Roleta Russa
19 Capítulo 19
Roxy apoiou o rosto na palma das mãos e os cotovelos na mesa. Seu corpo pedia — suplicava até — por descanso. Ela havia levado a noite toda para terminar seu trabalho, mas havia valido a pena. Tinha feito pastas com os cadastros completos de cada contato, separado por categorias, depositado suas anotações. Independente do quão difícil seria no começo, ela tinha as ferramentas adequadas.
Suas pálpebras pesavam, mesmo ela tentando veementemente manter-se alerta. O Sr. Khoda lhe chamara a atenção duas vezes durante a aula de química. A Sra. Trevor apenas a olhara de soslaio, na certa concluindo que seu cansaço era o resultado de uma noite de irresponsabilidade e bebedeira. “Acho que isso vai te ajudar.”
A voz de Leo fez com que ela relaxasse. Ele sentou-se ao seu lado, os olhos azuis preocupados. Ela sorriu, aceitando o copo que ele lhe oferecia. “Dose dupla de cafeína, leite, mel e baunilha.” Explicou e ela suspirou, adorando-o um pouco mais.
“Onde você estava? Perdeu uma aula horrível de trigonometria aplicada.”
“Tive que resolver umas coisas.” Respondeu ele, e rapidamente desviou os olhos, evitando-a. Ela já havia percebido que Leo não falava sobre algumas coisas. Eventualmente lhe surgiam coisas para fazer, compromissos dos quais ele nunca falava em detalhes e ele desaparecia. Por maior que fosse sua curiosidade, ela jamais teve coragem de questionar o que ele tanto resguardava.
Bebericou sua bebida. “Como está sua mãe?” Perguntou ele, virando-se no banco do refeitório para poder observa-la melhor.
“Ela parece bem.” Roxy continuou com o corpo voltado para a mesa, virando apenas a cabeça para olhar para ele. “Minha tia Val está lá em casa, elas se fazem companhia. É bom para ela.”
“Que bom.”
“Ela perguntou de você.”
Leo segurou o ar, as sobrancelhas arqueadas. “De mim?”
“Henry falou mais do que devia. Ela disse que eu deveria levar você em casa um dia desses. Se você quiser, claro.”
“Você quer que eu vá?”
“Se eu não quisesse não teria lhe dito isso, bobo.”
Eles trocaram um sorriso bonito e leve. “Tome um shake de guaraná antes de ir para o escritório. Vai ajudar a manter você acordada durante a tarde.” Ela balançou a cabeça e ele continuou. “Você sabe que pode me ligar se tiver problemas, certo?”
“Eu sei. Obrigada, Leo.”
Ele sorriu e aproximou-se, beijando na bochecha. O gesto a pegou de surpresa, mas a sensação foi tão gostosa que ela simplesmente sorriu. “Não precisa agradecer, boba. Até mais tarde.”
Roxy observou-o pegando a mochila e caminhando na direção dos bebedouros. Na metade do caminho, ele encontrou Melanie Nolan. Ela não sabia que eles se conheciam. Leo a abraçou, com carinho, apertando-a da maneira que ela adorava ser abraçada por ele e sem que pudesse evitar, um gosto azedo adentrou seu corpo. Não podia sentir ciúmes dele. Não era justo. Eles eram apenas amigos, não eram?
Leo continuou o caminho ao lado da loira, conversando animadamente até que eles desapareceram de seu campo de visão. Roxy balançou a cabeça, obrigando-se a esquecer o que quer que tivesse sido esse lapso em sua mente. Tinha assuntos mais sérios para se preocupar.
***
Eu estou fodida.
Era tudo o que Ariel conseguia mentalizar. Tivera que descartar-se das escutas antes de chegar a sua vez na fila da revista. Tivera que desfazer-se do sapato, e com isso, as chances de ser localizada haviam sido diminuídas à um milagre ou sorte.
Muitas garotas choravam, finalmente entendendo o cruel destino que lhes era apresentado. Sentadas em uma sala mal iluminada, elas sequer olhavam uma para a outra. Olhavam para o chão, envergonhadas, violadas, perdidas. A maioria em suas roupas íntimas, resultante de uma revista rigorosa. Havia conversas sussurradas do lado externo, barulhos de carro, o som das portas eletrônicas sendo liberadas.
Aquilo era mesmo o inferno.
“Você parece tão calma.” Sussurrou Mulan, tirando-a de seu transe. Mas ela também não parecia desolada. Tinha marcas de um choro, mas parecia de alguma maneira conformada.
“Você também.”
“Já estamos no inferno, o melhor a fazer é aceitar. Não vou me descabelar por isso.” Respondeu ela, alinhando sua postura e conquistando um sorriso da ruiva.
“O que acha que vai acontecer?”
“Não sei…” Suspirou ela, encarando por cima do ombro a porta há algum tempo trancada. “Mas eles não nos mataram. Então, ainda há esperanças.”
