Roleta Russa

24 Capítulo 24


Ao estacionar a SUV na frente do gigantesco casarão localizado na Davis Square, ela sentiu uma súbita vontade de fugir e quase chegou a cogitar seguir seus instintos, mas Roxy e Henry estavam no carro e ela teria muito mais trabalho explicando suas ações. Respirou fundo e saiu do carro, percebendo que seus filhos já haviam seguido na frente, subindo os poucos degraus e entrando pela larga porta de madeira escandinava.

Regina entrou logo atrás deles, o coração dividido pelas lembranças agridoces de sua infância e adolescência. A casa permanecia no mais repleto silêncio, e ela acompanhou os filhos até o jardim onde Madgalena servia o café da manhã para eles.

“Ora ora que surpresa maravilhosa!” Clamou seu pai, levantando-se com um largo sorriso e abraçando Roxanne, tocando o rosto dela e afastando-se um pouco para olhar seu rosto com a mais completa admiração e carinho. “Como você está, minha querida? Eu já estava com tanta saudade.”

O comentário fez com que Cora encarasse Regina por alguns segundos, e não era necessário um tradutor para entender que ela estava nomeando a filha como culpada por isso. Henry debruçou-se e a beijou na bochecha. “Bom dia, Vó.”

Seus filhos revezaram para cumprimenta-los e Regina beijou o topo dos cabelos ralos de seu pai. “Olá pai.” Comentou com toda a suavidade e amor, mas o mesmo carinho não foi estendido à sua mãe. “Bom dia, mãe.”

“Madgalena, peça que tragam pratos e xícaras para todos. Supondo que essa visita irá durar mais que dez minutos.” Provocou ela.

“Sim, Mag. Pode trazer, por favor.” Enfatizou Regina.

Assim que a mulher se afastou, Cora continuou encarando-a. “Não estou pedindo um favor a ela, ela é paga para isso.”

“Eu tenho plena ciência disso e ela também, mas existe algo chamado educação.”

“Como está indo na escola, Henry?” Cortou seu pai, e ela suspirou. Seu pai sempre tentava apaziguar os ânimos entre ela e sua mãe; anos e anos depois, o hábito não mudara.

“Bem, Vovô. Estou fazendo aulas de desenho agora e com o psicólogo…”

“Você também?” Sibilou Cora, os olhos inquisidores e uma voz repleta de julgamento que fez Henry recolher os ombros, intimidado. Aquilo fez com que um cordão arrebentasse dentro de Regina — Cora poderia atormentá-la pelo tempo que fosse, mas não faria isso com seus filhos, não enquanto ela estivesse viva.

“Qual o problema com isso? Milhões de pessoas utilizam acompanhamento psicológico e é comprovado o quanto isso aperfeiçoa a inteligência emocional de um ser humano.”

“Também comprova sua inabilidade como mãe. Você nunca precisou ir a essas coisas. Eu lhe disse que o divórcio ia fazer mal a eles e…”

“Eu precisei ir e você me negligenciou essa ajuda.”

A risada seca e irônica de Cora fez seu sangue borbulhar. Ela estava prestes a falar algo que iria, propositalmente, ofender quando sentiu os dedos de seu pai alcançando sua mão por baixo da mesa, confortando-a. O gesto a acalmou, fazendo sua raiva diluir-se lentamente.

“Você é uma mulher bem-sucedida hoje, apesar de divorciada. Eu a criei muito bem. Não reclame.”

“Eu gostaria de lembrar que você foi a primeira a ir contra minha escolha de carreira. Não peça reconhecimento por algo que não foi mérito seu, Cora.”

“Soube que você está trabalhando com Valerie, Roxanne?” Perguntou Cora, virando-se para sua neta e agindo como se nada estivesse acontecendo. Regina suspirou, aproveitando que Magdalena havia retornado com a porcelana e que podia comer agora.

“Estou.” Respondeu Roxy, os olhos fixos no celular. Levou uma torrada aos lábios e mordeu, mastigando lentamente. Regina perguntou-se o que ela pensava sobre aquela situação.

“Mas isso é temporário, certo? Você já está escolhendo que universidade vai cursar no ano que vem?”

“Eu ainda não sei o que quero fazer.”

“Espero que não seja nada nessa área que você está atuando agora. Moda não é um assunto sério. Eu sei que é divertido brincar de trabalhar para as amigas da sua mãe, mas…”

“É um trabalho muito sério para mim.” Defendeu Roxy, encarando Cora e surpreendendo todos na mesa, até mesmo sua mãe. “Eu não estou brincando. Eu gerencio uma das revistas de maior circulação no país. Eu dou duro lá, eu atendo eventos, eu estudo influências históricas para me situar nas constantes mudanças. Ninguém fica vestindo barbies.”

Silêncio se fez presente na mesa. Henry abaixou a cabeça, os olhos fixos em seu prato cheio de panquecas e geleia de morango. Regina encarava Roxy, admirando a coragem dela.

“Isso são modos de falar com a sua avó, garota?” Sibilou Cora, os olhos feridos e o sorriso desfeito, uma careta da mais completa indignação. “Você não vai dizer nada, Regina? É essa a educação que tanto preza e prega animadamente? Respeitar os empregados quando seus filhos não sabem respeitar seus próprios avós?”

“Roxy não faltou com respeito com a senhora, Vó. Na verdade, a senhora desrespeitou o trabalho dela.” Henry saiu em defesa da irmã, finalmente encarando Cora.

“Deixe-os em paz, Cora.” Pediu Sir Henry, tentando acalmar os ânimos na mesa. “Vamos tomar o café da manhã, pelo amor de Deus. Meus netos nunca vêm aqui em casa, eu gostaria de aproveitar a companhia deles sem discussões por pelo menos uma refeição.”

“Me surpreende Regina ter se lembrado do caminho.” Zombou ela, espalhando seu desprezo amargo sobre todos na mesa.

“Era melhor que não tivesse lembrado.” Devolveu Roxanne.

