Romeu & Julieta
1 Last Day on Earth
Notas iniciais
Estou tentando escrever algo romântico, vamos ver o que sai até o final.
[Sexta temporada, último episódio]
Katrina andava despojada até a sala de reuniões.
Nunca imaginou que se sentiria tão bem em um mundo repleto de mortos-vivos, onde ou você matava ou morria. Com as mãos enfiadas no bolso da calça jeans de lavagem escura, ela cumprimentava os moradores do Santuário.
Todos trabalhavam em conjunto para manter aquele lugar. Os trabalhadores proviam e os Salvadores cuidavam, não havia maneira melhor de se gerenciar um lugar tão grande como aquela fábrica velha em um apocalipse.
Katrina havia passado sua infância ajudando a prover a paz daquele lugar, gostava de vigiar os moradores como um passarinho, seu corpo fino e pequeno a ajudava a não ser notada na maioria dos lugares. Por isso era a informante número um de Negan.
O rei do Santuário.
Carregando Lucille para todos os lados e ensinando aqueles medrosos a andarem na linha, lhes dando propósito naquele caos que chamavam de mundo. Katrina sempre observou tudo de perto, aprendendo o único estilo de comando que para si parecia certo.
Sendo a princesa intocável do castelo, Katrina fazia o que queria. Ninguém ousava desafiar a sobrinha do Negan.
— Mandou me chamar, tio? – A jovem loira entrou no salão ao qual Negan usava para reuniões.
Negan estava sentado em cima da mesa, uma das pernas apoiadas na cadeira enquanto Lucille ficava entre suas pernas encostadas no chão. Um sorriso brincava em seu rosto. Ele apontou para o pacote ao seu lado.
— Feliz aniversário. – ele desejou e Katrina o abraçou apertado.
— Você lembrou. – Ela comemorou se soltando dele e indo em direção ao pacote.
— Nunca poderia esquecer.
Negan aproveitava a felicidade da sobrinha. Vê-la feliz o lembrava dos velhos tempos em que ela era somente uma menina de 6 anos de idade correndo pelo quintal da casa dos pais enquanto ele e sua mulher aproveitavam um churrasco com os cunhados.
Katrina era o mais próximo de uma família que ele tinha.
A jovem sorriu feliz, sentindo a satisfação encher seu coração. Ela entendia que o tio era uma pessoa ocupada e vê-lo tirando um pouco de seu tempo para mimada era perfeito. Ela sentia falta dos pais em todos os aniversários, mas Negan servia de uma figura paternal que ela considerava suficiente para ser sua família.
— Obrigada, tio. – Ela agradeceu ao ver o conteúdo da caixa.
— Você sempre me pediu um desse. – Ele se levantou. – Parabéns, querida.
Negan depositou um beijo casto na testa da sobrinha, que encarava seu presente com seus olhos claros e brilhantes.
Uma batida à porta os retirou daquela bolha de felicidade que estourou.
— Está na hora. – Simon, o braço direito do tio da jovem apareceu.
— Saímos em 10. – Negan ordenou.
Simon saiu da sala deixando os dois para trás. Katrina sabia exatamente o que o tio iria fazer aquele dia, os Alexandrinos estavam indo longe demais, eles precisavam ser parados antes de incitarem as outras comunidades.
Katrina conseguia se lembrar do rosto de todos os amigos que havia perdido graças aos Alexandrinos. Eles mereciam o que iam receber.
— Você vem? – Ele estendeu a mão vazia para ela.
Katrina se espantou com o pedido. Negan nunca a deixava sair para grande missões, mas ela tinha idade o suficiente agora. Sabia usar uma arma melhor do que ninguém e estava pronta para entrar em ação.
Ela abriu um sorriso sacana pegando na mão de Negan. Era sua hora de brilhar.
O tio beijou a mão da sobrinha e ambos saíram da sala.
Todas as estradas estavam bloqueadas, Katrina se divertia vendo os Alexandrinos correndo de um lado para o outro tentando escapar, mas não havia saída quando se tratava de Negan.
Não demorou muito para que a noite caísse e eles fossem emboscados. Um grupo de 70 pessoas cercando 15 coitados, desarmados e assustados. Ou pelo menos era isso que eles iriam ficar.