Ariel suspirou. Esperança não era seu principal alimento, não quando ela sabia com quem estava lidando. Não quando ela passara dias lendo sobre o modus operandi de uma organização e agora estava dentro dela. Não quando ela sabia que se o Papai Noel desconfiasse que uma policial havia sido infiltrada, eles matariam cada uma delas. Cruelmente.
Esperava que a Delegada soubesse exatamente o que fazer. O som das trancas se tornaram um anúncio do terror a seguir, as portas se abriram e então dois homens encapuzados entraram, armas automáticas em punho. “Nossa carona chegou meninas.” Um terceiro homem apareceu, carregando um frasco e começou a distribuir os comprimidos entre elas. “Pela segurança de vocês, recomendam que engulam isso. Quem estiver acordada durante a viagem vai dormir definitivamente.”
Ariel enfiou-se logo atrás de Mulan, na fila. Respirou fundo. Havia sido treinada para isso. Havia sido moldada para essa função e faria tudo com maestria. Pegou o comprimido e colocou-o sobre a língua, engolindo-o sobre o olhar atento de um deles. Resignada, seguiu caminho para o caminhão que as esperava. O lado externo do baú tinha um logotipo de floricultura, e ela quase sentiu vontade de sorrir com a ironia.
Sentou-se no chão acolchoado do mesmo, sentindo sua visão tornar-se ligeiramente turva. Seu corpo estava amolecendo. Precisava confiar em seu treinamento. Precisava confiar em seu instinto. E acima de tudo, precisava confiar que Regina Mills saberia o que fazer. Este foi seu último pensamento antes de apagar.
***
“Sr. Locksley?”
Robin virou-se para a porta do escritório. Henry Hatter o observava, os pés inquietos, os olhos em insegurança.
“Henry.” Cumprimentou ele. “Aconteceu alguma coisa?”
“Não.” Ele sorriu. “O senhor está ocupado? Posso voltar outro dia.”
“Eu tenho uma janela agora, garoto. Pode entrar.” Robin colocou seu caderno de anotações na gaveta, curioso sobre o motivo daquela visita.
“Eu…” Robin sentou-se na própria mesa, permitindo que Henry escolhesse onde sentar. Ele pegou o sofá, e o terapeuta sorriu. Uma coincidência familiar. “Minha irmã gosta muito do senhor. Hoje ela disse que o senhor era um bom amigo para ela.”
“Fico feliz de saber que ela me vê assim.”
“Você se importaria se eu marcasse um horário também?”
“Não, não me importaria. Mas por que você acha que precisa? Alguém lhe sugeriu?”
“Acho que é importante termos um adulto para conversar certas coisas. Eu não vejo essa abertura no meu pai e eu não… Minha mãe tem muito com o que lidar.”
“Entendi.” Robin sorriu, dando seu melhor para fazer o garoto sentir-se confortável. Havia sido de fato muito corajoso para um adolescente procurar acompanhamento de maneira voluntária. “Como quiser, Henry. Considerando que você quer conversar e não fazer realmente um tratamento específico, não precisamos nem nos limitar a esse consultório. Você pode me ligar, eu posso encontrar você. Que tal?”
“Mas isso não implicaria em passar tempo comigo? Sei que é ocupado, não quero atrapalhar sua rotina. Eu posso vir depois das aulas.”
“Eu não vejo problema em passar tempo com você, Hatter. A menos que você seja chato. Nesse caso terei que arrumar uma desculpa e cancelar nossos horários.”
Henry riu.
“Mas de acordo com sua irmã, você é um cara legal. Simpático. Querido por todos?”
“Ela falou de mim?”
Robin não entendeu porque ele parecia tão surpreso. “Não posso entrar em detalhes, mas sim. Ela adora você.”
Henry sorriu, alongando seu pescoço em um movimento suave. “O que quer me contar sobre você, Henry?”
“Sobre mim? Não sei.”
“Qual a primeira coisa que vem à sua mente quando você deita na cama, antes de dormir?”
Violet.
Ele não precisou responder. O olhar perdido, as leves insinuações faciais e Robin sabia que havia um nome. Sorriu. “Garoto ou garota?”
“Garota.”
“Ela sabe que você gosta dela?”
Henry balançou a cabeça, afirmando. “Talvez esse seja o problema. Ela sabe.”
“Por que diz isso? Não é bom não ter que esconder o que sente?”
“Ela tinha namorado, até então. Éramos grandes amigos, melhores amigos até. Ela começou a namorar, e me deixou de fora. Agora eles terminaram e ela está péssima, e é claro que ela voltou para mim.”
Robin percebeu um relance nos olhos do garoto. “Eu a adoro. Mas eu me pergunto o que ela realmente sente. As vezes, me sinto uma espécie de fonte de energia emocional para ela, como se assim que ela estivesse bem de novo, fosse me trocar.”
“Sua inteligência emocional é bem avançada para a sua idade, Henry.”
