Roleta Russa

20 Capítulo 20


Sentada no sofá, ela se perguntou o que tinha na cabeça quando aceitou vir até o apartamento dele. Talvez fosse o excesso de orgasmos flutuando em seu sistema nervoso, agindo como uma droga anestésica. Talvez fosse o sorriso largo e aberto decorado pelas adoráveis covinhas, ou os olhos azuis que pareciam suplicar que ela aceitasse. De qualquer forma, ali estava ela. Descalça, os cabelos já presos em um coque, a malemolência do álcool crepitando na sua veia.

Robin voltou da cozinha com duas garrafas pequenas de água. Ela arqueou uma das sobrancelhas, sorrindo. “Sério?”

“Achei que seria mais sensato... Logo você terá que dirigir para casa, e talvez queira dar um tempo antes de encontrar seus filhos.”

“Você é bom demais para ser real. O que está escondendo?”

Robin sorriu, sentando-se ao lado dela. “Se eu te contar, terei que matá-la.”

“Você não me mataria nem se quisesse.” Zombou ela, bebendo mais alguns goles de água. Em seguida, colocou a garrafa sobre a mesa de centro e deitou-se no sofá, usando a coxa dele como travesseiro e esticando o corpo. Lembrou-se do jantar, suspirando pesadamente e isso chamou a atenção dele.

“O que houve?”

“Nada... Só me lembrando da minha lista de afazeres para mais tarde.”

“É um péssimo pensamento para se ter a essa hora da madrugada.”

Ela sorriu, os olhos vidrados nos olhos azuis que a observava como se ela fosse um presente extremamente valioso. Ele estava deslizando os dedos por seu cabelo, desfazendo seu coque, percorrendo a extensão de seus fios. O polegar dele vez por outra tocava a pele de sua testa e ela perguntou-se desde quando havia se tornado tão viciada em cafunés; mas bem, desde Robin. Ele era o grande culpado.

“Amanhã, ou seria hoje, meu ex marido vai jantar em casa. Com a noiva dele. E meus filhos. E Valerie.”

“Você está preocupada com quem?”

Ela sorriu. “Talvez Valerie ou mesmo ele. Val é muito protetora, ela ainda não superou o divórcio de certa maneira.”

“Não superou o divórcio ou o que causou o divórcio?” Questionou ele, temendo estar ultrapassando algum limite.

“As vezes me assusta a maneira como você consegue ler minha mente.”

“Me desculpe, eu não quis”

“Não tem problema, Robin. Você está certo, ela não superou o relacionamento dele com outra mulher antes mesmo dele ter se separado. É isso.”

“Você pode culpá-la?”

“Não.” Suspirou ela.

Robin debruçou-se, beijando seus lábios de maneira suave. “Pare de pensar nisso. Você não pode controlar como as outras pessoas se sentem, apenas como você se sente. Algumas coisas ficam melhores se as deixamos seguir seu rumo sem interrupções.”

“E se der tudo errado? Se este jantar for um fiasco e nos afastar ainda mais?”

“Daí você nunca mais marca um jantar com todos eles juntos. Simples.”

“Você deveria estar lá comigo.”

Ele riu. “Isso não iria simplificar nem um pouco a situação.”

Regina riu, acompanhando-o. Ele estava certo; causaria uma complicação e saia justa ainda maior. “É verdade.”

“Você quer conhecer meu pai?”

“Você quer eu conheça seu pai?” Rebateu ela, e no instante seguinte, levantou-se; apenas para sentar sobre o colo dele, as pernas ainda esticadas sobre o sofá.

“Sim, claro, eu gostaria de apresentar você até para o carteiro que entrega as cartas aqui no prédio. Mas meu pai é muito... Rude. Ele diria coisas as quais eu não quero expor você.”

“Eu sou bem grandinha, baby. Posso lidar com pais mal-humorados.”

Robin circulou sua cintura, estreitando os braços fortes ao redor dela. Ela suspirou, acariciando seu rosto, os olhares flutuando entre eles até que ele sorriu, fazendo-a sorrir antes que ela debruçasse para beijar seus lábios. Um beijo doce e delicado, diferente dos beijos que eles compartilhavam no ápice dos desejos que os cercavam. Quando o beijo se desfez, ela deitou a cabeça em seu ombro, o rosto enfiado em seu pescoço, sentindo o perfume tão familiar. Fechou os olhos, inebriada pela sensação de carinho e segurança enquanto sentia as mãos dele subindo e descendo através de seu corpo em carícias leves.

“Você nunca fala dos seus pais.” Comentou ele, e ela apenas suspirou, mas não abriu os olhos e nem se moveu.

“Não há muito a falar sobre eles.”

“Eles são vivos?”

“Sim. Moram em uma casa gigantesca na Davis Square. Eu sou muito mais próxima do meu pai, e minha mãe é difícil. Então eu prefiro manter distância.”

“Mas você se sente bem com isso?”

“Eu… Eventualmente não. Por causa dos meus filhos e porque sei que eles têm direito a conviver com os avós. Mas eu não consigo me sujeitar a isso, entende? Minha mãe sempre reprovou minhas escolhas na vida, exceto por Jefferson.”

“Logo ele?” Riu Robin e ela sorriu.

“Ela achou que eu deveria tê-lo reconquistado e não assinado o divórcio.”

“Essa é a coisa mais absurda que já ouvi.”

“Bem, essa é minha mãe.” Regina afastou-se um pouco para poder olhar dentro dos olhos azuis. “A ideia de ter que conviver com ela e ouvir sua insatisfação sobre a minha vida me incomoda.”

“Com toda a razão, baby.”

“Por sorte eu tenho Valerie e Rosie na minha vida. Elas são verdadeiras irmãs pra mim.”

“Vocês parecem muito unidas.”

“Nós somos.” Ela sorriu, acariciando o rosto dele. “Passamos por muitas coisas juntas, acompanhamos muito da vida uma das outras.”