Os olhos de Regina encontraram com os da filha e ela balançou a cabeça de um lado para o outro, devagar. Oh não. Ela entendia que não era prazeroso para eles aturar o mau humor da avó, ela entendia que Roxanne era explosiva demais para engolir aquilo sem rebater, mas bem… Não era para sempre.

“O que ela disse?” Perguntou Cora, mas ela havia escutado muito bem. Seus olhos de gavião vidrados em Regina, desafiando-a a repetir a birra de sua filha e colocando-a numa posição delicada.

“Mãe…” Suspirou a delegada, procurando uma maneira de evitar o impasse. Recusava-se a crucificar Roxy por um capricho dela.

“Eu disse que era melhor minha mãe ter esquecido o endereço daqui. Eu não entendia porque ela protelava tanto em vir até aqui sendo que não é tão longe, mas agora eu já entendi. Ela não está errada. Desde que sentamos nessa mesa tudo que a senhora tem feito é alfineta-la. Finja ser uma mãe e avó normal pelo menos durante uma refeição, que saco.”

Mas antes que qualquer um deles pudesse rebater, ela levantou-se e pegou a cesta com as rosquinhas cobertos de açúcar e seu café, retirando-se da mesa. “Vem, Henry.”

O garoto que estava tão quieto contra a própria mobília após o lapso da irmã ergueu os olhos timidamente na direção de Regina; o semblante de quase desespero ricocheteou contra o peito dele, fazendo-a respirar fundo. Balançou a cabeça, afirmativamente e ele levantou-se, levando consigo seu café. Observou-os se afastar até a beirada da piscina; eles conversavam calmamente, quase como se não tivessem acabado de se rebelar contra a matriarca da família.

Voltou sua atenção para Cora, que a encarava com fúria. “Espero que esteja feliz. Virou seus filhos contra mim.”

“Eles não têm mais sete e oito anos, mãe. Você não pode ser uma bruxa na frente deles e esperar que eles assistam calados.”

“Regina, por favor.” Pediu Sir Henry e ela suspirou, abandonando o assunto. Por alguns minutos, os três continuaram comendo em silêncio, apenas convivendo em uníssono.

“Jefferson esteve aqui.”

Regina franziu o cenho, os lábios semiabertos. “Para que?”

“Oras essa, para trazer o novo convite de casamento.”

“Vocês vão?”

“Obviamente. Jeff é família. Você também vai, suponho.”

Regina sorriu, balançando a cabeça. “Supõe erroneamente.”

Cora soltou o guardanapo e o garfo, e ajeitou as mangas da camisa social que usava. Regina engoliu a seco a fruta que mastigava; era sempre assim quando Cora Mills estava prestes a lhe dar um sermão. Os movimentos, a sutil mudança na postura, a voz mais firme.

“Considerando que você escolheu desistir dele e oferecê-lo de bandeja para aquela vagabunda, você deveria ao menos prestar algum apoio a ele.”

“Ele não precisa de apoio. Jefferson dá conta sozinho. Ele já passou por uma festa de casamento, tenho certeza que ele se lembra do que precisa fazer.” Regina alongou um dos ombros, sentindo uma pequena tensão se formar. “E Emma não é nenhuma vagabunda.”

O comentário fez com que as sobrancelhas de sua mãe arquearem antes dela soltar um riso rouco e depreciativo. “A mulher rouba o seu marido e você se dá ao trabalho de defendê-la? A sua fraqueza me desanima, Regina.”

“Oh é claro, mãe. Pobre Jefferson, tomado refém que não teve outra escolha a não ser tropeçar e cair com o pênis dentro dela. Uma vítima da situação, uma vítima da perigosa e sedutora Emma.” Zombou a morena. “Por favor. Mostre algum respeito por mim e se não por mim, pelo seu queridinho Jefferson. Qual seria o propósito de lutar por um homem apaixonado por outra?”

“Salvar um casamento.”

“Salvar as aparências de um casamento, mãe. O casamento estava morto há mais tempo.”

“É uma pena.”

“Não, não é uma pena. É uma coisa ótima. Ele está apaixonado por Emma e Emma está apaixonada por ele. Ela trata os seus netos com todo o respeito e carinho. Eu realmente espero que eles sejam felizes juntos.”

“Ele disse que você está vendo alguém.”

“Isso não é da conta dele e também não é da sua, com todo respeito.”

“Traga-o aqui. Eu quero ver o sujeito. Espero que você tenha tido a decência de conhecê-lo bem antes de expor seus filhos e”

“Primeiro.” Sibilou Regina, irritada. “Eu gosto dele demais para expô-lo a você. Segundo, não ouse meter o bedelho em como eu educo meus filhos ou em colocar em dúvida minhas decisões sobre eles. Existem limites para todas as pessoas, mãe. Inclusive para você.”

Cora afunilou seu olhar, observando a filha por alguns instantes. Silêncio os acompanhou, e Sir Henry respirou aliviado, imaginando que aquilo colocaria fim à disputa de egos e hierarquias durante o café da manhã; sentia muita falta da companhia de sua única filha. Entretanto, ele entendia quão exaustiva e estressante eram as demandas de sua esposa. O quanto ela esperava e exigia de Regina, e que toda a situação não era saudável.

“Você nunca mais teve contato com aquele seu namoradinho, Colter?”

Seu olhar cruza com o de seu pai, imediatamente. É um daqueles dias. Daqueles, extenuantes, onde sua mãe simplesmente não consegue deixá-la em paz; quando um assunto não dá o resultado que ela almeja, ela passa para outro e outro e outro, uma busca incansável por algo que possa ser usado como barganha. “Por que? Vai querer que eu o encontre agora? Jefferson vai se casar e Robin não é bom o suficiente, sem você o ter conhecido, então eu deveria procurar o meu ex-namorado do colégio?”

“Robin.” Repetiu Cora com um sorriso diabólico nos lábios e Regina fechou os olhos, odiando-se pelo deslize cometido.

