma mulher embaixo dessa mesa, enquanto você fala ao telefone com outra, e que esse seja o motivo de o seu telefone estar ocupado. Do contrário eu arrancarei suas bolas e farei o meu pinscher as comer – a ruiva soou furiosa, antes de largar a gravata do moreno, o empurrando para trás no processo.
— ah... você sabe que eu sou o seu chefe, certo? – questionou o moreno de olhos verdes vendo a ruiva dar de ombros
— não estou nem aí. Nem o meu pai me ignora – ditou a ruiva, cruzando as pernas – sua ex-mulher deixou uma mensagem com a tua secretária. Ela disse algo como o seu vizinho de baixo ter atacado ela com um cachorro e um gato – completou a ruiva, lançando uma expressão pensativa, como se tentasse imaginar a cena.
Derek acabou por gargalhar ao imaginar Stiles colocando Void e Nogi contra a sua ex-mulher. A reação do homem apenas aumentou a confusão em Lydia. A mulher havia acabado de voltar de um mês de lua de mel com o marido, ela não estava muito atualizada sobre tudo o que ocorrera enquanto ela estava fora.
— acho que vou começar a levar o Nogi para correr, quem sabe assim eu me vejo livre dela e do Ennis durante as minhas corridas? – disse o moreno de olhos verdes tentando alcançar mais uma das rosquinhas açucaradas, mas tudo o que sua mão tocou fora a mesa. Assim que ergueu o olhar, Derek notou Lydia afastando os doces de si.
— Quem é Nogi? E por que não está puto seja lá com quem for por ter colocado um cachorro contra a sua mulher? – questionou a ruiva, estreitando o cenho para o mais alto.
— é uma longa história, Lydia. Mas, em resumo, a Kali me traía com o Ennis, e o meu vizinho de baixo se tornou o meu colega de apartamento – respondeu Derek vendo a ruiva tomar um semblante de choque.
— me explica isso direito, agora! – ordenou a Martin encarando o amigo atentamente.
Derek suspirou antes de contar tudo. Lydia era uma de suas poucas amigas naquela cidade, assim como o marido da mesma, Aiden. Ela se quer piscava enquanto o moreno de olho verdes relatava tudo detalhadamente, desde o flagra, até o momento em que decidiu se fixar na residência do castanho de olhos claros, claro, dividindo as despesas com o homem de cabelos castanhos.
A ruiva apenas comia as rosquinhas que deveriam ser do seu chefe, enquanto soltava alguns “que vadia” e “filho da puta” quando ele falava sobre Kali e Ennis, e alguns “melhor pessoa” quando ele falava dos momentos de psicólogo de Stiles no apartamento em que dividia com kali.
Derek já achava demais morar com o outro sem quase fazer nada dentro de casa, e ainda não colocar nada para dentro da mesma?! Não mesmo. Talia sempre lhe ensinou muito bem a ter responsabilidade e cumprir com as mesmas. Por isso ele dividia a conta de luz, já que usava mais ar-condicionado do que Stiles, e Derek sem micro-ondas e Netflix não era ninguém.
— e então? – questionou a ruiva encarando o amigo e chefe lhe fitar curioso por um momento, antes de desviar o olhar para os papéis em sua mesa.
— e então? – indagou Derek, tentando voltar ao trabalho, antes que Lydia tentasse puxar assunto sobre alguma festa.
— como é ter um colega de apartamento novamente? – questionou a Martin vendo Derek dar de ombros, assinando um documento.
— normal, eu acho – respondeu ignorando a imagem da amiga, que havia voltado de viagem recentemente. Lydia sorriu divertida, sentando na mesa do Hale, ainda deixando espaço para o homem trabalhar.
— bateu uma nostalgia com os tempos de faculdade? – questionou brincalhona, vendo o amigo sorrir ladino, antes de desviar o olhar para si.
— com toda a certeza. Eu lembrei do Theo, sabe? Ele e todo aquele vicio dele por videogames – respondeu largando o trabalho para gargalhar com a amiga.
— ai, nossa! O Theo era gatinho, mas quando deixava de tirar a barba para poder passar mais tempo jogando ele ficava... Nossa, me dava até tristeza só de olhar para a criatura – brincou a ruiva arrancando risos do moreno.
— nem me fale. Ele parecia um terrorista loiro – ditou voltando a encarar os documentos.
— e como é o seu novo colega de apartamento? – perguntou a ruiva e uma expressão indefinida para Lydia se formou na face de seu amigo. Mal sabia ela que aquela pergunta trouxe toda a confusão que Derek havia esquecido em função do trabalho.
— ele é... Um cara legal – respondeu por fim, voltando a escrever nos papéis a sua frente.
Ele não sabia mais o que dizer. Ele andava confuso ultimamente quanto ao castanho. Ele se lembrava muito bem de ter se sentido confortável demais na cama do castanho com o perfume do mesmo e isso havia lhe deixado confuso desde que ele percebeu que o cheiro que se encontrava na cama de Stiles, aquele mesmo cheiro que lhe acalmava, era o cheiro do castanho. É, Derek demorou para usar a lógica. Mas quando o fez, ele se viu bastante confuso e até um pouco incomodado.
O que diabos ele tinha na cabeça para se sentir confortável com o cheiro de outro homem?!
— ah. Só isso? Vamos, me conte mais dele. Ele é gatinho? Qual a cor do cabelo dele? Ele se veste bem? Vamos, Derek, eu quero detalhes – a ruiva desatou a falar, enquanto se esparramava sensualmente sobre a mesa.