“Você acha que elas gostam de mim? Dizem que para conquistar uma mulher, primeiro precisamos conquistar as melhores amigas.”

“Está tentando me conquistar, Robin?”

Ele riu. “O fato de ser uma dúvida pra você significa que estou indo muito mal.”

“Bobinho.” Sibilou ela, antes de agarrá-lo pela nuca e puxa-lo para outro beijo. Seus lábios rapidamente se entreabriram, dando passagem às línguas que procuravam pela outra de maneira intensa e urgente. Um gemido escapou por entre os lábios dela quando ele apertou os braços ao redor de sua cintura, mãos ousadas passeando por locais suntuosos, provocando e atiçando. Regina virou-se e sentou sobre o colo dele, posicionando-o entre suas pernas e não perdendo tempo; passou a desabotoar a camisa de flanela enquanto ele beijava seu pescoço, lambuzando-a com os lábios molhados.

Três batidas firmes na porta ecoaram sobre eles.

“Você só pode estar brincando.” Resmungou ele, irritado. Ela riu, tentando afastar-se dele e ele estreitou os braços ao redor dela.

“Robin…” Sussurrou ela, tentando entender o que ele estava fazendo. “A porta.”

“Vamos ficar quietinhos, quem quer que seja vai ir embora.”

Ela sorriu, debruçando e beijando a boca dele. “Eu não vou evaporar, Robin. Deixa que eu atendo.”

Regina levantou-se, ajeitando o vestido e alinhando o cabelo. Sorriu pra ele, e caminhou até a porta, abrindo-a.

“Olá.”

“Quem é você?” Questionou uma morena de olhos castanhos amendoados e cabelos escuros que deslizavam para trás de suas costas.

“Eu sou Regina, e você, quem é?”

“Eu sou a namorada do Robin.”

Regina sorriu. “Regina, quem é?” Perguntou ele, a voz ainda um pouco distante.

“Sua namorada.” Enfatizou ela, percebendo o olhar pouco amigável da mulher à sua frente. Segundos depois, Regina sentiu-o se aproximar dela.

“O que você está fazendo aqui, Marian?”

“Quem é essa mulher?” Questionou Marian, apontando de maneira deselegante para Regina.

“Eu já disse o meu nome.”

“Eu estou perguntando para ele.” Rebateu ela, fazendo com que as sobrancelhas da delegada arqueassem de modo a quase alcançar seu couro cabeludo.

“O que você está fazendo aqui?” Respondeu ele, dando um passo à frente e instintivamente protegendo Regina. “São quase duas horas da manhã, e eu tenho certeza que bloqueei seu acesso à portaria.”

“Robin, por favor.”

“Por favor? Você vem aqui e ofende a minha namorada e quer que eu seja compreensivo com você? Eu já pedi mil vezes para me deixar em paz. Me deixe em paz e Regina também.”

“Namorada?”

“Você quer que eu chame um táxi para você? Está tarde para você estar sozinha na rua, Marian.”

“Eu sei me virar sozinha, Robin.”

Regina estava observando a conversa em silêncio. Bem, aquela não era a melhor maneira de conhecer a ex namorada dele, mas se aquele encontro tivera alguma serventia, era de convencê-la que ela realmente não tinha que se preocupar com Marian. Robin havia acabado de assumi-la como namorada, e não parecia nem um pouco feliz com a presença dela.

Marian arqueou a sobrancelha e esticou o pescoço, procurando pelo contrato visual de Regina. “Não se iluda, querida.” Começou ela, sorrindo nervosamente. “Ele não fica muito tempo com ninguém. Robin tem problemas de relacionamento, e quando ele cansar de você, seu destino será o mesmo que o meu. Aproveite sua vez pois cedo ou tarde ela vai acabar.”

Regina riu.

“Eu não tenho problemas de relacionamento e você sabe muito bem disso. Eu tentei ser honesto com você, Marian. Regina não é uma fase e ela não vai a lugar algum, e se eu fosse você, começaria a aceitar que talvez a vez dela nunca acabe. Boa noite.”

Robin fechou a porta, irritado. Segundos depois, sentiu as mãos dela em seu tórax, empurrando-o até que suas costas atingiram a madeira da porta. “O que está fazendo?”

Sentiu as mãos dela desafivelando seu cinto e ela tocou seus lábios, beijando-o apressadamente, antes de sussurrar. “Estou cuidando do que é meu.”

Segundos depois ela jogou o cinto no chão, e os botões de seu jeans foram os próximos a serem desabotoados. Ele suspirou quando percebeu que ela estava ajoelhando-se na frente dele, seu coração acelerando em antecipação pelo que estava prestes a acontecer. O zíper foi aberto lentamente, e pouco tempo depois ele sentiu o leve puxão no cós da sua calça, deixando-o apenas com a boxer azul marinho. “Regina, você não…”

Regina deslizou a camisa para cima, beijando a parte de baixo do abdômen dele, os lábios quentes e macios enquanto passou a massagear sua extensão através do tecido. “Shhhh” Pediu ela, erguendo o rosto e adorando-o daquela maneira, os olhos fechados, aproveitando cada toque, o lábio inferior preso pelos dentes, a respiração acelerada sendo que ela sequer havia começado. Não podia negar que sua curiosidade sobre o que ele guardava dentro das calças a perseguia dia e noite. Deslizou as unhas pelas coxas grossas enquanto beijava a borda de sua boxer, e sentiu quando ele deslizou os dedos por seu cabelo, apenas acariciando.

Puxou a boxer para baixo, devagar, observando a extensão de pau dele emergir gloriosamente. Ele era tudo o que ela havia imaginado — de uma maneira melhor. A extensão era ideal e ele era um pouco mais grosso e ela suspirou imaginando como seria tê-lo dentro dela. Agora não, repetiu para si mesma, e empunhou o mesmo, começando a bombear, seus dedos subindo e descendo. Estreitou a empunhadura ao redor dele e voltou a beijar a pele de sua virilha, provocando-o, deslizando a língua eventualmente.

