Romeu & Julieta
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Notas iniciais
[Sétima temporada, episódio quatro]
Viajar até Alexandria havia se tornado recorrente, eles demonstraram ser bons em achar o que precisavam partilhar com os Salvadores. Metade de tudo o que tinham, eles claramente não estavam felizes, mas ainda assim faziam o que Rick mandava. Uma decisão sábia, ao ver de Katrina.
A jovem loira não necessariamente gostava de participar das patrulhas, mas ela tinha seu interesse pessoal em ir até o local: Carl Grimes, o interesse misterioso desde o seu primeiro encontro.
Carl raramente falava com a jovem, mas a troca de olhares era evidente. Katrina conseguia sentir a raiva compenetrada nos olhos dele sempre que a fitava; mesmo a metros de distância. Ele não estava feliz com a situação e concentrar sua raiva em um único alvo era fácil.
Do que mais ele precisaria se não uma ligação incompreendida com a princesa do Santuário? Carl sabia como a hierarquia do lugar funcionava. Se Negan era o rei, ela era a princesa. Assim como se seu pai era o líder, ele era o herdeiro.
O portão de Alexandria foi aberto, carros e caminhonetes adentraram os portões. Negan desceu de uma delas, a batida de recolhimento começou, um grupo foi levado ao armazém do local, levariam metade de seus suprimentos e armas.
Katrina desceu do banco de trás do jipe que Laura dirigia. Não havia muitas mulheres no grupo ao qual a loira se identificava, Laura não era uma delas, mas a servia bem.
Com uma de suas pistolas em punho, Katrina andou vagarosamente sob o asfalto da comunidade, seus olhos se encontrando com o olhar duro e azulado de Carl. Ele a encarou, imaginando se sequer compreendia o que estava fazendo com eles.
Katrina tombou a cabeça enquanto Negan falava com Rick, o som de suas vozes fazendo fundo ao seu pensamento, mesmo com uma bandagem em cima do olho, Carl continuava bonito. Ela se questionava se já havia se sentido dessa forma, podia olhar para Carl o dia inteiro e não se cansaria, completamente intrigada com todo o seu ser.
A passos lentos ela se aproximou do jovem. Ele não deixava de ser alguns centímetros maior que ela, mas isso não a intimidava. Ela suspirou abrindo um sorriso brincalhão no rosto.
— Fico feliz em ver que você está bem, pirata. – Katrina sentia estar dançando apesar de continuar parada. – Espero que você seja gentil hoje e me acompanhe até o quarto de armas.
Carl a olhava inexpressivo, era realmente um mistério saber o que ele estava pensando. Sem dizer uma palavra, ele girou em seus calcanhares e começou a andar. Katrina partiu em seu encalço, aproveitava o pouco tempo que tinha para poder ficar perto dele, tentar descobrir qualquer coisa que pudesse.
Ele era uma maldita caixa de mistério, que ela estava louca para desvendar.
Os Salvadores ficavam de olho no que a princesa estava fazendo, não era a primeira vez que ela vinha brincando com o filho de Rick. Nenhum deles aprovava essa relação que ela estava construindo com ele, Carl era o inimigo e ela devia se manter distante dele.
— Então... – Katrina tentou puxar assunto, era de seu feitio mexer com fogo. – Da última vez, você contou sobre como perdeu o olho. Que tal me contar a história desse chapéu?
Carl desviou sua atenção do caminho para analisar a loira saltitante ao seu lado. Ele imaginava o que poderia fazer se saísse correndo ou a prende-se como refém. Ela não parecia uma ameaça, mas seu tio era. Estreitando os lábios, Carl se contentou em respondê-la.
— Era do meu pai. – Ele abriu a porta do galpão de armas. – Ele era xerife.
— Uh, filho do homem da lei. – Katrina brincou com suas sobrancelhas dançantes tentando tirar um sorriso de Carl. – Não posso negar que isso te deixa ainda mais atraente.
Carl suspirou, imaginava quem a havia mandado dizer tais coisas. Pois essa devia ser sua função, distraí-lo ou monitora-lo, a opção de que Katrina estivesse realmente flertando não lhe passava pela cabeça. Ele nunca havia flertado antes, não sabia como isso funcionaria.