Afinal, Lydia não perdia o charme para nada. Derek suspirou derrotado e irritado. Ele sabia que quando a amiga dos cabelos cobreados ficava toda manhosa assim, ela não desistia do que queria por nada. Mas o problema era que Derek não queria pensar em Stiles, no momento. Ele queria esse nome bem longe de sua cabeça naquele instante. Desde os últimos acontecimentos, Derek queria não pensar em Stiles de uma maneira profunda e analista, como a ruiva queria.
— posso falar disso em uma outra hora? – perguntou na tentativa de desviar do assunto.
— não. Eu quero saber agora — respondeu Lydia cruzando os braços. Derek suspirou, antes de jogar a cabeça para trás.
— o que houve? – perguntou Lydia vendo o amigo parecer cansado e chateado. – ele é horrível, não é? – perguntou cruzando as pernas e se sentando, enquanto fazia uma careta.
— não. Na verdade ele é perfeito. Ele é higiênico: faz todas as tarefas de casa sozinho, sem reclamar ou dar indireta, e quando eu tento fazer algo ele me afasta e diz para eu descansar do trabalho. Ele faz a comida, embora a gente coma mais porcaria do que comida na maioria das vezes. Ele até lava as minhas roupas, passa e guarda. A única coisa que eu faço é lavar o banheiro aos sábados. Ele é bonito, tem os cabelos castanhos, olhos castanhos claros, um tanto alto. Por incrível que pareça ele está em forma para alguém que come pizza quatros vezes na semana, inclusive na madrugada e restos no café da manhã. Tem um cachorro e um gato, ambos são fofos, mas se deixar viram demônios. Ele é gentil, humorado, esfomeado, sarcástico, ama colocar apelidos e fazer agressões físicas. O seu sobrenome é Stilinski. É chamado de Stiles porque o seu nome verdadeiro nem o capeta pronuncia direito, exceto o Stiles. Ele é companheiro, fiel, e tem cheiro de violetas – Derek soltou tudo de vez, ainda olhando para o teto, enquanto um sorriso mínimo tomava os seus lábios, não percebendo a expressão de suspeita que Lydia tomava.
— se eu não te conhecesse diria que está gostando dele – soltou a ruiva, desconfiada. Derek bufou descrente e risonho, negando com a cabeça.
— até parece, Lydia. Eu não gosto de caras. – ditou voltando a olhar para as folhas, evitando olhar para a ruiva.
Sua expressão não demorou a se tornar séria. Ele passou a se perguntar se realmente estava começando a gostar de seu colega de apartamento. Derek não era o tipo preconceituoso, mas ele também não se via preparado para algo como isso, se fosse realmente verdade. Lydia tomou uma expressão de choque, antes de sorrir animada e bater com força na mesa, assustando Derek.
— você está gostando dele! – a Martin afirmou com convicção, se sentando na cadeira ao seu lado, ficando de frente para o patrão e amigo.
— você está doida! – exclamou Derek, cruzando os braços diante do peito, encarando a ruiva fazer uma dancinha da vitória, serpenteando o corpo para trás.
— eu, doida?! Meu querido, no dia em que Lydia Martin Graham não reconhecer a expressão de um homem apaixonado, pode procurar um abrigo antibomba nuclear, porque o mundo vai acabar – disse a ruiva, animada, batendo com força na mesa novamente.
— então acho melhor eu procurar um agora mesmo, não é? Vai que a Coréia do Norte já está pronta, não é mesmo? – questionou o Hale, irônico, movendo o monitor do computador, vendo a ruiva lhe lançar um olhar de puro tédio.
Antes de um estalo ocorrer em sua mente e a mulher sorrir ladina para o amigo e chefe, apoiando o queixo nas duas mãos com os dedos entrelaçados, enquanto apoiava os cotovelos na mesa do homem. Derek estreitou o cenho para a amiga, já sabendo que vinha alguma perola por parte da mesma.
— nossa, chefinho, como o senhor está sarcástico, hoje. Será que é influência de sua nova paixão? Estou achando, hein? Começo a imaginar quem ficaria por cima, sabe? O senhor meio que tem cara de ativo, mas a sua bunda é boa demais para ser desperdiçada assim. – falou a ruiva e Derek se engasgou com o ar, enquanto Lydia desatava a rir do mesmo.
— mas o que porra você tem hoje? Voltou animada para encher o meu saco, foi? – questionou o Hale pegando o copo de café para tentar retirar o incomodo de sua garganta.
— com toda a certeza. A Itália foi linda, foi romântica, mas um mês ninguém merece. Nem sei o que foi que me deu na cabeça – disse a ruiva ajeitando o cabelo, descontraidamente.
— enquanto milhões de pessoas dariam o mundo para passar um mês na Itália, Lydia Martin só quer voltar para casa para me encher o saco. Eu devo ser muito perfeito – brincou o Hale vendo a mulher lhe fitar entediada, antes de lhe sorrir ladina novamente.
— não sei. Deixa eu perguntar para o Stiles. Vamos ver o que ele acha de você – disse a ruiva vendo o homem lhe fitar entediado.
— vai se foder, Lydia – ditou o homem erguendo o dedo do meio para a ruiva.
— ah, não querido. Fiz muito disso na Itália. Aiden estava subindo pelas paredes naquele hotel. A gente fez atrás da porta, na cama, na sala, na cozinha, na piscina, na varanda. Onde desce para fazer, estávamos fazendo – disse a ruiva vendo o chefe lhe fitar enojado, antes de balançar a cabeça.
— Deus! Eu não preciso saber disso, Lydia – ditou o moreno de olhos verdes, tentando ao máximo afastar as imagens de sua amiga transando com o marido que a sua mente lhe proporcionava.