“De qualquer forma, não entendo o seu interesse. Você foi a primeira a bater palmas quando nós terminamos. Era tudo o que mais sonhava.”

“Você não pode me culpar. Aquele garoto tinha ideias absurdas. Jornalismo investigativo é uma carreira perigosa.”

Regina riu, afastando o prato. “Oh e claramente, ser Delegada Federal não é.”

“Se tivesse continuado com aquele menino você teria um marido morto em algum cartel mexicano, ou em uma biboca no Afeganistão. É o que queria? Ser uma viúva de 26 anos?”

“Daniel está muito vivo, mãe. Seus argumentos não fazem sentido algum. Seu preconceito talvez.”

“Então você tem contato com ele.”

“Ele cobriu recentes reportagens sobre os bombardeios em Aleppo. Você saberia disso caso se importasse com algo além da sua bolha social e o que vai se gabar para suas coleguinhas do clube.” Cora revirou os olhos e Regina pediu licença ao pai. “Eu o espero no escritório, pai.”

***

Sentado nos fundos da biblioteca, Leo esfregava a nuca. Não conseguia se concentrar o suficiente para escrever a redação sobre a Revolução Industrial. Pegou o celular, discando os números do centro de distribuição. O atendimento eletrônico o guiou até os atendentes.

“Olá, meu nome é Samantha, com quem eu falo?”

“Leo Scarlet.”

“No que posso ajudá-lo, Senhor Scarlet?”

“Eu não entendi muito bem essa mensagem que vocês me enviaram. Como assim a entrega dos remédios foi adiada em uma semana? Vocês sabem que eles são entregues em número controlado, nem mais nem menos… O que eu vou fazer com a minha mãe sem medicamento por uma semana? Como isso aconteceu? Nunca houve atrasos…”

“Senhor Scarlet, eu peço sinceras desculpas. Aparentemente, houve um desvio e um dos caminhões transportadores desapareceu do rastreio; teremos que refazer o pedido, e por isso levarei no máximo uma semana para chegarem até aqui.”

Ele prendeu o lábio inferior entre os lábios. Não podia ser uma coincidência, podia? Não quando Tyler lhe dera um prazo minúsculo e de repente, os medicamentos desapareceram no meio do caminho. “Tudo bem. Eu volto a ligar amanhã ou depois.”

“Pedimos sinceras desculpas novamente, Senhor Scarlet. Isso nunca aconteceu antes.”

“Obrigada, Samantha.” Agradeceu ele, desligando a chamada. Esparramando-se sobre o pequeno sofá cujas madeiras começavam a se sobressair perante as espumas quase inexistentes, ele percebeu que não tinha muita escolha. Por mais que estivesse apaixonado por Roxy, ele não podia colocar sua mãe em risco. A saúde dela não andava muito boa, e arriscar uma piora no quadro podia ser um caminho sem volta. Talvez um dia ela o perdoasse, e entendesse que o que ele faria não havia sido uma escolha sua.

***

Guinevere entrou na agência como quem não queria nada, e aquilo chamou muito mais a atenção das jovens bonitas e sorridentes na recepção. Usando uma camisa florida e saias que iam até abaixo do seu joelho, os cabelos brancos amarrados em coque e os óculos que caíam de seu nariz, ela era nada mais nada menos do que a avó conservadora de alguém.

“Olá senhora, como posso ajudá-la?” Disse uma garota muito solícita, olhos verdes e cabelos bem loiros, uma beleza clara e óbvia.

“Olha, minha querida, veja bem. Meu neto é um vagabundo, e chato. Ele está ali, esperando por mim. Você acha isso legal? Eu ter que implorar para ele me levar aos lugares? Ele está desempregado, pelo amor de Deus, ele nem tem nada para fazer agora.” Suspirou ela, exasperada com seu desabafo antes de inclinar o corpo na direção da garota, continuando. “Minha neta viajou para o exterior através dessa agência de vocês e até agora não mandou notícias nenhuma, eu estou muito preocupada.”

“Nós não temos acompanhamento individual de locação, senhora. Muitas delas acabam mudando de rota durante o caminho, é comum elas trocarem destinos.” Ah, claro que sim. Mas não elas que escolhem, imaginou a velha agente.

“Minha querida, mas você precisa entender que eu assisto novelas, entendeu? Isso é muito suspeito. Eu vejo novelas que traficam gente, e”

Os olhos verdes brilharam desesperadamente por alguns segundos, e a menina tropeçou em suas palavras adiantando-se. “Eu garanto a senhora que”

“Apesar de você ser lindinha, isso não quer dizer nada, eu nem conheço você querida. Veja bem, eu mandei a Elena, sabe, a que faz bijuterias encomendadas em downtown, confeccionar uns colares bonitinhos para a minha netinha e para as coleguinhas dela, e eu queria que minha menina me mandasse uma foto usando eles, assim sei que ela está a meu alcance e que vai me ligar quando puder, entendeu?”

“Mas nós não temos…”

Guinevere abaixou os óculos um pouco mais, encarando os olhos verdes. “Eu não quero causar transtornos a vocês, sei que é muito trabalho, mas eu quero saber da minha neta. Uma vez que eu não consigo falar com ela, vocês falem por mim. Mas eu estou dizendo sério, se eu não tiver notícias dela, vou acionar a polícia. Eu estou preocupada com a minha menina.”

“Não haverá necessidade.” Rebateu ela, insegura. “Vou pegar uma fichinha de cadastro e a senhora coloca os dados da sua neta, assim como os presentinhos.”

Guinevere observou enquanto ela se afastava, e conseguiu mandar uma mensagem para a Delegada, avisando que até o momento, a primeira fase da sub-operação havia sido um sucesso.

