RONY

Fiquei o resto do dia todo pensando o que raios Hermione deveria estar aprontando.

Darel e Nyree voltaram antes de Hermione, rindo abobalhadamente. Deduzi que o passeio havia sido muito bom, já que Nyree agia de um jeito muito mais à vontade do que estava horas atrás.

– Olá, senhor Weasley.. — Nyree me cumprimentou ao entrar no hotel — a sua amiga já voltou?

Olhei para Nyree, sem poder segurar um sorriso.

– Na verdade ela não é minha amiga — ri, encarando sua expressão inocentemente confusa. Nyree era o completo oposto de Hermione... era calada, tímida, ingênua... me lembrava um pouco de Luna.

A única diferença era que Nyree não era tão doida.

A maori corou levemente.

– Desculpe... não notei que os senhores eram... bom... — ela olhou para Darel, como se pedisse ajuda.

– ... amasiados? — brincou Darel, esbarrando carinhosamente o braço em Nyree.

– É... — Nyree riu baixinho, envergonhada.

– Cara, você vai ter que me explicar o que diabos é isso... — murmurei, rindo.

– Amasiados? Quer dizer namorados... apaixonados... amalgamados... enrolados... entenda como preferir — Darel disse — o mesmo que eu e essa moça aqui.

Nyree pareceu ter um chilique de ternura e abraçou Darel, que ergueu a sobrancelha para mim de um jeito cômico.

– Mas, respondendo a sua pergunta, Nyree... não, não a vi ainda... — olhei par o relógio em meu pulso — e está ficando tarde... tem novidades sobre os pais dela, Darel?

– Sim, tenho — Darel fingiu se desvencilhar de Nyree e apanhou um bloco de papéis atrás de si — peguei essas informações com amigos no centro da cidade. Eles passaram uma temporada de cinco dias aqui em Alice Springs, e se dirigiram para Darwin através da rodoviária... por enquanto, é tudo o que temos... — Darel ergueu o olhar para mim — mas já sabemos que eles realmente se instalaram em Darwin... só podemos ir até lá e torcer para que não tenham ido ainda mais longe.

– Então, agora é uma viagem direto para Darwin? — indaguei.

– Sim... vou aprontar tudo para viajarmos amanhã... meu Ranger ficou em Melbourne, então vou alugar um carro por aqui... — ele olhou para fora do quarto — o senhor tem s comunicado com sua família?

Engoli em seco. Desde o malfadado berrador em Melbourne, eu só tinha mandado uma carta simples por Errol, dizendo que estávamos bem e que voltaríamos logo para casa. Desde então, mais dois berradores haviam chegado — um na tribo Tokonga, através de um pássaro nativo, e outro, algumas horas atrás, novamente por Errol.

Tive que me segurar quando ignorei as cartas, observando-as explodirem. Não ia dar aos meus pais mais informações. Se desse, isso só os deixaria mais angustiados.

– Não... pelo menos, desde Melbourne... respondi, cabisbaixo.

– Ah... — Darel arfou, olhando porta afora — parece que a sua amasiada chegou — ele brincou.

– Parou, Darel — revirei os olhos, dando um tapinha no braço de Nyree, que ria apreciativa — por que vocês dois não vão dormir... na mesma cama?

Darel fechou a cara para mim, mas parecia estar, finalmente, achando um pouco de graça nas piadinhas maliciosas, já que deu um sorriso de má vontade. Nyree olhou para Darel, assustada, e puxou a manga da camisa dele, murmurando algo sobre estar com fome e querer jantar.

– Tá bom... — Darel resmungou, balançando a cabeça para mim, enquanto puxava Nyree para fora do quarto.

De onde eles saíram, surgiu Hermione, segurando um punhadinho de sacolas nas mãos.

– Oi — ela sorriu, beijando minha bochecha — como passou o dia?

– Uma droga sem você — bufei, avaliando sua reação, que foi deliciosamente surpresa.

– Hum... sentiu saudade, foi? — Hermione guardou as sacolas na mochila, deixando apenas uma para fora.

– Um pouquinho — sorri, enquanto a observava colocar a sacola que sobrara dentro do banheiro da suíte. Ela entrou no banheiro e encostou a porta — e você? Como foi o passeio na cidade?

– Um saco sem você...- Hermione me devolveu, rindo.

Sentei na cama, esperando-a sair do lavabo. O calor no quarto era demais para o pobre ar-condicionado, que não estava dando conta do trabalho. Resolvi tirar um pouco a camiseta, fechando a porta do quarto para não assustar nenhum coitado que olhasse para um ruivo seminu numa cama. Concluí que, depois da bizarra e fantástica noite na tribo Tokonga, Hermione não ficaria encabulada com o fato do namorado só estar de calça de moletom.