— precisa. Vai que a sua lua de mel com esse cara é na Itália? Preciso lhe dar umas dicas, amor – falou a ruiva sorrindo travessa para o homem a sua frente, o qual lhe fitou como se ela tivesse criado mais duas cabeças logo ali na sua frente.
— eu mereço – murmurou Derek, estapeando a própria testa. O celular de Lydia tocou em sinal de mensagem e a mesma puxou o aparelho do bolso da calça.
— VIADO, EU NÃO ACREDITO! SEGURA A ONDA QUE EU ESTOU INDO AÍ AGORA! – gritou a ruiva, mandando um áudio para alguém, enquanto se levantava bruscamente.
Derek nem se deu ao trabalho de questionar para onde diabos a ruiva estava indo com tanta animação e entusiasmo. Ele sabia muito bem que, quando retornasse, ela iria até si falar para onde tinha ido e o que tinha ocorrido. Derek murmurou um “é doida” enquanto abaixava o olhar, voltando a se concentrar nos papéis a sua frente.
Mas parecia que Deus simplesmente queria que ele não trabalhasse naquele dia. Só foi Derek voltar a ler os documentos que continha em mãos, que a porta se abriu novamente. Derek rolou os olhos, ao ver Kali adentrar a sala, sendo seguida por sua secretária, que lhe encarava receosa.
— me desculpe, senhor Hale. Ela simplesmente chegou entrando, nem tive tempo de a barrar – explicou-se Braeden vendo o moreno erguer a mão, dizendo que estava tudo bem.
— não se preocupe, Braeden. Ela não tem modos – ditou Derek, antes de acenar com a mão para que a sua secretária saísse.
— Derek, vamos conversar, por favor – pediu Kali encarando o moreno de olhos verdes com um olhar suplicante.
— quantas vezes eu vou ter que repetir? Não tem conversa, Kali. A única conversa que teremos será com o juiz, durante a nossa repartição de bens – ditou o moreno de olhos verdes, com seriedade no olhar e um toque de grosseria na voz.
Ele não estava para conversa. Ele já havia entregue a papelada toda para Kali. O Hale simplesmente não conseguia entender de onde vinha tanta persistência, com certeza a mulher não queria largar o estilo de vida que tinha, porque, sim, Derek tinha dinheiro, mas não gostava de esbanjar.
Toda a sua família era humilde, e ele permaneceria assim. Era uma das coisas que ele mais gostava no apartamento de Stiles. Tinha um toque de simplicidade, exceto aquele móvel repleto de videogames. Mas ainda, assim, Stiles não vivia a esbanjar, embora gastasse muito com comida.
— Derek, por favor, não faça assim. Nós nos amamos – a mulher tentou argumentar, mas ela não esperava, assim como todo mundo que usa esse argumento em uma situação dessas, que o tiro saísse pela culatra.
— NÃO! – o moreno de olhos verdes gritou a assustando
— não diga isso. Não use essas malditas palavras – Derek soou mais baixo, porém ainda irritado.
— Derek... – ela tentou falar, mas fora logo cortada.
— Você não me ama – ele soou determinado, encarando a morena com fúria.
— eu amo, sim – Kali tinha a voz trêmula.
— Se me amasse, não se deitaria com aquele nojento do Ennis – ditou Derek ainda mais irritado com a relutância da mulher em dizer que lhe amava.
— foi um erro, Derek. Eu estava carente – disse Kali tentando se aproximar do homem e o tocar, mas Derek golpeou a sua mão, a afastando do próprio corpo.
— carente é o caralho! Se estivesse carente, falava comigo, dizia que eu passava tempo demais fora de casa, se era esse o problema. Dizia precisar de mais atenção minha, que eu arranjaria para você, e não se deitar com a porcaria de ser humano que eu achava ser o meu melhor amigo – rosnou o Hale, vendo a mulher voltar a se aproximar.
— Derek, amor...- dessa vez Kali fora calada por um golpe forte da mão de Derek na mesa.
— CALE A BOCA! – vociferou Derek.
O moreno desceu o punho cerrado com força, golpeando a mesa, assustando o trabalhador da sala que se encontrava embaixo da sua e a sua secretária que estava do lado de fora de sua sala. A mulher estremeceu com o som estrondeante do golpe do homem na mesa, ela tocou, suavemente, com a sua mão trêmula pelo choro, o peito do moreno, mas o mesmo lhe empurrou com força, a afastando de si.
— E NÃO ME TOQUE! – Derek voltou a gritar, vendo a mulher começar a soluçar.
— chore mesmo, Kali. Porque foi você que fez isso. Agora saia da minha sala, se quiser sair daqui usando as próprias pernas e não as pernas dos seguranças – disse o moreno de olhos verdes, vendo a morena permanecer a soluçar.
— Por favor, me escuta – pediu Kali, desesperada.
— ah, eu escutei, sua vadia. Escutei até demais. Escutei você gemendo a porra do nome dele. Eu escutei você dizendo que ele fazia melhor do que eu. Escutei você pedindo por mais, enquanto escutava essa sua bunda de vagabunda batendo contra o corpo dele. Eu já lhe escutei demais, Kali, demais – disse Derek se colocando atrás de sua mesa, enquanto via a mulher chorar a sua frente.
— e saia daqui, esse é a última vez que vou falar – disse o moreno e a mulher respirou fundo, apertando o passo em sua direção.
—Derek, por favor – a morena implorou se jogando no homem, o apertando em seus braços.