“Não me ajuda em nada.” Riu ele, mas Robin sabia que ele estava enganado. Mesmo que ele achasse que não fazia sentido algum, que não lhe era proveitoso, sabia que era.
“Talvez você devesse tentar ser apenas um amigo para ela. Pelo menos por enquanto, para que consigam decifrar o que está acontecendo entre vocês.”
“Acho que sim.”
“Você e seu pai não se dão bem?”
“É complicado. Já não éramos tão próximos antes do divórcio. Depois disso, tudo ficou pior.”
“Sua irmã se distanciou da sua mãe nesse processo. Você diria que refletiu o comportamento dela com o seu pai?”
“Sim. Nos voltamos para o lado em que tínhamos mais apego. Minha irmã sempre foi mimada por ele. Eu sempre fiquei com a minha mãe. E eu não concordo com as coisas que ele fez, então… Isso só me afastou mais.”
“Você gosta da atual namorada dele?”
Henry sorriu. Era bom conversar com alguém que já estava ambientado dentro da sua situação familiar. Era natural poder falar a respeito sem ter que explicar quem era quem. “Sim. Emma é muito legal e não acho que ela seja culpada de nada. Ela sempre tenta puxar assunto e me trata muito bem. Sem contar que ela nunca se referiu à minha mãe sem ser com total respeito e consideração.”
Robin fitou seu celular. “Está com pressa?”
“Não.” Respondeu o garoto.
“Então vamos até a cafeteria. Eu lhe pago um cheeseburger, e nós continuamos essa conversa.”
Henry sorriu, interessado na proposta. Acenou, e levantou-se, ajeitando a mochila nos ombros. No minuto seguinte, os dois estavam caminhando pelo corredor na direção do refeitório.
***
O que vai vestir hoje?
Regina abriu a conversa de Valerie, resolvendo se presentear com uma pausa. Não havia descansado um minuto sequer. O contato com Ariel havia se perdido, o que significava que agora ela estava por conta própria. Estar tão perto do perigo era aterrorizante. A equipe de perícia vasculhara todo o galpão onde o rastreador fora encontrado, mas eles haviam sido muito cuidadosos. As únicas evidências de DNA eram das próprias vítimas.
Acho que vou desmarcar, Val. Digitou, colocando o aparelho sobre a mesa e alcançando a garrafa d'água. Dois goles depois, a resposta chegou.
O inferno que você vai. Você vai à esse show, Regina.
Não faz sentido nenhum com tudo o que está acontecendo.
E não fazia mesmo.
Regina, você vai continuar com isso? Fugindo desse homem que você mesma disse que te faz tão bem?
Regina suspirou, os olhos no mapa preso ao painel na parede. Não. Tinha decidido parar de fugir. Robin não iria a lugar algum, ele havia deixado isso claro. Ela podia viver isso. Permitir que ele se aproximasse. Tudo bem, eu vou. Escolha alguma coisa por mim, vou sair tarde. Essa delegacia está um mercado de peixes hoje.
Seu celular vibrou segundos depois, fazendo-a sorrir com a resposta.
Vou comprar uma lingerie matadora para você, mon amie. Hahaha. Esse homem cairá aos seus pés! Xo
Não faz parte dos meus planos tirar a roupa para ele, Valerie.
Mas era claro que Regina não obteve nenhuma resposta. Valerie não acreditava em suas palavras, e também, ela não acreditaria em seu lugar. Suas palavras perdiam consistência quando ela e Robin ficavam sozinhos. Quando ele a beijava daquela maneira firme, a língua sobre a sua, as mãos acariciando a parte interna das suas coxas. Robin tinha uma energia tão viva e intensa que seu corpo parecia vibrar em antecipação pelo toque dele. Mas eles estavam indo tão bem, e essa espera os aproximava ainda mais. Mostrava a ela o quanto ele respeitava seus limites, e que não dependia de sexo para aquela relação continuar viva.
Só era um pouco difícil lembrar-se disso depois de alguns orgasmos.
“Está tudo bem, Regina?” A voz de Graham a trouxe de volta. Ele parecia bastante interessado nela, olhando-a curiosamente com um sorriso discreto não lábios. “Você está levemente cor de rosa.”
“É apenas Valerie falando besteiras.” Respondeu, voltando sua atenção para o computador e abrindo o e-mail da corregedoria. Escreveu uma resposta breve, o som das teclas soando como música para seus ouvidos cansados mas sempre atentos. “Madeleine foi liberada?”
“Sim. Voltou para sua casa hoje pela manhã.”
“Ligue para ela, agende uma reunião na JoJo Humanitary. Precisamos agitar quem quer que seja o informante.”
“Ok.” Respondeu ele, saindo da sala e deixando-a sozinha. Ela pegou o telefone, e discou alguns números. “Residência da família Mills.”
“Greta, sou eu. Henry está em casa?”
“Ainda não, querida.”