Ele ainda estava acariciando seus cabelos, sem pressionar. Não queria que ela se sentisse intimada a fazer nada. Regina decidira dar prazer a ele e tudo seria exatamente como ela desejasse. Ele mal podia esperar pelo momento em que ele devolveria esse prazer a ela; abrindo suas pernas, afastando o vestido e

Ohhhh

Os pensamentos dele desapareceram no instante em que ela deslizou a língua por seu pau, desde a base do saco escrotal, até a glande, acariciando lentamente toda a sua extensão. Jesus— suspirou ele, e ela sorriu, limitando-se a repetir o mesmo ato do outro lado. Fechou os lábios sobre a sua extensão, dando leves chupadas laterais, brincando com suas bolas, massageando-as delicadamente.

Regina continuou, entretida em sua missão de dar prazer à ele. Sorriu, notando como a respiração dele fraquejava entre seus gemidos, ouvindo os grunhidos másculos que ressoavam diretamente para o centro entre suas pernas. Segurou-o pela base, deslizando a língua pelo contorno de sua glande e ouviu-o soltar palavrões, continuando até que ela tomou a cabeça de seu pau entre os lábios, sugando-a com delicadeza até soltá-lo com um pop

Porra Regina resmungou ele, fazendo-a rir. Ela continuou massageando-o, beijando a base de seu ventre. “Olhe para mim, Robin.”

Ele abriu os olhos, abaixando a cabeça e estabelecendo contato visual; era insuportável para ela aceitar que ele conseguia olhá-la com tanta luxúria e ela ainda conseguisse perceber vestígios do mesmo olhar de adoração que ele sempre lhe direcionava. Depois, ela o segurou pela base, tomando-o entre seus lábios lentamente e engolindo-o por completo. Percorreu o caminho de volta estreitando os lábios e massageando sua extensão, e segurou-o ali, repetindo o movimento vez após vez, as unhas firmes na curvatura de sua bunda, apertando-o ali. Regina ohhhh

Ele estava forçando a si mesmo a manter os olhos abertos, a manter o contato visual, mas quando ela soltou-o e voltou a bombear seu pau enquanto deslizava sua língua e sugava suas bolas, ele não teve escolha. Fechou os olhos e bateu a cabeça contra a porta, ouvindo o riso abafado dela. “Aguente firme, amor.”

Ele sorriu, ciente de que ela deveria estar vestindo aquele sorriso adorável de quando sabia estar certa. Pensou em dizer alguma coisa, mas logo em seguida ela o engoliu novamente e ele simplesmente não conseguia mais formar nenhum pensamento coerente. Tudo o que ele conseguia fazer era sentir a tensão correndo enlouquecidamente por seu corpo, seu sangue pegando fogo por baixo de sua pele. “Regina, eu não vou aguentar…” Suplicou ele, mas ela não parou. Só serviu como um incentivo para ela intensificar seus movimento, deixando sua língua correr junto com os lábios sobre uma pequena veia e empurrando-o cada vez mais para o precipício. Saliva misturava-se ao líquido pré ejaculatório conforme Regina movia-se, subindo e descendo, chupando-o como se fosse lhe sugar a alma. Podia sentir a tensão no corpo, os músculos de suas pernas enrijecendo, a pele quente e trêmula por baixo de suas unhas. Ele estava no limite.

Os grunhidos dele estavam cada vez mais recentes, mais desconexos, e ela sentiu quando ele tocou seu ombro, apertando-a gentilmente para avisar que ela precisava se afastar, que era agora que ela deixava-o terminar isso sem fazer bagunça mas ela balançou a cabeça, e continuou, chupando-o incansavelmente. Foi quando ela esticou o braço e deslizou as unhas por seu abdômen, por baixo da camisa, arranhando-o de cima à baixo, impulsionando o corpo para a frente e forçando-o ainda mais fundo na sua boca que ele explodiu, um urro gutural que fez todo o corpo dela estremecer, assim como as pernas dele. Regina suplicou ele, segurando nas paredes em busca de apoio pois suas pernas estavam literalmente bambas e ele temeu cair sobre ela.

Abriu os olhos e encontrou-a olhando para ele. Os olhos cor de chocolate brilhavam com orgulho, e um sorriso travesso estampava os lábios macios. “Você é uma deusa.”

Ela riu, aceitando a ajuda dele para levantar-se. Robin deslizou as mãos para as madeixas escuras e a beijou, tomando sua boca com um sentimento de posse e carinho, apertando-a contra si como se ela fosse o antídoto para acalmar seu coração, ignorando o fato de ser ela a causa de ele estar tão acelerado.

“Você está delirando.” Riu ela, ajudando-o a vestir a cueca e os jeans.

“Depois do que acabou de acontecer eu possivelmente estou.”

Ela balançou a cabeça, satisfeita. Eles caminharam na direção do sofá, mas Robin lhe deu um leve puxão, indicando o quarto e sentiu quando o semblante dela mudou. Sorrindo, ele beijou-a sobre os cabelos. “Não estou sugerindo nada, Regina. Eu não esqueci o que você disse. Nada de sexo até as coisas estarem claras o suficiente.”

Consentindo, ela adentrou o quarto. Robin retirou a camisa de flanela enquanto Regina deitava na cama larga, percebendo a maneira como os olhos dela fiscalizaram seu abdômen. Ele arrancou os sapatos, jogando-os no canto e no minuto seguinte, subiu na cama, abraçando-a por trás, mantendo o corpo dela colado à sua frente. Afastou os cabelos escuros e beijou-a no pescoço fazendo-a rir baixinho. “Obrigado por ter ficado.”

Ela ajeitou-se contra ele, abraçando os braços que a abraçavam, acariciando seu antebraço. Seus olhos já estavam fechados, e ela podia sentir o sono entrando, empurrando suas defesas naturais. “Eu estou com muito sono para dirigir.”

“E eu achando que era o meu charme irresistível.”