Derek engoliu em seco, encarando a sua ex-mulher lhe abraçar. Ele não se sentia bem com aquele abraço, não se sentia bem nos braços da mulher que lhe traiu. Ele forçou os braços para os lados, se soltando do abraço sem dificuldade alguma.
— Não, Derek, por favor, não me deixe – a mulher voltou a lhe abraçar desesperadamente, mas um dos braços do moreno ficaram fora do abraço.
Derek levou o dedo ao telefone, apertando o botão que transmitiria a sua voz para o telefone na mesa de sua secretária. Ele pediu para a mesma acionar os seguranças e no mesmo instante Kali voltou a implorar. Em questão de pouquíssimos minutos, os seguranças já estavam adentrando a sala e puxando a mulher para longe do seu patrão.
— a carreguem para fora daqui. Só a larguem do lado de fora – disse Derek vendo os dois erguerem a mulher pelos braços e a levarem para fora de sua sala, enquanto Kali se esgoelava chamando pelo moreno de olhos verdes.
— ela só tem mais uma semana. Só mais uma semana, Derek. Você suporta esse inferno – murmurou o moreno de olhos verdes encarando a vista da pequena cidade de Beacon Hills de sua janela.
Ele sorriu ao identificar o topo do condomínio onde morava, dali de sua janela. O seu sorriso morreu lentamente ao se lembrar das palavras de Lydia, a contadora da empresa.
“Você está gostando dele!”
— eu não estou gostando dele – murmurou Derek para si mesmo, enquanto encarava o seu reflexo no vidro da enorme janela de sua sala.
— estou? – indagou a si mesmo em um sussurro.
Ele já não entendia mais nada. Stiles lhe deixava estranhamente confortável para alguém que ele conhecera há pouco tempo. E mais estranhamente ainda, Derek confiava no castanho. O Hale sempre fora alguém desconfiado e um tanto recluso. E lhe surpreendeu o tempo recorde em que passou a confiar no homem que conheceu apenas por ter acordado o mesmo ao discutir com Kali na noite em que a pegou lhe traindo com o seu melhor amigo.
— pelo amor de Deus! No que eu estou pensando? – indagou o Hale se virando para a sua mesa, ao mesmo tempo em que fazia uma careta confusa.
— eu acabei de sair de um casamento. A probabilidade de já estar gostando de alguém é zero. Ainda mais o Stiles – o moreno ditou para si mesmo, enquanto se sentava em sua cadeira e voltava a acolher as folhas brancas em suas mãos.
— você só tem que dar ouvidos a Lydia quando ela estiver falando do dinheiro da empresa – murmurou antes de levar o café, agora frio, a boca, fazendo uma careta de desgosto para o gosto de chá do mesmo.
— ótimo, agora perdi o meu café – disse jogando o copo do Starbucks no lixo e apertando o botão que lhe conectava ao telefone de sua secretária.
— Braeden, pode me trazer um café, por favor? – pediu o Hale ouvindo a mulher lhe responder com outra pergunta.
— com ou sem creme? – perguntou a mulher já se levantando.
— sem creme e pouco açúcar – ditou ouvindo um “tudo bem”, antes de tirar o dedo do botão.
— voltando – murmurou retornando a ler a papelada em suas mãos.
Derek chegou ao corredor do décimo terceiro andar, sentindo o cheiro bom de comida caseira lhe atingir as narinas. O homem gemeu baixinho apreciando o cheiro. Fazia tempos que ele não comia algo que cheirasse tão bem.
— bem que isso podia ser o Stiles cozinhando – murmurou enquanto caminhava para a porta do apartamento do castanho de olhos claros.
Derek inseriu a chave na porta, girando a mesma, destrancando a porta. Ele abriu a mesma, dando de cara com um Nogi saltitante, com a cauda balançando freneticamente, enquanto pulava de um lado ao outro animado. Derek sorriu para a animação do animal. O cachorro de pelos negros sempre lhe recebia assim quando ele voltava do trabalho.
— e aí, rapaz? – perguntou fechando a porta e o cachorro se aproximou para saltar em si, mas assim que subiu no homem, o cachorro passou a rosnar.
Derek se assustou, erguendo os braços em rendição. Ele não era nem louco de contrariar aquele cachorro que conseguia ser quase do seu tamanho quando ficava de pé. O cachorro rosnava para si, enquanto cheirava o seu torso.
— Stiles? – chamou Derek e logo o castanho surgiu da cozinha, confuso.
— ajuda aqui – pediu Derek vendo o cachorro rosnar para si, antes de ficar em silêncio, cheirando o seu torso, antes de voltar a rosnar.
— Nogi! Quieto, rapaz. É o Derek! – repreendeu Stiles, vendo o cachorro se afastar, ainda rosnando para o Hale.
— e eu achando que ele já tinha se acostumado comigo – disse o moreno um tanto preocupado.
— não sei, não. Ele tinha se apegado a você. E ele nunca se apega a alguém quando desconfia dessa pessoa – disse Stiles pensativo.
— ele simplesmente veio me receber como sempre faz, ai quando ficou em pé, ele passou a rosnar e a cheirar a minha camisa – disse o moreno de olhos verdes, indignado, enquanto retirava a parte de cima do paletó.
— deixa eu ver isso aqui – disse Stiles se aproximando e simplesmente colando o nariz ao peito do mais alto, passando a respirar fundo.
— ah... isso está estranho – Derek corou ao sentir o mais baixo puxar o ar com força pelo nariz.