– Está tudo bem aí, Hermione? — perguntei, estranhando sua demora.

Ouvi a porta do banheiro se abrir, e virei o rosto em direção à Hermione.

Me corpo se levantou num salto assim que eu a vi.

Meu estômago começou a rolar, enquanto meu coração parou, apenas para disparar, em seguida, como uma Firebolt num jogo de quadribol.

Hermione veio em minha direção, abraçando o próprio corpo.

Estava só de roupa íntima.

E, Deus, ela estava linda. Insanamente linda.

Eu já havia visto roupas íntimas antes, claro — culpa de Gina, que as deixava largadas por toda a Toca.Mas nunca as vi vestidas numa mulher.

E, por Merlim, a minha primeira visão daquilo não poderia ter sido mais gratificante.

O conjunto era preto, com babados delicados nas bainhas. Se ajustavam divinamente no corpo esbelto de Hermione, contratando em cor com sua pele clara.

Hermione sentou ao meu lado, parecendo ao mesmo tempo envergonhada e calculista.

– Hermione... arfei, olhando-a — o que... o que você...

– Shhh — ela tampou minha boca com os dedos — eu disse... que ia lhe fazer uma surpresa...

Engoli em seco de novo. Era essa a surpresa? Hermione queria se exibir para mim de um jeito mais íntimo? Ou queria me agradar? De repente, mostrar que confiava insanamente em mim...talvez todas a opções.

Se fosse isso, ela realmente estava conseguindo o que queria... me deixar aceso. Seria sua ideia de vingança pelo que eu fiz à ela no deserto?

Hermione se ajoelhou na cama, e, para meu espanto, passou a mão pelo meu peito, numa tentativa de fazer uma carícia. Pude sentir sua timidez quando seus dedos tremeram em contato com minha pele.

– Ei — apanhei sua mão na minha — não precisa fazer nada só pra me agradar...

Hermione ergueu os olhos e deu um sorriso travesso, que varreu a timidez de seu rosto.

– E quem disse que eu quero te agradar?

Seus lábios se colaram em minha boca como num reflexo. Ela parecia ao mesmo tempo muito envergonhada e muito ousada.

Segurei sua cintura, acariciando o veludo que era sua pele. Sua mão ainda deu algumas pequenas voltas em meu peito, indo de lá para o meu pescoço. Sua outra mão abarcou meu rosto enquanto me beijava.

Hermione me jogou na cama, rindo. Fingi me estrebuchar, o que a fez rir ainda mais.

Por instinto, passei a mão em seu ventre, acariciando-o. Hermione arfou baixinho quando afaguei sua perna.

– Você está tão linda... — sussurrei, maravilhado — não podia ter tido surpresa melhor.

Hermione sorriu; seus olhos pareciam brilhar com algo que parecia ternura.

– Obrigada... — ela virou a cabeça timidamente, antes de abaixa-lapara pousar seus lábios em meu pescoço. Um arrepio percorreu meu corpo quando Hermione iniciou uma trilha de beijos pelo meu tórax.

Cada beijo vinha carregado de tanto carinho que eu sentia meu coração ribombante se desmanchar de ternura — algo que até então era quase desconhecido para mim. Céus, aquela garota era meu mundo agora... como eu ia conseguir viver um pouco que fosse longe dela?

Enrolei o corpo de Hermione em meus braços, colando-o ao meu num abraço. Ela aninhou a cabeça em meu ombro, beijando meus cabelos.

– Diga o que está pensando — ela sussurrou em meu ouvido.

Pisquei, inseguro.

– Queria fazer amor com você... — confessei, sem pensar.

Hermione arfou, mas, para meu choque, pôs as mãos nas costas, como se fosse soltar o sutiã.

– Não... — segurei suas mãos; um riso passou por minha garganta — não agora. Não hoje...

A expressão de decepção dela foi tão chocante que dei utra risadinha insana.

– Você... — ela sacudiu a cabeça.. não...

– Se eu quero? Muito — abracei-a, sorrindo — mas acho que não é a melhor hora para isso... não agora...

Hermione se jogou para o lado, revirando os olhos.

– O que foi? — brinquei — você perguntou o que eu estava pensando. Não o que eu queria fazer...

– Ah, vai te catar, Ronald — Hermione murmurou, mas notei o sorriso por trás de seus cabelos.

Eu ia dizer algo inteligente para responder à sua fala marrenta, mas algo me impediu.

Antes que eu percebesse, mergulhei num sono estranho, completamente inesperado.

Aquilo não era adormecer.

Algo estava errado.

Quis chamar Hermione, mas estava perdido dentro de uma escuridão inexplicável...