***

Do outro lado da cidade, Regina leu a mensagem e continuou observando os peritos entrando e saindo da sala mestre do centro de dados da JoJo Humanitary. O mandato de busca era apenas para uma varredura nível I, em busca de escutas, mas a levou à descoberta de um esquema de grampos absurdamente profissional. Tudo estava grampeado, qualquer conexão, qualquer banco de dados. Um trabalho que — de acordo com o técnico especializado enviado pelo governo, havia sido construído com tempo, dedicação e informações privilegiadas de dentro da organização.

“Eu não acredito que no que você está dizendo.” Rebateu Madeleine e Regina encarou-a por alguns segundos enquanto filtrava o silêncio. “Eu confio em todos que trabalham comigo. Caso contrário, estariam demitidos. Eu não tenho tempo de ficar vigiando quem está me ajudando.”

“É este o seu erro.” Provocou Regina.

“Maddie, eles grampearam você.”

Maddie. Os lábios de Regina curvaram-se em um sorriso discreto. Era óbvio que algo estava rolando entre os dois, e agora Graham sequer podia escapar de suas provocações. Além do mais, ela precisaria dar um toque a ele e odiava estar nessa situação. Não se dorme com a testemunha chave de um caso aberto; isso complica e muito o processo. “Não faz sentido. O prédio é bem posicionado e protegido, a entrada é protegida.”

“É o que estou dizendo desde que cheguei. Foi alguém de dentro, Senhora Andrews. Queira aceitar ou não, alguém está apunhalando suas costas. Fique de olhos abertos.”

Equipes uniformizadas passavam por eles, retirando o material para investigação. “O que acontecerá agora?”

“A Forense vai analisar cada um dos equipamentos, ver de onde vem as peças, se existe registro de algo, qualquer coisa que possa nos dar nomes.”

“Você não tem medo de qual pode ser o retorno por isso? Quer dizer, agora você realmente está picando o calcanhar deles. O veneno pode causar uma resposta imediata.”

“E qual é a opção? Eu preciso fazer meu trabalho. Se eu não tiver coragem para fazê-lo, alguém terá.”

Com os olhos vasculhando o ambiente, ela passou a encarar os funcionários que observavam tudo do outro lado da galeria. Teria que interrogar cada um deles, na esperança de pegar quem quer que fosse o delator. Porém sabia que não seria fácil. Não estava lidando com amadores aqui. Uma pessoa infiltrada não cederia à mera pressão de estar em uma sala fechada com policiais o pressionando.

“Velasco, por favor.” Chamou ela, e a policial aproximou-se, o olhar sério e compenetrado. “Leve Gomes e Poyt com você e improvisem uma sala. Quero ouvir o que cada um dos funcionários tem a dizer sobre o que aconteceu aqui.”

“Sim senhora.”

***

Roxanne tentava prestar atenção na aula, mas tudo o que conseguia pensar era o quão idiota havia sido com ele. Olhou para trás novamente, encarando-o por cima do ombro, mas Leo evitava olhar para ela, os olhos fixos na palestra sobre economia avançada.

Virou-se para a frente, sentindo-se exausta. Não deveria ter sido tão dura com ele. Afinal o que ele tinha feito de errado? Nada. Ele abrira seu coração e mostrara vulnerabilidade ao expor sua situação familiar e Roxanne fugiu, exibindo a sua completa imaturidade e inabilidade de lidar com assuntos pesados.

Precisava falar com Robin. Precisava de ajuda para entender por que estava se sabotando quando no fundo ela o queria. Queria ficar com Leo.

Assim que a aula acabou, ela enfiou suas coisas na bolsa o mais rápido possível e virou-se para trás, mas ele já havia desaparecido. Obstinada, correu os degraus acima e avistou-o por cima da multidão. Ele entrou a esquerda, indo na direção da ala leste, o espaço disputado ao redor da fonte e ela o seguiu, correndo até ele e alcançando a manga longa de seu moletom verde musgo, fazendo-o virar para ela.

“Podemos conversar?” Pediu ela, um pouco chocada com o quanto ele parecia abatido. Seus olhos pareciam mais fundos, manchas escuras estampadas abaixo deles. A pele parecia mais pálida e opaca. “Por favor.” Sussurrou ela, os olhos castanhos chocolate alinhados aos olhos azuis, mas ele não parecia muito feliz com a ideia.

***

“Não temos nada para conversar.” Sibilou ele, sentindo o próprio coração partir-se. Ele não queria fazer aquilo. Não queria machucá-la, por mais que ela tivesse o machucado.

“Leo, eu sei que…” Ela suspirou, olhando ao redor e ele sabia que ela estava incomodada, ela estava vulnerável no meio do colégio, com uma multidão à sua volta, mas mesmo assim estava tentando e merda, ele queria beijá-la por isso, queria beijá-la tão forte por ela ser tão corajosa, tão forte… Mas ele não podia. Não podia porque Tyler Ohill estava ali, sentado a poucos metros deles, esperando para ver o que ele faria. “Eu sei que fui rude com você. Me desculpa. Eu…”

Leo fechou os olhos por alguns segundos. Ele não estava pronto para isso. Não estava pronto para perde-la. “Roxanne, nós não temos nada para conversar. Acabou.”

Ela soltou a manga de sua roupa imediatamente, os olhos feridos e marejados. “O que?”

“Acabou. Eu não quero mais. Eu achei que você era outro tipo de pessoa e afinal de contas você é como todos os riquinhos dessa escola. Eu não quero mais ser seu amigo.”

“Leo, você sabe que isso não é verdade.”

“A gente nunca daria certo mesmo. Então porque adiar o inadiável? É melhor assim. Cada um para o seu lado.”

Ela limpou uma lágrima solitária, alinhando sua postura e retomando o controle e ele quase sorriu de orgulho, mas naquele momento ele precisava afastá-la. “Se é isso o que você quer, Scarlet.” Sussurrou ela, encarando-o de uma maneira que ele jamais esqueceria. Um olhar carregado de decepção e mágoa e aquilo doeu tanto nele quanto nela.