“É a primeira vez que vou literalmente dormir com outro homem. Você pode ficar com esse crédito.”

“Mas você…”

“Era só sexo, Robin.” Suspirou ela, sentindo o polegar dele deslizar sobre um de seus braços. “Eu terminava e ia para casa.”

Ele permaneceu em silêncio, pensando o quanto aquilo deveria ter sido mecânico para ela e o quão sortudo ele era por tê-la por perto. Por Regina tê-lo escolhido, por ela ter permitido que ele se aproximasse. “Robin…”

“Sim?”

“Cante para mim. Eu quero que sua voz seja a última coisa na minha mente antes de dormir.”

“Como quiser, baby.” Ele soltou-a, deitando-se de lado apropriadamente e jogou o apoio do corpo em seu cotovelo, apoiando o no colchão enquanto a acariciava, deslizando a mão sobre o alto das costas dela, uma carícia gentil e doce.

You know it ain't easy
For these thoughts here to leave me
There's no words to describe it
In French or in English
'Cause, diamonds they fade
And flowers they bloom
And I'm telling you

“Eu amo essa música…” Suspirou ela, e ele continuou, adorando-a com tanto afinco que sequer conseguia respirar.

These feelings won't go away
They've been knockin' me sideways
They've been knockin' me out, babe
Whenever you come around me
These feelings won't go away

Robin continuou observando a mulher deitada ao seu lado enquanto seu coração ainda batia aceleradamente. Ela era linda, maravilhosa, única. Tudo em Regina fazia seu coração acelerar, tudo sobre ela o enchia de orgulho, de admiração, de respeito. E tê-la assim tão perto apenas o lembrava o quanto ele precisava de mais, de muito mais.

They've been knockin' me sideways
I keep thinking in a moment that
Time will take them away
But these feelings won't go away
But these feelings won't go away

Robin continuou cantando por algum tempo até que percebeu que ela havia adormecido. Beijou-a na altura da têmpora esquerda, observando o semblante calmo e sereno. Lembrou-se do celular que havia deixado na sala, e forçou-se a levantar — não queria que ela acordasse atrasada por sua causa. Cobriu-a delicadamente com o edredom e fez uma viagem rápida até a sala, pegando os dois aparelhos e voltando ao quarto.

E foi assim, observando-a dormir serenamente sobre a sua cama, sob a luz noturna, que ele percebeu que, de fato, ele estava apaixonado por Regina.

***

Um jato de água a acordou. Seu corpo já apresentava os sinais da mais severa exaustão. Ariel levantou a cabeça e percebeu que estava deitada sobre alguma mulher que não conhecia, e levantou-se rapidamente pedindo desculpas. “Bom dia gatas borralheiras.” Falou um dos homens. Atrás dele um outro homem, também com o rosto coberto, riu grotescamente.

“Hoje teremos um evento. Daqui meia hora, vocês farão uma fila e irão direto para o banho. Tomem banho direito. Se estiverem parecendo porcas imundas depois, eu vou ficar muito bravo e vocês não querem isso.” Começou ele, andando ao redor com a arma em punhos. Ariel sabia que era um modelo de força militar e perguntou-se como eles tiveram acesso. “Vocês vão colocar as roupas que forem ordenadas. Vocês vão ser maquiadas, vão aparecer aos compradores e vão agir com naturalidade.”

Compradores. A palavra fez o estômago da ruiva dar voltas embora ela não se lembrasse da última refeição que fizera. Devia ter perdido pelo menos dois quilos. “Não peçam socorro à eles, porque eles sabem exatamente o que vocês são. Eles não irão ajudá-las. Aquelas que tentarem fugir não vão ser vendidas, nem retornarão para casa, então usem a imaginação e descubram o destino.”

Se ela fosse comprada, perderia-se na missão. O pensamento fez com que ela estremecesse. Uma palma tocou a sua, apertando-a de leve e ela ergueu a cabeça encontrando o olhar preocupado de Mulan. “Não perca a cabeça.” Sussurrou a oriental e Ariel respirou fundo, focando no exercício de inspirar e expirar até estabilizar seu sistema respiratório.

“Ursula Godoy, Mulan Oysha, Zenir Awaka, Teegan Roju e Amelie Prescot. Vocês não irão com essa remessa. Foram selecionadas para servir na filial. Isso quer dizer: levantem a bunda do chão e acompanhe o Yago aqui até a van que as levará.”

Os olhos dela se encheram de lágrimas. Alívio pois não seria vendida; também toda a missão incutida à ela não estava perdida. Mas o fundo de suas lágrimas revelavam sua dor e exaustão. Mais uma viagem às cegas. Eles estavam confundindo-as para que não soubessem a localização de maneira alguma e ela tinha certeza que isso significaria mais anestésicos. Sentia fome, mas o enjoo era ainda maior.

Levantou e seguiu a pequena fila. Olhou para trás, tentando memorizar o rosto de cada uma das mulheres que iriam deixar para trás — na esperança de resgatá-las um dia. Mas sabia que estava enganada. O destino daquelas mulheres estava selado e ela provavelmente jamais tornaria a vê-las.

***

Roxy sentou-se no jardim frontal da escola, aguardando o horário de sua primeira aula. De onde estava podia ver o desembarque dos alunos — os carros luxuosos dirigidos por motoristas que deixavam a maioria dos estudantes. Respirou fundo, bebendo seu copo gigantesco de café.

Sua mãe não dormira em casa, e sua tia havia sido evasiva o suficiente para ela entender que não fora à trabalho. Não que ela achasse um problema nisso; sua mãe precisava aproveitar a vida, precisava lembrar-se das vantagens de ser solteira. Ela só almejava que o homem de sua escolha a fizesse bem e feliz. Muito de seu ressentimento contra ela não passava de má interpretação. E talvez ela jamais teria percebido isto se não fosse pelo Sr. Locksley. Ela possivelmente nunca teria aceito fazer a terapia se não tivesse sido obrigada, e isso não teria acontecido se ela não tivesse se encrencado para safar Tyler Ohill.