O Hale ficou confuso ao ver o castanho olhar para o cachorro e depois para Derek, antes de voltar a afundar o nariz no peito do mais alto. Stiles riu ainda cheirando a camisa do outro. O castanho de olhos da cor âmbar se afastou risonho e cruzando os braços para Derek. O moreno de olhos verdes lhe fitava confuso e um tanto corado.
— eu não sabia que você tinha entrado em um relacionamento com o meu cachorro, para ele rosnar para você por estar chegando em casa cheirando a mulher – ditou o castanho, risonho.
— como é que é? – questionou Derek, perdido.
— olha, nada contra, senhor Furry. Eu só... não faria algo do tipo – disse o castanho gargalhando da coloração extrema da face de Derek.
— isso não tem graça, Stiles — rosnou Derek irritado.
— eu só acho, que vai ser muito estranho convidarmos as pessoas para o seu casamento e as daminhas de honra vão ser Pinschers, o porta alianças será o Void e eu vou entrar com o Nogi em uma coleira... Ou estarei com ele esperando você no altar – brincou o castanho gargalhando ainda mais para a carranca de Derek, que conseguia ficar ainda mais corado de vergonha e raiva pela brincadeira do castanho.
— eu já disse que não tem graça, palhaço – rosnou Derek socando o ombro do outro de leve.
Stiles não se importou com o golpe de Derek em seu ombro. Ele apenas não conseguia parar de rir. Derek sempre ficava vermelho quando o assunto era relações sexuais. O homem era tímido demais para conviver consigo sem ficar vermelho de vergonha umas cinco vezes por dia.
O castanho enxugou uma lágrima, enquanto ainda ria do moreno de olhos verdes, que lhe encarava com tédio, da porta. Derek murmurou um “demônio”, enquanto via o amigo erguer a mão, pedindo por tempo, ao mesmo tempo em que tentava controlar a gargalhada. Stiles respirou fundo algumas vezes, antes de finalmente conseguir conter o riso.
— me desculpa. É que eu não podia deixar a oportunidade de te fazer corar passar – disse o castanho vendo o moreno de olhos verdes rolar os olhos, enquanto lhe fitava com uma expressão cética.
— vai para o inferno – ditou o Hale, irritado, voltando a socar o ombro do menor.
— é sério, você fica tão fofo corado – disse o castanho apertando o rosto do mais alto em suas mãos antes de o soltar, após dar alguns tapinhas na bochecha do mesmo.
— fala sério, por que ele rosnou para mim? – perguntou Derek encarando o castanho sorrir para o cão, que encarava os dois deitado na poltrona da sala.
— me empresta a sua camisa – disse o castanho vendo o moreno de olhos verdes lhe fitar confuso, enquanto desabotoava a camisa social branca que usava.
— para quê? – questionou Derek vendo o castanho sorrir e negar com a cabeça.
— fazer um teste – disse o castanho e o moreno lhe entregou a camisa.
— Nogi, aqui – disse o castanho se abaixando e o cachorro se levantou num salto.
— cheira aqui – disse o castanho e o cachorro obedeceu e no mesmo instante passou a rosnar para a camisa.
— é, ele não gostou do cheiro de mulher em sua camisa – disse o castanho vendo o moreno estreitar o olhar para si, confuso.
Derek estava se perguntando que diabos de cheiro era esse, se ele se quer saiu de sua sala naquele dia. Até mesmo almoçar, Derek almoçou em sua sala. E num estalo de memória ele se lembrou do abraço que Kali dera em si em sua sala. A mulher tinha o costume de sempre andar muito perfumada e para completar, Stiles apresentara Nogi a mulher hoje mais cedo.
— Kali. É o cheiro dela aí – disse Derek estalando os dedos.
— e o que diabos o cheiro dessa mulher faz em sua camisa? – perguntou Stiles jogando a camisa para Derek.
— ela foi na minha sala, hoje. Ela queria tentar me convencer a desistir do divórcio e voltar para ela – explicou o moreno de olhos verdes vendo o castanho rolar o s olhos e começar a caminhar na direção da cozinha.
— aquela vadia – rosnou Stiles enquanto seguia para o fogão.
Derek seguiu o castanho, jogando a camisa branca sobre um dos ombros. Ele sentia o cheiro da comida de dentro do apartamento, o que fazia a sua barriga roncar. Ao chegar na cozinha, ele se surpreendeu ao ver Stiles cozinhando. E ficou mais surpreso ainda ao descobrir que o cheiro que lhe fazia salivar vinha da comida do castanho.
— está doente? – perguntou Derek vendo o castanho estreitar o olhar em sua direção.
— o quê? – indagou Stiles, confuso.
— sem pizza? Hambúrguer? Lasanha? Macarronada? – perguntou Derek, desconfiado, vendo o outro negar com a cabeça, sorrindo ladino.
— não. Hoje é arroz com purê de batata e bolo de carne – disse o mais baixo vendo o moreno de olhos verdes lhe fitar surpreso, antes de juntar as mãos e erguer as mesmas ao teto, encarando o mesmo.
— obrigado, cara. Te devo uma – disse o Hale antes de descer o olhar para Stiles, encontrando um olhar entediado e cético para si.
— não é a primeira vez que eu cozinho para você – falou Stiles, de braços cruzados.
— não. Mas é a primeira vez que você cozinha comida normal. Das outras vezes que você cozinhou, você fez lasanha, pizza e hambúrguer. Ou seja, as mesmas coisas que você compra – disse Derek vendo o castanho tomar uma expressão irritado e apontar com o indicador para si.
— não vou mais fazer lasanha para você – disse o Stilinski, antes de voltar a sua atenção para o purê de batata.