“Ele não almoçou em casa?”
“Não.”
“Sabe se ele foi para a casa do Jefferson?”
“O Sr. Hatter passou aqui pouco depois do almoço para falar sobre o jantar e também perguntou por ele.”
Onde é que aquele garoto havia se metido?
“Tudo bem. Vou tentar ligar para o celular dele. Obrigada, Greta.”
Regina desligou a chamada. Graham retornou, avisando que eles teriam que ir para a ONG de Madeleine mais cedo do que o esperado. Eles tinham um evento a atender mais tarde. Ela suspirou, irritada.
“O advogado do Gordon ali chegou e quer negociar a fiança.”
“Me dê dois minutos.”
Voltou para sua mesa e enviou uma mensagem para Henry. Não podia evitar sua preocupação.
Estou no colégio, conversando com o Sr. Locksley. Perdi a noção do tempo.
Sr. Locksley.
Quem quer que fosse esse homem, estava começando a ganhar o afeto de seus filhos e o ciúmes de uma mãe.
***
Valerie não estava pronta para sair, Rosie tinha planos para Killian. Regina havia se esquecido como era sair para a noite sem seus braços direito e esquerdo; era uma sensação que se tornara incomum, mas não desagradável. Sozinha, ela tinha tempo e espaço para pensar. Usava um vestido preto, justo e de corte simples. A jaqueta de couro também preta cobria seus braços; os saltos altos destacavam a linha entre os músculos de suas coxas.
Robin ainda não havia aparecido. Uma banda de garotos ruivos cantava versões metalizadas de músicas pop, movimentando um pequeno grupo na frente do pequeno palco. O movimento parecia intenso, corpos e corpos debruçados sobre o balcão do bar. Ela estava no canto, uma vista privilegiada que lhe permitiria vê-lo por inteiro.
Ainda não tivera notícias de Ariel. Algo lhe dizia que algo não estava correndo como o esperado. Madeleine estava irredutível quanto à lealdade de sua equipe, pressionando-os para saber se a polícia estava fazendo algum avanço. Temia que Graham falasse demais — a maneira com que ele olhava para a ruiva beirava à adoração — mas precisava confiar nele. John era seu parceiro há anos e nunca havia lhe colocado em enrascada. Sempre demonstrou ser de suprema confiança. Não havia razões para invalidar o julgamento dele com base em uma superficial atração física.
Duas garotas sentaram ao seu lado e Regina as olhou rapidamente. Não deviam ter mais do que vinte e poucos anos. Sorriu, pensando que a essa altura de sua vida já estava casada com Jefferson. Eram melhores amigos, naquele tempo. Prontos para conquistar um mundo de possibilidades.
“Quando é que os Merry Men sobem?” Perguntou uma delas e Regina não conseguiu ignorar o assunto.
“Acho que devem estar na base já.”
“Robin deve estar lindo.” Regina sorriu. Sim, ele deveria estar. “Mas é um caso perdido. Ninguém consegue sair com aquele cara.”
“Ninguém exceto Marian.” Comentou a outra, rindo e Regina sentiu uma leve puxada em suas entranhas. Quem era Marian? Sabia que estava errada em ouvir a conversa alheia mas havia ocorrido tão inocentemente e ela simplesmente não conseguia parar.
“Dizem que ele terminou com ela.”
“O pai dele adora ela. Vive colocando ela dentro da casa. Quando a Vivian namorava o irmão dele, contou que Marian até dormia na casa.”
“Ela é louca.” Respondeu uma delas, e as duas riram. Regina girou o palito dentro de sua bebida de gim e xarope de morango, pensativa. Era cedo para ela ter ciúmes dele?
“Mas bem… um homem daqueles, até eu seria louca.” Continuou a outra e Regina estava prestes a sair dali quando ouviu a multidão gritando. Seguiu o clamor da multidão e então percebeu que ele já estava no palco, encarando-a com um sorriso e os convidativos olhos azuis.
***
Regina estava maravilhosa. Os cabelos escuros lhe caíam sobre os ombros, os lábios macios desenhados por uma cor bordô, um vestido que fizera seu corpo parecer um pecado capital. Mas assim que seus olhos encontraram as irises cor de chocolate, ele soube imediatamente que algo não estava bem. Ela sorriu, voltando-se para o balcão e posicionando-se em um local estratégico onde eles poderiam passar a noite mergulhados em olhares ininterruptos.
“Boa noite Hard Rock!” Gritou ele, instigando a agora imensa multidão em frente ao palco. Algumas meninas gritavam e ele observou Regina revirando os olhos, sorrindo para ele.
O toque da bateria o fez voltar ao que estava fazendo. Preparou-se para começar, colocando a alça da guitarra sobre o ombro e alinhando-se ao microfone.