“É o que eu quero.” Afirmou ele e embora ela parecesse chocada de início, simplesmente virou as costas e deu meia volta. Leo permaneceu parado no meio do caminho, observando-a se afastar, lágrimas pedindo licença mas ele recusava-se a deixá-las cair. Assistiu quando Tyler sorriu para ele, caminhando até Roxy através da multidão e abraçando-a. Seu maxilar rangeu quando ela permitiu que o loiro passasse a mão ao redor da sua cintura e a conduzisse pelo resto do caminho, com a cabeça deitada no ombro dele.

***


Regina deu dois toques na porta, e esperou pacientemente que ele a atendesse. Mas assim que a mesma se abriu, ela foi recebida pelo rosto sorridente de John. “Olá Regina.”

“John.” Respondeu ela, aproximando-se e beijando-o no rosto. “Robin não está?”

“Ele foi se deitar cedo. Disse que estava com dor de cabeça, tomou algum analgésico.”

Ela manteve o lábio inferior entre os dentes por alguns segundos. “Talvez eu devesse deixá-lo dormir então.”

John estendeu a mão e colocou a bolsa dela no mancebo da entrada, sorrindo. “Ele me joga por essa janela se souber que você esteve aqui e eu não o acordei.”

Regina riu. “Neste caso eu vou tentar falar com ele.”

“Fique à vontade. Qualquer coisa que precisar estarei no meu quarto. Exceto camisinhas, as minhas acabaram e”

“Nós não vamos precisar. Mas obrigada.”

John riu, achando graça nas bochechas rosadas dela e desapareceu logo em seguida. Regina caminhou até o quarto, entrando e fechando a porta sem fazer barulho. Retirou as botas, colocando-as ao lado da porta. A jaqueta de couro foi a próxima a ser descartada sobre a cadeira já repleta de roupas. Podia ouvir o som da respiração dele, estável e calma. Ele estava sem camisa, vestindo apenas uma calça de moletom cinza e ela percebeu que havia se esquecido como ele era bonito. Colocou a arma sobre a mesa de cabeceira e subiu na cama, enfiando-se por baixo do edredom dele.

Aproximou-se devagar, não queria despertá-lo de um sono tão calmo. Deitou a cabeça sobre a parte alta do tórax, próximo ao ombro, seu corpo se encaixando suavemente ao dele pela lateral; uma das mãos deslizou para o outro lado dele abraçando-o, e então ela fechou os olhos, aproveitando o calor daquele corpo, a segurança que ele lhe passava, o refúgio que ele representava.

Ela estava cansada; absolutamente exausta depois de tantos interrogatórios e uma sessão de cochilo ao lado de seu quase namorado não era nada que ela não pudesse lidar. Podia ouvir o coração dele batendo tão suavemente, e aquilo fez o seu próprio encontrar um ritmo bem mais calmo.

“Regina?” Sussurrou ele, e ela sorriu, erguendo a cabeça e encarando os olhos azuis que a cercavam com preocupação. “Aconteceu alguma coisa?”

“Não.” Sussurrou ela. “John me deixou entrar. Você estava dormindo tão tranquilo que eu tentei me deitar sem acordar você… Sem sucesso, aparentemente.”

Ele sorriu. “Se eu acordasse todo dia com uma beldade dessas do meu lado eu acordaria cantando.”

“Você é um flertador barato.”

“Essa palavra não existe.” Brincou ele, batendo o indicador bem lentamente sobre a ponta do nariz dela, fazendo-a sorrir.

“Eu a inventei agora.” Ela ajeitou-se de modo que eles pudessem ficar lado a lado, a mão deslizando para o cabelo dele, acariciando-o de uma forma carinhosa. Seus dedos brincavam com as madeixas loiras, o polegar dela vez por outra deslizando sobre o rosto dele. “Está se sentindo melhor?”

Ele balançou a cabeça, sem dizer nada. Percebeu que ele mantinha aquele olhar nos olhos azuis, o incessante farol de adoração e paixão e admiração com o qual ele sempre a olhava. Sentiu quando ele começou a acariciar suas costas, um toque casto e gentil, apenas para fazê-la sentir-se bem. “Que bom.” Sussurrou ela, sorrindo.

“Como foi o seu dia?” Perguntou ele, assistindo cada detalhe de seu rosto com duplo interesse.

“Não foi grande coisa. Muito trabalho. Estresse com a minha mãe. Porém consegui matar as saudades do meu pai. Ele é um homem maravilhoso.”

“Imagino que sim. Se ele criou uma rainha como você, só pode ser um bom sujeito.”

“Meu ex-marido falou para a minha mãe sobre você.” Suspirou ela, os dedos acariciando o rosto dele agora. Robin era muito, muito bonito e ela simplesmente não conseguia se cansar de olhar para suas feições, de admirar cada emoção transmitida nele, da luz que se espalhava quando ele estava sorrindo ou olhando para ela.

“E o que ela disse?”

“Acho que você não fez uma boa primeira impressão. No minuto seguinte ela estava desenterrando meu namorado da adolescência.”

“Mas o que ela sabe sobre mim?”

“Seu nome.”

“É… pelo jeito, ela e meu pai dariam uma dupla e tanto.” Sorriu ele, arqueando as sobrancelhas antes de afagar os cabelos macios dela. “Os cercos estão se fechando… aparentemente teremos que nos assumir logo.” Brincou.

“Acho que precisamos tentar manter nossas mãos longe um do outro e começar a conhecer as famílias.” Brincou ela. “Você está pronto para isso, querido?” Flertou ela, o polegar roçando sobre os lábios dele, os olhos furtivos, insinuativos.

“Acho que dou conta.” Suspirou ele, erguendo o corpo e debruçando-se sobre ela, clamando os lábios macios e carnudos como seus. Regina deitou-se, uma das mãos contornando a nuca dele enquanto a outra deslizava da sua cintura para o elástico da calça dele, ao mesmo tempo em que abria suas pernas e o acomodava entre elas. Robin deitou o corpo sobre o dela e ela pode sentir o começo de uma ereção, mas resolveu ignorar isso. Naquele instante, tudo que ela queria era um pouco de afago de seu amante.