Talvez tudo tivesse mesmo uma razão.

Ergueu a cabeça e observou quando o carro de Melanie Nolan estacionou na entrada, e Leo estava lá. Estreitou as costas ao vê-lo beijando-a na bochecha, e em seguida ele colocou a mochila nas costas e entrou pela lateral do prédio de biologia.

“Parece que você perdeu mesmo o namorado.”

Ela revirou os olhos, sem precisar virar-se para identificar a voz de Tyler. “Pela milésima vez, ele não é meu namorado.”

“Vocês estavam saindo. A menos é claro que você tenha dito aquilo para fugir de mim, o que seria lisonjeiro…” Flertou ele, sentando-se ao lado dela.

Talvez perto demais. “Eu convidei você a sentar aqui, Ohill?”

“Seus pais podem ter dinheiro, mas eu duvido muito que tenham comprado toda a escola, senhorita Hatter. Então eu sento onde eu quiser.”

Ela virou-se para a frente, mas o carro de Melanie não estava mais lá. Aborreceu-se por ser tão insegura a respeito de Leo, ainda mais depois de ter sido ela a responsável pelo fim do interesse dele. Maldito Locksley, pensou.

“O que você quer, Tyler?” Perguntou, virando-se para o loiro. “Por que está aqui? Eu não sou mais nenhuma abelha rainha, você não ganha nada ficando perto de mim.”

Ele riu. “Por que as pessoas acham que tudo que faço é na intenção de ganhar algo em troca?”

“Porque você é Tyler Ohill e você é assim. Todo mundo sabe disso.”

“Eu gosto de você, Roxy. E você se engana ao pensar que sua popularidade caiu. Dizem que você é editora chefe da FAME agora. Dizem que você está saindo com Jared Leto. Dizem que você ganhou um jatinho particular de seus pais e que viaja para Dubai aos finais de semana.”

Roxanne riu genuinamente; uma gargalhada aberta e viva que chamou a atenção das pessoas próximas. “Quem me dera se algum desses boatos fosse real. Mas não são. Minha vida é mais normal do que aparenta.”

“Mas isso não importa. As pessoas querem acreditar nessas coisas.”

“Então é isso? Está aqui pra alimentar sua popularidade às custas de uma fama que produziram sobre mim?”

Ele riu, e ela lembrou-se como ele era atraente. “Eu realmente gosto de você.”

“O que está acontecendo aqui?”

Roxy virou-se para trás imediatamente e Tyler fez o mesmo. E ali estava ela. A abelha rainha de toda a cidade — ou ao menos como ela gostaria de ser declarada. Zelena Ohill. Seus olhos azuis estavam presos em Roxanne como se tentasse fuzilar a garota. Os cabelos ruivos desciam em cachos perfeitos, contrastando com a pele ruiva. Seus lábios pintados de vermelho formavam uma expressão de mínima felicidade. Usava um vestido justo, verde esmeralda, cujo decote era generoso e de certa forma elegante. Luvas de cetim cobriam suas mãos e um chapéu claro cobria sua cabeça. Uma esmeralda gigantesca com formato de coração adornava seu pescoço, sustentada por um fino colar.

“O que está fazendo aqui, mãe?”

“Você esqueceu seu celular no carro, querido.” Respondeu ela, mudando o semblante para quase adorável enquanto olhava para ele. Porém o mesmo benefício não se estendeu quando o mesmo olhar retornou à Roxanne.

“Quem é essa?”

“É a Roxy. Eu já falei sobre ela.”

Roxy encarou-o rapidamente, perguntando-se o que ele poderia ter dito sobre ela. Mas não teve tempo para pensar nisso, pois a mãe dele continuou seu teatro. “Oh.” Ela sorriu como se algo lhe parecesse engraçado. “A filha de Regina e Jefferson.”

“Sim.”

“Não foi ela que foi pega com drogas e agora está pagando pena alternativa?”

“Mãe, não…”

“Você tem sorte, garota.” Zombou ela. “Sua mãe é uma hipócrita… Quando se trata dos filhinhos dela, ela arruma uma maneira de contornar a lei. De mascarar a desonestidade…”

“Não foi isso que aconteceu e honestamente pouco me importa a sua opinião.” Rebateu a garota, enfrentando-a.

“Tyler, meu amor, é com esse tipo de gente que você passa seu tempo aqui? O que eu lhe disse sobre companhias tóxicas?”

“Você ofendeu a mãe dela.”

“A mãe dela é uma…” Começou Zelena, mas percebendo que Roxy estava pronta para abraçar a discussão, permitiu que sua frase morresse ali. “Enfim. Eu não quero você perto dessa garota. Ela é uma péssima influência.”

“Nós temos a maioria das aulas juntos. Não é mais fácil me mudar de escola?” Riu ele, mas sua mãe o encarou como se fosse matá-lo e ele parou repentinamente.

“Eu sei qual é seu plano e não vai dar certo. Provavelmente o divórcio deve ter deixado sua mãe falida e ela quer que você dê o golpe em algum garoto rico dessa escola, mas eu garanto a você que não será o meu Tyler.”

Roxy riu. “Não é que você descobriu? Me desculpe Tyler, fica para a próxima.” Respondeu ela, levantando-se e jogando o copo vazio no lixo após dar o último gole. “Vocês me desculpem, mas agora preciso encontrar outro adolescente prodígio em que eu possa dar um golpe. Até mais.” Despediu- se, caminhando sem pressa na direção do hall. Zelena observou-a se afastar, contrariada.

“Fique longe dela, Tyler. Eu não gosto dessa garota.”

Tyler sorriu, observando-a de longe. “Bom, eu gosto.”