Alright
Yeah
Well now
I must admit
I can't explain
Any of these thoughts
Racing through my brain
It's true
Baby I'm howlin' for you
Robin riu, os olhos fixos nela. Era engraçado como algumas músicas sempre se encaixavam na história deles, como se eles estivessem conversando através dela. Ela bebericou algo de seu copo, sem nunca abandonar o contato visual estabelecido.
Mocking bird
Can't you see?
Little girls
Gotta hold on me
Like glue
Baby I'm howlin' for you
A multidão os acompanhava, animada, as vozes formando um coral poderoso que acompanhava a letra religiosamente. Braços erguidos balançavam, seguindo o ritmo da batida, alguns casais se beijavam, outros simplesmente gritavam coisas desconexas em encorajamento.
Frei Herr sorriu, finalizando a canção através do piano e Robin seguiu tranquilamente para o repertório.
***
Gonna write a song so she can see
Give her all the love she gives to me
Talk of better days that have yet to come
Never felt this love from anyone
Regina segurou o lábio inferior entre os dentes. Adorava essa música, mas ouvi-la na voz dele era… imensurável. Algo para o qual ela definitivamente não estava preparada. E adicionado à maneira com que ele a olhava, como se estivesse prestes a descer e jogá-la contra aquele balcão, era quase intenso demais.
A man can never dream these kinds of things
Especially when she came and spread her wings
Whispered in my ear the things I'd like
Then she flew away into the night
Esforçou-se em não pensar muito na letra da mesma. Nas ênfases que ele fazia ao dizer que jamais havia sentido esse amor por ninguém. Obviamente, sabia que Robin gostava dela mas era presunção demais supor que ele a amava. Eles ainda não haviam atingido esse patamar. Mas isso não a impedia de sentir um frio na espinha toda vez que ele falava a respeito.
Seus ombros relaxaram quando eles continuaram com uma versão animada de Feeling Good, dando vida à platéia. Robin estava feliz. Adorava vê-lo cantar; era onde ele realmente pertencia. Ele parecia mais leve, mais jovem, mais vivo. Seu sorriso se alastrava no rosto másculo como uma rodovia interminável, os olhos azuis pareciam mais límpidos, o corpo parecia se alinhar.
Estava reparando nele quando a música parou e ela sentiu-se subitamente atraída ao silêncio. “Quero dedicar essa música para uma mulher maravilhosa e especial” Começou ele e Regina ergueu o olhar, encarando-a. Sabia que suas bochechas iam começar a ganhar cor e prometeu a si mesma matá-lo com as próprias mãos em um futuro próximo. “Não vou dar detalhes porque ela provavelmente irá me matar por isso.” Continuou ele, arrancando risos do público. “Mas essa é para você, estranha.”
Eles mantiveram o contato visual, os corações de ambos acelerados e conectados. Como se o mundo ao redor deles houvesse desaparecido e só eles estivessem ali, trocando olhares que diziam mais do que eles eram capazes de proferir.
Cause every time you go
I'll see
This time I'll work hard to press you round me And if you always stay
I don't think I'd ask for nothing more
But if you go,
I'll go
Oh if you go, I'll go
Oh if you go, I'll go
As long as you want me to stay
Robin sorriu, trocando um breve olhar com John, que encarava Regina eventualmente. Ela sabia que aquilo deveria ter sido combinado há algum tempo, e isso alegrou seu coração. Robin sempre se esforçava em fazê-la sentir-se a mulher mais maravilhosa que ele já conhecera.
While our love is green
Forget the troubles we've seen
Forget the people we've been before
And all of it, mistakes and heartbreaks
Oh my love, why stars still shine?
Oh while your heart is mine
Yeah, while this music plays
Let us toss and turn, let us put on the stars
Let us take the lines, let us smile 'til we laugh
Let us laugh 'til we cry, let us
And keep on the diamond skies
Ela suspirou, decidindo que ia beijá-lo até tirar todo o ar de seus pulmões. Ele não podia fazer isso, surpreendê-la desse jeito.
Cause every time you go I'll see
Just how my world comes crashing round me And if you always stay
I don't think I'd ask for nothing more
But if you go, I'll go
Oh if you go, I'll go
Oh if you go, I'll go
As long as you want me to stay
***
A apresentação deles terminara aproximadamente uma hora depois. Apesar de sua bebida ser quase inofensiva de tão fraca, ela já havia bebido bastante e sentia-se ligeiramente mais leve do que deveria. A multidão voltara a conversar, sobrepujando o som ambiente e ela estava pensando se esperava por Robin ou pedia o táxi quando mãos amigas lhe tocaram o antebraço. Ergueu os olhos e deparou-se com John.
“Robin me pediu para levá-la ao camarim. Vocês não terão privacidade nenhuma aqui fora.” Regina assentiu, balançando a cabeça e debruçando-se sobre o balcão, as mãos sobre a pequena bolsa. Estava prestes a pedir que o barman fechasse a conta quando John riu, afastando sua mão da pequena bolsa preta. “Hey Devon. Ela está com a banda.”