Os olhos de Katrina brilharam ao contemplar a quantidade de armamento novo que eles haviam conseguido. Era de se imaginar que aquele grupo era promissor. Em passos silenciosos, ela se aproximou das pistolas, suas favoritas e aparentemente do Carl também.
— Ponha a arma no chão. – Carl ordenou fazendo a loira se virar com a sua pistola em mãos. – Mais um passo e eu atiro.
— Não cometa esse erro, Carl. – Katrina não via saída se não jogar sua pistola no chão. – Você vai se arrepender.
— E você não vai? – Carl continuava com a arma para cima. – Vocês estão se aproveitando de todas essas pessoas.
— Esse é o mundo em que vivemos agora. – Katrina mantinha as mãos para cima. – Criamos um sistema.
— O sistema só os favorece. – Carl tentava abrir a cabeça da jovem, acreditava que podia convencê-la a enxergar o que estava fazendo de errado. – Isso é errado, Katrina.
— Depende do ângulo que você olha.
Katrina ouviu passos na escada acima deles, um dos Salvadores que verificava a casa abriu a porta onde estavam, ao ouvir suas vozes. Katrina reconheceu Rodrigo, um homem de 35 anos que havia se juntado ao grupo recentemente, ele levantou sua M16 no rosto de Carl pronto para atirar.
— Não! – Katrina gritou, chamando a atenção de ambos. – É o filho do Rick, você não quer atirar nele.
— Mas... – Rodrigo tentou argumentar.
— Mais nada! – A loira calou-o. – Abaixa essa arma.
Carl olhava para Katrina perplexo. Ele estava apontando uma arma para ela e ela estava pedindo para que seu único parceiro abaixa-se a arma? O que ela ganharia com isso?
— Carl. – ela o olhou. – Você não vai conseguir nada atirando em mim.
A porta da frente se escancarou os surpreendendo, Katrina avançou para Carl o acertando no rosto e pegando a arma de sua mão. Pela porta entrava Rick e Negan, os olhos curiosos para entender a demora da sobrinha.
— O que aconteceu aqui? – Rick questionou ao ver uma fileta de sangue sair do nariz do filho.
— Nada. – Katrina olhou sugestiva para Carl. – O garoto bateu o rosto quando ia saindo.
Negan manteve sua postura torta, analisando a situação. Aquilo cheirava a mentira, mas ele confiava em sua sobrinha, sabia que ela poderia lidar com a situação se necessário.
— Pegue as armas, estamos partindo. – Ele ordenou.
Rodrigo não questionou a decisão da princesa, apesar de novo no grupo, já havia aprendido que nada do que Katrina fazia era questionado. Agarrando um balde ali presente, passou a enchê-lo com as armas.
— Espera, espera. Todas essas? – Rick se referia a quantidade massiva de armas que eles levavam.
— Tem algum problema, Rick? – Negan jogou Lucille para cima do ombro e encarou o outro.
— Não vai sobrar muito para nos protegermos. – Carl respondeu.
— Vocês conseguem arranjar mais. – Negan respondeu prático.
Rodrigo saiu da sala sendo seguido por Rick e Negan, Katrina que segurava a arma anteriormente de Carl o olhou antes de sair.
— Se você fizer alguma gracinha dessa de novo. – Ela se aproximou. – Eu faço questão de fazer o trabalho que aquela maldita bala não fez.
O espaço entre os dois era pouco, o tom de ameaça de Katrina era sério, ela podia flertar com ele o dia inteiro, mas não toleraria que ele a desafiasse daquele modo. Carl mantinha um semblante sério, se questionando como ela podia ser tão bruta e apaixonada daquele modo.
“Ele pelo menos tem coragem” Katrina pensou por um minuto, não era qualquer menino que teria sido imprudente desse modo, mas ela conseguia enxergar os motivos dele. Para ele, ela era a ameaça ao seu lar. Um sorriso brotou no rosto da jovem e em um movimento rápido, depositou um beijo na bochecha de Carl, que se espantou com o carinho repentino.
— Nos vemos da próxima vez, pirata.
Katrina se afastou da casa, deixando Carl para trás enquanto girava a pistola prateada nos dedos e a guardava em seu coldre. Pelo menos dessa vez o momento ruim acabou como uma boa memória.
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