***

Regina conseguia ouvir Roxy e Henry conversando através das portas abertas. Talvez eles fossem os únicos animados com essa situação. Ela olhou novamente para seu reflexo. Os cabelos cacheados lhe traziam vida novamente. Optou por brincos pequenos e um colar simples. O vestido preto tinha um corte de frescor, alças finas, um pouco de pele, uma fenda que não revelava muito, mas que escondia pouco. Um batom vermelho e voilá, estava pronta para encarar aquela noite. Robin adoraria esse vestido. Sorriu, lembrando-se de como ele fora gentil acordando-a para trabalhar e cozinhando o café da manhã para ela, mesmo que a vontade dele fosse mante-la em seu apartamento. A ideia não era de todo ruim, ela precisava admitir.

“Mãe” Chamou Henry, entrando no quarto e parando no meio do caminho. “Uau.”

Regina sorriu, caminhando até ele. “O que foi?”

“Você está linda.”

“Você está… de jeans.” Comentou ela.

“Eu precisava me vestir formalmente?” Questionou ele parecendo levemente preocupado.

Regina caminhou até ele, acariciando seu rosto e beijando a bochecha dele. “Você deve vestir o que deixá-lo confortável, querido.”

“Você está confortável com esse jantar, mãe?”

Regina sorriu. Ao menos seu filho era objetivo. Talvez definitivamente objetivo, mas bem, ele dosaria essa medida com o tempo. Acariciando a bochecha dele com seu polegar, ela olhou em seus olhos. “Já é hora de começarmos de novo, querido. E para isso, precisamos cicatrizar as feridas passadas.”

“O que quer dizer com isso? Você vai trazer alguém?”

“Não, meu amor. Quis dizer que não quero brigar com seu pai para sempre. Isso precisa mudar.”

“Ah sim.” Ele deu meia volta. “Você parece tão feliz que a gente estava cogitando um namorado…”

“Que gente?”

“Eu, a Roxy, a tia Valerie…”

Ah, Valerie. Regina ia afogá-la na banheira da suíte. Sorriu, bagunçando o cabelo dele. Sabia qual era o plano da loira. “Quando eu estiver mesmo namorando, vocês serão os primeiros a saber.”

“Ok. Roxy está se matando lá no quarto dela, talvez você possa ajudar.” Comentou ele, rindo enquanto saía do quarto principal. Regina o acompanhou.

“Acha que ela trará Leo?”

“Eles devem ter brigado. Eu a vi recusando uma chamada dele no carro.”

“Sua irmã é tão complicada.”

Henry olhou para ela e riu.

“O que?”

“Ela é sua filha, o que você esperava?”

Regina encarou-o estupefata com a ousadia dele, mas o menino simplesmente caminhou para dentro do seu quarto como se nada tivesse acontecido. Ela balançou a cabeça, e segundos depois bateu na porta aberta de sua filha.

“Roxy?”

“Entra”

Regina entrou, observando-a através do espelho. Estava usando um vestido curto, perto, de alças finas também. Os cabelos longos estavam presos em uma trança embutida, as longas pernas em evidência. “Mãe, você está deslumbrante.”

Regina sentiu suas bochechas ganhando um tom acanhado. “Você também está linda.”

“Você gostou mesmo?”

“Sim. Você está linda. Elegante.”

O sorriso no rosto da garota aqueceu o coração de Regina. Sentou-se na cama, observando-a se maquiar. “Você convidou o Leo?”

“Não.”

“Não?”

“Aparentemente ele tem coisas mais interessantes pra fazer.”

Regina sorriu, absorvendo a ironia na voz de sua filha. “Me parece que você gosta dele.”

“Gostar das pessoas é sadio. Mas relacionamentos são… complicados. Machucam. Eu sei que o Sr. Locksley quer que eu acredite que tudo bem se machucar porque isso é parte da nossa natureza, e que isso não deve nos impedir de continuar acreditando no amor, mas…”

Sr. Locksley. Regina lembrou-se que precisava mesmo bater um papo com o terapeuta. “É esse tipo de assunto que vocês discutem na terapia?”

“Também. Falamos sobre tudo.”

“Inclusive sobre mim?”

Roxanne encarou-a através do reflexo do espelho. “Talvez.”

“Você continua gostando das sessões?”

Roxy virou-se, colocando a maquiagem de volta à penteadeira. Agora podia olhar para sua mãe diretamente. “Sim. Eu jamais teria procurado ajuda profissional mas pensando hoje, era exatamente o que eu precisava. Eu precisava ver as coisas de uma maneira diferente. Eu precisei conversar com alguém de fora para ver tudo o que você fez e tem feito por nós dois, por exemplo. Eu não entendia as suas atitudes, e algumas ainda me falta entender, mas hoje eu vejo o quanto você teve de ser forte por nós, mãe. Isso, esse jantar, só é uma prova de como você é resiliente e digna e como você nos coloca em primeiro lugar. Eu sei que está fazendo isso pela gente” Confessou a garota, sorrindo. “E só por isso me comprometo a segurar minha língua e me comportar. Por você.”

“O que aconteceu com você?” Perguntou Regina, limpando uma lágrima solitária e respirando fundo, retomando o controle de suas emoções.

“Estou crescendo, mãe.”

“Me desculpe ser tão dura com você.”

Roxy caminhou até ela, segurando o rosto de sua mãe e debruçando-se afim de beija-la sobre a testa. “Não peça desculpas por agir como mãe. Afinal, você é a melhor que eu conheço.”

Regina abraçou-a, e Roxy a abraçou de volta, e elas permaneceram algum tempo ali, no conforto do ninho, esquecendo todas suas diferenças mesmo que por segundos. Vozes no andar de baixo as alertaram da presença de outras pessoas e Regina lentamente a deixou se afastar.

“Que a noite comece.” Suspirou ela, levantando-se e caminhando para fora do quarto, seguindo a direção das escadas.

***

Sentados à mesa, a conversa fluiu. Talvez não da maneira que era esperada, mas eles ainda transitavam em terreno amigável e este era um ponto pra lá de positivo. Valerie fez questão de manter a taça de ambas sempre cheia e Regina amou-a por isso.