“Oras morena, por que não disse antes?” Respondeu o homem, rapidamente voltando à entreter as mulheres jogando as garrafas para o alto.
“Ele é uma figura.” Constatou John, enquanto a guiava através de um corredor estreito. Regina podia sentir a mão dele na base de suas costas, embora ele não estivesse realmente a tocando e não podia negar que era bom sentir-se querida pelo melhor amigo de Robin.
“Você não precisava fazer aquilo, John..” Começou ela e ele sorriu, buscando seus olhos.
“É o mínimo que posso fazer. Se por acaso vocês finalmente perceberem que são doidos um pelo outro, você será tão família quanto o pateta do Robin.”
Ela balançou a cabeça, negando-se a dar mais informações e ele parou na frente de uma porta verde com uma estrela desenhada em tinta dourada. Camarim 1. “É esse aqui. Pode entrar, ele está esperando. Lembrando que não é bom deixarem camisinhas para trás, queremos ser convidados outras vezes.”
A careta no rosto dela fora impagável e conquistou uma gargalhada genuína do homem. “Eu estou brincando. Robin é um cara certinho; eu que o levo para o mau caminho.” Ele afastou-se e beijou-a na bochecha. “Até mais, Regina.”
Em seguida, ela o observou se afastar. Respirou fundo, e estava prestes a entrar quando a porta se abriu, e ela foi surpreendida por ele. Por alguns segundos, eles ficaram ali, parados, sem saber o que fazer. “Eu estava indo atrás de você…” Comentou ele, esforçando-se para manter seus olhos na linha dos olhos dela e não permitir que os mesmos delineassem as pernas à mostra.
“Eu demorei tanto assim?” Brincou ela e ele sorriu em resposta, estendendo a mão e guiando-a para dentro do camarim. Robin fechou a porta, caminhando até ela no segundo seguinte. Virou-a, suas mãos deslizando para trás de sua nuca, os dedos emaranhando-se aos cabelos negros, segurando-a de maneira firme; e logo depois, tomou seus lábios. Beijou-a como se toda a sua dependesse daquele momento, com uma fome que reverberou em cada átomo do corpo dela. Ondas de calor se quebrantavam contra a parte baixa do ventre dela a cada movimento lento e suntuoso que a língua dele fazia contra a sua.
Wow.
“O que foi isso?” Sussurrou ela quando o ar desaparecera do seu corpo e ela sentiu uma imediata necessidade de cortar o contato. Ainda estava segurando nos braços dele, permitindo que ele a mantivesse perto, conectada à ele.
“Me desculpe. Eu estava com vontade de fazer isso desde que a vi.”
“Tudo bem. Não foi ruim.”
“Você quer beber alguma coisa? Tem frigobar aqui.”
“Eu acho que bebi bastante por hoje.” Confessou ela, e ele puxou sua mão levemente, indicando que ela o seguisse. E assim ela o fez. Robin seguiu na frente, até que eles chegaram em uma poltrona macia e larga onde ele se sentou, e indicou, sem vergonha nenhuma, para que ela sentasse em seu colo. Regina não se importou; deitou-se, esticando a perna por cima dos braços do móvel, a cabeça deitada sobre a clavícula dele, o rosto encaixado na parte inferior de seu pescoço. Seu corpo estava cruzando horizontalmente o dele, e ele aproveitou a posição para beijá-la na altura da têmpora esquerda, as mãos acariciando-a delicadamente.
“Você gostou do repertório de hoje?”
“Você estava cantando. O que eu poderia não gostar?” Robin sorriu, acariciando os cabelos dela, os olhos fixos nos seus. Ela adorava isso. Adorava a intimidade deles, adorava que Robin era tão aberto, tão dolorosamente sincero, como ele sempre olhava dentro de seus olhos, como se não tivesse nada a esconder. “Eu provavelmente adoraria até Mariah Carey na sua voz.”
“Você não gosta de Mariah Carey?” Ele fingiu uma careta. “Meu Deus, você não podia ser perfeita. Tinha que ter algum defeito sórdido e imperdoável, não é?”
Ela riu, e aconchegou-se ainda mais contra o tórax dele. A sensação era — como ela poderia descrever? Fazia tanto tempo desde que ela não se encontrava em uma situação tão íntima com alguém e uma que não tinha nada a ver com sexo. Nem mesmo em seu casamento, isso havia sido extinto há anos. Mas Robin… Ele era confortável. Ele fazia com que ela se sentisse segura para permitir que sua vulnerabilidade viesse a tona. “Não pense muito.” Sussurrou ele, e ela odiou-o por sempre saber o que se passava em sua mente. “Deixe fluir.”