“Você é tão atraente, Regina.” Suspirou ele, acariciando o rosto dela, adorando os olhos escuros e intensos, as maçãs do rosto tão delicadas, os lábios convidativos, pecaminosos. “É difícil me concentrar estando tão perto de você sabia?”

Sentiu as unhas dela contornando a linha de seus ombros, a maneira com ela o estudava, memorizando seus músculos, seu corpo. “Eu entendo a sensação.” Replicou ela, sorrindo abertamente, os dentes brancos e perfeitamente alinhados à mostra.

Robin afastou-se na cama, erguendo a camiseta regata que ela estava usando, afastando o tecido na direção de seus seios e passou a depositar beijos delicados pelo abdômen dela, apenas acariciando, adorando, sem indicar uma continuidade de ações. Regina levantou o dorso e retirou a peça, revelando a ele o sutiã de renda vinho, a peça meia taça que deixou seus seios ainda mais firmes como torres de um castelo medieval. Os olhos dele faiscaram com prazer e ele sorriu, segundo a trilha de beijos para os arredores da peça, mas não a moveu nem a tocou. Manteve sua curiosidade apenas aos arredores; beijando a pele entre seus seios, depois seu colo, mas respeitando os limites cobertos enquanto a ouvia respirar baixo e ofegante; as mãos inquietas brincavam com o seu cabelo loiro.

Robin seguiu seu caminho, beijando-a, alcançando o pescoço delicado, estudando a área, beijando a clavícula, abaixo da linha da orelha, sobre a jugular, provocando-a lenta e preguiçosamente, ouvindo gemer seu nome e puxar seus cabelos até que ele voltou a beijá-la, e dessa vez ela retomou o controle, beijando-o com fome. Poucos segundos depois ela conseguiu virar-se e o levou consigo, deitando-o no colchão e sentando-se sobre ele. As mãos dele desceram por suas costas, fazendo-a se arrepiar e morder o lábio inferior. “Posso fazer uma pergunta?”

Ela sorriu, encarando os olhos azuis. “Sim.”

“Eu juro, não é uma tentativa desesperada de entrar nas suas calças. Eu só gostaria de entender. Por que quer esperar? O que falta para nós entrarmos nesse patamar sexual de entrega?”

Ela sorriu. Sorriu, primeiramente porque era adorável a preocupação dele, que ela visse malícia em suas intenções quando na verdade ela era a mais maliciosa entre eles. Era Regina quem sempre empurrava um pouco mais a cada dia na direção do limite estabelecido por ela mesma. Sorriu porque ela não sentia como se estivesse sendo cobrada e ela sabia que muitos outros caras teriam feito isso. Exigindo uma explicação, uma atitude, manipulado uma mudança no acordo entre eles. Mas Robin era tão diferente.

Ela se debruçou sobre ele, deitando sobre o corpo dele e o beijou, sem permitir a si mesma aprofundar tal beijo. Ao se afastar, deslizou os mesmo por seu maxilar, contornando seu queixo, flutuando quase imperceptivelmente, apenas a sombra dos lábios macios roçando sobre a pele de seu pescoço. Os lábios dela não tinham a menor pressa em descobrir a textura do tórax dele, distribuindo beijos parecidos aos que ele lhe dera, isentos de pressa e fúria. Ela queria conhecer aquele corpo, entende-lo, e usufruir dele da mesma maneira que era usufruída por ele. Continuou sua inspeção, beijando-o sobre o mamilo antes de puxar o mesmo entre os dentes e ouvindo Robin grunhir, contorcendo-se ansioso, mas dando a ela total autonomia. Beijou o abdômen definido, permitindo-se uma única lambida, a língua deslizando lentamente sobre os músculos antes de voltar aos beijos delicados. Quando se deu por satisfeita, ela voltou a sentar-se sobre a cintura dele e deitou-se logo em seguida, apoiando as mãos na altura do coração dele e apoiando a base do queixo nas mãos, encarando-o com carinho. “Você se lembra quando lhe falei que eu saía com alguns caras após o divórcio, certo?”

“Sim, me lembro.”

“Eram coisas de uma noite, sabe? E mesmo se não fosse para ser, acabavam sendo. Não sei se por causa da minha profissão. Mas era sempre assim, eu transava com eles e eles tinham o que queriam e evidentemente desapareciam em seguida.” Ela suspirou. “Não vou dizer que eu esperava romance da parte deles, seria hipocrisia. Muitas vezes eu os usava também para ter bons orgasmos e ir para casa sozinha.”

Robin não disse nada, apenas estendeu a mão e tocou o rosto dela numa carícia delicada. Regina impulsionou-se contra sua mão, aceitando e fechando os olhos por alguns segundos, inebriando-se do toque carinhoso. “Mas você… Eu sei que você me tirou do sério, mas mesmo assim, eu não queria que acabasse. Eu nunca quis que você desaparecesse. Então eu coloquei na minha cabeça que enquanto nós não chegássemos a essa linha, você continuaria incansável atrás de mim. Você não desapareceria.”

Ele sorriu.

“Eu sei que parece uma grande besteira para você, mas eu… Robin, o que eu sinto por você não é só tesão, não é só uma atração momentânea. Eu sei disso. Eu sei disso toda vez que você passa os braços ao redor da minha cintura e eu sinto como se eu estivesse segura, protegida, a salvo. Eu sou uma mulher incrível e eu nunca precisei de ninguém para me salvar, mas mesmo assim, você me faz sentir algo que eu achava que jamais voltaria a sentir e eu simplesmente não quero perder isso.”

“Porque eu amo você.”