Negan saiu da van que estava, criando uma aura de silêncio. Katrina que carregava duas pistolas com silenciadores em seu coldre e uma baioneta de ponta dupla em suas costas saiu da van logo em seguida.
A visão era perfeita de onde estava. Seu tio andava de um lado para outro conversando com o líder dos Alexandrinos, Rick Grimes. Era seu primeiro encontro com os baderneiros e ele demonstrava o quão desapontado estava em ter que fazer aquilo.
Segundo ele, só matava quando necessário e nesse caso, a necessidade batia a porta.
Katrina analisou todos os rostos ajoelhados a sua frente. O líder parecia abatido, distante daquele lugar, mas Negan tratou de chama-lo de volta ao planeta Terra.
O grupo de Alexandrinos ficou em choque ao assistir Negan amassar a cabeça do ruivinho, Katrina não se deu ao trabalho de decorar os nomes, eram muitos e insignificantes. Logo eles seriam somente mais uma remessa de pessoas comuns trabalhando para eles.
A loira mal piscou e um dos Alexandrinos tentou atacar Negan, todos a sua volta levantaram as armas, inclusive a menina, mirando o cara cabeludo com seu bastão.
— Ponham ele na van, é desse tipo de energia que nós precisamos. – Negan ordenou sentindo a adrenalina correr pelo seu corpo, o homem sendo arrastado até a van. – Eu disse para não fazer isso, mas vocês pediram.
No mesmo instante, Negan amassou a cabeça de um asiático que estava a sua frente com toda a sua força. Os Alexandrinos gritaram em choque, estavam perdendo mais do que o esperado naquela noite.
Com dois participantes a menos, Negan propôs uma trégua a Rick. Mas é claro, eles nunca aceitavam de primeira. Rick se mostrou um cara confiante e forte ao desafiar Negan, mesmo que tenha acabado de perder seus parceiros de batalha. Um completo erro.
Os olhos de Katrina focaram no garoto ao lado do líder. Ele estava com a cabeça erguida, seus olhos estavam vidrados, ele não havia chorado ou sequer se mexido. Ele sim era corajoso e tinha lá sua beleza. Katrina desejou que ele não fosse do time inimigo.
— O garoto. – ela quebrou o silêncio chamando a atenção do Negan. – Corta o braço dele.
Os Salvadores pareciam aprovar a ideia, assim como Negan. Ele sabia que seria a escolha certa traze-la ao campo, ela era extremamente criativa e tinha o dom.
O garoto a encarou, ela o olhou de volta. Seria uma pena que ele não tivesse mais as duas mãos pra se defender, ele já estava em desvantagem por não ter um olho. Ele parecia um maldito anjo da morte, atraindo tudo de ruim para si.
Negan o fez se deitar no chão e estirar o braço, foi então que eles descobriram que o menino era filho de Rick Grimes. Somente um pai se ofereceria em tão grande desespero.
A pressão de perder o filho fez Rick ceder. Eles não tinham mais o que fazer ali.
Todos foram voltando para seus carros e caminhonetes para poder sair dali. Katrina que se mantinha perto da van o tempo todo deu espaço para que seu tio entrasse no veículo depois de terminar sua fala com Rick.
Katrina deu uma última olhada no estado dos Alexandrinos. O choque do momento ainda era visível, muitos deles choravam em silêncio agora. Eles estavam derrotados e sabiam disso.
A loira tombou a cabeça antes de fechar a porta da van para que seu tio e Rick tivessem privacidade para conversar. Seus olhos repousaram sobre o filho do líder, ela imaginou se ele teria a mesma vida que ela ao ser a única família de alguém tão poderoso.
O menino de cabelos nos ombros levantou os olhos para ela, por um instante ela desejou saber o que ele pensava, mas provavelmente não seria nada de bom. Ela soltou um leve riso com o duplo sentido do próprio pensamento e subiu na picape.
Aos poucos eles se afastaram do grupo, mas Katrina mantinha seus olhos no menino.
Ele tinha um ar diferente, como se já tivesse enfrentado a morte vezes demais para sentir medo. Ele tinha algo especial e ela queria descobrir o que era. Ele irradiava, mesmo na escuridão e isso a encantava.
Ele era um mistério que ela queria desvendar. Com pesar ela o perdeu de vista, mas sua imagem continuou impregnada em sua mente.
Talvez leva-la para aquele encontro, não foi realmente a melhor ideia.
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