— eu não disse que não queria mais lasanha. Eu só disse que era a primeira vez que você cozinhava alguma coisa sem ser porcaria – argumentou o moreno de braços cruzados, vendo o castanho lhe fitar indignado.
— porcaria?! – questionou Stiles com uma sobrancelha erguida, observando o moreno sorrir negando com a cabeça e um pouco corado por se embolar nas palavras.
—porcaria não no sentido de ruim. No sentido de não ser uma coisa saudável – Derek tentou se explicar enquanto era encarado pelo olhar julgador de Stiles.
— sei. Estou de olho em você – disse o castanho encarando o moreno de olhos verdes sorrir ladino em sua direção.
— eu sei. Sou perfeito demais para não ficar me observando – soltou confiante, antes de dar as costas ao castanho e seguir para o seu quarto.
Derek coletou uma muda de roupas no seu guarda-roupas e seguiu para o banheiro do corredor. O homem tomou o seu banho normalmente, enquanto era encarado por Void. Estranhamente, o gato gostava de se deitar na prateleira de baixo do armário do banheiro onde Stiles guardava toalhas e produtos básicos para higiene, como sabonete líquido, shampoo e pasta de dente.
— o que foi? Está afim de um banho também? O seu só aos domingos – disse Derek esperando arrancar alguma reação do gato.
Derek só faltava rolar no chão de rir quando Stiles diz que é dia de banho para o felino de pelos negros, pois Void sai desesperado pelo apartamento, procurando algum lugar para se esconder. As garras desesperadas raspando pelo azulejo do chão e derrapando pelo mesmo ao tentar fazer curvas eram hilárias.
Mas tudo o que o Hale conseguiu fora ser ignorado pelo gato de pelos negros, quando o felino apenas mudou o olhar de direção, encarando a porta fechada do banheiro, enquanto balançava a cauda elegantemente.
Derek riu minimamente, antes de finalizar o seu banho e se enxugar, para sair do box e se vestir. O moreno de olhos verdes saiu do banheiro ainda secando os cabelos. Ele se dirigiu para o quarto, carregando a roupa suja debaixo do braço e suspirou derrotado ao encontrar o seu cesto de roupa suja vazio.
— como diabos ele pega essas roupas? – questionou Derek para si mesmo, enquanto jogava a roupa suja ali.
Derek se virou para a porta, antes de se retirar do quarto, após pegar o celular sobre a cama. O moreno de olhos verdes ligou a wi-fi e passou a analisar os stories de suas irmãs no Instagram. Cora sempre fora muito festeira e Laura era a trabalhadora que vivia a postar fotos das etapas do seu dia a dia.
Ele seguiu para a cozinha assim que Stiles o alertou que o jantar estava pronto. O mais novo colocou a ração de Nogi e Void, o que causou em um Derek quase atropelado por dois animais desesperados por comida. Void era um gato gordo e peludo, enquanto Nogi, estranhamente, era um cachorro em forma.
Talvez fosse porque Void costumava roubar a comida do cachorro. Derek tinha quase certeza de que era isso. Antes mesmo de se sentar a mesa, o seu telefone vibrou em sinal de ligação. Ele suspirou irritado ao ver o nome de Kali brilhar na tela e largou o telefone sobre a mesa, irritado. Ele pensou em desligar o aparelho, mas assim que o fez, Stiles tomou o aparelho em mãos e fez sinal de silêncio para si.
— com licença? Eu não sei se você tem vida, ou se o merda do Ennis lhe largou depois que conseguiu o que queria, mas eu e o seu ex-marido estamos tentando transar aqui. Você poderia ter o mínimo de decência e nos deixar em paz? – Stiles soou irritado, antes de encerrar a chamada e colocar o aparelho do moreno de olhos verdes sobre a mesa.
— espero que essa cortada não tenha lhe incomodado. Mas essa mulher já está me dando nos nervos – disse o castanho de olhos claros, vendo o moreno de olhos verdes lhe fitar boquiaberto.
— olha, me incomodar, não me incomodou, mas eu duvido que ela vá cair nessa – disse Derek vendo o castanho erguer uma sobrancelha para si em questionamento.
— duvida da minha capacidade de persuasão? – questionou o Stilinski encarando o moreno de olhos verdes dar de ombros.
— aposto duzentas pratas que você não a convence de que estamos realmente transando – disse Derek vendo o celular vibrar sobre a mesa com mais uma ligação de Kali.
— fechado – disse Stiles estendendo a mão para pegar o aparelho.
— vem cá, qual é o teu problema? Você é surda? Ou gosta de fazer papel de idiota? – questionou Stiles assim que atendeu a chamada, colocando no viva voz.
— eu quero falar com o meu marido. Eu sei que vocês não estão transando. O Derek é bem decidido e não gosta de homens – ditou Kali, irritada do outro lado da linha.
Stiles viu Derek jogar a cabeça levemente para o lado, num “eu te disse” mudo. O castanho repetiu o ato com uma sobrancelha erguida em um “ah é?” em resposta para o moreno de olhos verdes, que sorria vitorioso.
— ah, se você soubesse a maravilha que é a boca do seu homem no meu pau – ditou o castanho em um tom sensual antes de gemer arrastado, jogando a cabeça para trás
Derek encarou incrédulo, o castanho segurar o seu celular com uma mão, enquanto que com a outra ele jogava os fios castanhos para trás, voltando a gemer, dessa vez baixinho, com o lábio inferior entre os dentes.
— mas o que... Eu sei que ele não está fazendo nada disso – ditou Kali do outro lado da linha, a sua voz vacilou por um momento e fora nesse vacilo que os olhos de Stiles brilharam.