Regina segurou o ar por alguns segundos até que ele se desencostou da cama, sentando-se e mantendo-a sentada em seu colo. O rosto dele estava na altura de seu pescoço, quase alcançando seu rosto; ela havia se esquecido o quanto ele era alto. “Robin…” Sussurrou ela, sorrindo de uma maneira tão doce e delicada, acariciando os cabelos dele enquanto ele circulava sua cintura com os braços fortes, apoiando a testa na parte central de seu sutiã, descansando a cabeça ali.

“Eu sei que é muito cedo, precipitado, sei que há muito a ser conversado, sei que isso pode assustar você, sei que ainda preciso ganhar meu direito de conhecer sua família e acredite, eu não planejava me apaixonar por você tão rápido…” Ele suspirou, beijando-a sobre o sutiã antes de erguer o rosto e encarar os olhos dela. Regina sorria de orelha a orelha, os olhos brilhando de maneira encantadora, o rosto iluminado e suave. “Eu não tive controle. Você é a mulher mais incrível que eu já conheci, mais complexa, mais completa, segura, apaixonante e todos os elogios que possam existir a seu favor. Eu estou apaixonado por você, Regina. Enlouquecidamente. Incondicionalmente.”

Ela parecia ter perdido as palavras, observando-o com a mais repleta surpresa, admiração, incredulidade. Mas Robin pareceu entender, pois ele a beijou, sua língua acariciando o interior da boca com ternura e paciência, antes de ajustar seu corpo embaixo dela. Regina aprofundou o beijo, as mãos firmes no cabelo dele, sugando e mordiscando os lábios dele enquanto passava a rebolar contra o colo dele, sentindo-o gradativamente mais duro embaixo dela. Suspirou quando a mão dele encontrou seu pescoço, e ele a segurou de maneira firme, colando os lábios ao lóbulo da sua orelha, chupando-o antes de começar a sussurrar. “Eu sei o que está pensando e não é uma boa ideia. Eu não quero misturar as coisas. Por mais que eu queira você e acredite, eu quero muito, desesperadamente, eu quero que você processe o que eu lhe disse hoje. Eu quero que pense a respeito dos meus sentimentos. E se nós transarmos hoje você não vai pensar nisso. Você vai acabar se distraindo.”

“Isso é…” A voz dela saiu fraca e esganiçada, e ela umedeceu os lábios antes de continuar. “Muita pretensão sua.”

“Você acha, Regina?” Provocou ele, encostando os lábios em seu ouvido e sentindo-a se arrepiar. Afastou-se apenas para encaixar o rosto dela entre suas mãos, encostando-os, os lábios tocando um nos outros, os olhos azuis escurecidos por tesão. “Você tem alguma noção das coisas que eu pretendo fazer com você? Você realmente acha que depois de todo esse tempo eu vou me contentar com uma rapidinha?”

“Então me conte.” Demandou ela, os olhos dela fixos no azul escuro e denso dos olhos dele, desafiando-o.

As mãos dele deslizaram sensualmente por suas costas até ele alcançar seu quadril, fincando os dedos ali e apertando-a contra si; a cabeça dela caiu sobre o seu ombro e ele sussurrou, arrepiando-a. “Primeiro eu tiraria peça por peça do seu corpo. Sem pressa. Beijando devagar e atenciosamente cada parte sua escondida por camadas de roupas. Tiraria devagar, deixando a ponta dos meus dedos ler as mensagens escritas em sua pele.” Regina respirou fundo, voltando a encostar a testa contra a testa dele, os olhos fechados, as mãos pousadas no tórax dele enquanto ele apertava sua bunda com gosto, os dedos firmes em suas nádegas. “Com você nua, eu beijaria todo o seu corpo. Percorria a linha da sua espinha, deslizando-a do início da sua bunda maravilhosa até sua nuca, sentindo você estremecendo pelos arrepios que se espalhariam por seu corpo. Abriria suas pernas e hmmmm” grunhiu ele, os lábios deslizando até o pescoço dela e lhe dando um beijo molhado que a fez estremecer. Robin empurrou a virilha para cima, intensificando a fricção entre eles por segundos. “Você estaria absolutamente molhada; encharcada de desejo, como sempre está quando estou prestes a chupar você. Você adora, não é? Adora me ter de joelhos, a boca entre as suas pernas, a minha língua brincando e provocando antes de entrar em você…”

“Deus, Robin! Sim, sim, eu adoro.” Gemeu ela, rebolando com mais força contra o colo dele, apertando os dentes contra o lábio inferior. Ele sequer a estava tocando e ela sentia o corpo todo ardendo, como que tomado por labaredas monstruosas.

“Tudo bem, porque eu também amo. Sou viciado no teu sabor, no prazer de vê-la desmoronando, de sentir as suas pernas estremecendo ao lado da minha cabeça quando eu estou sugando você. Você gostaria disso, Regina?” Ela grunhiu, fazendo um som mais parecido com ronronar, algo primitivo e entregue que denunciava o quanto ela estava sensível. “É tão doce e tão sexy, pra caralho, e quando você começa a ter espasmos, e então eu posso saborear você, e depois observar seu semblante, os olhos fechados, a boca entreaberta, você toda arqueada, seu tórax subindo e descendo com a respiração acelerada, meu deus, Regina, você não deve ter noção do que essa visão faz à um homem.”

“Robin, é melhor a gente parar, eu…”

“Depois de fazer você gozar várias vezes, eu vou dar a você um tempo para descansar, para que a sua respiração retome a normalidade, e então, aos poucos, torno a beijar esse seu corpo suntuoso, cada curva, cada centímetro, você vai implorar por mim, você vai pedir que eu a coma, vai desejar, delirar pela sensação de preenchimento de me ter fundo, tão, tão fundo, mas ainda não será o momento certo.”

Regina segurou a cabeceira da cama, buscando apoio para rebolar com mais firmeza sobre o colo dele, aumentando a fricção. “Você tem tesão em me provocar, não é?” Questionou ela, antes de beijar a boca dele. Robin segurou-a, prolongando o beijo por mais tempo antes de deixar que ela continuasse a esfregar-se contra ele, abrindo um pouco mais as pernas embaixo dela e ajudando-a se posicionar exatamente sobre seu pau duro.