Ela consentiu, balançando a cabeça e esticou a mão, passando a acariciar o rosto dele. Robin fechou os olhos com o contato, focando nas sensações resultantes de tê-la tocando seu rosto; as sensações de ter os dedos macios brincando com a sua barba rala. Quando abriu os olhos, ela percebeu que ele a estava olhando daquele jeito. Mas para a sua surpresa, ela percebeu que não se importava. Notou uma mudança suave no semblante dele, e se deu conta de que ele estava deslizando o polegar sobre o hematoma. Surpreendeu-se quando ele não fez nenhuma pergunta. Ele debruçou-se sobre ela, tocando seus lábios de maneira doce.
“Como foi sua semana?”
“Você não vai perguntar?”
“O que?” Questionou ele, confuso.
“Você não perguntou sobre a marca. Por que?”
“Você quer que eu lhe pergunte?”
Ela engoliu em seco. Ela queria que ele perguntasse? Talvez não. Mas era uma reação natural, não era? Todos lhe enchiam de interrogatórios, de alertas, de sermões preocupados. E ele, bem, ele simplesmente olhou e a beijou.
“Você não quer saber o que aconteceu?”
“Sim, Regina, eu quero.” Ele sorriu, parecendo satisfeito com a reação dela. Como se fosse tão óbvia que lhe parecesse engraçada. “Mas se você quisesse me contar, teria dito algo. Como não disse, eu entendi que deveria respeitar seu espaço. Não é melhor assim? Eu não quero que você se sinta obrigada a me contar nada. Eu quero que fale apenas o que quiser falar.”
“Mas e se for algo importante para você?”
“Nesse caso, eu terei que perguntar. Mas só em ultimo caso. Eu não quero controlar você, Regina. Eu só quero te ter por perto.”
Ela concordou, voltando a acariciá-lo. Seus dedos encontraram caminho para os cabelos loiros, por onde ela deslizou animadamente. “Como está seu pai?”
“Muito melhor do que a encomenda.” Resmungou ele, e ela percebeu uma leve mudança no rosto dele. Segurou-o pelo queixo, chamando sua atenção de maneira doce.
“O que foi isso?”
“Killian contou a ele sobre você e ele disse uma porção de coisas desagradáveis, para dizer o mínimo.”
Regina sorriu. “Ele está doente, Robin. Dê um desconto à ele.”
“Meu pai sempre foi assim. Ele só não era tão direto.”
“E o que mudou?”
“A morte da minha mãe.”
Regina abriu os olhos com vivacidade, ajeitando-se no colo dele. Encontrou uma posição onde pudesse ficar sentada, as duas mãos agora acariciando as laterais do rosto dele. “Me desculpe tocar no assunto.”
“Não é um problema.”
“O que aconteceu com ela?”
“Ela… repetiu o que fez a vida toda. Estavámos todos vivendo a vida, meu pai trabalhando incansavelmente para abrir mais franquias da farmacia. Killian estava terminando a faculdade. Eu havia me rebelado e saído de casa depois de brigar com o meu pai. Minha mãe descobriu que estava doente, mas não disse a ninguém.” Robin respirou fundo, os olhos fixos em Regina. Ela podia ver o quanto aquele assunto era delicado. Podia ver que ele estava forçando-se a manter a calma. “Ela mentiu. Sobre as consultas, sobre os medicamentos que tomava, sobre a súbita perda de peso. Ela dizia que eram rotinas, procedimentos estéticos e enquanto isso, ficava noites e noites nas malditas farmácias, ajudando-o a alcançar o sonho dele. Quando o corpo dela cedeu, ela desmaiou e nós a levamos para o hospital.” Ele suspirou e Regina entrelaçou seus dedos aos dedos dele, apoiando sua testa contra a dele.
“Robin, você não precisa....”
“Então os médicos vieram e contaram a verdade. Nos contaram que ela estava mal há meses e meses. Que ela havia feito diversos procedimentos incisivos. E que simplesmente não restava mais nada. Que ela tinha pouco tempo.”
Lágrimas deslizaram pelo canto dos olhos dele, e ele limpou rapidamente. Regina segurou o rosto dele no seu e o beijou. “Ela tentou proteger vocês, Robin.” Comentou ela, a voz trêmula. Ela podia entender. Possivelmente, ela faria a mesma coisa. Tentaria proteger Roxy e Henry de tudo, até mesmo de si mesma. Podia entender o sofrimento da pobre mulher, e os motivos que a levaram à essa decisão.
“Eu sei, mas era meu papel como filho…”
“Era uma decisão dela.” Constatou Regina, abraçando-o. Sentiu os braços fortes apertando-se ao redor da sua cintura, e deixou que ele encontrasse nela o porto seguro que ele sempre oferecia. “Você não podia fazer nada. Você não podia impedi-la.”
“Infelizmente. Eu teria dado a minha vida por ela.”
“Eu sei.” Suspirou Regina, acariciando o rosto dele, e finalmente olhando nos olhos azuis. Quando Robin voltou a encarar os seus, ela sorriu, reconfortando-o. “Eu estaria enganada sobre o homem maravilhoso que você é, se você não fosse exatamente assim.”