“Estranhei o fato de Leo não estar aqui.” Comentou Jefferson, e Regina ergueu o olhar apenas para observar a reação de sua filha. Roxanne sorriu, tentando ao máximo ser cordial. “Ele tinha outro compromisso.”

“Talvez no próximo jantar.”

“Próximo jantar?” Questionou Henry. “Vamos ter que fazer isso de novo?”

Regina sorriu, e Valerie rapidamente entonou outro gole de seu vinho. “Você não está gostando, Henry?” Perguntou Emma.

“Bem, ele não está servindo a seu propósito, está? Você, meu pai e minha mãe mal trocaram meia dúzia de palavras.”

“Henry!” Chamou Regina, ficando levemente enrubescida com a objetividade de seu garoto.

“Ele só está sendo sincero.” Defendeu Roxy. “Se é para fingir que somos uma grande família feliz, tudo bem. Mas se é para realmente consertar as coisas, vocês deveriam conversar. Conversar mesmo, como adultos.”

“O que há com vocês?” Perguntou Jefferson, levemente irritado. “Desde quando se tornaram especialistas de comportamento humano? Ninguém vai sair da mesa até…”

“Eles estão certos.” Assumiu Emma, interrompendo-o.

“Emms…” Começou ele tentando tocar a mão dela, mas ela recuou. Virou-se para Roxy. “Vocês estão dispensados por mim.”

“Mãe?”

“Se quiserem sair, vocês podem.” Concordou Regina, trocando breves olhares com os filhos.

Mas nenhum dos dois se moveu. Silêncio perambulou pelo jantar, alguns ainda mastigando a carne de carneiro deliciosamente cozinhada por Greta e o arroz temperado da Tasmânia. “O que quer que seja dito, nós também precisamos fazer parte.”

“Você deveria ter trazido Robin para o jantar.” Sibilou Jefferson e ela jurou a si mesma que se seus filhos não estivessem ali, ela teria arremessado a garrafa de vinho nele. Quem lhe dera o direito?

“Quem é Robin?” Questionou Roxanne.

“Você disse que não estava namorando.” Rebateu Henry, parecendo ofendido com a suposta mentira.

“Eu não estou namorando.”

“Não foi o que pareceu.” Continuou ele e Emma virou-se para ele, irritada.

“Pare com isso.”

“Quem é você para me fazer sermões, Jefferson? Qual é a razão de estarmos todos aqui?” Questionou Regina.

“Se ele é tão importante, por que…”

“Deixe-a em paz, Jefferson.” Rebateu Valerie, finalmente enfrentando-o. “Eu sei o que está tentando fazer e eu não vou deixar.”

Outro silêncio mortal se instalou entre eles. Talvez as coisas não estivessem indo tão bem quanto Regina pensava. “Eu disse que você não sabia pelo que estava pedindo.” Resmungou ele e Emma balançou a cabeça.

“Talvez eu não soubesse mesmo. Eu esperava que você fosse ter o mínimo de educação e respeito, Jeff. Mas você insiste nessa competição idiota com Regina. Quando você vai entender que eu não quero ser melhor ou pior do que ela? Eu só quero ter uma relação saudável com a sua família e Regina é parte dela. Que merda, Jefferson.”

Quando Emma voltou-se para o resto da mesa, todos os olhos estavam pregados nela. Resignada, ela suspirou e continuou, estabelecendo contato visual com Regina. “Eu nunca diminuí você. Nunca achei que eu fosse melhor ou tentei desvalorizar ou anular nada que você tenha feito ou quem você é, tanto na vida dele como com os seus filhos ou amigos. Eu sei que você pensa o pior de mim, mas eu jamais quis alimentar essa rixa, Regina. Eu respeito você e tenho admiração por quem você é.”

“Você não faz nada além da obrigação.” Interrompeu Roxy. “Afinal, você dormiu com o marido dela.”

Regina, Jefferson e Henry se uniram involuntariamente no coro. “Roxanne!”

“Não venha agir como vítima aqui, você não é.” Sibilou a garota, afastando o prato e jogando o guardanapo na mesa. Ela virou-se para o pai. “E você, pai, francamente… Que decepção. Mamãe aceitou essa merda de jantar para nos aproximar e o que você fez? Não é a toa que Emma está repensando o casamento. Será apenas mais um casamento para você arruinar.”

Segundos depois, Henry afastou-se da mesa também. Encarou seu pai com desapontamento, despedindo-se da mãe, de Emma e de sua tia.

“Eles estão muito sensíveis. Isso é culpa sua.”

“Seus filhos estão crescendo. Não os culpe por terem uma opinião sobre as porcarias que você faz.”

“O que você quer, Regina? Eu já pedi desculpas. Você quer rosas? Um carro? Que eu cante um pedido de desculpas ou coloque numa faixa para voar sobre a cidade?”

“Você me deprime, Jefferson.”

“Você não está deprimida. Muito pelo contrário, você e aquele….”

“Qual é o problema se eu estiver transando com alguém? Hein? Qual o seu problema com Robin? Você está prestes a se casar, mas continua incomodado com a minha vida amorosa. Como se eu estivesse traindo você. Como se fosse eu que estivesse deitando na sua cama todo dia pensando em outro homem. Como se fosse eu que tivesse mentido sobre trabalho para poder passar tempo com outro homem.” Regina respirou fundo. “Mas não, isso foi o que você fez comigo. Vocês dois.”

“Regina, eu não…” Começou Emma, mas agora que ela havia começado a falar, só ia parar quando acabasse.

“Não o que, Emma? Não sabia o que estava acontecendo? Não sabia que ele estava se apaixonando? Jefferson não é nenhum mestre em disfarçar emoções e ambas sabemos disso. Então não me diga que não sabia o que ia acontecer. Você se apaixonou e sabia que ele também. Não me importa que vocês nunca se tocaram enquanto ele estava comigo. Eu já havia perdido meu marido. Você já tinha conquistado o coração dele. A culpa não é sua; mas não tente me convencer que você não o quis.”