— cuidado com os dentes. Eu sei que você está adorando, mas os dentes machucam – ditou Stiles em um tom sensual.
— Stilinski! Eu quero falar com o meu marido! – ordenou Kali, visivelmente irritada.
— desculpe, só quem está aqui é o seu ex-marido. E no momento ele está ocupado fazendo um bom trabalho em meu pau. Tente outro número – disse o castanho encerrando a chamada novamente.
— mas o que foi isso? – questionou Derek vendo o castanho sorrir ladino em sua direção.
— eu disse que ia fazer ela acreditar que a gente estava transando – disse o castanho vendo o moreno sorrir divertido em sua direção.
— você é doido. E ela não acreditou que estamos transando, me deve duzentas pratas – ditou Derek vendo o castanho negar com o indicador e deslizar o polegar da outra mão em seu celular, atendendo mais uma ligação.
— porra! Mas você é chata, hein? Uma bela duma corta foda – disse o castanho vendo Derek negar com a cabeça, sorrindo contido.
— Derek, eu sei que você não está fazendo nada disso. Me responde, por favor – pediu Kali em um tom de voz desesperado.
— eu já disse que o Derek está ocupado chupando o meu pau. Ligue um outro dia, tipo no dia em que você deixar de ser uma vadia corta foda – disse Stiles antes de gemer arrastado novamente.
— porra, cara. Se você continuar assim eu vou gozar logo – o castanho atuou antes de encerrar a chamada.
Derek riu assim que a chamada fora encerrada. Stiles era realmente louco. Não foi nem questão de segundos e o celular voltou a tocar. Stiles passou a gemer, antes de atender.
— para, para, para. Eu não quero gozar agora – disse o castanho, enquanto deslizava as mãos pelo próprio corpo.
— Derek, se você realmente estiver transando com esse homem, eu juro que não vou te perdoar – ditou Kali visivelmente irritada do outro lado da linha.
Derek encarou o aparelho inconformado. Stiles gemia manhoso e mandava ele fazer coisas indevidas a se fazer em uma mesa.
— oh, caramba. Isso! Dois dedos, Derek. Coloca o segundo – o Stilinski implorou com um tom de voz manhoso, enquanto gemia arrastado entre as palavras.
Derek, viu o castanho deslizar a mão pelo próprio corpo, ainda com a cabeça jogada para trás. Stiles passou a apalpar o próprio membro semiereto, enquanto gemia algumas palavras sujas para Derek em sua encenação para fazer a mente de Kali.
O Hale corou ao sentir o seu membro tomar vida lentamente, enquanto a sua mente projetava imagens da encenação de Stiles, referente as palavras do castanho. Ele não sabia o que merda estava dando em si, mas ele sentia o seu membro começar a subir aos poucos.
Ele estava confuso.
Derek não se excitava com homens. O Hale sempre os viu nu no vestiário da escola, da faculdade e até do clube, mas nunca se interessou por eles. Mas, aparentemente, o seu pau estava achando a voz de Stiles, com aquelas palavras sujas, algo muito atrativo.
— agora já chega. Eu não acredito nisso, Derek – disse a mulher encerrando a chamada.
— e eu ganhei – disse o Stilinski colocando o celular do moreno sobre a mesa.
— eu não acredito que você conseguiu convencer ela – ditou Derek se remexendo desconfortável, enquanto tentava ajustar a sua ereção no interior de sua roupa.
— ninguém mandou duvidar do meu poder de persuasão – disse Stiles sorrindo divertido para o moreno de olhos verdes.
— depois do jantar eu te pago – disse Derek ainda corado vendo o castanho sorrir simples em sua direção
— fechado. Mas agora, vamos comer – disse o Stilinski começando a se servir do arroz, enquanto Derek se servia do purê.
— eu preciso te contar uma coisa – o mais baixo anunciou, trocando de lugar com o Hale. Enquanto Stiles se servia do purê, Derek se servia do arroz.
— o quê? – questionou Derek um tanto nervoso.
— você não se incomoda de passar um tempo sozinho aqui, não é? – questionou o Stilinski vendo o Hale lhe fitar confuso.
— ah, não. Por que? – respondeu Derek vendo o castanho dar de ombros.
— o torneio da Evolution é daqui há uma semana e eu vou ter que pegar um avião no sábado para ir para o torneio – disse o castanho vendo o moreno de olhos verdes menear em compreensão.
— pode ir tranquilo. Eu cuido do Nogi e do Void – falou Derek vendo o castanho sorri um tanto aliviado.
— valeu, cara. Mas se quiser pode deixar eles com o veterinário. Eles têm um hotelzinho – disse o castanho vendo o moreno de olhos verdes negar com a cabeça.
— que nada. Eu adoro eles. Pode deixar que eu tomo conta – argumentou o Hale prontamente
A campainha tocou e Stiles se levantou normalmente. Scott, Isaac e Jackson tinham o costume de aparecer em sua casa do nada. O castanho deixou o Hale se servindo e fora atender a porta. Ao olhar pelo olho mágico, o Stilinski se surpreendeu ao ver Kali, parada na porta, com cara de poucos amigos e batendo o pé repetidas vezes.
Derek estranhou o fato de a pessoa tocar a campainha incessantemente. Quem diabos estaria tão apressado a essa hora? Ele encarou, surpreso, Stiles adentrar a cozinha as pressas e sorrindo maroto.
— é a Kali – sussurrou o castanho vendo o moreno lhe fitar com os olhos arregalados. Derek iria se levantar para falar com a mulher, mas o castanho o parou.