“Me desculpe ter estragado o clima.” Suspirou ele, limpando o canto dos olhos e sorrindo, envergonhado.
“Não me peça desculpas após me permitir conhecer um pouco mais de você.” Ela deslizou o polegar sobre o lábio inferior dele. “Estou aqui por você. Todas as partes de você; as boas, as surpreendentes, e as sombrias. Todas elas.”
“Regina, pare de falar ou vou me apaixonar por você.”
Ela riu, e ele rapidamente a puxou para outro beijo. Ela aproveitou o momento para movimentar-se, sentando-se no colo dele, os joelhos no estofado da poltrona, uma perna de cada lado do quadril dele. Brincou com as unhas sobre a nuca dele, atiçando, provocando, enquanto as mãos másculas subiam e desciam por suas coxas nuas, imaginando, acariciando — mas sem nunca avançar mais do que o tecido.
“O que estamos fazendo?” Sussurrou ele, a boca quase na altura do ouvido dela, a voz rouca lhe causando arrepios.
Regina sorriu, os lábios roçando contra os lábios dele mas sem permitir uma profundidade. Uma das mãos dele sobre a lateral do seu rosto, apenas emoldurando uma obra de arte. “Não é bastante óbvio?” Insinuou, empurrando o rosto de Robin para o lado, seus lábios entreabertos deixando um rastro de saliva enquanto ela beijava o pescoço dele, seguindo caminho até a orelha.
“Regina...Você entendeu o que eu quis dizer…”
“Eu só quero…” Começou ela, mas as palavras se perderam pelo caminho. Talvez ela quisesse que se perdessem. De qualquer forma, ela alcançou as mãos que deslizavam educadamente por suas coxas e as guiou até sua bunda, apertando-as ali e indicando o que ele devia fazer. Robin aproveitou a deixa para beijar o pescoço dela, fazendo-a suspirar. “O que você quer?”
“Quem é Marian?” Perguntou ela, os olhos de felina encarando-o atenciosamente. As mãos dele apertavam as suas nádegas de maneira devagar, uma massagem torturante e deliciosa.
“Como…”
“Responda com discernimento. Se eu achar que está mentindo, vou embora.”
“Minha ex.”
“Hummmm.” Ronronou ela. Tirou as mãos dele de seu quadril e ele grunhiu, mas não a segurou. Regina levantou-se, ficando em pé, na frente dele. O vestido estava um pouco mais alto, revelando mais pele. “Quão sério foi o relacionamento de vocês?”
Robin suspirou. “Não foi muito sério. Nós ficamos algumas vezes, ela queria algo a mais e eu não queria. Ela não aceitou muito bem.”
“Só isso?”
“Só isso.”
“Você a amou?”
“Regina, foi literalmente um relacionamento de dois meses. Não era um grande amor. Foi exatamente por isso que acabou.”
Ele a observou em silêncio, preocupado se aquela informação seria a responsável pelo afastamento de Regina. Mas quando ela deu meia volta, sentando-se no seu colo, as costas definidas contra seu tórax firme, ele imaginou que estava tudo bem. Deitou a cabeça para trás, dando acesso á ele para beijar seu pescoço, e assim ele o fez.
“Você está preocupada com ela? Porque eu falei sério, Regina. Eu não quero ninguém que não seja você.”
Ela sorriu, fechando os olhos.
“Eu só… Eu odiaria ver você com outra pessoa, Robin. E eu sei que não é justo, afinal, não estamos comprometidos. Eu não quero ser egoísta, eu só…”
“Quero você apenas para mim.” Completou ele.
Ela balançou a cabeça e ele girou-a em seu colo, olhando em seus olhos. Seus rostos estavam alinhados, e ele acariciou seu rosto antes de beijá-la de maneira doce. “Eu também me sinto assim. Me mata saber que a qualquer momento outro homem pode lhe chamar para sair e eu não posso fazer nada a respeito.”
“Eu não tenho interesse em outros homens, Robin.”
“Eu não quero assustar você com um pedido de namoro imaturo e apressado por insegurança, Regina.”
“Então não peça. Vamos apenas manter a exclusividade por agora. Até resolvermos o que vai ser isso.”
“Combinado.” Respondeu ele, imediatamente. Sorrindo, ele deu meia volta, deitando-a na poltrona. Mãos apressadas alcançaram sua calcinha, e ela sentiu a mesma sendo retirada do caminho.
“O que está fazendo? Alguém pode entrar.” Comentou ela, rindo, mas sem impedi-lo de continuar. Robin colocou uma das pernas dela sobre o ombro e beijou a parte interna de sua coxa, fazendo-a se arrepiar.
“Eu preciso te ver gozar, e só vou parar quando eu conseguir.”
Ela estava prestes a dizer alguma coisa, mas o toque quente e macio da língua dele sobre seu clitóris fez com que todo seu mundo rodopiasse por trás de suas órbitas. É, ela podia lidar com isso.
Depois.
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