“Você acha isso provocação?” Sussurrou de volta, emaranhando os dedos nas madeixas escuras e trazendo-a para si com certa possessão, uma pegada mais dura que só agravou a libido dela. “Então espere até me ter dentro de você. Eu quero enlouquecer você; começar lento e devagar, deslizando para dentro e fora bem, mas bem devagar, aproveitando cada pequena sensação, marcando cada gemido, cada suspiro, cada respiração diferente e sofrida; quero passar disso para estocadas firmes e fortes, fodendo você com força, entrando fundo e gostoso, sentindo nossos corpos se chocando, nossos sexos se batendo, até você estar próxima ao limite, e então vou voltar ao lento e suave; quantas vezes forem necessárias, aproximando e afastando seu orgasmo, você vai me implorar para parar, me implorar para continuar, e então eu garanto, vai ser um dos orgasmos mais intensos que você já teve em toda a sua vida.”

“Robin, por favor, me dê alguma coisa.” Suplicou ela, suspirando fundo e esfregando-se contra ele. E quem era ele para negar tal pedido, tão adoravelmente feito por lábios vermelhos e carnudos que pediam para serem devorados por ele? Robin virou-a, deitando por baixo dele e com cuidado desabotoou o jeans, descendo o zíper e em seguida descartando a calça para o chão. Deitando-se ao lado dela, ele tomou seus lábios em um beijo cheio de língua e desejo enquanto afastava a pequena calcinha de renda preta e deslizava facilmente dois dedos para dentro dela. Ohhh ohhhh

Seus dedos não encontraram nenhum empecilho. Deslizavam facilmente, completamente melados e Regina deslizou as mãos para sua nuca, beijando-o com mais força enquanto ele encontrava um ritmo mediano, pressionando preguiçosamente dentro dela, inebriado pelos gemidos suaves e delicados que ecoavam pelo quarto. Não queria que fosse rápido; se dependesse dele ele ficaria a noite toda ali, mas se dependesse dela, ela atingiria o ápice em alguns segundos. Ainda empurrando seus dedos de maneira lenta, ele sentiu quando ela o tateou até encontrar sua calça moletom, empurrando-a para fora do caminho; um arrepio percorreu todo seu corpo quando ela circulou seu pau, os dedos delicados massageando a ereção latente. “Regina” Gemeu ele, mordiscando o lábio dela levemente.

Robin forçou os dedos para dentro dela e ela passou a bombear seu pênis, subindo-o e descendo; o líquido pré ejaculatório o deixara escorregadio e ela adorou, isso facilitava seu trabalho. Vez por outra Regina o provocava, deslizando o polegar sobre a glande, sentindo-o estremecer imediatamente. “Merda, Regina. Você está jogando baixo.” Reclamou ele, fazendo-a rir, orgulhosa.

“Robin…” Choramingou ela, e ele sabia o que significava. Ela estava cansando e precisava de alívio imediato. Ele suspirou, lembrando-se que ela estava trabalhando e que ele estava descansando quando acordou. Podia fazer isso por ela. Um pequeno mimo para sua namorada.

Afastou-se, deitando-se entre as pernas dela e afastou a calcinha, respirando sobre seu clitóris, soprando uma pequena lufada de ar sobre o mesmo que a fez se contorcer antes dele circular ambas as pernas dela e abocanhar a carne macia e melada. “Fuck”

Regina fechou os olhos, as mãos deslizando sobre os cabelos loiros, indo para seus ombros, arranhando, puxando, fazendo o que podia para aplacar o calor e as sensações enlouquecedoras de ter aqueles lábios macios e a língua quente chupando-a, lambendo-a, deslizando preguiçosamente e depois ritmicamente, construindo uma tensão pulsante em seus nervos inferiores. “Robin, devagar eu...” Tentou ela, empurrando-o, mas Robin grunhiu; sentiu sua musculatura se contraindo e apertou seus braços ao redor das coxas delas, continuando seu assalto incessante (R-Ro-bin), lambendo-a com prazer, a língua tocando-a com delicadeza, (Eu vou, oh god, não pare, Robin, não pare nunca) até que seu corpo todo se contorceu, e ela trouxe um dos travesseiros à boca, mordendo-o com força enquanto espasmos estremeciam seu corpo todo, as pernas trêmulas e fracas, Robin ainda sugando-a, bebendo de seu prazer como um homem perdido no deserto bebe de seu oásis, sedento por ela; seu clitóris atingiu a hipersensibilidade e ela o puxou pelo cabelo, afastando-o e ele delicadamente colocou a calcinha no lugar, passando a lamber os dedos que havia colocado nela e a fez enrubescer.

Regina levantou o corpo apenas para segurá-lo pelo rosto e beijá-lo com gratidão e paixão, devorando-o com vontade. Robin deitou-a, a beijando na altura dos cabelos, de maneira doce e carinhosa antes de deitar-se atrás dela, puxando-a contra seu corpo, abraçando-a. Ela fechou os olhos sorrindo. Podia senti-lo duro como pedra na base das suas costas; mas nenhum dos dois se importou com isso. Tinha os braços firmes ao redor da sua cintura, a respiração quente e beijos delicadamente roubados em seu pescoço atrás de si, um homem que ela adorava, um homem que estava apaixonado por ela.

“Não me deixe dormir muito, eu preciso voltar para casa.” Pediu ela, aninhando-se contra o peito dele e deixando o corpo relaxar.

“Seu pedido é uma ordem, majestade.” Brincou ele, beijando-a sobre os cabelos escuros e estreitando os braços ao redor dela. Regina sorriu, deixando o sono a embalar aos poucos. Na sua mente, o eco formado pelas palavras de Robin se tornaram sua canção de ninar.

Porque eu amo você.

Porque eu amo você.

Porque eu amo você.