— nem pensar. Essa pode ser a sua chance de se livrar dessa mulher de uma vez. Apenas fica aqui que eu dou um jeito – disse o castanho começando a retirar a camisa.
— o que vai fazer? – perguntou Derek vendo o castanho começar a desabotoar a calça.
— dar a ela a confirmação de que você já desencanou – disse o castanho, ainda de calça, começando a dar pulinhos no mesmo lugar.
Derek encarou, confuso, o castanho fazer uma física rápida por um tempo, na cozinha. Antes de se livrar da calça, revelando a sua excitação presa em sua cueca, o que deixou Derek desconfortável. Por um lado, o moreno de olhos verdes ficou aliviado. Ele não era o único a estar excitado. Mas por outro ele estava nervoso. Stiles também havia se excitado com aquela encenação. Então queria dizer que o castanho acabou por gostar da ideia de se relacionar sexualmente consigo? Derek não sabia. Ele viu o homem seguir para a sala, enquanto retirava a própria cueca.
— JÁ VAI, CARAMBA! – gritou Stiles irritado. Derek viu o castanho, nu, desaparecer no pequeno corredor que dava para a porta.
— ah, é você – Derek ouviu o castanho falar em um tom levemente irritado. O seu tom arfante pareceu ser bem convincente para a ideia de que ele estava transando há poucos instantes.
— eu quero falar com o meu marido – disse Kali encarando o castanho escondido atrás da porta.
— não vai dá. Estamos ocupados agora. Agora suma daqui – ditou o castanho tentando fechar a porta.
— eu só saio daqui quando ver, com os meus próprios olhos, o meu marido e o mesmo me falar que está transando com você – disse Kali, determinada, impedindo que o homem de cabelos castanhos fechasse a porta.
— isso diz por ele? – perguntou Stiles abrindo a porta e exibindo o seu corpo nu com o seu membro em riste.
Kali sentiu um aperto no peito ao ver o corpo desnudo do castanho. Ela encarou o mesmo com um olhar de dor e raiva, antes de engolir o choro e jogar o cabelo para trás e cruzar os braços diante do peito. Ela havia ido até ali decidida a ver o próprio marido e não sairia dalí até ouvir aquilo da boca do mesmo.
— não. Eu quero ouvir da boca dele. Eu quero ver ele – respondeu Kali, irritada com o homem a sua frente.
— sinto muito, não vai dar. E eu espero mesmo que nos próximos minutos eu esteja sentando no pau dele, e não aqui, na minha porta, encarando essa sua cara de taxo – disse o castanho voltando a tentar fechar a porta, mas Kali voltou a impedir.
— eu só saio daqui quando falar com ele – Derek ouviu a mulher falar – ESTÁ ME OUVINDO, DEREK? SE EU OUVIR O QUE ELE ME DISSE VINDO DA SUA BOCA EU SAIO DE SUA VIDA DE VEZ! – gritou Kali, da porta.
— olha, eu estou me irritando com você – disse o castanho, com seriedade.
O castanho de olhos da cor âmbar viu os olhos de Kali brilharem e logo braços fortes lhe envolverem o torso. Stiles sentiu a barba de Derek arranhar a pele entre o seu pescoço e o seu ombro quando o moreno de olhos verdes depositou um beijo estalado no seu pescoço. O Stilinski teve que esconder a surpresa para não entregar o jogo para Kali.
— você está demorando demais – murmurou Derek com a boca colada ao pescoço do castanho.
Ele já havia entendido o que estava acontecendo. Mas mesmo assim foi uma surpresa e tento sentir o membro duro de Derek ser espremido entre os dois corpos quando o moreno de olhos verdes o apertou no abraço. Derek trilhou beijos pelo ombro de Stiles, antes de apoiar o queixo ali.
— sua ex-mulher que está me prendendo aqui – respondeu Stiles encarando Kali.
Ambos viram uma expressão de choque tomar o rosto da mulher de cabelos negros a sua frente. Derek teve de lutar para não deixar um sorriso vitorioso moldar os seus lábios na frente da mulher. Já Stiles não se deu ao trabalho, passando não só a sorrir vitorioso, como também a acariciar os fios negros de Derek com uma das mãos.
— o que você quer, Kali? – questionou Derek com seriedade, vendo a mulher lhe fitar pasma.
— como você pode estar me traindo com um homem?! – questionou Kali indignada encarando o Hale erguer uma sobrancelha para si.
— você não é mais a minha mulher. Por tanto não estou te traindo com ninguém – disse o Hale vendo a mulher começar a chorar ali.
— sem contar que quem traiu alguém aqui, foi você, na época em que eram casados – ditou o castanho vendo a mulher soluçar.
— você não tem o direito de fazer isso comigo, Derek – ditou Kali começando a se irritar com os dois.
— você não tinha o direito de me trair e me traiu. Por que eu não teria o direito de transar com o meu namorado quando sou um cara divorciado? – questionou Derek antes de Stiles começar a dar passos para trás, o forçando a ir para trás, também.
— agora se nos dá licença, precisamos terminar algo importante – disse Stiles começando a fechar a porta.
— isso não vai ficar assim – eles puderem ouvir Kali dizer, em prantos, antes de a porta se fechar. Derek soltou e Stiles e, envergonhado demais para encarar o homem ainda estando nu, pegou suas roupas e passou a vestir as mesmas ali mesmo.
— ok. Isso, sim, foi um pouco estranho. Mas olha pelo lado bom. Nos livramos de sua ex-mulher – disse Stiles socando o braço do Hale, antes de pegar a própria cueca e começar a vestir a mesma, seguindo para a cozinha, logo em seguida.
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