Regina respirou fundo e então ergueu a cabeça, observando Emma com os olhos marejados. “Você não precisa me lembrar exatamente o que eu fiz, Regina. Você acha que eu tenho orgulho de como tudo aconteceu? Você realmente acha que eu fico feliz ao lembrar que para ter o homem que eu amo eu ajudei a desfazer uma família? Tudo que eu faço por vocês é para tentar, um dia, reparar pelo menos o mínimo dos danos causados pelas nossas atitudes. Então obrigada pelo jantar mas não por me lembrar o desvio de caráter que me fez amá-lo. Porque eu não me orgulho, e eu sinto muito ter machucado você e seus filhos. Mas essa é a última vez que me sujeito à essa situação. Eu sei que fiz algo errado, mas cansei de ser julgada por isso. Eu cansei.”

“Emma…” Chamou Regina, sentindo-se ligeiramente culpada.

“Jefferson, eu estou terminando com você.” Concluiu ela, levantando-se e saindo da mesa. Os olhos dele abriram-se absurdamente e ele levantou logo atrás dela.

“Emma, por favor”

Mas ela não quis ouvir. Caminhou até o mancebo e pegou sua bolsa e casaco, desaparecendo porta afora. Jefferson deu meia volta, encarando Regina. “Eu espero que você esteja feliz. Foi ela, a mulher que você detesta, que pediu para que eu fizesse o que fosse necessário para proteger você das acusações de Giles e você acabou de fazê-la sentir-se a pior pessoa do mundo. Parabéns, Regina.” Concluiu ele, pegando seu casaco e saindo atrás de sua agora, ex-noiva.

***

Quando Regina retornou ao seu quarto, a madrugada havia começado. Esse jantar facilmente ganharia o pódio de ouro de uma competição dos maiores jantares vulgo catástrofes familiares do mundo. Suspirou, sentindo-se muito cansada. Estava prestes a se jogar na cama sem tirar a maquiagem e o vestido quando deparou-se com Roxy à sua espera.

“Olá.”

“Parece que o jantar não acabou muito bem.” Comentou ela e Regina forçou um sorriso. Roxy estava usando uma camiseta gigantesca e meias, os cabelos mais ondulados que o normal por consequência da trança.

“As coisas saem do controle quando há sinceridade demais.”

“Me desculpe ter explodido.”

“Você deveria pedir desculpas à Emma.”

“Mas mãe?”

“Roxy, meu amor. Eu sei que você acha que Emma é a razão de tudo isso, mas ela não é. Seu pai era um homem casado que traiu seus votos. Não ela.”

“Você fala isso mas eu sei que você tem ressentimento por ela.”

“Porque por algum tempo eu realmente acreditei que ela era melhor do que eu, e que por isso seu pai havia me trocado.”

“Que loucura, mãe. Você é perfeita.”

“Mas eu estava num péssimo momento, minha auto estima estava acabada… Era difícil não pensar isso.” Regina prendeu os cabelos e pegou um dos lenços umedecidos, começando a retirar o batom e a máscara de seus cílios. “Mas me diga, o que faz aqui? O que quer me perguntar?”

“Por que Zelena Ohill tem tanta raiva de você?”

Regina encarou a filha por alguns segundos. Desafivelou o vestido, retirando-o. “De onde você tirou isso?”

“Eu meio que conversei com ela hoje e deu pra perceber que ela não é sua fã.”

Regina retirou o sutiã também e enfiou em uma camisola simples de cetim azul. “Eu não pedi para você ficar longe dos Ohill’s?”

“Eu quero entender o porquê disso.”

Regina respirou fundo. “Certo.” Terminou de guardar seu vestido, e voltou para a cama, deitando-se e cobrindo a ambas. Apagou a luz, deixando a iluminação do quarto para os abajures ao lado da cama. Roxy deitou-se também, frente a frente com sua mãe e atenta ao que ela iria dizer.

“Quando você era muito bebê, havia uma garota chamada Abigail Thompson. Ela trabalhava como voluntária com um grupo de adolescentes na filial da OCorp. Um dia Abigail contou aos pais que havia sido violentada por Hades Ohill. Os pais procuraram a polícia e nós iniciamos o protocolo padrão para esses casos; colocamos a família no programa de proteção e começamos os interrogatórios, o recolhimento de evidências.”

Regina acariciou o rosto da filha que a assistia intensamente. “A família Ohill nunca se pronunciou. Um advogado apareceu para desmentir toda a história e uma corja de estudantes de direito foi contratada para invalidar tudo o que pudessem. Porém uma semana antes do julgamento, alguém encontrou os Thompsons. Talvez algum policial corrupto tenha vendido a localização, nunca iremos saber. Toda a família foi assassinada sob a proteção da polícia e todas as evidências do caso desapareceram. Zelena tentou me sabotar de diversas maneiras depois disso, alegando que eu tentei destruir sua família embora eu só estivesse fazendo o meu trabalho.”

“Então se tornou um caso não resolvido.”

“Sim.”

“Mas isso não faz sentido algum. A morte da garota e da família só os faz parecer ainda mais culpado.”

“Mas sem provas não há nada o que ser feito, Roxy. Isso acabou gerando uma publicidade extra para eles; nos anos seguintes, as ações da OCorp quadruplicaram.”

“Isso é injusto.”

“Injusto e perigoso, Roxanne. Eu falo sério. Fique longe dessa família. Eles não tem escrúpulos.”

Roxanne concordou, pensando no quanto se sentia mal por Tyler. Ele não era uma pessoa ruim, mas infelizmente, as probabilidades lhe diziam que ele acabaria se tornando uma.

Notas finais
Observações. 1. Me desculpem se encontrarem eventuais erros, meu word decidiu dar pane e eu não consigo betar o capítulo em português. Sorry. 2. A musica que o Robin canta para Regina é Sideways, do Citizen Cope, caso alguém decida procurar tradução.